Enquanto a Pandemia do novo Coronavírus (Covid-19) avança, com novos casos e vítimas a cada dia, exemplos de solidariedade tem se espelhado pelo Brasil e pelo mundo.
Voluntários e diversas Entidades não governamentais em diferentes regiões estão se dispondo a ajudar o próximo para tornar essa crise menos dolorosa. As Entidades preocupadas com o atual cenário instaurado pela pandemia do Covid- 19, compartilharam um pouco de suas ações de combate ao novo vírus que assola o mundo.
O Fonasc.CBH conversou com a representante da CUFA – MG, Marciele Procópio, para falar sua atuação dentro do estado de Minas Gerais e das dificuldades que tem encontrado. Como uma entidade de representação dos recursos hídricos, o Fonasc.CBH buscou saber da real situação dessas pessoas que sofrem com a falta de água e outros serviços essenciais.
Confira a entrevista na íntegra:

● PROPOSTAS E MEDIDAS PARA REDUZIR OS IMPACTOS DA PANDEMIA DE COVID19 NOS TERRITÓRIOS DAS FAVELAS EM MINAS GERAIS?

Marciele Procópio – Somos uma organização ampla e diversa, e trabalhamos para oferecer suporte e apoio aos moradores de favelas em suas dificuldades e para incentivar o desenvolvimento em todas as áreas.

Durante o período de pandemia os impactos são muito grandes. Começa com a dificuldade de se realizar o isolamento social, devido ao grande número de pessoas em pequenos espaços e a necessidade de sustento das casas.

Para isso estamos realizando campanhas de conscientização com carros de som, faixas, através de nossas redes sociais e de nossos agentes, entregando informação de qualidade e apoio. Além disso recebemos e distribuímos milhares de máscaras, álcool em gel e sabonete para a higiene dos moradores e do comércio. Outro impacto é o econômico. Quase metade da população das favelas vive do trabalho informal. São garçons, diaristas, técnicos, vendedores ambulantes, assistentes e muitos outros profissionais que estão há quase 70 dias sem uma fonte de renda.

Outro grupo que surge agora são os funcionários de bares e restaurantes, só em Belo Horizonte foram quase 20 mil demissões no setor. Por isso a campanha #cufacontraovírus arrecada recursos e distribui em forma de voucher digital para as famílias cadastradas. Além dos recursos outros tipos de doações são distribuídos, até agora foram mais de 60 toneladas de alimentos e produtos de limpeza, 3.200 botijões de gás e muitos outros itens que não conseguimos nem enumerar devido à velocidade dos acontecimentos e o aumento da demanda.

● RELATO DA SITUAÇÃO ATUAL E PERSPECTIVAS PÓS PANDEMIAS NOS TERRITÓRIOS QUE VOCÊ ATUA?

Marciele Procópio – A situação é de muita necessidade, mas também de muita solidariedade. Enquanto não tivermos uma solução sistemática para o Covid-19, certamente vamos precisar de programas de desenvolvimento econômico, social, educacional, cultural, assistência de saúde básica e muito trabalho para amenizar e reconstruir a vida com mais dignidade em nossas favelas e periferias. Nosso sentimento é que depois de tudo, vamos estar mais unidos e engajados para realizar mudanças. Todo sofrimento vem acompanhado de um aprendizado, espero que o período pós pandemia seja de paz e prosperidade, vamos lutar por isso.

 

 ● VOCÊ TEM CONHECIMENTO DA EXISTÊNCIA DA POLÍTICA NACIONAL DE RECURSOS HÍDRICOS?

Marciele Procópio – Em parte, temos conhecimento de muitas nascentes e rios que cortam nossas favelas, em Belo Horizonte e no interior, mas nunca nos aprofundamos em um projeto voltado para esse lado. Sabemos que existem instrumentos da Política Nacional de Recursos Hídricos que podem influenciar na qualidade de vida dos moradores e formas de uso da água que podem ser melhor exploradas considerando a preservação ambiental como ganho. Mas infelizmente, esse tema é muito importante, mas quase nunca urgente e essa discussão se afasta com muita facilidade da nossa rotina devido ao excesso de demandas em outras áreas e à falta de agentes com conhecimento técnico para atuar em projetos ligados aos recursos hídricos.

● TEM      ALGUMA      INFORMAÇÃO      SOBRE      COMITÊ      DE      BACIAS HIDROGRÁFICAS? SE SIM, EM QUE REGIÕES?

Marciele Procópio – Sim, tomamos conhecimento principalmente depois do desastre de Mariana em 2015. Muitas periferias foram afetadas principalmente na bacia do Rio Doce.
● OS CBH’s ESTÃO SE AJUDANDO NESSE MOMENTO?

Marciele Procópio – Não sabemos responder. Pelo menos, não diretamente.

 

● COMO É O ABASTECIMENTO DE ÁGUA NOS TERRITÓRIOS QUE VOCÊ ATUA?

Marciele Procópio – Água e saneamento sempre são um problema, mas nossa atuação começou fora das esferas públicas e há pouco tempo passamos a conversar de forma mais efetiva com o Governo, Estado e Municípios.

● A CUFA ATUA EM QUAIS REGIÕES DE BH? ATUA EM OUTROS MUNICÍPIOS?

Marciele Procópio – A CUFA é uma entidade nacional, atua em todo o Brasil. A CUFA Minas, atua em cidades mineiras de todas as regiões, incluindo pequenas localidades e territórios quilombolas.

● QUAIS AS INICIATIVAS DA CUFA EM MINAS GERAIS?

Marciele Procópio – A Cufa realiza Campanhas Humanitárias como a #cufacontraovirus #mãesdafavela, projetos esportivos como a Taça das Favelas, programas de desenvolvimento econômico, cultural e conscientização, como dia da favela. As seções de cada cidade atuam de forma independente, por isso são centenas de projetos acontecendo em todas as áreas.