Exploração do Gás de Xisto ameaça Bacia do Rio Parnaíba
A exploração do Gás de Xisto na Bacia do Rio Parnaíba, é um desafio que a sociedade terá que enfrentar sem está preparada para as consequências previstas na exploração. A técnica da extração contamina a água por metano, o lençol freático até o aquífero, assim como também o solo, devido ao fraturamento hidráulico, que consiste no bombeamento da água com areia e produtos químicos, em alta pressão para fraturar a rocha e liberar o gás que fica aprisionado a cerca de dois quilômetros de profundidade no subsolo.
O leilão da rodada de licitação do Bloco da Bacia do Rio Parnaíba será no próximo dia 28 onde, caso haja empresa interessada, vai explorar uma área de aproximadamente 22 mil quilômetros. Em todo o pais a Agência Nacional de Petroléo-ANP, disponibilizará 240 blocos, distribuídos em 12 estados. Juntos, as áreas totalizam 168.348 KM².
O “fracking”, como é conhecido no mundo é proibido em diversos países da Europa devido os riscos que oferece. A água utilizada no faturamento das rochas, alto volume no processo de liberação do gás, volta à superfície contaminada por metais pesado e hidrocarbonetos. Outro risco é a liberação de gás metano que têm provocado explosões e incêndios até mesmo nas residências que ficam próximas aos campos de exploração, a exemplo do que vem acontecendo no Texas, nos Estados Unidos, onde a retirada do Xisto começou em 2010 e tem gerado inúmeros protestos no país.
A Comunidade Científica brasileira encaminhou uma carta a presidente Dilma recomendando a suspensão do leilão do dia 28 ate que se discuta o assunto profundamente com diversos segmentos da sociedade. Eles estão preocupados com os riscos as reservas hídricas como o aquífero Guarani, na Bacia do Rio Paraná, e o maior do mundo, bem como o aquífero da Bacia do Rio São Francisco e do Rio Parnaíba entre o Piauí e o Maranhão.
Uma mobilização nacional dos movimentos socioambientais vem pressionando a ANP para que seja aberto um espaço de discussão do assunto que é de interesse público, no sentido de avaliar os impactos dessa exploração. Os doutores em mineração asseguram ainda que a liberação de metano contribuiu com o aquecimento global e que a tecnologia usada para fraturar a rocha pode provocar terremotos.
A Rede Ambiental do Piauí-REAPI, encaminhou ao Ministério Público Federal, ofício solicitando a suspensão do bloco da Bacia do Rio Parnaíba, com pedido de moratória até que se conhece bem os impactos e as consequências socioambientais da exploração do Xisto em áreas do Piauí e Maranhão.
Tânia Martins

