{"id":25134,"date":"2022-03-06T20:00:49","date_gmt":"2022-03-06T20:00:49","guid":{"rendered":"http:\/\/fonasc-cbh.org.br\/?p=25134"},"modified":"2022-03-06T20:45:20","modified_gmt":"2022-03-06T20:45:20","slug":"artigociencias-movimentos-sociais-e-politicas-publicasevidencias-repertorios-e-negacionismo-miguel-angel-polino-prof-associado-parceiro-do-fonasc-bahia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/?p=25134","title":{"rendered":"FONASC BA E DF Divulga: Artigo<br>Ci\u00eancias, Movimentos Sociais e Pol\u00edticas P\u00fablicas:<br>evid\u00eancias, repert\u00f3rios e negacionismo.<br>Miguel Angel Polino *"},"content":{"rendered":"\n<ul><li>Prof. Associado parceiro do FONASC -BAHIA<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1iqgweNRbIHcJqmrXrfsHcJiA6RFWTluG\/view?usp=sharing\">acesse em pdf<\/a> <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">Ci\u00eancias, Movimentos Sociais e Pol\u00edticas P\u00fablicas:<br>evid\u00eancias, repert\u00f3rios e negacionismo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Trabalho apresentado como requisito de conclus\u00e3o de disciplina de Doutorado \u201cFLS 5857Problemas de Filosofia das Ci\u00eancias Sociais\u201d. dr. Fernando Haddad &#8211; FFLCH USP. 2021.<\/strong><br><\/p>\n\n\n\n<p>Cada per\u00edodo hist\u00f3rico nos mostrou seu prop\u00f3sito de mudan\u00e7a ganhando formas et\u00e9reas em nossa sociedade, e o pensamento sociol\u00f3gico n\u00e3o teve como objetivo caracterizar e definir os m\u00e9todos aplicados ao estudo dos fatos sociais. O conceituado pensamento de toda a obra de Spencer se conservou absorvido no tempo, mas o problema metodol\u00f3gico n\u00e3o ocupa lugar de destaque; pois a Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 Ci\u00eancia Social, cujo t\u00edtulo poderia dar essa ilus\u00e3o, destina-se a demonstrar as dificuldades e a possibilidade da sociologia, n\u00e3o a expor os procedimentos que ela deve utilizar. Stuart Mill, ocupou-se longamente da quest\u00e3o; mas n\u00e3o passou sob o crivo da dial\u00e9tica que tinha sido comentada por Comte, sem acrescentar nada de verdadeiramente pessoal. Um cap\u00edtulo do Curso de filosofia positiva \u00e9 praticamente o \u00fanico estudo original e importante que temos sobre o assunto (Emoci\u00f3n y Sentimiento \u2013 Planeta, 2019).<br>\u2026n\u00e3o somos Seres racionais, somos Seres emocionais que razoam\u2026<br>Daniel L\u00f3pez Roseti<br><\/p>\n\n\n\n<p>RESUMO<br>Desafiar os limites imediatos e controlar as emo\u00e7\u00f5es do ritmo e comportamento do Ser Humano, for\u00e7ar o poss\u00edvel, superar os marcos, \u00e9 a necessidade de modificar os ambientes existentes num mundo que est\u00e1 em evolu\u00e7\u00e3o com c\u00e2mbios constantes e a passos acelerados, reconhecendo os sentidos mais profundos daquilo que nos torna seres participantes ativos nesta sociedade, n\u00e3o \u00e9 uma tarefa f\u00e1cil.<br>Este tema de mudan\u00e7as comportamentais, individual ou coletiva, certamente, ser\u00e1 longo no passar do tempo; sem poder prever futuro, muito menos na estabilidade emocional que o Ser Humano ter\u00e1. Os saberes, s\u00e3o muito amplos, se referenciam a uma grande variabilidade de acontecimentos, perguntando-nos, se tem limites; pelo instante; a ci\u00eancia se movimenta, pois, nada \u00e9 proibido no entorno do conhecimento. Por\u00e9m, este desenvolvimento comportamental do<br>Ser Humano, sempre \u00e9 marcado por um interesse (Reeves, 2006: 36, 37). Estamos enfrentando uma revolu\u00e7\u00e3o di\u00e1ria, uma cegueira \u00e9tica de conflitos sociais e lutando com a voraz ind\u00fastria da m\u00eddia, que faz o papel de porta voz do capital financeiro, sobre o autoconhecimento e tudo o que significa mercado. Os m\u00e9dios de comunica\u00e7\u00e3o hegem\u00f4nicos n\u00e3o s\u00e3o divergentes de opini\u00f5es s\u00e3o uma m\u00eddia aliada do capital financeiro fazendo seu papel de difundir not\u00edcias acomodadas a um sistema econ\u00f4mico dento do espa\u00e7o do mercado como jamais visto; mudan\u00e7as profundas que transformam n\u00e3o apenas o que fazemos, mas tamb\u00e9m o que somos. O estado emocional precisa ser cuidado, pois ele n\u00e3o \u00e9 um produto, nascemos com todos os pilares de sustenta\u00e7\u00e3o cerebral, mas \u00e9 o ambiente que programa essa intera\u00e7\u00e3o com o meio em que vivemos, para o bem ou para o mal.