O Fonasc e demais entidades mineiras representantes do segmento da sociedade civil assinam uma nota de repúdio pela coerção/assédio que o professor Reinaldo Duque está sofrendo do Sistema Autônomo de Água e Esgoto do município de Governador Valadares.
Através da imprensa, o professor vem se colocando de forma contundente ao questionar a qualidade e potabilidade da água que abastece o município de Governador Valadares, uma vez que a cidade recebe a água do Rio Doce, rio morto após o rompimento da barragem de Fundão da mineradora Samarco.
Leia aqui a matéria com o posicionamento do professor.
Veja a nota na íntegra abaixo
NOTA DE REPÚDIO
Viemos a público repudiar a arbitrariedade e perseguição do Sistema Autônomo de Água e Esgoto – SAAE de Governador Valadares para com o Professor Dr. Reinaldo Duque Brasil Landulfo Teixeira da Universidade Federal de Juiz de Fora – Campus Governador Valadares devido às suas declarações publicadas no Jornal Figueira do dia 04 de Dezembro de 2015.
No dia 14 de Dezembro de 2015 o SAAE enviou uma notificação extrajudicial ao professor Reinaldo com um tom ameaçador, acusando-o de ter dito ao jornal que a água do SAAE não era potável e exigindo que o mesmo apresentasse estudo técnico e científico que provasse suas declarações.
As declarações do professor Reinaldo, que pode ser conferida na íntegra no site do jornal, em nenhum momento diz que a água do SAAE não era potável, mas que ela podia ser potencialmente danosa à saúde em longo prazo, nesse sentido, ele questiona o critério de potabilidade da água estabelecido pelas organizações de saúde.
Repudiamos essa ação do SAAE não apenas por questionar o professor, pois está em seu direito de fazê-lo, mas da forma em que foi feito, pois há uma seletividade na acusação. Diversas pessoas, políticos, intelectuais, professores, órgãos de pesquisa e a população em geral estão questionando a potabilidade da água do SAAE e inclusive se recusando em utilizá-la. Qual o motivo em buscar um professor que defende o meio-ambiente, as águas, a produção agroecológica, as comunidades indígenas e quilombolas e engajado nas lutas dos movimentos sociais e cobrá-lo a prestar esclarecimentos? É nítida a intenção de criminalizar os movimentos sociais e as pessoas que lutam por água de qualidade e contra esse modelo predatório e perverso de mineração.
Consideramos que o SAAE, como órgão que presta serviço essencial à população, talvez o mais essencial, que é imprescindível para nossas vidas devia ficar ao lado da população e cobrar esclarecimentos da Vale/Samarco/BHP que causaram esse crime. Devia cobrar da Vale/Samarco/BHP a distribuição alternativa de água que não seja do Rio Doce que a população tanto almeja. Devia cobrar do governo municipal uma atuação incisiva a fim de resolver o problema e não remediá-lo.
Em suma, prestamos todo APOIO ao Professor Reinaldo e a todas as pessoas que lutam por esse bem tão precioso que a ganância vem matando: a água. E REPUDIAMOS essa ação do SAAE que devia buscar atender melhor a população e acusar os verdadeiros criminosos ao invés de ficar levando adiante essa briga de laudos, pois as veias das Minas Gerais seguem abertas e o sangramento dessa punhalada ainda escorre pelo Rio Doce.
