FONASC- MA – MAIS UMA REUNIÃO DO CONERH NÃO É REALIZADA POR FALTA DE QUÓRUM E “TRANSTORNADO” , O SECRETÁRIO MARCELO COELHO CULPA OS “OUTROS”,TENTANDO ESVAZIAR O DEBATE TÉCNICO E POLÍTICO SOBRE O GERENCIAMENTO DAS ÁGUAS NO ESTADO
Data: 03/02/2017
Texto: Fonasc.CBH
A primeira reunião ordinária do Conselho Estadual de Recursos Hídricos (CONERH) em 2017, marcada para ontem dia 02, não aconteceu por falta de quórum. No início desta semana, a reunião extraordinária que trataria do processo eleitoral do conselho também não ocorreu por falta quórum.
Presente para a reunião ordinária e visivelmente incomodado com a notícia que saiu na imprensa que a ausência dele prejudicou a reunião anterior do CONERH, o secretário de meio ambiente e presidente do Conselho, Marcelo Coelho, aproveitou a falta de quórum para fazer um desabafo, aos conselheiros presentes. Em um monólogo de tom político, em defesa de sua gestão e do governo ao qual pertence, o secretário esqueceu completamente que a política que ali deve ser debatida com os conselheiros é a de recursos hídricos. “Essa é uma maneira maldosa de denegrir o nosso governo. Têm interesse em pegar qualquer pontinha de fio para tentar desqualificar o governo que está trabalhando para a população”, disse, porém sem tratar com os conselheiros de assuntos importantes das águas como constava na pauta.
De acordo com Marcelo Coelho, a notícia que foi veiculada à imprensa foi um fato criado. “Estão criando fato do nada. Não foi minha ausência que fez com que não houvesse reunião, foi falta de quórum. Essa questão da minha ausência, que interferiu é grande bobagem, é coisa de criança”, destacou ele, porém sem reconhecer que a falta seja dele próprio ou de qualquer outro conselheiro prejudica as pautas de reuniões, que acabam por não ocorrer por falta de quórum. O Secretário, porém, se esqueceu de informar que a falta sistemática de quórum, expressa sua “incapacidade política” de articular o governo a que pertence, através de suas várias secretarias, para que essas também sejam protagonistas das tomadas de decisões sobre os usos das águas públicas do Estado e não suas.
Os conselheiros do CONERH mesmo os que representam outros segmentos do governo do Estado, não se apetecem em gastarem seu tempo para serem atores nessa instrumentalização irresponsável perpetrada por um agente público desqualificado para gerir uma política de estado, colocando-a a serviço de seu narcisismo despolitizador, que não diferencia o que é política pública de estado, política pessoal e política de governo. Uma forma irresponsável que tem como tática visível, fugir do debate sobre fatos e ações de uma política pública séria, se colocando como coitadinho e vítima dos demais cidadãos conselheiros que atuam responsavelmente exigindo competência e seriedade nas rotinas e procedimentos da SEMA -MA na política de recursos hídricos do Maranhão.O Secretário não explica e nem responde as constantes demandas dos conselheiros da sociedade civil quanto aos encaminhamentos protocolados e a prevalência de condutas que obstruem o fluxo de informações e transparência entre ele e entre seus pares no CONERH MA bem como, a adoção de maneira intimidadora, de normas impeditivas a mobilidade dos conselheiros que precisam se deslocarem para S. Luiz para o cumprimento de suas funções legais.
Segundo o coordenador nacional do Fonasc, Conselheiro do CNRH Prof. João Clímaco, no âmbito da gestão nacional da política de recursos hídricos, as representações da sociedade civil nesses colegiados estaduais , tem se deparado com situações bizarras e retrógradas marcadas pela não inteligente estratégia dessas elites políticas locais, de resistir a princípios basilares da modernização da política de forma tosca enquanto dimensão evoluída das relações dos cidadãos com o Estado, e entre as instituições que conduzem os pactos para o desenvolvimento político de um povo, como é o caso das possibilidades da restauração da cidadania através da participação dos movimentos sociais na gestão das políticas públicas como permanente esforço para se garantir o estado de direito.
“No contexto do Estado do Maranhão, mesmo com um governo que foi eleito propondo a sociedade romper com caudilhismos e coronelismos tradicionais que marcam a sua triste história política , repetiu-se no caso da nomeação para a SEMA , a valorização de pessoas sem conhecimento do tema e que não tem o menor pudor ao promoverem rotineiramente tristes espetáculos politiqueiros com a gestão ambiental e com a gestão das águas, transformando-as em moeda política barata e trampolim de projetos personalistas destituídos de honestidade, seriedade e transparência, como tem se mostrado no cotidiano das reuniões do CONERH, onde visibiliza-se a feia e péssima condução da relação política do atual governo com os movimentos sociais organizados no Estado”, em especial, no que diz respeito a política ambiental e de recursos hídricos”, disse o coordenador do Fonasc, João Clímaco.
O coordenador do Fonasc explicou ainda que esse esvaziamento das rotinas dos colegiados expressa a pequeneza e as manobras desses maus brasileiros nos Estados e em muitos colegiados similares no país, usando a máquina pública para eternizar práticas de compadrio e aparelhismo em uma instância de uma política pública, tentativa de burlar o protagonismo dos diversos setores sociais na gestão de recursos hídricos que tentam participar da tomada de decisão colegiada no âmbito daquela secretaria de Estado.
Para o coordenador tudo isso é uma vergonha e aponta que para o governador Flávio Dino, os equívocos dessa natureza são decorrentes de alianças políticas questionáveis de governos que se auto intitulam de mudanças,mas que terminam por provocar o descrédito nas possibilidades de verdadeira mudança, modernização e evolução política do Estado.
pauta_REUNIÃO ORDINÁRIA CONERH