<br><\/p>\n\n\n\n<p>Nascemos iguais, mas diferentes, mam\u00edferos complexos. Desta forma, \u00e9 fundamental nos perguntar e reconhecer que \u00e9 isso que nos torna humanos, quais s\u00e3o as estruturas que nos sustentam como esp\u00e9cie e nos fazem mudar de ideia de nossas \u00e1reas do que entend\u00edamos como princ\u00edpios de \u00e9tica e justi\u00e7a, menos individualistas e greg\u00e1rias no marco de um ideal de pol\u00edtica de bem-estar social. A mente, do ser humano, n\u00e3o \u00e9 uma coisa, \u00e9 um sistema de quem n\u00e3o se<br>tem controle e precisa ser trabalhado.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Neste contexto, a capacidade de pensar criticamente, de observar e refletir, de poder tomar decis\u00f5es que levem em considera\u00e7\u00e3o as suas consequ\u00eancias a curto e longo prazo seriam compet\u00eancias essenciais, bem como a possibilidade de adequar nossa conduta a cen\u00e1rios de mudan\u00e7a num mundo em plena evolu\u00e7\u00e3o. Empatia, intelig\u00eancia coletiva, resili\u00eancia, coopera\u00e7\u00e3o, solidariedade, prop\u00f3sito, bem\u0002estar, emo\u00e7\u00f5es, criatividade, autorregula\u00e7\u00e3o, compreens\u00e3o; s\u00e3o princ\u00edpios sociais usados como ferramentas de raz\u00e3o e emo\u00e7\u00e3o, subjetividades, que podem ajudar a entender ou n\u00e3o um caminho at\u00e9 aqui a ser enfrentado como grande desafio coletivo do s\u00e9culo XXI, e nos auto\u0002entendendo, nos fortalecendo, para que juntos ser melhores Seres Humanos a cada dia. Desta forma, o pensar, agir e conhecer, determinam, uma poss\u00edvel orienta\u00e7\u00e3o que n\u00e3o est\u00e1 somente no espa\u00e7o humano e sim, tamb\u00e9m, nos espa\u00e7os da economia, da pol\u00edtica e do meio que nos rodeia. O ilimitado \u00e9 uma caracter\u00edstica das modernidades de cada \u00e9poca produzidas pelo pr\u00f3prio Ser Humano.<br><\/p>\n\n\n\n<p>PALAVRAS CHAVES: Processo Evolutivo, Democracia e Desenvolvimento, estruturas sociais, arranjos institucionais, movimento social e pol\u00edtica p\u00fablica, pluralismo, controle de emo\u00e7\u00f5es.<br>3<br><\/p>\n\n\n\n<p>SUM\u00c1RIO<br>CONFLITOS COMPORTAMENTAIS ENTRE ATORES SOCIAIS<br>PARTICIPATIVOS<br>.<br><\/p>\n\n\n\n<p>RESUMO<br>INTRODU\u00c7\u00c3O,<br>I. EVID\u00caNCIAS,<br>II. REPERTORIOS,<br>III. NEGACIONISMO.<br>IV. CONCLUS\u00c3O<br>4<br><\/p>\n\n\n\n<p>CONFLITOS COMPORTAMENTAIS ENTRE ATORES SOCIAIS<br>PARTICIPATIVOS<br>INTRODU\u00c7\u00c3O<br>As sociedades inseridas num meio ambiente desordenado e complexo, realizam<br>constantemente c\u00e2mbios nos contextos das pol\u00edticas p\u00fablicas dos diferentes per\u00edodos<br>hist\u00f3ricos nos obrigando a ter a plasticidade suficiente na formula\u00e7\u00e3o das perguntas e<br>obtermos as respostas adequadas para a manuten\u00e7\u00e3o do sistema social equilibrado.<br>Dito isto, \u00e9 essencial nos reconhecermos como esp\u00e9cie humana, para dar-nos conta de<br>quem somos, de onde viemos e para onde vamos, de nossas qualidades, de nossas<br>potencialidades e, tamb\u00e9m, de nossos limites. Estes contextos pol\u00edticos, sejam eles de<br>diferentes tipos, imp\u00f5em barreiras ao sistema nervoso, que precisa viver e administrar<br>as mudan\u00e7as comportamentais que se autorregulam para se adaptar \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es<br>que com todas as for\u00e7as nos colocam frente a frente com a nossa pr\u00f3pria<br>vulnerabilidade. Como por exemplo nos movimentos de participa\u00e7\u00e3o nas pol\u00edticas<br>p\u00fablicas, em segmentos sociais diferentes onde o interesse aflora como conceito muito<br>forte. Nosso sistema nervoso interfere no ambiente cada vez que o indiv\u00edduo se sente<br>amea\u00e7ado; \u00f3rg\u00e3os do corpo, ativam suas autodefesas diante desta situa\u00e7\u00e3o de estresse<br>ligada ao tronco cerebral e orquestrada por outros sistemas permitindo a liberdade de<br>tomar decis\u00f5es.