Navegando em todos os artigos FONASC DF

FONASC CNRH DIVULGA – Na prática as empresas continuarão a apresentar seus planos sem nenhum tipo de análise técnica ou aprovação pela Agência Nacional de Mineração (ANM), Agência Nacional de Águas (ANA) e Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). conforme Parecer do SENADO que subsidiou novo marco regulatório da POLITICA DE SEGURANÇA DE BARRAGENS .

Parecer do SENADO que subsidiou novo marco regulatório da POLITICA DE SEGURANÇA DE BARRAGENS . Felizmente  O CNRH desistiu de encaminhar sua proposta durante a tramitação da ova lei de barragens que ao meu ver poderia ser considerado uma postura inapropriada do CNRH ( nesses tempos de intervenção) na tramitação de uma lei que ainda não tinha sido aprovada …podendo ser confundido como ato de LOBISTA E NÃO DE UMA instancia de regulamentação de normas constitucionais , saindo de sua Missão LEGAL , em vez de promover  regulamentação através de  NORMAS INFRACONSTITUCIONAIS .Isso não impediu porém, que o MDR MINISTÉRIO DE DESENVOLVIMENTO REGIONAL SE POSICIONASSE A REVELIA DO CONSELHO JUNTO AO SENADO PARA QUE A NOVA LEI DE SEGURANÇA DE BARRAGENS  EXCLUISSE a obrigação de agências reguladoras analisarem planos de Segurança de Barragens das empresas responsáveis pelas mesmas , segundo o site da Terra , através do artigo assinado por André Borges e Daniel Weterman

 

veja :

 Brasília – Passados um ano e oito meses da tragédia da mineradora Vale em Brumadinho (MG), o projeto de lei aprovado pelo Congresso que agora segue à sanção presidencial deixou de contemplar uma das principais mudanças que se esperava da nova Política Nacional de Segurança de Barragens: a exigência de que os planos de emergência apresentados pelas empresas fossem analisados previamente pelas agências reguladoras.

Ao justificar a retirada dessa obrigação, o relator da proposta, senador Antonio Anastasia (PSD-MG), alegou que a mudança, solicitada pelo Ministério do Desenvolvimento Regional, deveria ser atendida, para que as agências não se transformassem em “avalistas” dos empreendimentos “Os órgãos fiscalizadores seriam sobrecarregados com a análise de milhares de PSBs, o que provocaria atrasos na liberação da construção de novas barragens e prejudicaria a fiscalização das barragens em operação, diminuindo a segurança ao invés de aumentá-la”, declarou.

Na prática, portanto, as empresas continuarão a apresentar seus planos sem nenhum tipo de análise técnica ou aprovação pela Agência Nacional de Mineração (ANM), Agência Nacional de Águas (ANA) e Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Foi ainda excluída a obrigação de a empresa responsável pela estrutura contratar somente profissionais especializados em segurança de barragens incluídos em um cadastro específico para os planos de segurança. “Esse procedimento pode criar uma reserva de mercado e impedir o acesso de profissionais capacitados”, alegou Anastasia.
 O fato é que, caso a agência de mineração tivesse analisado previamente o plano de emergência que a empresa Tüv Süd apresentou para a barragem da mina do Córrego do Feijão, da Vale, seria a grande a probabilidade de ter exigido mudanças nas estruturas, uma vez que esses estudos já apontavam, antes da tragédia, que a chegada da lama ao local do refeitório da Vale ocorreria em até um minuto, no caso de um acidente, e que até mesmo as rotas de fuga seriam alcançadas em três ou cinco minutos.

“Aprovamos o projeto que foi possível. Ele traz avanços no assunto, mas infelizmente tivemos um prejuízo muito grande com essas duas mudanças. O risco de continuar a acontecer o que houve com a Vale e Tüv Sud permanece”, diz o deputado Júlio Delgado (PSB-MG).

A deputada Áurea Carolina (Psol-MG) diz que a justificativa de que haveria sobrecarga sobre as agências não faz sentido. Seria o mesmo que dizer que o Ibama, ao analisar e aprovar um Estudo de Impacto Ambiental (EIA) de uma obra, passa a ser responsável por acidentes que ocorrerem no empreendimento, avalia. “É complicadíssima a decisão de retirar, das agências, a responsabilidade de aprovar os planos. Isso acaba por autorizar o mesmo caminho que levou à tragédia da Vale, em Brumadinho”, avalia. “O argumento de que o órgão ficaria responsável pela autorização não para em pé. Não existe isso. Era um ponto crucial. O governo federal pressionou para isso, está alinhado a esses interesses econômicos.”

Para o deputado Zé Silva (Solidariedade-MG), a mudança, de fato, fragiliza a fiscalização. “O que levou o movimento para esta alteração foi o argumento que iria engessar os processos de implantação dos empreendimentos. Na minha avaliação, esta tese está pautada na ideia de que a ANM não tem estrutura adequada de orçamento e de técnicos para lidar com isso”.

Avanços. O projeto de lei agora depende apenas de sanção presidencial para entrar em vigor. Os parlamentares, ainda assim, destacam algumas mudanças importantes, como o fato de o projeto estabelecer uma multa administrativa de até R$ 1 bilhão a empresas que descumprirem as normas de segurança previstas na medida. Apesar de não terem seus planos analisados e aprovados, as empresas terão que elaborar seus estudos com identificação e avaliação de riscos, além da definição das hipóteses e cenários possíveis de acidente ou desastre nas barragens. “É uma resposta para a toda a sociedade, principalmente para aqueles que estão com medo porque moram perto de barragens e aqueles que perderam familiares”, disse a senadora Leila Barros (PSB-DF), autora do projeto, no ato de aprovação do texto.

