CRISE HÍDRICA: A SOCIEDADE REFÉM DA CULTURA POLÍTICA RETRÓGRADA DA PSEUDO CIÊNCIA SEM DEUS

Responsabilizar alguém por desacertos, seja pessoal ou coletivo, por vezes, pode soar POLITICAMENTE INCORRETO PARA ALGUNS frente a premissa moral de que sempre temos que propor soluções e procurar resolver e antecipar-se aos problemas, sendo pró-ativo para construção das soluções. Entretanto, é  politicamente correto também achar as causas e associar com os atores sociais e políticos que agiram planejadamente e voluntariamente para atingir objetivos diversos ou contrários às  soluções e preceitos legais, que  hoje posam de salvadores da pátria. Até porque os processos políticos que se dão no âmbito das instituições que estão no seio social no final SÃO FINANCIADOS pela maioria do povo, COM SEUS IMPOSTOS,  e este povo, está  ausente e descrentes nas suas instituições políticas e sociais, exatamente por causa desses desvios.

Vivemos uma situação em que constantes prejuízos à sociedade estão sendo banalizados pelas elites técnicas e políticas.

 

É o caso da crise hídrica e sua íntima relação com a ineficácia da POLÍTICA E DOS SEUS  INSTRUMENTOS na gestão dos recurso hídricos no país. Causas estruturais dessa crise hídrica  são hoje propagadas  por “eminentes grupos  ou cidadãos” que se acham atores importantes das políticas públicas das águas e que SEMPRE  foram historicamente desnudadas OU DENUNCIADAS  pela representação das organizações civis nos colegiados de tomada e decisão das políticas  Nacional e Estaduais de Recursos Hídricos.

Alguns equívocos submergem à tona, assim como o solo causticado dos reservatórios vazios, que mostram que não é atributo relacionado somente aos políticos profissionais, mas sim também a grande parte da comunidade dita “científica” que se afirmou  na política de recursos hídricos com um discurso pseudo moralista, se colocando acima do bem e do mal, mas que na verdade , só estiveram garantindo sua posição e condição de classe e status na estratificação social e na conjuntura da política das águas.

A sociedade brasileira ficou refém de interesses setoriais, reiterando a crua  e maléfica chaga do corporativismo e patrimonialismo que se imiscui nas políticas públicas falando em nome de todos, mas olhando para seu próprio umbigo. Como é o caso das atitudes e comportamentos políticos de três segmentos que atuam nos colegiados de tomada de decisão sobre os usos das águas no país que são os estamentos do setor público e a comunidade dita científica e os interesses do capital, que os seduzem.

Principalmente, alguns que ocupam cargos para atuarem nos comitês de bacias e conselhos, agem como cordeirinhos com olhos de lince se prestando as mais tenebrosas transações para legitimar ilegalidades e falseamento de princípios de interesse geral, agindo cinicamente nesses espaços para criar um falso mundo de gestão de recursos hídricos, não como se fôssemos membros de uma política pública, mas sim como se atuassem numa congregação – onde os sacerdotes é que se deleitam sobre os demais.

Meus Deus!!! Assim como em Minas Gerais!!! Caso do órgão público gestor de recursos hídricos no Estado mineiro que  está causando tanto prejuízos as futuras gerações com tanto cinismo e acinte mancomunado com o setor de mineração. No resto do país?! Nem se fala, é gritante!

https://fonasc-cbh.org.br/?p=11603

E o Ministério do Meio Ambiente, cujo principal papel, através de uma ministra raivosa e excêntrica, nesses últimos anos, tem sido esvaziar a seriedade e os conteúdos das demandas colocadas por representantes da sociedade civil ou até mesmo do setor econômico,  que cobram o respeito ao princípio da legalidade tantas vezes vilipendiados para favorecer decisões autocráticas de forma ardilosa e tendenciosa.