<br><\/p>\n\n\n\n<p>As crises pol\u00edticas socioecon\u00f4micas se manifestam na sociedade com<br>decorr\u00eancias diferentes e influem diretamente no comportamento de in\u00fameras pessoas,<br>de forma individual ou que fazem parte de grupos sociais. A nossa capacidade de<br>adapta\u00e7\u00e3o, de resili\u00eancia, \u00e9 conhecida na redu\u00e7\u00e3o dos efeitos das adversidades; mas<br>tamb\u00e9m podem ter o efeito oposto a capacidade de adapta\u00e7\u00e3o, ou seja, elevar a tens\u00f5es<br>a formas excessivas e sustentadas, que perpassam os la\u00e7os sociais, fazendo com que o<br>indiv\u00edduo se torne individualista, ego\u00edsta e atenda interesses n\u00e3o coletivos. Assim,<br>trazendo para o contexto atual, \u00e9 preciso pensar novamente em n\u00f3s mesmos, a partir<br>de onde, buscaremos desenvolver um esp\u00edrito coletivo robusto que possa enfrentar as<br>consequ\u00eancias desta crise, e se preparar para as futuras. Sair fortalecido \u00e9 um enorme<br>desafio, porque se trata de enfrentar as consequ\u00eancias f\u00edsicas, psicol\u00f3gicas,<br>econ\u00f4micas, sociais e outras, ao mesmo tempo que nos reconhe\u00e7amos como gente.<br>5<br><\/p>\n\n\n\n<p>A pol\u00edtica que foi instaurada depois do golpe de Estado de 2016 e o advento da<br>pandemia (2019) foram crise e fatos que colocaram o di\u00e1logo presencial num plano de<br>fragilidade, i) as rela\u00e7\u00f5es de poder de atores bem definidos do mercado econ\u00f4mico<br>aumentou; ii) o processo de conviv\u00eancia entre atores de diferentes segmentos ficou<br>inibido de express\u00f5es reivindicativas, de gestos e olhares, nos obrigando e exigindo<br>a\u00e7\u00f5es r\u00e1pidas para fazer frente: aos desmontes de coletivos organizados, a interrup\u00e7\u00e3o<br>de canais de di\u00e1logo e as novas rotinas cotidianas. Novas formas de relacionamento<br>com o outro sem o medo da desumaniza\u00e7\u00e3o virtual, foram desafios que tanto<br>aproximaram como separaram.<br>\u2022 Talvez, a vida menos complicada, ao nosso olhar de hoje, de nossos<br>antepassados, tenha permitido que os grupos sociais, fossem mais felizes do<br>que as sociedades atuais; justamente porque souberam privilegiar a<br>import\u00e2ncia do mundo menos individual, mais emocional, mais coletivo<br>Muitas vezes tentamos racionalizar as quest\u00f5es emocionais, para explicar as<br>quest\u00f5es afetivas a partir da raz\u00e3o. Errado. as emo\u00e7\u00f5es s\u00e3o apenas isso,<br>emo\u00e7\u00f5es; eles podem ser compreendidos, mas n\u00e3o necessariamente<br>racionalizadas. S\u00e3o fun\u00e7\u00f5es distintas, pr\u00f3prias, aut\u00f4nomas, com entidade<br>exclusiva. Elas est\u00e3o intimamente misturadas e intercaladas com a raz\u00e3o, como<br>finos fios de um pano de seda. Mas jamais poderiam ser estudadas a partir da<br>raz\u00e3o como \u00fanica ferramenta de an\u00e1lise. (ROSETTI, LOPEZ \u2013 \u201cEmo\u00e7\u00e3o e<br>Sentimentos\u201d \u2013 2017, pag 18:36 28).<br><\/p>\n\n\n\n<p>I. EVID\u00caNCIA<br>Os caminhos de conduta humana s\u00e3o tra\u00e7ados pelo sistema nervoso j\u00e1 desenhados<br>desde nosso nascimento dentro de uma forma de vida social e cultural. Este<br>aprendizado adquirido do passado influencia na contemporaneidade, o que demonstra<br>a necessidade de o conhecimento na \u00e1rea biol\u00f3gica, compondo a interpreta\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o<br>sociocultural. Assim, caminhamos a passos longos na dire\u00e7\u00e3o de grandes c\u00e2mbios<br>comportamentais, muito mais categ\u00f3ricos que os j\u00e1 vividos em outras etapas da<br>hist\u00f3ria, transformando, n\u00e3o somente o que fazemos, como, tamb\u00e9m, o que somos.