Para prevenir os desastres, o texto proíbe a construção de barragens de rejeitos de mineração pelo método a montante (no qual se constroem degraus com o próprio material de rejeito), como o de Brumadinho, considerado o mais perigoso. Há um prazo até 25 de fevereiro de 2022 para as empresas desativarem essas estruturas. Com mudanças na Política Nacional de Segurança de Barragens (PNSB), a proposta abrange todos os tipos de barragens, e não apenas as de rejeitos de mineração.

Pelo projeto, também haverá a proibição de construção dessas estruturas quando houver comunidades na chamada “Zona de Autossalvamento” (ZAS), ou seja, casas localizadas no entorno das barragens. Essa regra preocupa empresas, por não haver uma definição clara sobre a delimitação dessa área, o que ainda dependerá de regulamentação. As barragens existentes terão prazo de dois anos para se adequar às exigências de seguro e fiança para danos à vida humana e ambientais.

No mês passado, as buscas em Brumadinho foram retomadas, na tentativa de localizar 11 vítimas ainda não encontradas em uma das maiores tragédias da história mundial do setor mineral, que tirou a vida de 272 pessoas.

 

 

PARECER Nº 123, DE 2020-PLEN/SF De PLENÁRIO, sobre o Projeto de Lei nº 550, de 2019 (Substitutivo da Câmara dos Deputados ao Projeto de Lei nº 550, de 2019, aprovado no Senado Federal), que altera a Lei nº 12.334, de 20 de setembro de 2010, que estabelece a Política Nacional de Segurança de Barragens (PNSB), a Lei nº 7.797, de 10 de julho de 1989, que cria o Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA), a Lei nº 9.433, de 8 de janeiro de 1997, que institui a Política Nacional de Recursos Hídricos, e o Decreto-Lei nº 227, de 28 de fevereiro de 1967 (Código de Mineração). Relator: Senador ANTONIO ANASTASIA I – RELATÓRIO Vem para a análise deste Plenário o Projeto de Lei (PL) nº 550, de 2019 (Substitutivo da Câmara dos Deputados ao Projeto de Lei nº 550, de 2019, aprovado no Senado Federal), que altera a Lei nº 12.334, de 20 de setembro de 2010, que estabelece a Política Nacional de Segurança de Barragens (PNSB), a Lei nº 7.797, de 10 de julho de 1989, que cria o Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA), a Lei nº 9.433, de 8 de janeiro de 1997, que institui a Política Nacional de Recursos Hídricos, e o Decreto-Lei nº 227, de 28 de fevereiro de 1967 (Código de Mineração). Na forma do Substitutivo da Câmara dos Deputados (SCD), o PL nº 550, de 2019, é composto por dez artigos. SF/20047.38385-69 SENADO FEDERAL Gabinete do Senador ANTONIO ANASTASIA Praça dos Três Poderes – Senado Federal – Anexo II – Ala Senador Tancredo Neves – Gabinete 51 – CEP 70165-900 – Brasília/DF O art. 1º, em obediência ao art. 7º da Lei Complementar nº 95, de 26 de fevereiro de 1998, indica o objeto da matéria e o respectivo âmbito de aplicação, que vem a ser a modificação de dispositivos da Lei nº 12.334, de 20 de setembro de 2010, que estabelece a Política Nacional de Segurança de Barragens (PNSB), da Lei nº 7.797, de 10 de julho de 1989, que cria o Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA), da Lei nº 9.433, de 8 de janeiro de 1997, que institui a Política Nacional de Recursos Hídricos, e do DecretoLei nº 227, de 28 de fevereiro de 1967, o Código de Mineração. O art. 2º altera os arts. 1º, 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º, 8º, 9º, 10, 11, 12, 13, 15, 16, 17 e 18 da Lei nº 12.334, de 2010, introduzindo modificações em relação ao PL nº 550, de 2019, aprovado no Senado Federal, seja na forma de adição, seja na forma de supressão de dispositivos. Entre as adições, ressaltamos as obrigatoriedades de (i) utilizar técnicas de análise de risco e de elaborar o mapa de inundação no Plano de Segurança da Barragem; (ii) o empreendedor manter o Plano de Segurança da Barragem atualizado e operacional até a completa descaracterização da estrutura; (iii) o órgão fiscalizador determinar prazo para que o empreendedor realize as intervenções necessárias para aumentar a segurança da barragem; (iv) o empreendedor avaliar a viabilidade de outras tecnologias de disposição de rejeitos de mineração previamente à construção de barragens de mineração; e (v) o empreendedor apresentar laudo de condição de estabilidade quando requisitado pelos órgãos fiscalizadores. Ainda entre as inovações, citamos: (i) as novas definições incluídas, bem como o aperfeiçoamento técnico das definições existentes; (ii) a eliminação de possíveis dubiedades quanto à definição do órgão SF/20047.38385-69 SENADO FEDERAL Gabinete do Senador ANTONIO ANASTASIA Praça dos Três Poderes – Senado Federal – Anexo II – Ala Senador Tancredo Neves – Gabinete 51 – CEP 70165-900 – Brasília/DF fiscalizador responsável por cada tipo de barragem; adicionalmente, esses órgãos ficam obrigados a melhorar a comunicação com os órgãos ambientais e a sociedade em casos de emergência; (iii) a especificação das barragens que devem possuir o PAE, a saber, as barragens de alto e médio dano potencial associado, todas as barragens de rejeitos de mineração e, a critério do órgão fiscalizador, as barragens de alto risco; (iv) o detalhamento das informações que devem constar do PAE, inclusive o cadastramento da população localizada na chamada Zona de Autossalvamento (ZAS); (v) a inclusão das barragens em construção e desativadas