COORDENADOR DO FONASC.CBH CONHECE COMO É FEITA A EDIÇÃO DO CORREIO DAS ÁGUAS

Data: 25/11/2016

De passagem por São Luís para cumprir uma agenda local, o coordenador nacional do Fonasc.CBH, João Clímaco conheceu como fazemos a edição do Correio das Águas. Na oportunidade, o presidente de honra do Comitê Infanto Juvenil da Bacia do Rio Jeniparana aproveitou para trocar uma idéias em um bate papo que envolveu temas como engajamento nos recursos hídricos, projetos ambientais e até sobre as ocupações em escolas e campus universitários. Confira a entrevista na íntegra abaixo:

O QUE TE MOTIVOU E COMO VOCÊ COMEÇOU A TRABALHAR A ÁREA DO MEIO AMBIENTE?

Comecei trabalhar quando eu percebi que aluta pela água teria que ter outras formas, não somente comemorando o seu dia, mas respeitando os direitos da água como um ser vivente. E se a água está em 70% do nosso corpo, a luta pela água é a luta pelas pessoas. Portanto a forma mais eficaz de fazê-lo é participar dos debates e decisões pela água.Enquanto há crianças que celebram a água, outras pessoas estão tomando decisões prejudiciais á mesma, por isso se vê a necessidade da sociedade participar através de seus representantes nesses lugares. Essa é a função do FONASC.CBH: Capacitar pessoas para defender o direito dos recursos hídricos.

Sou formado em sociologia e estudo a aplicação de políticas públicas de recursos hídricos e apoio a sociedade com rios saudáveis, porque quando uma sociedade tem um rio saudável, ela também é saudável. Porém quando há um rio sujo, revela-se uma sociedade impura, corrupta, deficiente. Portanto eu estudo tais problemas para acharmos uma resolução para os mesmos

COMO VOCÊ VÊ A INICIATIVA DO CIJBHRJ?

Ótimo! No Brasil tem várias experiências de educação ambiental, mas não como o comitê que enfatiza os cuidados em um rio específico com ações e mobilizações.

O QUE VOCÊ DIRIA AOS JOVENS ENGAJADOS NAS CAUSAS SOCIAIS E NA PRESERVAÇÃO AMBIENTAL?

É um desafio muito grande. Os sistemas sociais e econômicos acham que os recursos naturais são inesgotáveis e não têm limites. Os jovens envolvidos nas causas terão um mais compromisso em relação aos representantes de hoje em dia, não aceitando a tese de que o mundo irá piorar e sim melhorar se “ajudarmos a apagar um incêndio levando água o bico”. Estamos nos construindo, pondo um tijolo em nossa construção e combatendo pessoas que acham que são donas de tudo e que podem explorar sem medir consequências a outras populações. Essas pessoas vivem num atraso espiritual, estamos levando um mundo pra elas na costa enquanto elas se destroem e destroem o meio ambiente.

Defender a água é defender uma expressão de Deus. Todas as religiões fazem culto à água. Temos que passar às novas gerações o compromisso de assumir uma Atitude cidadã que poderia ser ensinada pelas próprias religiões.

A atitude dos jovens faz bem para a humanidade, par a própria juventude e para a água porque já notamos que a água responde de acordo com o seu tratamento.

Após as perguntas foi a vez do presidente de honra do CIJBHRJ João Lucas comentar sobre os atos decorrentes nos últimos meses: a ocupação das escolas em protesto á possível aprovação da PEC 55 (antiga 241):

“ Estamos em um ato totalmente constitucional, fazendo uso do espaço dos estudantes, portanto o nosso espaço, nosso protesto não resume apenas a PEC e sim a todas a medidas prejudiciais à população tomadas pelo governo atual. Por muitas vezes o nosso movimento foi atacado pela mídia, populares e pelos próprios alunos, mas estamos resistindo, provando à sociedade em geral que sabemos fazer nossa voz ser ouvida, nos posicionando de forma espontânea em relação aos abusos do governo . Então não vemos motivos para recuarmos e aceitarmos tais equívocos.”