<br>Seria muito f\u00e1cil dizer que a conduta comportamental do ser humano, depende<br>somente de um fato social. Nossa mente \u00e9 extremamente complexa; aprofundar um<br>par\u00e1grafo, como linha geral, pode-se dizer que cada vez que o sistema cerebral se<br>desenvolve evolutivamente ele acrescenta um degrau. \u00c9 como se fosse um novo n\u00edvel<br>6<br>evolutivo de nosso sistema nervoso incorporando novas fun\u00e7\u00f5es que, de alguma forma,<br>atuam e modulam as fun\u00e7\u00f5es anteriores, n\u00e3o significando que as anteriores sejam<br>menos importantes, mas simplesmente mais antigas e, portanto, s\u00e3o t\u00e3o necess\u00e1rias<br>como os degraus superiores. Desta forma, o contexto deve ser entendido de forma<br>multidisciplinar nas \u00e1reas cient\u00edficas da filosofia, antropologia, ci\u00eancias sociais, das<br>redes virtuais, comunica\u00e7\u00e3o social, da \u00e1rea biol\u00f3gica entre outras. Analisando<br>culturalmente as ci\u00eancias mencionadas anteriormente, se cria um arcabou\u00e7o de valores<br>que determinam fronteiras nos grupos humanos; criando sistemas de normas<br>comportamentais impostas individualmente, influenciando na forma\u00e7\u00e3o social.<br>Este panorama n\u00e3o deve nos desanimar, mas nos encorajar a pensar nas mudan\u00e7as<br>urgentes que precisamos nos processos de conviv\u00eancia de pessoas e comunidades. Por<br>exemplo, conhecimentos e mem\u00f3rias prodigiosas dar\u00e3o lugar a novas compet\u00eancias,<br>pois hoje, como nunca na hist\u00f3ria, adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 informa\u00e7\u00e3o est\u00e3o mais dispon\u00edveis e<br>acess\u00edveis. Os debates do futuro, para os quais devemo-nos preparar,sem mais demora,<br>valorizar\u00e3o a nossa resili\u00eancia e a nossa capacidade de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s formas mut\u00e1veis<br>juntamente com as capacidades que nos fazem seres humanos. O que a tecnologia n\u00e3o<br>pode e dificilmente \u00e9 capaz de alcan\u00e7ar, no momento, \u00e9 substituir realidades e<br>simultaneamente, atuar em diferentes cen\u00e1rios. Uma dessas habilidades \u00e9 a de pensar,<br>nos diferenciando de qualquer outra esp\u00e9cie existente, conhecida at\u00e9 o momento, no<br>planeta terra\u2026 Desta forma, a capacidade de resolver problemas complexos, ou seja,<br>encontrar novas respostas para situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis, \u00e9 desafio insubstitu\u00edvel do Ser<br>Humano que dever\u00e1 ter criatividade como a\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria e obrigat\u00f3ria.<br>Nesta conjuntura, o tema se desenvolve a partir das diverg\u00eancias individuais e<br>coletivas nos diferentes segmentos sociais que participam nas arenas do conflito<br>participativo; propondo estudar, como preocupa\u00e7\u00e3o central, as mudan\u00e7as<br>comportamentais destes atores heterog\u00eaneos, enfrentando as premissas das ci\u00eancias<br>sociais na representa\u00e7\u00e3o de interesses participativos, que emergiram de um novo<br>contexto de democracia.<br>Mas o cen\u00e1rio da ci\u00eancia nos mostra que nosso c\u00e9rebro \u00e9 um \u00f3rg\u00e3o que<br>potencializa a vida social, onde as habilidades emocionais e sociais s\u00e3o de extrema<br>7<br>import\u00e2ncia para a sobreviv\u00eancia e para o bem-estar, n\u00e3o podendo ser substitu\u00eddas por<br>m\u00e1quinas, que por l\u00f3gica n\u00e3o constam de imagina\u00e7\u00e3o para achar o sentir do outro.<br>Este trabalho n\u00e3o responsabiliza a sociologia, somente revela, o pouco que se<br>realizou em caracterizar e definir m\u00e9todos a serem aplicados ao estudo dos problemas<br>na sociedade, demonstrando dificuldades dessa ci\u00eancia sem relatar os procedimentos<br>utilizados nas atitudes individuais e coletivas comportamentais.<br><\/p>\n\n\n\n<p>II. REPERTORIOS<br>Os movimentos sociais, heterog\u00eaneos, constitu\u00eddos por modelos de intera\u00e7\u00e3o com<br>base em identidades compartilhadas, organizados atrav\u00e9s de comunidades no campo<br>participativo em prol de colaborar com a constru\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas,<br>desempenham os espa\u00e7os de mudan\u00e7as institucionalizadas de estrutura de Estado,<br>mediando a rela\u00e7\u00e3o Governo\/Sociedade. A problem\u00e1tica te\u00f3rica tem como pano de<br>fundo a equidade da \u00e1gua bruta (recursos h\u00eddricos) como recurso natural de bem<br>fundamental a vida; nos espa\u00e7os de debate entre distintos segmentos (sociedade civil,<br>poder p\u00fablico, sistema de produ\u00e7\u00e3o) se conflituam pelo acesso e distribui\u00e7\u00e3o,<br>conceitos onde na maioria dos casos afloram pr\u00e1ticas de crise democr\u00e1tica com o tema,<br>amea\u00e7ado por manipula\u00e7\u00f5es de interesses individuais na busca ou manuten\u00e7\u00e3o do<br>poder de poucos.