no Sistema Nacional de Informações sobre Segurança de Barragens (SNISB); e (vi) a autorização do órgão fiscalizador para exigir do empreendedor garantias financeiras para indenização por danos a terceiros e ao meio ambiente provocados por acidentes para os seguintes tipos de barragens: de rejeitos de mineração e de resíduos industriais ou nucleares quando classificadas de médio ou alto risco e de médio ou alto dano potencial associado; de acumulação de água, quando classificadas de alto risco ou de alto dano potencial associado; e de hidrelétricas, quando classificadas de alto risco. Já entre as supressões — que decorreram de amplo acordo de convergência no âmbito da Câmara dos Deputados — citamos a eliminação de dispositivos que estabeleciam as seguintes obrigatoriedades: (i) de elaboração do Plano de Ação de Emergência (PAE) para todas as barragens; (ii) de todas as barragens possuírem seguro ou outra garantia financeira para cobertura de danos a terceiros e ao meio ambiente; (iii) de as barragens de rejeitos de mineração e de resíduos industriais possuírem seguro ou outra garantia financeira para custear a desativação ou descaracterização da barragem; (iv) de as barragens possuírem monitoramento remoto e on line; (v) de o órgão fiscalizador inspecionar diariamente as barragens de rejeitos SF/20047.38385-69 SENADO FEDERAL Gabinete do Senador ANTONIO ANASTASIA Praça dos Três Poderes – Senado Federal – Anexo II – Ala Senador Tancredo Neves – Gabinete 51 – CEP 70165-900 – Brasília/DF alteadas a montante; e (vi) de o empreendedor realocar as populações residentes nas áreas potencialmente afetadas por acidentes com barragens de alto risco. O art. 3º insere os arts. 2º-A, 18-A, 18-B e 18-C na Lei nº 12.334, de 2010, mantendo, conforme o PL nº 550, de 2019, aprovado no Senado Federal, a proibição da construção de barragens de rejeitos de mineração pelo método de alteamento a montante e o estabelecimento de prazo para o cumprimento da determinação. Outras inovações que destacamos no art. 3º são: (i) a proibição da construção de barragens de rejeitos de mineração quando houver comunidades na ZAS; (ii) o estabelecimento de três opções para lidar com as comunidades existentes na ZAS de barragens de mineração em construção ou em operação, a saber, a descaracterização da barragem, o reassentamento da população ou o reforço da barragem; (iii) a determinação de que o Poder Público Municipal impeça o parcelamento da ZAS; e (iv) o estabelecimento do prazo máximo de três anos para os contratos dos peritos responsáveis pela inspeção de barragens e da obrigatoriedade de que os peritos de acidentes de barragens trabalhem sob coordenação do órgão fiscalizador, às expensas do empreendedor da barragem acidentada. O art. 4º introduz o Capítulo V-A na Lei nº 12.334, de 2010, para instituir infrações e sanções administrativas na PNSB. Entre as inovações, ressaltamos: (i) o detalhamento de processo administrativo para sanção de infrações administrativas; (ii) a adição de novas sanções administrativas; (iii) a definição do valor das multas de R$ 2 mil até R$ 1 bilhão; e (iv) a alocação nos órgãos fiscalizadores dos valores recolhidos com as multas. SF/20047.38385-69 SENADO FEDERAL Gabinete do Senador ANTONIO ANASTASIA Praça dos Três Poderes – Senado Federal – Anexo II – Ala Senador Tancredo Neves – Gabinete 51 – CEP 70165-900 – Brasília/DF O art. 5º altera o caput do art. 5º da Lei nº 7.797, de 10 de julho de 1989, para incluir a recuperação de áreas degradadas por acidentes ou desastres ambientais entre as aplicações prioritárias de recursos financeiros do Fundo Nacional de Meio Ambiente. O art. 6º altera o art. 50 da Lei nº 9.433, de 8 de janeiro de 1997, para atualizar os valores das multas administrativas da Política Nacional de Recursos Hídricos (PNRH), passando o valor máximo de R$ 10 mil para R$ 50 milhões. O art. 7º modifica os arts. 39, 53, 63, 64 e 65 do Código de Mineração, principalmente para garantir maior segurança nas barragens de mineração, introduzir a sanção de caducidade do título de concessão de lavra em caso de acidentes com rejeitos de mineração e aumentar o valor das multas administrativas para a faixa entre R$ 2 mil e R$ 1 bilhão. O art. 8º insere os arts. 6º-A, 43-A e 47-A no Código de Mineração, basicamente para, em sintonia com o art. 225 da Constituição Federal, introduzir e explicitar as responsabilidades do minerador para com o meio ambiente, incluindo a recuperação das áreas degradadas. O art. 9º revoga os arts. 43, 57 e 87 do Código de Mineração. O primeiro determinava que a concessão de lavra se desse por meio de portaria assinada pelo Ministro de Estado de Minas e Energia e os dois últimos impediam a suspensão das atividades da mina em caso de ações judiciais. Por fim, o art. 10 estabelece a vigência da Lei, a partir de sua publicação. SF/20047.38385-69 SENADO FEDERAL Gabinete do Senador ANTONIO ANASTASIA Praça dos Três Poderes – Senado Federal – Anexo II – Ala Senador Tancredo Neves – Gabinete 51 – CEP 70165-900 – Brasília/DF Na Câmara dos Deputados, o PL nº 550, de 2019, foi analisado por uma Comissão Especial que concluiu seus trabalhos com a apresentação de outros projetos de lei cujos temas tangenciam a Política Nacional de Segurança de Barragens, mas que, em razão de sua complexidade, merecem ser