FONASC-PI – ENTIDADES LIGADAS AO MEIO AMBIENTE FAZEM ALERTA SOBRE OS PERIGOS DA EXPLORAÇÃO DE GÁS NA REGIÃO SUL DO PIAUÍ
Texto: Ascom Fonasc com os sites EcoDebate e Portal Ai5
Data: 14/02/2017
Entidades ligadas ao meio ambiente e diversos ambientalistas estão preocupados sobre o licenciamento ambiental a ser concedido para a Mineradora Ouro Preto Óleo e Gás para exploração de petróleo e gás na região sul do Piauí. E essa semana será decisiva no processo de licenciamento ambiental, uma vez que a empresa vai realizar duas audiências públicas nas cidades de Baixa Grande do Ribeira e Floriano, nos dias 14 e 16 respectivamente. Detentora dos direitos de exploração de blocos para exploração de petróleo e gás no Piauí, os técnicos vão detalhar o Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) e para iniciar a perfuração de poços na região da Bacia do Parnaíba.
Muito ambientalistas protestam sobre este licenciamento concedido pela Secretaria de Meio Ambiente (SEMAR), após o cumprimento das audiências públicas, uma vez que estas audiências no Piauí não devem alertar para a importância do tema e participação da população, muito menos dos riscos de contaminação, explosões e incêndios que a atividade minerária provoca.
A região onde a empresa Ouro Preto pretende perfurar está localizada em cima do aquífero Poti-Piauí, cujas rochas são datadas de 540 milhões de ano. Nesta região, destacam-se os rios Balsas, Uruçuí Preto, Gurgueia, Canindé e o rio Parnaíba. Tudo isso faz parte dos importantes biomas como Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica, que por sua vez abrigam uma diversidade de espécies da fauna e flora.
De acordo com a Rede Ambiental do Piauí-REAPI, em artigo publicado na internet, no primeiro momento a mineradora vai dar continuidade às pesquisas sísmicas iniciadas em 2013 e vai perfurar, de cara, 46 poços, mas logo podem ampliar para centenas. Devido ao método que utilizam – Fracking, popularizado como Gás de Xisto – a contaminação das águas, do solo, do ar e dos alimentos são inevitáveis. Os gasodutos e poços serão instalados nos municípios de Amarante, Arraial, Cajazeiras, Floriano, Francisco Ayres, Nazaré do Piaui, Oeiras, Regeneração, São Francisco do Piauí, Canavieira, Landri Sales, Sebastião Leal, Baixa Grande do Ribeiro e Ribeiro Gonçalves.
A presença da empresa na região preocupa a população, já que há muita informação desencontrada e superficial, que não detalham os riscos e perigos das técnicas a serem utilizadas no processo de perfuração. A região tem uma grande reserva de gás de xisto, e inclusive já teve um bloco, o PTN 597, vendido pela Agência Nacional de Petróleo e Gás (ANP) na 12º Rodada de Licitações realizada em 2013. Uma liminar obtida pelo Ministério Público Federal do Piauí suspendeu os efeitos do leilão e impediu o uso do fraturamento hidráulico, tecnologia altamente poluente usada para extrair o gás do folhelho de xisto do subsolo, também conhecida como fracking.
O que é fracking
O fracking – fraturamento hidráulico – é uma técnica destrutiva de extração do gás metano aprisionado em microbolhas no subsolo, num tipo de rocha chamada folhelho pirobetuminoso. Para sua extração, milhões de litros de água, misturados com areia e mais de 720 produtos químicos contaminantes, pelo menos uma dúzia deles cancerígenos e até radioativos, são injetados no subsolo sob alta pressão, fraturando a rocha.
A vida média de cada poço é de um ano e meio a três, restando após, na área, tão somente deserto radioativo irrecuperável. Os milhões de litros de água contaminados perdem-se, parte no subsolo, parte em piscinas a céu aberto, contaminando os lençóis freáticos e os aquíferos e o solo e deixando de atender a consumos nobres, como seriam o abastecimento humano, a dessedentação de animais, a pesca, a agricultura, a indústria e o lazer.
Somente parte do metano liberado pelo fraturamento hidráulico – fracking – é aproveitado, permanecendo o restante livre, tornando água e solo passíveis de incêndios, contaminando o ar e prejudicando a saúde humana e o meio ambiente.
Se não fosse o bastante, o gás liberado contribui para o aquecimento global e para as mudanças climáticas, que põe em risco a sobrevivência de todas as formas de vida, inclusive a humana.
