FONASC NA Audiência Pública sobre os impactos da mineração sobre as águas
O FONASC APOIOU E PARTICIPOU da Audiência Pública sobre os impactos da mineração sobre as águas, na manhã de hoje, dia 09 de dezembro, através de seu Coordenador Nacional, o prof. João Clímaco. Essa Audiência Pública foi promovida pela Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal.
Ainda durante a Audiência houve os depoimentos de nossos representantes no CERH-MG, prof. Gustavo Gazinelli e no CBH Santo Antonio, através da Dra Patricia Generoso, onde ambos depuseram sobre a triste realidade da super exploração das águas nas atividades minerárias do país.
Na oportunidade foram feitas propostas para alterar a legislação que permite a transposição de grandes bacias, através de minerodutos, que têm causado graves impactos aos rios e suas populações adjacentes no país.
Cerca de 160 atingidos de todo o país que se reúnem em Brasília essa semana para sua plenária nacional estão presentes e acompanham, junto com senadores, jornalistas e ativistas, as apresentações que comprovam a maléfica relação entre a água e a mineração.
Segundo a Agência Nacional de Águas (ANA), o volume consumido pela irrigação agrícola, indústria e mineração é mais do que cinco vezes maior do que o demandado para o abastecimento público. Além de reconhecer que estamos entrando com os dois pés em uma fase difícil do ponto de vista climático, é necessário iniciar uma profunda reflexão sobre os usos e abusos que damos aos recursos hídricos.
A mineração, em especial, vem utilizando as águas de forma temerária. Em tempos de escassez hídrica faz algum sentido permitir que os rejeitos da mineração sejam despejados em barragens? É sensato transportar os minérios através do bombeamento de enormes quantidades de água, como é feito nos mineriodutos?
Para buscar respostas a essas questões é que foi convocada a Audiência Pública sobre os impactos da mineração sobre as águas.
Representantes e pesquisadores de entidades que fazem parte do Comitê Nacional em Defesa dos Territórios Frente à Mineração e um representante da (ANA) participaram da audiência presidida pelo senador João Capiberibe, na Comissão de Direitos Humanos do Senado.
Além de poluir os rios com barragens de rejeitos e usar volumes indecentes de água da melhor qualidade para bombear minério até os portos, as minerações, especialmente de ferro, destroem os próprios aquíferos que armazenam a água necessária ao consumo humano.
Em Minas Gerais, as reservas de água da região central do estado se concentram nas formações geológicas que, ironicamente, também guardam o ferro que vem sendo explorado até a exaustão há décadas. A crise hídrica que assolou grande parte do sudeste brasileiro neste ano só não foi mais grave em Belo Horizonte e em sua Região Metropolitana porque o que ainda nos resta de formações ferríferas armazena o necessário para não causar grandes prejuízos ao abastecimento de uma população de mais de cinco milhões de pessoas. Entretanto, gigantescos projetos de mineração que pretendem licenciamento na região podem comprometer irreversivelmente a segurança hídrica da região.
(copiando Em Defesa dos Territórios Frente à Mineração):

Fotos: Luis Felipe Marques