debatidos em proposições próprias. Por essa razão, o Substitutivo da Câmara dos Deputados não manteve as inovações legislativas, contidas no PL nº 550, de 2019, aprovado no Senado Federal, que alteravam dispositivos dos diplomas legais citados abaixo. O art. 2º-G, introduzido na Lei nº 8.001, de 13 de março de 1990, que criava a obrigatoriedade de o minerador continuar pagando os royalties da mineração se a produção fosse interrompida por acidente com barragem de mineração. Este tema é objeto do PL nº 2.789, de 2019, apresentado no âmbito da citada Comissão Especial e que ajusta as alíquotas da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) e instituir fundo para ações emergenciais decorrentes de desastres causados por empreendimento minerário. O § 2º do art. 1º da Lei nº 8.072, de 25 de julho de 1990, que classificava como hediondo o crime de poluição ambiental com resultado morte. O § 2º, do art. 54 e os §§ 1º ao 6º do art. 73 da Lei nº 9.065, de 12 de fevereiro 1998, que, respectivamente, aumentava a pena do crime de poluição com resultado morte e estabeleciam a obrigatoriedade de os valores arrecadados com as multas aplicadas em razão de acidentes ambientais fossem integralmente destinados à reparação das áreas afetadas. Este tema é objeto do PL nº 2.787, de 2019, também apresentado no âmbito da citada SF/20047.38385-69 SENADO FEDERAL Gabinete do Senador ANTONIO ANASTASIA Praça dos Três Poderes – Senado Federal – Anexo II – Ala Senador Tancredo Neves – Gabinete 51 – CEP 70165-900 – Brasília/DF Comissão Especial e que tipifica o crime de ecocídio e a conduta delitiva do responsável por desastre relativo a rompimento de barragem. O PL já se encontra no Senado Federal sob relatoria do eminente Presidente da Comissão de Meio Ambiente, Senador Fabiano Contarato. O parágrafo único do art. 13 da Lei nº 12.608, de 10 de abril de 2012, que obrigava o Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil (SINPDEC) a manter um canal de comunicação com a população para o recebimento de denúncias sobre segurança de barragens. Este tema é objeto do PL nº 2.788, de 2019, também apresentado no âmbito da citada Comissão Especial e que institui a Política Nacional de Direitos das Populações Atingidas por Barragens. O PL também se encontra no Senado Federal sob relatoria da ilustre Senadora Leila Barros. II – ANÁLISE Cabe ao Plenário do Senado Federal, na forma do Ato da Comissão Diretora nº 7, de 17 de março de 2020, apreciar o Substitutivo da Câmara dos Deputados (SCD) ao PL nº 550, de 2019, em termos de constitucionalidade, juridicidade, regimentalidade e técnica legislativa, bem como analisar-lhe o mérito. Quanto à admissibilidade, verifica-se a constitucionalidade formal e material do SCD. Do ponto de vista do conteúdo, a proposição concretiza os princípios constitucionais da proteção do meio ambiente e do combate à poluição em qualquer de suas formas (Constituição Federal – CF, art. 23, VI). Ademais, compete ao Poder Público controlar o emprego de técnicas, métodos e substâncias que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente, nos termos do art. 225, V, da CF. Por fim, SF/20047.38385-69 SENADO FEDERAL Gabinete do Senador ANTONIO ANASTASIA Praça dos Três Poderes – Senado Federal – Anexo II – Ala Senador Tancredo Neves – Gabinete 51 – CEP 70165-900 – Brasília/DF segundo os ditames do § 2º do mesmo art. 225, cabe àquele que explora recursos minerais a obrigação de recuperar o meio ambiente degradado. Já em relação ao aspecto formal, incide a competência legislativa da União, já que é competência privativa desta legislar sobre água e energia (CF, art. 22, IV) e jazidas e minas (CF, art. 22, XII), e é competência concorrente da União, dos Estados e do Distrito Federal legislar sobre proteção do meio ambiente e controle da poluição (CF, art. 24, VI), bem como sobre responsabilidade por dano ao meio ambiente (CF, art. 24, VIII). Demais disso, não há vício de iniciativa, uma vez que a proposição não invade matérias de iniciativa privativa do Presidente da República, previstas no art. 61, § 1º, da CF. Em relação à juridicidade, registra-se a adequação do instrumento normativo. Trata-se, ainda, de proposição que visa a inovar o ordenamento jurídico, dotado de abstração, generalidade e imperatividade. Já quanto à regimentalidade, não se verificam óbices. Porém, em termos da técnica legislativa do SCD, nota-se um equívoco na forma de revogação dos §§ 2º e 3º do art. 63 do Decreto-Lei nº 227, de 1967. De acordo com a Lei Complementar nº 95, de 1998, a revogação de dispositivo deve ser explicitada na cláusula de revogação. Não cabe, portanto, a simples inserção do termo “Revogado” no texto da lei modificada. Para sanar essa questão, são apresentadas correções de redação do art. 7º, que modifica o art. 63 do Decreto-Lei nº 227, de 1967, e do art. 9º, que trata das revogações. SF/20047.38385-69 SENADO FEDERAL Gabinete do Senador ANTONIO ANASTASIA Praça dos Três Poderes – Senado Federal – Anexo II – Ala Senador Tancredo Neves – Gabinete 51 – CEP 70165-900 – Brasília/DF Com relação ao mérito, entendemos que o SCD partilha dos mesmos objetivos do PL nº 550, de 2019, aprovado no Senado Federal. Ambas as proposições buscam aperfeiçoar a PNSB, de forma a evitar a repetição de desastres como os provocados pelas empresas Samarco e