<br>Em geral, por dados levantados sobre o tema em foros nacionais e internacionais,<br>estes atores usu\u00e1rios da \u00e1gua bruta, pertencentes a diferentes \u201cnichos\u201d1<br>culturais,<br>padecem dos mesmos males advindos da falta de apropria\u00e7\u00e3o dentro dos espa\u00e7os de<br>debates reivindicativos, ficando como: i) indicadores de reivindica\u00e7\u00f5es conflitivas e<br>falhas pol\u00edticas no funcionamento do Estado Democr\u00e1tico de Direito, n\u00e3o sempre<br>atendidas (Touraine, 1973; Crozier &amp; Friedberg, 1977; Reynaud, 1979, 1980), ii)<br>quando chamados para compor decis\u00f5es de interesse em prol da manuten\u00e7\u00e3o de poder,<br>sabendo que esses interesses s\u00e3o atrelados a quem tem mais poder de for\u00e7a (poderes<br>produtivo\/politico).<br>1<br>\u201cNichos\u201d associado a cultura \u2013 O ser humano \u00e9 cultura, sociedade \u00e9 animal.<br>8<br>O modelo conceitual deste trabalho, dever\u00e1 pesquisar nas vias causais que se<br>relacionam as mudan\u00e7as comportamentais, de pensamento e ideias de atores, produto<br>de variada raz\u00f5es de processos mentais, no contexto de mudan\u00e7as culturais,<br>questionadas no civismo democr\u00e1tico da teoria evolucion\u00e1ria convencional, colocando<br>\u00eanfase na capacidade dos organismos de modificar as fontes de sele\u00e7\u00e3o natural em seu<br>ambiente de arranjos institucionais o que, aparentemente, ampliaria a din\u00e2mica<br>evolutiva no aparecimento de processos multidisciplinares.<br>Os seres humanos t\u00eam limita\u00e7\u00f5es, amarras produto de nossa pr\u00f3pria natureza, a<br>nossa situa\u00e7\u00e3o no contexto social, percebida muito antes de nosso primeiro<br>pensamento aparecer; mas nossa intelig\u00eancia permite adapta\u00e7\u00f5es a uma variedade<br>imensa de situa\u00e7\u00f5es, sem saber de tudo. Por\u00e9m, n\u00e3o somos autorizados a fazer tudo;<br>assim, nossa superviv\u00eancia depende de um bom funcionamento de pol\u00edticas p\u00fablicas e<br>de nossas organiza\u00e7\u00f5es sociais em harmonia e dando limites no contexto do meio<br>ambiente que nos encontramos, Igualmente, esses limites comportamentais, ficam<br>restritos a uma simples concep\u00e7\u00e3o do campo de produ\u00e7\u00e3o e consumismo, sem<br>considerar um horizonte da an\u00e1lise cient\u00edfica do conhecimento, no que, esses limites<br>passam a ser culturais, pol\u00edticos, econ\u00f4micos e morais, constituindo-se em aspectos de<br>repertorio de crescimento, resultado da limita\u00e7\u00e3o da modernidade levando-nos a uma<br>queda irrevers\u00edvel.<br>Os recursos do meio ambiente, s\u00e3o bens comuns, podendo ser usados de forma<br>extrativista limitada; mas a capacidade argumentativa da economia moderna, estimula<br>em seu interesse com argumentos contr\u00e1rios impedindo o uso coletivo modificando o<br>ecossistema terrestre, entrando num processo chamado de \u201cEra Antropocena\u201d.<br>\u2026o homem \u00e9 uma pot\u00eancia tel\u00farica capaz de interferir nos grandes ciclos<br>planet\u00e1rios (Testart, Sinai e Bourgain, 2010, pag 37).<br>Assim, a natureza compelida a converter-se em uma m\u00e1quina de absor\u00e7\u00e3o dos<br>excessos do Ser Humano.<br>Grupos sociais de acad\u00eamicos, pensadores, investigadores e outros segmentos, se<br>esfor\u00e7am em investigar, como \u00e9 poss\u00edvel que diante de tantas advert\u00eancias sobre<br>9<br>evid\u00eancias, comprovadas, de depreda\u00e7\u00e3o ambiental, vivemos, hoje, o desastre de<br>mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<br>O desenvolvimento, mesmo diante de repetidos avisos e previs\u00f5es sobre a vida na<br>terra, h\u00e1 sido devastador ao ponto de teorias econ\u00f4micas se sobrepor a qualquer teoria<br>de raz\u00e3o, bom senso e planejamento; caminhando para uma cat\u00e1strofe. O sonho de<br>crescimento infinito do capitalismo e de economias pol\u00edticas desmedidas cria essa<br>sociedade de consumo que carrega consigo um potencial destrutivo.