FONASC.CBH – DF: “Macroeconomia das Epidemias: Heterogeneidade Interestadual no Brasil”

FONASC DF – DIVULGA artigo   ”Macroeconomia das Epidemias: Heterogeneidade Interestadual no Brasil” , do Economista Geraldo  Sandoval Goes <geraldo.goes@ipea.gov.br>  junto com   Luan Borelli , cuja versão em inglês  foi aceita e publicada pelo   Centre for Economic Policy Research na sua revista online  CEPR’s Covid Economic (https://cepr.org/sites/ default/files/ CovidEconomics30.pdf).   O CEPR é um dos mais prestigiados think tanks europeus de Políticas Econômicas e fomos os primeiros brasileiros a terem paper aceito nesta revista online sobre Economia da Covid-19. Estamos muito satisfeitos com essa conquista.

Calibramos para o Brasil o modelo SIR-Macro de  Einchenbaum (2020) que incorpora a modelagem epidemiológica SIR (acrônimo para  Suscetíveis, Infectados e Removiveis/Recuperados) de Kermack e McKendrik (1927) a um arcabouço macroeconômico que permite comparar políticas de contenção vis a vis o equilíbrio de mercado. Analisamos a heterogeneidade interestadual para os entes federados mais afetados pela Pandemia (AM, SP, RJ, CE e PE). Os resultados confirmam para o Brasil  que o equilíbrio sem restrição epidemiológica não é socialmente ótimo. E também que as características idiossincráticas dos cinco diferentes estados analisados implicam em relevantes diferenças nas : (i) dinâmicas epidêmicas e suas consequências , (ii) nas políticas ótimas de contenção a serem adotadas por cada estado, (iii) nos efeitos da adoção dessas políticas e (iv) na severidade das recessões.   O modelo apresenta evidências de que a adoção de uma política única para um país geograficamente diverso como o Brasil poderia provocar consequências desproporcionais nas esferas estaduais.. Por um lado, se a política adotada por todo o país fosse abaixo da requerida por determinados estados, a consequência poderia ser a elevação desnecessária do número de mortes para estes estados. Por outro lado, se for acima da necessária para outros determinados estados, estes podem sofrer agravos desnecessários de suas recessões. Portanto, o enfrentamento da epidemia utilizando uma medida de contenção única, agregada para todo o país, poderia ao mesmo tempo tanto custar mais vidas quanto aprofundar mais a recessão econômica em relação ao enfrentamento desagregado com medidas de contenção discriminadas por estado. Uma outra conclusão é que, pela variabilidade em resultados tão epidemiologicamente relevantes, e em presença desse alto nível de incerteza a contenção é a política mitigadora mais recomendável..   O estudo é muito robusto, tanto metodologicamente quanto pela calibragem realizada, e é fruto de vários exercícios realizados e nos quais, para diferenciar os estados, elegemos 9 variáveis nas mais diversas dimensões: demográficas, econômicas e comportamentais.   Em resumo, aplicamos o modelo SIR-macro  aos estados brasileiros a fim de avaliar qualitativamente como a grande heterogeneidade das características intrínsecas de cada estado pode influenciar a dinâmica da epidemia,as  políticas ótimas de contenção e as consequências macroeconômicas. Esta questão é particularmente relevante para o desenho de políticas de contenção para o Brasil, dadas suas dimensões geográficas e demográficas.Finalmente acreditamos que o estudo é relevante pois cremos que torna-se necessário, naquilo que obviamente não seja moralmente condenável, que se tenha objetividade nas análises e menos juízos de valor enviesados por quaisquer cosmovisões.

Você poderia postar esse e-mail no Grupo da ABRH ? Ao nosso entender essa  temática é pertinente para a compreensão do cenário macroeconômico  na pós-pandemia e consequentes implicações nas ofertas e demandas hídricas.  Também sei que muitos colegas possuem interesse intelectual pelo tema e será um prazer manter contato com a comunidade de recursos hídricos e receber seus comentários que , na continuidade dessa agenda de pesquisa,  com certeza nos serão muito valiosos.  Em  breve a versão em português sairá pelo Ipea como  Texto para Discussão.
Talvez alguns colegas da ABRH gostem de saber que estamos aqui desenvolvendo  uma agenda de Macroeconomia dos Recursos Hídricos, tanto nos aspectos de curto prazo quanto de  longo prazo, utilizando modelagens DSGE, CGE e OLG.
Esperamos que você e nossos pares gostem do artigo. E claro, tomemos cuidados,todos!
Abraços,
Geraldo Góes
* Geraldo Goes é um economista amigo cuja competência na CNRH foi muito mal aproveitado pela PNRH – POLITIA NACIONAL DE RECURSOS HÍDRICOS

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