Vale, respectivamente, em Mariana e Brumadinho. Porém, se, mesmo com a introdução na legislação vigente de diversas medidas de caráter preventivo, desastre semelhante voltar a ocorrer, outras inovações legislativas visam mitigar os danos causados, tanto em termos de pessoas atingidas quanto da extensão dos danos ambientais. Adicionalmente, criam-se formas mais expeditas de compensar e ressarcir as vítimas e de punir os responsáveis pelo acidente. Consideramos, contudo, necessário modificar alguns pontos do Substitutivo da Câmara dos Deputados. Um. Mantivemos a versão do PL nº 550, de 2019, aprovado no Senado Federal, para o inciso II do art. 16 da Lei nº 12.334, de 2010. O inciso modificado atualiza o nome do sistema CONFEA/CREA (Conselho Federal de Engenharia e Agronomia e Conselho Regional de Engenharia e Agronomia). O sistema CONFEA/CREA não representa mais os arquitetos, que atualmente possuem conselho profissional próprio. Dois. A partir de solicitação do Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR), julgamos prudente suprimir o § 5º do art. 8º e o parágrafo único do art. 18-B da Lei nº 12.334, de 2010, na forma do SCD. O primeiro dispositivo, ao determinar que o órgão fiscalizador aprove o Plano de Segurança da Barragem (PSB), estende por demais as atribuições desse órgão e, ao fim e ao cabo, torna-o avalista do empreendedor SF/20047.38385-69 SENADO FEDERAL Gabinete do Senador ANTONIO ANASTASIA Praça dos Três Poderes – Senado Federal – Anexo II – Ala Senador Tancredo Neves – Gabinete 51 – CEP 70165-900 – Brasília/DF em relação ao PSB. Aqui é preciso ressaltar que um dos princípios fundamentais da PNSB é o empreendedor ser o responsável legal pela segurança da barragem. Mesmo do ponto de vista prático, a determinação do dispositivo não seria producente. Os órgãos fiscalizadores seriam sobrecarregados com a análise de milhares de PSBs, o que provocaria atrasos na liberação da construção de novas barragens e prejudicaria a fiscalização das barragens em operação, diminuindo a segurança ao invés de aumentá-la. Já o segundo dispositivo obriga os empreendedores a contratar somente profissionais especializados em segurança de barragens incluídos em cadastro específico criado pelo órgão fiscalizador. Esse procedimento pode criar uma reserva de mercado e impedir o acesso de profissionais capacitados. Ademais, por ser atividade eminentemente de engenharia, os requisitos para o exercício profissional relativo à segurança de barragens são atribuições legais do sistema Confea/Crea. Três. Ainda entre as modificações que adotamos, esta de caráter redacional, substituímos, no art. 18-C da Lei nº 12.334, de 2010, na forma do SCD, a expressão “sob a coordenação do órgão fiscalizador” por “em coordenação com o órgão fiscalizador”, para evitar dubiedades. Este dispositivo trata da participação do órgão fiscalizador nas perícias de barragens acidentadas por profissionais independentes. A redação do SCD pode gerar dúvidas com relação ao grau de independência desses profissionais. Quanto aos demais dispositivos do SCD, estamos acolhendo a redação aprovada na Câmara dos Deputados. SF/20047.38385-69 SENADO FEDERAL Gabinete do Senador ANTONIO ANASTASIA Praça dos Três Poderes – Senado Federal – Anexo II – Ala Senador Tancredo Neves – Gabinete 51 – CEP 70165-900 – Brasília/DF Reputamos, neste ponto, importante esclarecer porque concordamos com o SCD em não estabelecer sanções penais no âmbito da PNSB. Já tramita no Senado Federal o Projeto de Lei nº 3915, de 2019, de autoria da Comissão Parlamentar de Inquérito de Brumadinho, que altera a Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998 (Lei de Crimes Ambientais), para tipificar o crime de desastre ecológico de grande proporção ou que produza estado de calamidade pública, bem como a conduta do responsável por desastre relativo a rompimento de barragem. A proposição, a nosso ver, de grande qualidade e mérito, já teve relatório, do eminente Senador Otto Alencar, aprovado na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania e aguarda inclusão na Ordem do Dia. No mesmo sentido, a própria Câmara dos Deputados houve por bem destacar este sensível tema na forma do PL nº 2.787, de 2019, que tipifica o crime de ecocídio e a conduta delitiva do responsável por desastre relativo a rompimento de barragem. Este projeto já se encontra no Senado Federal sob relatoria do eminente Presidente da Comissão de Meio Ambiente, Senador Fabiano Contarato. Finalmente, o Substitutivo da Câmara dos Deputados aproveita em grande medida o PL nº 550, de 2019, aprovado no Senado Federal, porém, a nosso ver, mostra-se mais ajustado à realidade multifacetada onde a PNSB é aplicada. De fato, quando o PL nº 550, de 2019, foi aprovado no Senado Federal, o desastre provocado pela Vale em Brumadinho era muito recente, e as deliberações senatoriais focaram, quase que exclusivamente, as barragens de rejeitos de mineração. Entretanto, a PNSB aplica-se a todos os tipos de barragens e as barragens de rejeitos de mineração são minoria, apenas 10%, entre as incluídas na PNSB. SF/20047.38385-69 SENADO FEDERAL Gabinete do Senador ANTONIO ANASTASIA Praça dos Três Poderes – Senado Federal – Anexo II – Ala Senador Tancredo Neves – Gabinete 51 – CEP 70165-900 – Brasília/DF Além disso, na Câmara dos Deputados, o processo