<br>\u2026a quem somente teriam direito uma nova ra\u00e7a humana\u2026((Gors, 1977,<br>pag.13).<br><\/p>\n\n\n\n<p>III. NEGACIONISMO<br>Por defini\u00e7\u00e3o, o termo \u201cnegacionismo\u201d pode ser aplicado em v\u00e1rias inst\u00e2ncias e<br>situa\u00e7\u00f5es definidas: a nega\u00e7\u00e3o de evid\u00eancias muito claras que, no campo de conflito, onde<br>grupos consolidados aproveitam para manipular resultados e busca de consenso. O<br>esfor\u00e7o para viver em sociedade depende i) do nosso c\u00e9rebro que processa as informa\u00e7\u00f5es<br>ii) e da pol\u00edtica do momento, gerando respostas criativas a problemas coletivos com base<br>a conhecimentos e evid\u00eancias s\u00f3lidas, evitando a cria\u00e7\u00e3o de narrativas fantasiosas. O<br>campo de fus\u00e3o entre o c\u00e9rebro e a pol\u00edtica, usado, em muitas oportunidades, para a<br>introdu\u00e7\u00e3o e ou difus\u00e3o de ideias, h\u00e1 iniciado um processo de mudan\u00e7a; por\u00e9m, ainda<br>muito embrion\u00e1rio. Assim, se mostra um desafiante debate na arena da cogni\u00e7\u00e3o social,<br>suficiente para perceber, de maneira ampla, experi\u00eancias, conhecimento e ideias<br>diferentes das quais podem gerar ideias inovadoras ou criativas com o intuito de contribuir<br>para uma sapi\u00eancia \u00fatil para a vida social.<br>O ponto de equil\u00edbrio seria, que na discuss\u00e3o de diferentes temas, se defendam os<br>fatos com argumentos t\u00e9cnicos pol\u00edticos, o que traria resultados favor\u00e1veis no \u00e2mbito<br>social para todas as classes sociais.<br>No passar das d\u00e9cadas, a literatura se revelou nas agendas de efetividade das<br>institui\u00e7\u00f5es civis e de l\u00edderes de conselhos gestores, aferindo, de maneira geral, efeitos<br>da representa\u00e7\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o destas inst\u00e2ncias sobre vari\u00e1veis de qualidade das<br>10<br>pol\u00edticas p\u00fablicas (Avritzer, 2010; Pires, 2011). Nunca sa\u00edram das generalidades sobre<br>a natureza das sociedades, sobre as rela\u00e7\u00f5es do reino social e do reino biol\u00f3gico no<br>andar geral do processo. Spencer dizia que o problema n\u00e3o ocupa nenhum lugar<br>Spencer n\u00e3o teve outro objetivo sen\u00e3o mostrar como a lei da evolu\u00e7\u00e3o universal<br>se aplica \u00e0s sociedades, ele s\u00f3 reafirmou o que Comte havia cogitado na ruptura<br>com Durkeim, num cap\u00edtulo do Curso de filosofia positiva, sendo o \u00fanico<br>estudo original e importante que possu\u00edmos sobre o assunto.<br>O t\u00edtulo deste trabalho, dever\u00e1 ser orienta\u00e7\u00e3o para designar esse fen\u00f4meno de<br>mudan\u00e7as de ideias e comportamentos que, a partir do Ser Humano se d\u00e1 no interior<br>da sociedade; assim, todos os acontecimentos humanos s\u00e3o sociais (GEERTZ, Clifford<br>2012). As fun\u00e7\u00f5es de todo indiv\u00edduo, incluindo racioc\u00ednio e interesse, fazem parte da<br>sociedade que tem todo o interesse em que assim funcione regularmente, entrando em<br>seu dom\u00ednio a multidisciplinariedade, inclusive a biologia e at\u00e9 a psicologia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 Tal desafio representa um avan\u00e7o no campo em quest\u00e3o, sobretudo no<br>que concerne ao esfor\u00e7o de diagnosticar o impacto das inst\u00e2ncias<br>participativas para al\u00e9m da an\u00e1lise de casos individuais, e de enfrentar os<br>desafios metodol\u00f3gicos decorrentes desta iniciativa (Gurza Lavalle,<br>2011; Rodrigues, 2017). Os avan\u00e7os e mudan\u00e7as mostraram, na pr\u00e1tica,<br>que os projetos, em que as pol\u00edticas s\u00e3o alvos irrefut\u00e1veis, merecem<br>constante acompanhamento, mobiliza\u00e7\u00e3o, sensibiliza\u00e7\u00e3o e perspectivas<br>de controle nos segmentos envolvidos. Com intuito de diminuir car\u00eancias<br>na estrutura democr\u00e1ticas, desigualdades, falta de controle na<br>comunica\u00e7\u00e3o, delibera\u00e7\u00e3o e falta de decis\u00e3o (BEAUVAIS; WARREN,<br>2019; WARREN, 