{"id":9013,"date":"2013-07-26T15:02:45","date_gmt":"2013-07-26T15:02:45","guid":{"rendered":"http:\/\/fonasc-cbh.org.br\/?p=9013"},"modified":"2013-07-26T15:02:45","modified_gmt":"2013-07-26T15:02:45","slug":"de-nova-promessa-energetica-gas-de-xisto-vira-vilao-ambiental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/?p=9013","title":{"rendered":"De nova promessa energ\u00e9tica, g\u00e1s de xisto vira vil\u00e3o ambiental"},"content":{"rendered":"<p>De nova promessa energ\u00e9tica, g\u00e1s de xisto vira vil\u00e3o ambiental<\/p>\n<p>Impactos decorrentes da extra\u00e7\u00e3o da rocha afetam reservas subterr\u00e2neas de \u00e1gua e podem causar doen\u00e7as. Nos EUA, opera\u00e7\u00e3o segue a todo vapor<\/p>\n<p>Impulsionado pela revolu\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica que promoveu nos Estados Unidos nos \u00faltimos anos, o g\u00e1s de xisto foi al\u00e7ado \u00e0 posi\u00e7\u00e3o de nova promessa na gera\u00e7\u00e3o de energia. Mas os impactos ambientais conhecidos at\u00e9 agora s\u00e3o preocupantes e muitos ainda s\u00e3o ignorados. Al\u00e9m de gerar res\u00edduos t\u00f3xicos e amea\u00e7ar reservas subterr\u00e2neas de \u00e1gua, a potencial explora\u00e7\u00e3o de g\u00e1s de xisto no Brasil tamb\u00e9m pode desviar o foco de esfor\u00e7os em busca de alternativas energ\u00e9ticas renov\u00e1veis.<\/p>\n<p>Boa parte da pol\u00eamica est\u00e1 relacionada ao processo de extra\u00e7\u00e3o, chamado de fraturamento hidr\u00e1ulico (fracking, em ingl\u00eas), como pode ser observado no infogr\u00e1fico abaixo. Tamb\u00e9m chamado de shale gas, em ingl\u00eas, ou g\u00e1s n\u00e3o convencional, a explora\u00e7\u00e3o do g\u00e1s de xisto usa grandes quantidades de \u00e1gua. A estimativa \u00e9 que um po\u00e7o use 15 milh\u00f5es de litros de \u00e1gua, e a metade retorna \u00e0 superf\u00edcie contaminada por produtos qu\u00edmicos.<\/p>\n<h5>Ge\u00f3logos discutem como minimizar impactos ambientais<\/h5>\n<p>O ge\u00f3logo Luiz Fernando Scheibe, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), teme os efeitos da explora\u00e7\u00e3o de g\u00e1s de xisto. \u201cDo ponto de vista econ\u00f4mico pode ser exitosa, mas ambientalmente perigosa. Sempre nos perguntamos se no longo prazo as consequ\u00eancias n\u00e3o ser\u00e3o danosas demais\u201d, comenta. Ele acrescenta que as t\u00e9cnicas usadas ainda s\u00e3o pouco conhecidas. \u201c\u00c9 uma tecnologia que come\u00e7ou a ser massiva h\u00e1 menos de 10 anos\u201d, completa.<\/p>\n<p id=\"yui_3_7_2_1_1374695662274_2131\">Para ele, a situa\u00e7\u00e3o brasileira \u00e9 muito diferente da norte-americana. \u201cN\u00f3s n\u00e3o precisar\u00edamos explorar agora. Poderia ficar como uma reserva para um futuro remoto quando talvez se tenha uma sistem\u00e1tica de uso melhor\u201d, ressalta.<\/p>\n<p id=\"yui_3_7_2_1_1374695662274_2121\">Scheibe acredita que o momento \u00e9 adequado para repensar formas de consumo de energia. Ele ainda avalia que a discuss\u00e3o sobre o uso de energias renov\u00e1veis pode ficar ser relegada pela promessa de uma nova energia f\u00f3ssil barata. \u201cNos Estados Unidos havia debate at\u00e9 sobre o uso de etanol, porque o petr\u00f3leo estava caro e dif\u00edcil de conseguir, mas com o g\u00e1s convencional, as op\u00e7\u00f5es foram esquecidas. O mesmo est\u00e1 acontecendo no Brasil, por causa do petr\u00f3leo do pr\u00e9-sal\u201d, explica. Na semana que vem, Scheibe participar\u00e1 de um debate sobre o assunto promovido pela Sociedade Brasileira de Pesquisa Cient\u00edfica (SBPC).