A Copasa anuncia que fará uma ‘transposição’ para o reservatório de Rio Manso das águas do Rio Paraopeba, um rio com alto índice de poluição, num ponto onde ele já recebeu esgoto de Brumadinho e de outras cidades, e diz que essa obra de 128,4 milhões de reais vai garantir água para a população.
"Balneário do Ribeirão da Prata em Raposos
(Foto de Danilo Siqueira). Manancial de água puríssima na Serra da Gandarela, ameaçada pela mineração."
"Fecho do Funil em Brumadinho em 12/7/2015
(Foto de Paulo André)."
Mas nem a Copasa, nem o IGAM, nem o governo de Minas Gerais comentam o fato de que o Rio das Velhas, que hoje abastece 60% de Belo Horizonte e 47% da RMBH, chega com cada vez menos água à captação de Bela Fama, em Nova Lima; uma das razões para isso é que muitos de seus afluentes, especialmente os que vêm das serras da Moeda e de Itabirito, já estão tremendamente impactados pela exploração minerária, que rebaixa o lençol freático e polui os rios. As nascentes que hoje ainda mantêm a qualidade, quantidade e perenidade das águas captadas em Bela Fama vêm, em grande parte, da região da Serra do Gandarela, um santuário natural ameaçado por grandes projetos de mineração e que teve áreas importantíssimas de seus aquíferos deixadas de fora dos limites do Parque Nacional criado no ano passado.
De maneira similar, as nascentes que abastecem o Paraopeba também sofrem os efeitos da destruição dos aquíferos nas serras da Moeda e de Igarapé.A causa fundamental da escassez que afeta tanto a bacia do Velhas quanto a do Paraopeba, responsáveis pela totalidade do abastecimento metropolitano, é a diminuição da água devido à mineração de ferro, que há décadas vem destruindo os aquíferos (zonas de recarga e armazenamento de água) e à exploração indiscriminada da águas subterrâneas e superficiais, com inúmeros poços-captações não autorizados. E tudo isso passa longe desta solução “mágica” apresentada agora pelo governo mineiro.
Em plena crise de gestão dos recursos hídricos, o atual governo de Minas Gerais teria a chance de reverter o pacto de destruição do patrimônio público em favor dos lucros das empresas de mineração, conduzido pelos governos anteriores; entretanto, não é isso o que se vê até aqui nas declarações do Governador Fernando Pimentel. O que está em jogo é a segurança hídrica da RMBH frente à continuidade da exploração minerária nas bacias dos rios das Velhas e Paraopeba. Um assunto que precisa ser tratado com urgência, responsabilidade e transparência e não com “malabarismos” porque, se nada for feito, não haverá solução e nem mágica: se não protegermos os nossos aquíferos, a água para a população vai acabar, com ou sem transposição, com ou sem tratamento do esgoto