de discussão da proposição estendeu-se por mais de um ano. As discussões foram acaloradas e envolveram, no processo de elaboração do SCD, os diversos setores aos quais se aplica a PNSB. Participaram dessas discussões, além dos Deputados Federais, membros da Comissão Externa do Desastre de Brumadinho e das bancadas dos estados mineradores, principalmente, do Estado de Minas Gerais, representantes do Ministério de Minas e Energia (MME), da Agência Nacional de Águas (ANA), da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), da Agência Nacional de Mineração (ANM), da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil do Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR), do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG). Com efeito, o Substitutivo da Câmara dos Deputados representa a melhor proposição que foi possível construir consensualmente. Inclusive, apesar de toda a polêmica que envolve o tema das barragens, o Substitutivo foi aprovado sem que fosse apresentado um destaque sequer no Plenário da Câmara dos Deputados. Entre as inovações legislativas do SCD, destacamos a proibição das barragens de rejeitos de mineração construídas pelo método de alteamento a montante, considerado o mais perigoso; a proibição da construção de barragens de rejeitos de mineração quando houver comunidades na ZAS; o estabelecimento de opções para lidar com as comunidades existentes na ZAS de barragens de mineração em construção ou em operação, incluindo o reassentamento da população e a mudança do projeto da barragem; a determinação de que o Poder Público Municipal SF/20047.38385-69 SENADO FEDERAL Gabinete do Senador ANTONIO ANASTASIA Praça dos Três Poderes – Senado Federal – Anexo II – Ala Senador Tancredo Neves – Gabinete 51 – CEP 70165-900 – Brasília/DF impeça o parcelamento da ZAS; a obrigatoriedade de contratação de seguros para as barragens mais perigosas; a avaliação da viabilidade de outras tecnologias de disposição de rejeitos de mineração previamente à construção de barragens de mineração; a obrigatoriedade de apresentação de laudo de condição de estabilidade das barragens; os aperfeiçoamentos no PAE e no PSB; o aumento das multas em caso de acidentes com barragens e outras infrações da PNSB; a inclusão no Código de Mineração de obrigações de cunho ambiental, abarcando as barragens de mineração; e o endurecimento das sanções contra os maus mineradores, incluindo a caducidade do título de concessão de lavra. Em suma, o SCD representa um avanço significativo em relação à legislação vigente, aumentando a segurança na construção e operação de barragens e contribuindo para a proteção das pessoas que vivem a jusante dessas estruturas e do meio ambiente. III – VOTO Ante o exposto votamos pela aprovação do Substitutivo da Câmara dos Deputados ao Projeto de Lei nº 550, de 2019, mantendo-se o inciso II do art. 16 da Lei nº 12.334, de 20 de setembro de 2010, na forma do PL nº 550, de 2019, aprovado no Senado Federal; suprimindo-se o § 5º do art. 8º e o parágrafo único do art. 18-B da Lei nº 12.334, de 20 de setembro de 2010, na forma do Substitutivo da Câmara dos Deputados; e introduzindo-se as seguintes alterações de cunho redacional: SF/20047.38385-69 SENADO FEDERAL Gabinete do Senador ANTONIO ANASTASIA Praça dos Três Poderes – Senado Federal – Anexo II – Ala Senador Tancredo Neves – Gabinete 51 – CEP 70165-900 – Brasília/DF EMENDA Nº 1 – PLEN (DE REDAÇÃO) O art. 18-C da Lei nº 12.334, de 20 de setembro de 2010, na forma do art. 3º do Substitutivo da Câmara dos Deputados, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 18-C. O laudo técnico referente às causas do rompimento de barragem deve ser realizado por peritos independentes, a expensas do empreendedor, em coordenação com o órgão fiscalizador.” EMENDA Nº 2 – PLEN (DE REDAÇÃO) O art. 63 do Decreto-Lei nº 227, de 28 de fevereiro de 1967, na forma do art. 7º do Substitutivo da Câmara dos Deputados, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 63. Sem prejuízo do disposto na Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, e na Lei nº 12.334, de 20 de setembro de 2010, o descumprimento das obrigações decorrentes das autorizações de pesquisa, das permissões de lavra garimpeira, das concessões de lavra e do licenciamento previsto nesta Lei implica, dependendo da infração: …………………………………………… IV – multa diária; V – apreensão de minérios, bens e equipamentos; ou VI – suspensão temporária, total ou parcial, das atividades de mineração. § 1º A aplicação das penalidades de advertência, multa, multa diária, apreensão de minérios, bens e equipamentos e suspensão temporária das atividades de mineração compete à Agência Nacional de Mineração (ANM), e a aplicação de caducidade do título, ao Ministro de Estado de Minas e Energia. ……………………………………………. (NR)” SF/20047.38385-69 SENADO FEDERAL Gabinete do Senador ANTONIO ANASTASIA Praça dos Três Poderes – Senado Federal – Anexo II – Ala Senador Tancredo Neves – Gabinete 51 – CEP 70165-900 – Brasília/DF EMENDA Nº 3 – PLEN (DE REDAÇÃO) O art. 9º do Substitutivo da Câmara dos Deputados, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 9º Ficam revogados os arts. 43, 57 e 87 e os §§ 2º e 3º do art. 63, todos do Decreto-Lei nº 227, de 28 de fevereiro de 1967 (Código de Mineração).” Sala das Sessões, , Presidente , Relator