<\/p>\n<p><strong>Testes<\/strong><\/p>\n<p>Com formatos e efeitos diferentes, o fraturamento hidr\u00e1ulico j\u00e1 \u00e9 usado na extra\u00e7\u00e3o g\u00e1s natural e petr\u00f3leo. O ge\u00f3logo Colombo Tassinari, da USP, tenta viabilizar a instala\u00e7\u00e3o de um po\u00e7o experimental para fazer trabalhos de monitora\u00e7\u00e3o. Ele comenta que a agricultura usa proporcionalmente muito mais \u00e1gua e a contamina, com agrot\u00f3xicos, por exemplo. J\u00e1 as piscinas de \u00e1gua misturada com flu\u00eddo usado nos po\u00e7os de g\u00e1s de xisto seriam pass\u00edveis de tratamento, acredita o ge\u00f3logo. Antes da explora\u00e7\u00e3o do g\u00e1s seria necess\u00e1rio fazer o levantamento do passivo ambiental, elaborar um sistema de monitoramento em tempo real dos aqu\u00edferos e de abalos s\u00edsmicos e identificar qual a capacidade de contamina\u00e7\u00e3o dos flu\u00eddos.<\/p>\n<h5>Para saber mais:<\/h5>\n<p>Assista os v\u00eddeos Gasland (contr\u00e1rio \u00e0 explora\u00e7\u00e3o) e FrackNation (favor\u00e1vel \u00e0 explora\u00e7\u00e3o), dispon\u00edveis no Youtube, e acesse a p\u00e1gina<a href=\"http:\/\/www.frackingnaobrasil.blogspot.com.br\/\" rel=\"nofollow\" target=\"_blank\">www.frackingnaobrasil.blogspot.com.br<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/vidaecidadania\/meio-ambiente\/conteudo.phtml?id=1391482&amp;tit=De-nova-promessa-energetica-gas-de-xisto-vira-vilao-ambiental#ancora\" rel=\"nofollow\" target=\"_blank\">INFOGR\u00c1FICO: Riscos ambientais da explora\u00e7\u00e3o do xisto<\/a><\/p>\n<p>Nos Estados Unidos, onde a opera\u00e7\u00e3o segue a todo vapor, v\u00e1rios pontos de contamina\u00e7\u00e3o foram encontrados. Virou um \u00edcone daqueles que condenam \u00e0 explora\u00e7\u00e3o de g\u00e1s de xisto a imagem de torneiras que vertem \u00e1gua e chamas. Os riscos ainda desconhecidos s\u00e3o os que mais assustam. H\u00e1 suspeitas de que pessoas tenham desenvolvido doen\u00e7as em fun\u00e7\u00e3o do consumo de \u00e1gua contaminada.<\/p>\n<p>Ge\u00f3logo e vice-diretor do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), Colombo Tassinari acredita que o que falta \u00e9 estudo sobre as possibilidades de explora\u00e7\u00e3o do g\u00e1s de xisto. O g\u00e1s pode vazar durante a extra\u00e7\u00e3o, mas um processo correto de selamento dos po\u00e7os poderia diminuir os riscos. Ele tamb\u00e9m ressalta que, \u00e0s vezes, o g\u00e1s vaza naturalmente, sem qualquer interven\u00e7\u00e3o humana. \u201cH\u00e1 relat\u00f3rios de institui\u00e7\u00f5es confi\u00e1veis que demonstram que n\u00e3o tem essa contamina\u00e7\u00e3o toda\u201d, comenta.<\/p>\n<p><strong>Morat\u00f3ria<\/strong><\/p>\n<p>O Congresso Nacional discute a possibilidade de declarar morat\u00f3ria na explora\u00e7\u00e3o de g\u00e1s de xisto no Brasil. Assim, a possibilidade de usar o recurso energ\u00e9tico ficaria suspensa, por um per\u00edodo determinado, at\u00e9 que fossem realizados estudos suficientes para garantir a seguran\u00e7a da opera\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m da aus\u00eancia de estudos cient\u00edficos consistentes sobre a localiza\u00e7\u00e3o exata e a capacidade dos po\u00e7os, com a morat\u00f3ria haveria mais tempo para testar novos procedimentos e at\u00e9 conseguir desenvolver tecnologias mais apropriadas para a explora\u00e7\u00e3o. Fran\u00e7a, Bulg\u00e1ria e alguns estados norte-americanos j\u00e1 declararam morat\u00f3ria.<\/p>\n<p><strong>P\u00f3s-crise<\/strong><\/p>\n<p>Com a economia fortemente abalada desde 2006, os Estados Unidos contaram com a explora\u00e7\u00e3o de g\u00e1s de xisto no processo para se reerguer. Como libera o pa\u00eds de parte da importa\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e \u00e9 negociado bem mais barato do que os demais combust\u00edveis f\u00f3sseis, o g\u00e1s impulsionou o per\u00edodo p\u00f3s-crise. Ainda n\u00e3o se sabe bem como foi poss\u00edvel praticar pre\u00e7os t\u00e3o baixos, se o sistema \u00e9 deficit\u00e1rio e subsidiado por empresas que t\u00eam interesse em convencer o mercado sobre a viabilidade do neg\u00f3cio ou se nem todos os custos ambientais, como o tratamento da \u00e1gua contaminada, est\u00e3o sendo devidamente contabilizados.