O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) denuncia publicamente a má apuração dos fatos ocorrida por diversos veículos de comunicação a respeito da ocupação e manifestação de comunidades agrícolas nas fazendas Igarashi e Curitiba, nesta última quinta-feira (2), no distrito de Rosário, em Correntina, oeste do estado.
Várias manchetes apontam o MST como participante da ação, porém, enquanto organização popular, não há envolvimento nessa mobilização.
Mesmo assim, reiteramos que apoiamos as ações de denúncia ao agronegócio, principalmente quando existe um processo de privatização de recursos naturais e investimentos antipopulares, que neste caso, afeta diretamente as comunidades camponesas localizadas nas proximidades das fazendas.
Segundo relatos, o projeto de irrigação da Igarashi e Curitiba estão secando os rios Carinhanha, Corrente e Grande, além de provocar queda de energia na região. Essa situação não é diferente de diversas outras localidades no estado que sofrem com as ações de empresas nos territórios, que para garantir uma maior margem de lucro, não levam em consideração o impacto que tais iniciativas possuem ao meio ambiente e nas populações.
Paralelo a isso, não podemos esquecer que tais projetos cumprem o papel de esvaziar o campo, ao expulsar as comunidades de seu território a partir do processo de monopolização dos recursos hídricos. Isso se apresenta muito forte nas regiões do semiárido baiano, onde toda água dos afluentes são moedas troca compactuada com o Estado.
A luta pela terra e pela soberania dos povos é parte fundamental do projeto de sociedade que defendemos e nesse sentido, reafirmamos que os recursos naturais é um patrimônio de todas e todos e não devem ser usados para atender os interesses de uma sociedade segregadora, cujo objetivo é ampliar as desigualdades e a exploração do trabalho.
Seguiremos em Luta, até que todos sejamos livres!
06 de novembro de 2017.
Direção Estadual do MST na Bahia
Salvador – Bahia
MST repudia “fake news” patrocinada por MBL e outros portavozes da direita na televisão, sobre protesto na Bahia
Danilo Gentilli, diretores nacionais do MBL e até a senadora Ana Amélia (PP-RS) surfaram na onda de desinformação sobre o caso de Correntina
Entre domingo (5) e esta segunda-feira (6), mais uma corrente de desinformação circulou em diversas redes sociais, empurrando para frente uma preconceituosa especulação de que o MST havia se envolvido numa invasão, que resultou em destruição das instalações da fazenda Igarashi e Curitiba, no interior da Bahia. Não bastasse, alguns veículos de imprensa e sites de emissão de pensamento de direita deram vazão a essas mentiras.
O MST no estado da Bahia emitiu nota nesta segunda-feira, desfazendo mais esta “fake news” emulada pelo preconceito aos trabalhadores Sem Terra e a todos que lutam por direitos, em que “denuncia publicamente a má apuração dos fatos ocorrida por diversos veículos de comunicação”. Confira o texto na íntegra:
A quadra histórica que viramos é realmente alarmante. Assim como a polícia ao executar a juventude preta das periferias, primeiro atira depois pergunta, assim também o MST foi alvo de uma rajada descontrolada. Primeiro atira, depois pergunta. Só podia ser esse o senso coletivo de uma massa nutrida por veículos difusores do “pensamento” de direita ao repassar cegamente uma certa corrente de desinformação que começou a circular no domingo (5). O vídeo, que logo ganhou logomarca do MBL, mostrava as cenas do protesto de moradores de Correntina (BA) contra um grande empreendimento do agrohidronegócio na cidade que estava secando o Rio Arrojado. Foi um verdadeiro bang-bang: rajadas de desinformação, tiros e explosões de fakenews por grupos de whatsapp, face, twitter… Cena de uma medieval bestialidade, em que pessoas alucinadas sequenciam-se destilando ódio, vinculando as cenas ao “grude” mais fácil de emplacar quando há uma revolta no campo: “foi os Sem Terra!”
Será que nestes tempos há o perigo de vencer a irracionalidade sobre a velha e boa racionalidade? O desenrolar, se trágico ou não, segue em aberto, mas certo é que há uma nítida disputa acontecendo agora neste patamar no Brasil, entre racionalidade e irracionalidade. Existe uma certa hegemonia do pensamento averso à politização dos processos, uma certa opção por um emburrecimento coletivo. Saúde? Culpa do PT! Agrário? MST terrorista! Direitos civis? Gayzista-abostista!!
É perigoso. Já sabemos que os canais de informação mudaram radicalmente nos últimos vinte anos em que se viveu uma revolução tecnológica e, agora mais definidamente, se formou uma geração na operação destas tecnologias (de informação e comunicação). O que alguns sociólogos, comunicólogos e, com maior audiência, o escritor Umberto Eco também já nos apontaram é a que tipo de voz estas novas redes de compartilhamento de informação deram vazão: uma legião de imbecis. Vociferam preconceitos ou informações inventadas na cara dura. Imbecis que se sentem à vontade para escolher inimigos e guerrear na arena virtual (hoje bem atual) numa burrice inescrupulosa.