2017) a ci\u00eancia participativa, definiu-se para entender<br>os feitos. hegem\u00f4nicos da teoria e da pr\u00e1tica, se problematizando a<br>altern\u00e2ncia do conflito no debate participativo (mecanismos de inova\u00e7\u00e3o<br>democr\u00e1tica). Nesse contexto, a sele\u00e7\u00e3o de atores representantes dentro<br>das institui\u00e7\u00f5es sociais, depende de crit\u00e9rios e interesses, n\u00e3o mostrando<br>f\u00f3rmula certa para crit\u00e9rios de sele\u00e7\u00e3o melhores em si. A constru\u00e7\u00e3o, que<br>marca este per\u00edodo de mobiliza\u00e7\u00e3o social, de uma cultura participativa,<br>que admite, reivindica e valoriza a participa\u00e7\u00e3o direta e o controle social<br>por parte de atores interessados nas pol\u00edticas p\u00fablicas: i) depois do golpe<br>11<br>de Estado (2016) ao governo do Partido dos Trabalhadores, eleito<br>democraticamente e juntamente com o momento pand\u00eamico desde<br>dezembro 2019, onde a sociedade civil organizada mostra uma total<br>apatia na participa\u00e7\u00e3o; ii) o problema que transita sobre cada ator<br>participativo, est\u00e1, historicamente, condicionado pelo desenvolvimento<br>das for\u00e7as produtivas das rela\u00e7\u00f5es de mercado com maior legitimidade<br>em postos de decis\u00e3o, se tornando enunciadores leg\u00edtimos o que d\u00e1<br>elementos para que se constitua o interesse e consequentemente o<br>conflito entre atores institucionalizados, beneficiados ou n\u00e3o pela<br>estrutura que intimida indiv\u00edduos mais vulner\u00e1veis. Desta forma podem<br>ser lembrados tr\u00eas postulados b\u00e1sicos: a) a estrutura criada para a<br>participa\u00e7\u00e3o institucionalizada n\u00e3o \u00e9 dada e n\u00e3o \u00e9 \u201cneutra\u201d igual para<br>todos; b) o poder \u00e9 uma caracter\u00edstica fundamental e irrefut\u00e1vel de todas<br>as rela\u00e7\u00f5es sociais; c) a estrutura de participa\u00e7\u00e3o institucionalizada tem<br>uma l\u00f3gica de seduzir na participa\u00e7\u00e3o, sabendo que constrangimento e<br>sedu\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tem o mesmo efeito para todos; o que intimida alguns, pode<br>potencializar a atua\u00e7\u00e3o de outros.<br>Os estudos explicativos do conflito participativo, entre atores sociais e suas<br>muta\u00e7\u00f5es de ideias numa sociedade fundada sobre a integra\u00e7\u00e3o ao sistema social, ainda<br>s\u00e3o parte de lacunas de desconhecimento bem significativas. Nesta linha de<br>pensamento, a sociedade \u00e9 concebida como um todo unificada e seus cidad\u00e3os, ligados<br>por rela\u00e7\u00f5es de interdepend\u00eancia, tendo por fun\u00e7\u00e3o refor\u00e7ar a coes\u00e3o do conjunto que<br>durante o contradit\u00f3rio da participa\u00e7\u00e3o atuam como sinais situacionais do Estado<br>Democr\u00e1tico de Direito. Naturalmente as regras de uma sociedade, n\u00e3o agradam a<br>maioria em seu funcionamento; assim, os conflitos participativos nas rela\u00e7\u00f5es do ser<br>humano transcorrem sempre que existe uma hierarquia, os pap\u00e9is sociais s\u00e3o<br>diferenciados entre classes sociais e principalmente onde a distribui\u00e7\u00e3o do poder \u00e9<br>desigual. As agendas participativas ultrapassaram fronteiras, por um lado invadindo<br>direitos, pelo outro se acentuando, n\u00e3o apenas no sentido de reivindica\u00e7\u00f5es, mas<br>tamb\u00e9m em termos de recupera\u00e7\u00e3o e disputa no estreitamento de espa\u00e7os do executivo<br>com notadas experi\u00eancias autorit\u00e1rias, desigualdades e diferentes formas de<br>segrega\u00e7\u00e3o, discrimina\u00e7\u00e3o, nega\u00e7\u00e3o de direitos e concentrados desmonte institucionais<br>de organiza\u00e7\u00f5es sociais. O que preocupa, desde 2016, que, al\u00e9m das investidas em<br>12<br>acabar com direitos e pol\u00edticas p\u00fablicas, a inten\u00e7\u00e3o declarada de quem hoje nos<br>governa, \u00e9 tamb\u00e9m eliminar os sujeitos pol\u00edticos que fazem essas lutas. Observa-se a<br>complexidade do debate te\u00f3rico do conflito participativo diante de interesses<br>socioecon\u00f4micos e ambientais, a partir das quais vem-se tratando temas