 

BAIXE O ARQUIVO ACIMA

VEJA A ATUAÇÃO DO FONASC NA POLITICA DE BARRAGENS

http://fonasc-cbh.org.br/?wpfb_dl=623

 

 

 

 

 

veja mais sobre a atuação do FONASC

FONASC.CBH – FONASC.CBH APOIA A CARTA DE DECLARAÇÃO DE SIMPÓSIO MUNDIAL DA ÁGUA

O Simpósio Mundial da Água “Somos Água, Somos Um”, organizado por movimentos sociais e ambientais, liderado pela plataforma “Tribute Earth”, por meio de uma Declaração de Apoio, deu voz a uma série de pedidos de nível internacional, intersetorial e interinstitucional: a Defesa do Direito Mundial a Água, a Lei Mundial da Água, a Declaração do Ano Mundial da Água 2021 e a Criação do Movimento Mundial da Água.

Este último tem como estratégia conjunta para garantir o acesso e a proteção dos ecossistemas hídricos, tendo como objetivo deixar um eixo norteador de uma nova era para a humanidade em nível global.

O simpósio se baseou em alguns Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis (ODS) das Nações Unidas: ODS 1 – Fim da Pobreza; ODS 3 – Saúde e bem-estar; ODS 5 – Igualdade de Gênero; ODS 6 – Água limpa e saneamento; ODS 10 – Redução de desigualdades; ODS 11 – Cidades e comunidades sustentáveis; ODS 13 – Ação Climática; ODS 14 – Vida Subaquática, ODS 15 – Vida dos ecossistemas terrestres; ODS 17 – Alianças para a cooperação e os direitos ambientais reconhecidos pelas Cartas Magníficas de todos os países.

De acordo com a Declaração, a maioria das pessoas já tratam com normalidade as adversidades enfrentadas pela contaminação, acesso e destruição dos recursos hídricos.

Para ter acesso ao documento, clique abaixo.

Declaratoria del Derecho Mundial al Agua.

O Fórum Nacional da Sociedade Civil nos Comitês de Bacias Hidrográficas (FONASC. CBH) se manifestou com seu apoio. E considera a água como um bem natural, a qual todos têm direito, que pode ser acessada conforme os princípios do desenvolvimento sustentável, para a garantia da qualidade das gerações futuras e a vida e fundamentalmente preservando seu valor social.

FONASC MG DIVULGA NA REUNIÃO DA CTSB DO CNRH ” PESQUISA SOBRE REJEITOS DA BARRAGEM DO FUNDÃO QUE SEGUEM EM ALTA CONCENTRAÇÃO NA FOZ DO RIO DOCE “

FONASC MG DIVULGA NA REUNIÃO DA CTSB DO CNRH ” PESQUISA SOBRE REJEITOS DA BARRAGEM DO FUNDÃO SEGUEM EM ALTA CONCENTRAÇÃO NA FOZ DO RIO DOCE “

 

No dia 13 de junho de 2020, foi realizada a quarta reunião da Câmara Técnica de Segurança de Barragens (CTSB), nos turnos matutino e vespertino. Por razões de segurança e contenção do novo coronavírus a reunião foi realizada por videoconferência, seguindo os protocolos de prevenção, do Conselho Nacional Recursos Hídricos e da Câmara Técnica de Segurança de Barragens. O FONASC foi representado pelo Professor Vicente de Paulo da Silva (representante da Sociedade Civil na CTSB – FONASC. Na pauta foram tratados dos seguintes itens: 2. Aprovação da memória da 3ª Reunião da CTSB-CNRH.3. Apresentação e deliberação acerca da proposta de revisão da Resolução CNRH nº 144/2012,no que se refere ao processo de elaboração e análise do Relatório de Segurança de Barragens.4. Apresentação de proposta de estabelecimento de diretrizes gerais sobre processos de fiscalização de segurança de barragens.5. Informe sobre as atividades do GT Revisão da Res CNRH nº 143/2012.

Nesta Reunião o FONASC disponibilizou o documento abaixo Informando sobre a  pesquisa realizada por cientistas da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) e da Universidade de São Paulo (USP) testou uma combinação de métodos e técnicas para identificar traços dos rejeitos nos sedimentos marinhos. O artigo Tracing iron ore tailings in the marine environment: An investigation of the Fundao dam failure, na revista Chemosphere, é assinado por Marcos Tadeu D’Azeredo Orlando (Universidade Federal do Espírito Santo/UFES), Elson Silva Galvão (UFES), Arthur Sant’Ana Cavichini (UFES), Caio Vinícius Gabrig Turbay Rangel (Centro de Formação em Ciências Ambientais/UFSB),Cintia Garrido Pinheiro Orlando (UFES), Caroline Fiorio Grilo (UFES), Jacyra Soares (Universidade de São Paulo/USP), Kyssyanne Samihra Santos Oliveira (UFES), Fabian Sá (UFES), Adeildo Costa Junior (UFES), Alex Cardoso Bastos (UFES) e Valéria da Silva Quaresma (UFES).

Escrito por Heleno Rocha Nazário

O rompimento da Barragem do Fundão, ocorrido em 5 de novembro de 2015 na cidade de Mariana, Minas Gerais, é o maior desastre ambiental da indústria mineradora brasileira e provoca efeitos até hoje. Além da destruição de localidades e a perda de 19 vidas humanas, os danos à fauna e à flora provocados pela enxurrada de rejeitos da mineração ultrapassam o território da cidade e chegam até aos estuários da costa brasileira.

O estudo emprega dados amostrais de período anterior a 2015, selecionando um ponto de coleta mais representativo, dentre os diversos locais de amostragem definidos nas pesquisas, entre 2012 e 2019. A equipe trabalhou com a amostragem até 2019, compondo um estudo longitudinal. Na estratégia de pesquisa, os cientistas combinaram técnicas de análise com uso de raios-x para verificar a composição mineralógica dos sedimentos e detectar a presença e a composição dos rejeitos de minérios. A essas ferramentas que já eram empregadas foi adicionada uma técnica que analisa a suscetibilidade magnética das amostras, o que ajudou a quantificar com mais precisão a presença de derivados do minério de ferro. Para isso, integrantes da pesquisa ligados à UFES desenvolveram um novo equipamento para medir esse parâmetro. Com isso, a equipe desenvolveu uma técnica de baixo custo e ágil para monitorar a expansão dos rejeitos e fornecer dados para estudos e decisões.

Uma das conclusões é a de que, no momento, não há como saber por quanto tempo os rejeitos de minério irão exercer sua influência no rio e no mar, tornando essenciais mais estudos sobre a extensão dos prejuízos a longo prazo. Como os índices de rejeitos permanecem em alta concentração nos locais de coleta, os efeitos negativos ao ambiente ainda ocorrem, e mais pesquisas são necessárias para acompanhar como esses rejeitos se espalham. O fato dos resultados do desastre da Barragem do Fundão ainda serem percebidos cinco anos após tambem motiva estudos em outras áreas sobre os efeitos da presença de elementos como chumbo, arsênico e outros nos ecossistemas dos rios e do oceano Atântico.

