MPE recomenda suspensão de licenças a PCHs no Pantanal

por ANDRÉIA MEDEIROS
sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018, 16h14
Segundo os promotores “o Pantanal provavelmente não tem capacidade para suportar tantas PCHs, sendo que o incremento de energia para o país seria de pouco mais de 2%, o que é muito pouco quando se pode colocar em risco a vida deste importante bioma”.
Conforme consta na proposta técnica a análise dos empreendimentos em operação, de forma amostral, avaliará os impactos já produzidos para, com o estabelecimento de padrões paramétricos, buscar o entendimento do que os novos empreendimentos resultarão em impactos ambientais e hidrológicos, numa análise dos impactos conjuntos e sinérgicos e em nível de bacia hidrográfica, como determina a Lei 9.433/97 e a Resolução CONAMA 01/86. Os estudos estão em andamento desde outubro do ano passado.
Em janeiro deste ano, a secretaria de biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente expediu a Recomendação n. 10 aos órgãos estaduais ambientais e federais para que não licenciem, não emitam outorgas e nem autorizem obras para instalação de hidrelétricas na Região Hidrográfica do Paraguai, em especial: nas sub-bacias dos rios Sepotuba, Formoso, Cabaçal, Alto Paraguai, Jauquara, Cuiabá, Cuiabazinho, Mutum, Aricá Açú e Aricá Mirim.
A medida busca garantir a manutenção da hidrodinâmica natural desses rios formadores do sistema BAP/Pantanal em Mato Grosso, além da proteção da biodiversidade e da produção pesqueira, fundamentais para a manutenção da qualidade de vida e segurança alimentar das comunidades e povos tradicionais, bem como da sustentabilidade da pesca profissional-artesanal e do turismo de pesca, principais atividades econômicas geradoras de emprego e renda da região.
Também recomendou que fosse excluído o trecho do rio Paraguai denominado Tramo Norte, entre Cáceres e Corumbá, da possibilidade de navegação industrial ou de grande porte na Hidrovia Paraguai-Paraná, uma vez que reconheceu se tratar de trechos de extrema fragilidade do Sistema Paraguai-Paraná de Áreas Úmidas quanto aos aspectos hidrodinâmicos, sedimentológicos, biogeoquímicos e ecológicos do Rio Paraguai.
A notificação foi expedida dia 22 de fevereiro.
