NOTA DE SOLIDARIEDADE AO FREI GILBERTO E À LUTA CONTRA MINERAÇÃO  NA SERRA DO BRIGADEIRO

ATENTADO A FREI GILBERTO

A região da Serra do Brigadeiro, situada na Zona da Mata de Minas  Gerais, é conhecida nacionalmente pela sua rica biodiversidade, amplas áreas preservadas de mata atlântica, belezas naturais e uma  agricultura familiar e camponesa consolidada com forte matriz  agroecológica. Além disso, a região abriga a segunda maior reserva  de bauxita do país, o que despertou, desde a década de 80, o  interesse de mineradoras em explorar as jazidas minerais  objetivando o lucro sem se importar com as consequências nefastas  da mineração na região.

 

Dentre as mineradoras que atuam na região, a principal delas é a  Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), que no último período tem  intensificado a pressão nas comunidades para a expansão do  empreendimento e exploração dos territórios. Apesar da CBA
utilizar inúmeras estratégias de má fé para enganar as famílias,  as comunidades não têm aceitado a possibilidade da perda de seus
modos de vida para um projeto de mineração que nada tem a oferecer  ao bem-estar social local. Nesse sentido, diversas Organizações,  entre movimentos populares, sindicatos, pastorais sociais, grupos  religiosos, ONG’s e pesquisadores tem atuado conjuntamente na  defesa do território, construindo lutas e fazendo resistência aos  intentos dos interesses do capital mineral em saquear o território.

 

No último período, diversas ações foram realizadas na região da  Serra do Brigadeiro para denunciar e repudiar a atuação da CBA.Estas ações têm gerado cada vez mais a ampliação da consciência  das comunidades locais sobre os impactos e riscos da chegada deste  modelo de mineração e ao mesmo tempo gerado também reações de  coação às lutas e, até mesmo, ameaças aos sujeitos envolvidos na  defesa do território.

 

No último domingo, dia 19 de fevereiro, o companheiro Frei  Gilberto, franciscano da Fraternidade Santa Maria dos Anjos do distrito de Belisário (Muriaé – MG), ao finalizar a celebração da  missa de domingo foi covardemente abordado por um pistoleiro
armado que o ameaçou devido aos seus posicionamentos contrários  aos projetos pretendidos pelas mineradoras. O pistoleiro enfatizou em sua abordagem que naquele momento era só um aviso, mas que, se  o Frei Gilberto continuasse atuando junto aos movimentos de  resistência e se posicionando contra a mineração ele retornaria  para matá-lo. Além da ameaça à vida, o pistoleiro ainda sinalizou  que Frei Gilberto está sendo monitorado de perto: forneceu  informações sobre todas as viagens recentes e ainda sabia conteúdo  da fala do Frei em diversos eventos. O que pode significar que o  Frei Gilberto está sendo grampeado e seguido em todas suas ações.

Diante do episódio, manifestamos publicamente o repúdio ao tal  acontecimento e exigimos dos órgãos responsáveis a garantia de
segurança à vida e do direito de lutar pelas causas coletivas. Ao  mesmo tempo expressamos nosso total apoio e solidariedade ao
companheiro Frei Gilberto e aos sujeitos que se dedicam na luta em  defesa do território da Serra do Brigadeiro contra os interesses
do capital mineral na região.

Muriaé – MG, 23 de fevereiro de 2017.
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  1. A Diocese de Leopoldina divulgou nota em seu site, assinada pelo bispo Dom José Eudes Campos do Nascimento e pelo Chanceler do Bispado Pedro Lopes Lima, repudiando a ameaça de morte sofrida pelo Frei Gilberto Teixeira no último final de semana, em Belisário, distrito de Muriaé. O comunicado relata ainda que as autoridades foram acionadas e medidas já foram tomadas pela Diocese visando a segurança pessoal do sacerdote.

    Na manhã desta sexta-feira (23) o bispo Dom José Eudes, informou por telefone ao Departamento de Jornalismo da Rádio Muriaé que, a princípio, tanto a Diocese quanto Frei Gilberto não irão se pronunciar sobre o ocorrido, ficando limitado apenas a nota já publicada.

    O caso foi registrado na 32ª Delegacia de Polícia Civil em Muriaé, no bairro Safira, e as investigações já estão em andamento a fim de identificar o autor da ameaça.

    A Diocese encerra a nota desejando “que nunca o valor econômico-financeiro se sobreponha ao sagrado valor da vida humana!”