O professor Caio Vinícius Gabrig Turbay Rangel, intermediando a consulta aos demais autores do artigo, concedeu entrevista por e-mail para a ACS sobre a pesquisa.

 

Qual o diferencial metodológico dessa pesquisa e o que essa escolha agregou em termos de capacidade de monitoramento da área afetada?

Professor Caio Vinícius Gabrig Turbay Rangel: A equipe do projeto está monitorando a foz do Rio Doce desde 2015, imediatamente após o acidente. A coordenadora do projeto, a professora Valéria Quaresma, da Oceanografia da UFES, já trabalhava na foz desde 2012. Isso significa que temos os parâmetros dos sedimentos e do material particulado em suspensão na região marinha, antes do rompimento da Barragem de Fundão em Mariana e após.

Nosso monitoramento implica nos estudos dos parâmetros texturais, mas também na composição mineralógica e química dos sedimentos e da lama de rejeito de minério que chega da região marinha.

Iniciamos nos anos de 2015 a 2017 o monitoramento da mineralogia por difração de raios-x e da química por fluorescência de raios-x. Nestes anos iniciais percebemos que as técnicas analíticas davam bons resultados e mostravam, nos anos após o acidente, aumentos nas quantidades de ferro e das fases minerais associadas ao rejeito do minério de ferro itabirítico no mar.

Pensando no refinamento das técnicas, levamos as amostras para o Laboratório Nacional de Luz Síncrotron, a fim de usar uma radiação distinta das do raios-x tradicional, para confirmar o que estávamos encontrando, além de tentar descobrir algo mais. No entanto, ainda sentíamos que faltava um método que nos desse uma quantificação mais precisa para os teores das fases minerais associadas ao rejeito de minério de ferro no ambiente marinho, uma vez que a difração de raios-x é um método mais qualitativo que quantitativo.

Nos anos de 2018 e 2019 foi então testada uma nova técnica, utilizando a susceptibilidade magnética e os resultados foram muito satisfatórios. Os minerais respondem de formas distintas quando submetidos a um campo magnético controlado. Neste sentido, os minerais que contém ferro são mais susceptíveis a serem excitados por esses campos, orientando seus momentos magnéticos enquanto expostos a eles. Os equipamentos de susceptibilidade magnética medem desta forma a intensidade com que uma substância mineral responde a um campo magnético, ou o seu potencial de magnetização. Isso não significa que o mineral permanecerá magnetizado, pois ao ser retirado o campo magnético, os minerais retornam ao seu estado normal.

O que a susceptibilidade magnética nos mostrou é que os aumentos nos teores de ferro e das fases minerais com ferro encontradas eram seguidas por um aumento mensurável da susceptibilidade magnética. Isso fez toda a diferença, pois agora podemos usar uma técnica rápida, barata e com resultados acurados e precisos.

A técnica utilizada por nós já era conhecida e utilizada para estudo de sedimentos e solos, no entanto, os físicos da equipe, professores Marcos Tadeu Orlando e Arthur Caviche, da UFES, desenvolveram um equipamento em seus laboratórios capaz de medir um “range” (um escopo) amplo de medidas de susceptibilidade magnética e com uma precisão muito maior que os equipamentos comerciais usualmente utilizados. Além disso, eles definiram uma função matemática capaz de transformar valores de susceptibilidade em percentuais em massa de fases minerais que contém ferro. Essa nova metodologia nos deu um parâmetro matemático de qualidade analítica que poderá, a partir de agora, ser utilizado no monitoramento das quantidades de fases minerais do rejeito presentes no ambiente marinho.

 

O que são os minerais secundários e como eles servem de vestígios ou “impressões digitais” da presença de rejeitos no leito do rio e nos sedimentos do estuário?

Professor Caio Vinícius Gabrig Turbay Rangel: Minerais secundários são aqueles gerados pelo intemperismo nas condições superficiais da Terra, ou seja, não são formados nos ambientes usuais de geração de rochas, mas nos ambientes de superfície. No caso dos resíduos de minério, dentre os minerais que estamos rastreando, alguns são oriundos diretamente das rochas itabiríticas, como alguns tipos de hematita e magnetita e outros são claramente secundários. Estamos utilizando o conjunto desses minerais, principalmente o que estamos chamando de “conjunto mineralógico com ferro”, como rastreadores da fonte, de acordo com os seus percentuais em massa relativos aos períodos anteriores ao acidente. Alguns dos minerais secundários estão sugerindo terem suas origens na pilha de rejeitos, na fonte, mas ainda precisamos aprofundar esses estudos.

Um dos resultados das análises é a alta concentração de rejeitos no ponto de coleta, mesmo cinco anos após o desabamento da barragem. O que isso indica, a curto, médio e longo prazos?

Professor Caio Vinícius Gabrig Turbay Rangel: O que nos chama a atenção, como você falou, é que passados quase cinco anos do acidente, o rejeito permanece nos sistemas fluvial e marinho. Temos indícios fortes de que após grandes chuvas e tempestades no mar, a lama com rejeito sofre ressuspensão na coluna d’água, no rio e no mar, e é transportada. Uma parte desse material é tão fino (colóide), que praticamente não se deposita quando suspenso. Isso indica que ainda existe material se movimentando e que necessitamos continuar o monitoramento, juntamente com as outras equipes da rede de pesquisas (oceanografia física, ecotoxicologia, etc), para entender como esse material está se movimentando e impactando ecossistemas sensíveis, como os recifes esquecidos no Espírito Santo e no Banco de Abrolhos. Ainda não podemos falar de tendências a curto, médio e longo prazos. Nossa missão na sedimentologia e mineralogia é dar o feedback do comportamento deste material, em termos qualitativos e quantitativos, ao longo dos anos, nessas regiões (aumento / diminuição / estabilização).