<\/p>\n<p><strong>Leil\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A Ag\u00eancia Nacional de Petr\u00f3leo (ANP) prev\u00ea para os dias 28 e 29 de novembro uma rodada de licita\u00e7\u00f5es para explora\u00e7\u00e3o de g\u00e1s natural, convencional ou n\u00e3o. Questionada pela Gazeta do Povo, a ANP informou que est\u00e1 preparando as exig\u00eancias que dever\u00e3o ser seguidas pelas empresas que pretendam explorar o g\u00e1s de xisto. Alegou ainda que provavelmente haver\u00e1 \u00e1reas nas bacias terrestres dos rios Paran\u00e1, Parecis, Parna\u00edba, Rec\u00f4ncavo, Acre e S\u00e3o Francisco, em que estudos mostraram que h\u00e1 grande potencial para exist\u00eancia de jazidas de g\u00e1s. A licita\u00e7\u00e3o precisa de aprova\u00e7\u00e3o do Conselho Nacional de Pol\u00edtica Energ\u00e9tica.<\/p>\n<p><strong>Regula\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o existe legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para a explora\u00e7\u00e3o de g\u00e1s de xisto no Brasil. Sem marco regulat\u00f3rio falta base jur\u00eddica para quest\u00f5es pr\u00e1ticas, como o licenciamento ambiental das \u00e1reas e quem tem direito sobre o g\u00e1s no subsolo. Por enquanto, o norte jur\u00eddico \u00e9 estabelecido pela mesma regulamenta\u00e7\u00e3o usada para petr\u00f3leo e g\u00e1s convencional. Em declara\u00e7\u00f5es recentes \u00e0 imprensa, a Ag\u00eancia Nacional de Petr\u00f3leo informou que n\u00e3o acredita que a explora\u00e7\u00e3o de g\u00e1s de xisto comece a curto prazo no Brasil. No Paran\u00e1, a Petrobras mant\u00e9m uma usina de xisto betuminoso, em S\u00e3o Mateus do Sul, mas o tipo de explora\u00e7\u00e3o \u00e9 totalmente diferente.<\/p>\n<p><strong>Riscos<\/strong><\/p>\n<p>\u201c\u00c9 o maior problema ambiental que eu j\u00e1 vi nos 38 anos de experi\u00eancia que tenho no setor\u201d, afirma Ivo Pugnaloni, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Fomento \u00e0s Pequenas Centrais Hidroel\u00e9tricas e dono da Consultoria Enercons. Ele se baseia nas ocorr\u00eancias registradas nos Estados Unidos e explica que cada po\u00e7o gera uma piscina com \u00e1gua contaminada. Algumas t\u00eam 2 mil metros de raio. O tratamento \u00e9 caro e nem sempre eficiente. A tecnologia \u00e9 patenteada e dominada por uma \u00fanica empresa. \u201cNos Estados Unidos, a decis\u00e3o foi que perder o meio ambiente \u00e9 o pre\u00e7o a pagar para depender menos de petr\u00f3leo estrangeiro\u201d, diz.<\/p>\n<p><a name=\"13fed200a5209f61_ancora\" rel=\"nofollow\"><\/a><\/p>\n<p id=\"yui_3_7_2_1_1374695662274_2108\" align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" id=\"yui_3_7_2_1_1374695662274_2109\" src=\"http:\/\/f1623.mail.vip.bf1.yahoo.com\/ya\/download?mid=2%5f0%5f0%5f1%5f24691654%5fAD13k0UAAAzLUfAryQAAAD4WNFA&amp;pid=2&amp;fid=Inbox&amp;inline=1&amp;appid=yahoomail\" alt=\"http:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/midia\/info_xisto_1707treze.png\" width=\"667\" height=\"687\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p id=\"yui_3_7_2_1_1374695662274_2106\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De nova promessa energ\u00e9tica, g\u00e1s de xisto vira vil\u00e3o ambiental Impactos decorrentes da extra\u00e7\u00e3o da rocha afetam reservas subterr\u00e2neas de&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9013"}],"collection":[{"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=9013"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9013\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9021,"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9013\/revisions\/9021"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=9013"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=9013"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=9013"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}