CAMINHADA EM DEFESA DAS ÁGUAS E CONTRA MINERAÇÃO É REALIZADA EM MURIAÉ

Texto: Divulgação
Data: 29/03/2017

Ocorreu no último  domingo (26) a “Caminhada em Defesa das Águas e Contra a Mineração” no distrito de Belisário, em Muriaé (MG). O evento foi promovido pela Paróquia Santo Antônio e movimentos populares da região. Cerca de 700 pessoas participaram da caminhada que iniciou sua concentração às 7 horas da manhã e seguiu em marcha até a cachoeira do Anôr, onde foi realizada uma missa de encerramento.

A caminhada ocorre todo ano na semana do dia mundial de luta em defesa da água (22 de março) e nesta edição teve como tema a luta contra a mineração. A região leste da Serra do Brigadeiro possui grandes reservas minerais de bauxita, o que tem motivado a Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), pertencente ao Grupo Votorantim, a avançar sob o território destruindo as terras, nascentes, contaminando as águas, aterrando brejos e inviabilizando a agricultura familiar na região. A atuação da CBA tem gerado grandes conflitos devido à resistência das comunidades. Recentemente o Frei Gilberto Teixeira, pároco da Paróquia de Santo Antônio, sofreu uma ameaça de morte devido suas reflexões em defesa do meio ambiente e sua postura crítica à mineração.

Com muita animação, músicas e gritos de ordem, a caminhada contou com intervenções de entidades e movimentos populares durante o percurso. Em frente à cachoeira de Belisário, logo no início da caminhada, a professora do IFMG, Juliana Calixto, chamou a atenção sobre os impactos da mineração nas águas. “Belisário é uma região fundamental para o abastecimento de água de Muriaé e região, quem permite a conservação desses mananciais e das nascentes é a agricultura familiar, a mineração é o inverso, ela destrói a terra prejudicando a recarga hídrica e assoreando os cursos de águas”, a partir da provocação de Calixto, logo em seguida os presentes gritaram: “Águas para vida! Não para morte! ”.

Ao passar em frente à uma nascente, foi a vez de Leandro Moreira, biólogo e especialista em primatas, provocar a reflexão sobre a mata atlântica e a importância da Serra do Brigadeiro como grande reserva de ampla biodiversidade. “Este ano a campanha da fraternidade tem como tema os biomas brasileiros, é importante lembrarmos que a Serra do Brigadeiro é uma das poucas reservas de mata atlântica conservada em Minas Gerais. A serra abriga uma das maiores populações de Muriqui, o maior macaco das Américas e que está gravemente ameaçado de extinção. Não podemos deixar que o interesse de poucos coloque em risco todo esse patrimônio natural, é preciso lutarmos contra a mineração no entorno da Serra do Brigadeiro”, conclama Moreira que puxou ao final de sua fala o seguinte grito de ordem: “Mineração? Aqui não! ”.

Rosilene Pires, dirigente estadual do Movimento Pela Soberania Popular na Mineração (MAM), em sua intervenção chamou a atenção da necessidade da organização e continuidade das lutas para derrotar o capital mineral. “Não podemos ter medo de lutar, ouvi muitas pessoas dizendo que não há como barrar as mineradoras, pois elas possuem muita força econômica e política, mas isso não é verdade! Não há motivo para pessimismo, pelo contrário, a nossa caminhada de hoje demonstra a nossa força, quando o povo se une não há quem nos segure! ”. Pires lembrou ainda em sua fala a vitória contra a multinacional Ferrous Resources, que projetava a implantação de um mineroduto na região, mas foi barrada pela luta popular. “Quando a Ferrous chegou em nossa comunidade, muitos falavam que não adiantava fazer nada que a empresa ia vir de qualquer jeito, mas nós fomos teimosos e acreditamos que com organização iríamos conseguir impor nossa vontade. Fizemos várias reuniões, panfletagens, atos de rua e muita pressão no Estado, e depois de muita luta organizada conseguimos sair vitoriosos! ”. Ao escutar a experiência vitoriosa contra uma mineradora, a animação e esperança tomou conta da caminhada, os presentes iniciaram os gritos de ordem: “Fora CBA! ”, “Por uma país soberano e sério! Contra o saque dos nossos minérios! ”.

Já na chegada à cachoeira, Valdeci Roseno, do Sindicato de Trabalhadores Rurais de Miradouro, denunciou os impactos da mineração na agricultura familiar. “Somos nós da agricultura familiar que garantimos as reservas de água e colocamos comida de boa qualidade na mesa do povo brasileiro, a mineração coloca tudo isso em risco. E água é assunto sério, o povo não bebe minério! “. Roseno, em sua fala, ainda contextualizou como as reformas pretendidas pelo governo ilegítimo de Michel Temer prejudicarão os trabalhadores rurais. “A reforma da previdência anunciada pelo golpista vai inviabilizar a aposentadoria rural, é um crime, uma crueldade o que o Temer quer fazer com nós trabalhadores do campo, temos que lutar contra essas reformas e derrubar este governo”, ao final da fala os presentes iniciaram gritos em alto e bom tom: “Fora Temer! “.

Missa de Encerramento –  Ao chegar na cachoeira do Anôr, a caminhada foi finalizada com uma bonita missa celebrada por Frei Gilberto, que refletiu sobre a importância do cuidado com a água. “Não podemos ter relações utilitaristas com a água e pensar em cuidar dela somente quando ela está acabando ou quando sentimos falta para alguma atividade. É preciso o cuidado pelo simples fato de ela existir, assim como a água, nosso cuidado e carinho deve ser para com toda a natureza”, refletiu o Frei.

Após a missa, os presentes partilharam um delicioso almoço na Vila Franciscana. Participaram da “Caminhada em Defesa das Águas e Contra a Mineração” diversas organizações populares e delegações de vários municípios, como Cataguases, Ouro Preto, Viçosa, Espera Feliz, Manhuaçu, Simonésea, Belo Horizonte, Leopoldina, Betim, Rosário de Limeira, Miradouro, entre outros.