“O maior problema no setor hídrico e do saneamento ambiental no Brasil deve-se à excessiva influência da política nas companhias e agências, isso acontece nesses comitês de bacia e em diversas outras comissões e grupos de trabalho para os quais os analistas de recursos hídricos, ambientais e de sistemas de saneamento são designados de forma não planejada, e muitas vezes em contextos de programas e projetos mal definidos e sem planejamento”

Muitas vezes se fala como se a ‘POLÍTICA” inclusive a má, estivesse fora de nós , ou de nosso grupo, mas na verdade isto é apenas um artifício para fazer aquilo que dizem que “também” os representantes  da sociedade civil somente fazem: por o dedo nas feridas somente. Não é verdade. Há de se ter um compromisso mínimo com o país e com o patrimônio hídrico da  nação.

Não temos  nenhum temor como alguns têm, talvez por conta do ambiente competitivo em que se engalfinham para viver suas vaidades pseudo científicas,  em falar de alto e bom som quando vejo essas manifestações hipócritas, inclusive de muitos que hoje se arvoram como alheios ao problema, do alto de suas cátedras, vomitando  seus preceitos, mas não tiveram  nenhum  pudor quando endossaram ou se omitiram frente as ilegalidades  sem tamanho para favorecer interesses localizados, mesmo que tenham de contrariar o interesse público, nos colegiados em que participam, Conselhos e Comitês de Bacias, ou seja, ajudaram a desmoralizar os colegiados.

Certa vez  estávamos participando de uma semana pedagógica de planejamento de trabalho de professores de escola primária  para o ano letivo que começava e algumas  professoras reclamavam que estavam tendo que aprovar alunos  sem estarem devidamente aptos a ler, ou seja, analfabetos funcionais, etc. Se assim não fizessem, algumas delas eram transferidas para regiões longe de seus domicílios. Por conta disso, perpetuavam um ciclo de falseamento, onde os alunos e professores fingiam que  podia passar de ano e tudo continuava do mesmo jeito. A atuação recalcitrante de grande parte desse segmento técnico/científico nos colegiados é similar. A situação de parte da comunidade científica numa insestuosidade com o Estado patrimonialista e seus “políticos” e  fundados nos seus interesses de classe, no âmbito das políticas de  recursos hídricos é análoga. E as entidades que dizem  representar, que pena, muitas vezes não passam de espaços de agenciamentos de serviços de consultorias onde se servem para acomodar as contradições desse mercado composto de pessoas de “bem”.

Há um estado das coisas onde a sociedade como um todo, tal como alguns dizem, ficou refém de São Pedro, mas na verdade há muito tempo está refém destes grupos e corporações de técnicos e cientistas “brasileiros”, maus e incompetentes políticos e mancomunados em suas altas e tenebrosas transações. Já faz algum tempo que estamos advogando que a participação do setor científico nos colegiados das políticas de recursos hídricos seja consultiva, não lhes dando direito a voto e nem o direito de dar pareceres desconectados de interesses sociais.

Como tudo que vem de Minas tem suas peculiaridades, o decreto do atual governador fala da finalidade de uma força tarefa. Diz que ela  vai atuar junto ao CERH-MG. Será que encontrou uma forma de dizer que de agora em diante os representantes do estado terão mais legitimidade nesse colegiado? Um insignificante ex-vice-secretário de meio ambiente  não teve dúvidas  em se omitir quando da manifestação da sociedade civil no COPAN -MG e um representante do FONASC nesse estado, teve que sair detido  pela PM  de uma reunião de um desses colegiados a mando do mesmo e, assim, poder  impedir que  as demandas regimentais de nosso representante fossem registradas. Desta forma, puderam  aprovar clara ilegalidade para o segmento da mineração e que toda a sociedade vai pagar  preço caro, aliás já esta pagando.

Quando  atualmente discute-se o racionamento para uso humano, onde nossas águas estão  indo embora junto com minérios a preços vis, em minerodutos com  preços ínfimos, aprovados em um PLANO DE BACIA do Estado de Minas, onde o que menos se vê é a garantia do interesse público.

veja em https://fonasc-cbh.org.br/?p=11603

Foi gasto muito dinheiro público para montar um sistema de gestão. Foi gasto muito tempo de cidadãos e cidadãs para atender um apelo de participação  numa política pública e muitos saem  pois já tinham suas igrejas e não queriam participar de Igrejas sem Deus.

JOÃO CLIMACO FILHO

Membro do Conselho Nacional de Recursos Hídricos e da coordenação do FONASC – Fórum Nacional da Sociedade Civil nos CBHs.