É diferente dos ignorantes, os sem opção por saber. É uma burricialização do espaço das opiniões (as redes sociais, que hoje constituem parte da tal opinião pública). Esse campo da sociedade, uma classe média orientada e uma classe bem rica, afastada dessa camada anterior, que orienta, vão mesmo continuar numa ocupação burra e tendente ao irracional nos canais de informação?
Que continuem, se quiserem, em seu projeto de bestialização da população. Ao campo popular, o campo das lutas por direitos e por transformações estruturais dessa sociedade brasileira tão desigual, cabe investir no poder de crítica do povo, no pensar crítico, na contradição e na formação em nível das massas. A informação é nosso campo de batalha. O MST está também nessa luta e estimula todo o povo a se fazer mídia!
Que se quebrem todas as cercas, da terra à informação!
MST promove verdadeiro terrorismo no campo,
Movimento radicalizou e demoniza agronegócio
Ataque a fazenda na Bahia deixou prejuízo de R$ 60 milhões
XICO GRAZIANO
08.nov.2017 (quarta-feira) – 7h36 Portal Poder360 brasilia.
Os bandidos agrários atacaram novamente, com grande agressividade. Destruíram agora uma fazenda localizada em Correntina (BA). A polícia militar, como sempre, fechou os olhos, compactuando com o crime. Verdadeiro terrorismo no campo.
Era dia de Finados. Enquanto as pessoas de bem reverenciavam seus mortos, as do mal, carregadas de ódio, destruíam uma incrível infraestrutura produtiva destinada à produção de alimentos. Sim, produtiva. Sim, alimentos. Se você é daqueles ingênuos que ainda acredita na importância do movimento dos “sem-terra” para combater os ociosos latifúndios, esqueça seu idealismo.
É triste, mas é a realidade. Há muito tempo o MST (Movimento Sem Terra), benchmarking nessa matéria, liberou geral na invasão de propriedades agrícolas. Antes, nos anos 1990, convenceram a opinião pública de que, em suas estripulias, “ocupavam” terras improdutivas, vazias, portanto, empurrando-as para o processo da reforma agrária. Eram, assim, justiceiros. Sua ação, embora violenta, fazia a carruagem andar.
Passou-se uma década. Com o avanço das desapropriações efetuadas pelo Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), e quanto mais se afirmava a modernização capitalista no campo, o MST, ombreado pela Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura), mudou a tática. Passaram a atacar e a depredar fazendas mesmo que produtivas, argumentando que estas, ao produzirem soja ou eucalipto, por exemplo, não serviam ao povo.
Radicalizaram. Agregaram em seu discurso o combate aos transgênicos, e assim destruíram laboratórios de pura tecnologia. Demonizaram o agronegócio. No fundo, usavam um disfarce, uma senha que abria os cofres públicos mantidos pelo populismo lulopetista. Convênios suspeitos, às pencas, passaram a repassar montanhas de dinheiro às entidades, centenas delas, vinculadas ao esquema da reforma agrária. Boca livre ideológica.
Tudo começou a desmoronar com a crise financeira do Estado e o subsequente impeachment de Dilma. As verbas minguaram, como aquelas do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera), utilizada fartamente na escolarização –leia-se doutrinação– dentro dos assentamentos rurais. Perderam seu farto maná os pseudo-revolucionários.
Por que aquela turba raivosa invadiu e destruiu as instalações produtivas da Fazenda Iragashi, comandada por uma família de japoneses no distrito de Rosário, em Correntina? Não se sabe ao certo. Em sua narrativa, comprada facilmente pelos jornalistas descuidados, diziam defender os recursos hídricos da região. Balela.
Não são comprovados tecnicamente os aludidos impactos ambientais, como a suposta morte de nascentes e pequenos córregos. Nem o rio Arrojado, que serve à fazenda, teve sua vazão ameaçada. Suas águas, com a devida autorização pública, abastecem 32 pivôs de irrigação capazes de molhar 2.530 hectares de lavouras, incluindo soja, milho, batata, cenoura, feijão, tomate, alho e cebola. Comida básica, arrasada pela insanidade humana.
Quem viu as imagens da destruição se apavora. Torres de energia derrubadas, maquinários agrícolas incendiados, uma gritaria que deixou R$ 60 milhões de prejuízo. Alguém foi preso? Ninguém. Das favelas do Rio aos rincões da Bahia, a impunidade dos criminosos, urbanos ou rurais, campeia no país. Chama o exército?
Paradoxalmente, na mesma data o MST estampava em seu site uma matéria intitulada “A escalada da violência e da criminalização no meio rural brasileiro”. Parece uma provocação. Bem ao gosto do Bolsonaro.
