Atendendo uma determinação do TRT-3 (Tribunal Regional do Trabalho da 3ª região), acatando pedido do Ministério Público do Trabalho, o complexo de minas da Vale em Itabira (MG), composto pelas minas de Conceição, Cauê e Periquito, foi interditado, tendo as suas atividades completamente suspensas. Em Itabira, cidade em que a mineradora nasceu e na qual ainda mantém um fluxo intenso de atividades de mineração, já são mais de 500 casos confirmados de COVID-19, e outros centenas ou milhares de quadros assintomáticos.

Desde o início da pandemia do novo coronavírus, a população das cidades em que as mineradoras operam, junto dos movimentos que se colocam a favor da vida, e dos especialistas em saúde, vêm apresentando diversas razões pelas quais a Vale, assim como todas as mineradoras do país, deveriam parar suas atividades durante a pandemia do novo coronavírus.

De março até hoje, somente em Minas Gerais, estado em que o número de casos oficiais (subnotificados) de COVID-19 chega aos 16.000, com cerca de 400 mortes confirmadas, a Vale foi responsável direta pela contaminação de centenas de pessoas, e pela explosão descontrolada de casos em cidades mineradas como Itabira, onde mais de 200 casos foram confirmados somente entre os funcionários das minas da Vale, aumentando em 500% o número de infectados do município.

Na terça feira (09), a Companhia Vale do Rio Doce, havia dado início a uma série de obras no vertedouro da Barragem do Mosquito, localizada em Catas Altas, em Minas Gerais, mesmo sem autorização do Conselho Municipal de Conservação e Defesa do Meio Ambiente (CODEMA). A denúncia foi realizada pelo Movimento pela Soberania Popular da Mineração (MAM). O local é utilizado como forma de sobrevivência pela população ali residente, na represa existe atividade de pesca e lazer, pelos moradores da Comunidade Morro da Água Quente. De acordo com denúncias dos moradores da região, foi visto na área máquinas como gerador e vários trabalhadores.

No final do ano passado, o Fonasc.CBH, que integra o Comitê de Bacias do Rio Piracicaba e a Assembleia Legislativa de Minas Gerais solicitaram audiências públicas para discutir expansão de atividades de mineração na região de Catas Altas. Durante a audiência foram realizadas várias intervenções dos moradores de Catas Altas e do Morro d’água Quente, de ambientalistas e de comerciantes donos de pousadas afirmando o risco para o bem-estar da população caso as minas sejam reativadas.

A decisão tomada pelo TRT-3 deve servir como base para que todas as mineradoras de Minas Gerais e do Brasil tenham suas atividades suspensas, enquanto durar a pandemia da COVID-19. Milhares de pessoas irão morrer pela irresponsabilidade de empresas como a Vale, que em diversas ocasiões já demonstrou que preza tão pouco pela vida dos seus funcionários e das populações que convivem com a degradação ambiental provocada pela mineração.