como crise e<br>reconfigura\u00e7\u00e3o da representa\u00e7\u00e3o; multiplicando-se teorias normativas, p\u00f3s-modernas,<br>da sociedade, e de campos cient\u00edficos, que consequentemente tamb\u00e9m vivem<br>mudan\u00e7as, mostrando claramente a politiza\u00e7\u00e3o dos temas com claro interesse na<br>manuten\u00e7\u00e3o de poder como equ\u00edvoco do funcionamento democr\u00e1tico. Sem<br>representatividade, legitimidade, participa\u00e7\u00e3o da base e planejamento participativo<br>autossustentado, a participa\u00e7\u00e3o, aproxima-se da farsa ou da incompet\u00eancia (DEMO,<br>2001, p. 45). Nas rela\u00e7\u00f5es participativas n\u00e3o significa que em todas as situa\u00e7\u00f5es n\u00e3o<br>h\u00e1 concord\u00e2ncia de interesses, em um momento dado, pode-se dar, que a n\u00e3o\u0002coincid\u00eancia dos interesses \u00e9 suficiente para surgir uma rea\u00e7\u00e3o determinada. De a\u00ed, a<br>import\u00e2ncia de considerar os aspectos da manifesta\u00e7\u00e3o na defini\u00e7\u00e3o do conflito<br>participativo. Isto da luz sobre a evolu\u00e7\u00e3o dos homin\u00eddeos, sobre a evolu\u00e7\u00e3o da cultura<br>e sobre o altru\u00edsmo e a coopera\u00e7\u00e3o. A cultura n\u00e3o soluciona todos os problemas, mas<br>no caso aumenta a capacidade dos seres humanos de modificar as fontes de sele\u00e7\u00e3o<br>natural em seus ambientes a ponto de essa capacidade levantar algumas novas quest\u00f5es<br>sobre os processos de adapta\u00e7\u00e3o humana. Essa rela\u00e7\u00e3o entre evolu\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica e<br>cultura levanta duas quest\u00f5es causais, a) diz respeito \u00e0 extens\u00e3o em que as culturas<br>humanas contempor\u00e2neas s\u00e3o restringidas ou direcionadas por nossa heran\u00e7a evolutiva<br>biol\u00f3gica; b) se preocupa se a evolu\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica dos infinitos nichos animais foi<br>influenciada culturalmente.<br><\/p>\n\n\n\n<p>IV. CONCLUS\u00c3O<br>Este trabalho admite que as sociedades sempre viveram seus problemas<br>existenciais; por\u00e9m, jamais na hist\u00f3ria se deu tanta aten\u00e7\u00e3o ao conceito de melhorar<br>mudan\u00e7as comportamentais nos arranjos institucionais, definindo o Ser Humano numa<br>rela\u00e7\u00e3o muito pr\u00f3xima, dentro de um marco conceitual capitalista em beneficio<br>individual.<br>13<br>Sendo este o conceitual te\u00f3rico, a externalidade do c\u00e1lculo econ\u00f4mico e a<br>inexistente evolu\u00e7\u00e3o humana, se demonstra a influ\u00eancia dos valores econ\u00f4micos sobre os<br>conflitos existentes em todos os segmentos sociais.<br>Charles Darwin (1809 \u2013 1882) prop\u00f4s a teoria da evolu\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica por<br>sele\u00e7\u00e3o natural, as esp\u00e9cies mudam ao longo do tempo, dando origem a novas<br>esp\u00e9cies que compartilham um ancestral comum.<br>O debate proporcionado por este trabalho, do multidisciplinar das ci\u00eancias com<br>a biologia, contribui para a indaga\u00e7\u00e3o de como est\u00e3o se desenvolvendo as novas formas<br>comportamentais do Ser Humano, grupalmente ou individualmente, no meio f\u00edsico<br>presencial ou diante das tecnologias digitais. Como gerir novas pol\u00edticas p\u00fablicas e<br>governar as sociedades de uma maneira mais humana se os padr\u00f5es das atividades<br>humanas s\u00e3o percept\u00edveis por meio da an\u00e1lise cultual e comportamental dentro da<br>linguagem do ser humano?<br>A abordagem multidisciplinar, nos mostra \u00e0s grandes quest\u00f5es existenciais,<br>definidas de diversas forma, uma reflex\u00e3o sobre as formas diretas e simples de<br>express\u00e3o \u2013 tal qual elas se apresentam \u2013 sem buscar artif\u00edcios de acomoda\u00e7\u00e3o<br>suscept\u00edveis de infinidade de combina\u00e7\u00f5es que nunca s\u00e3o iguais a si mesmas se<br>multiplicando em infinidade de figuras diferentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta forma de relacionamento n\u00e3o transparente, dentro dos grupos participativos,<br>encontra constantes confirma\u00e7\u00f5es de difus\u00e3o no mundo do discurso p\u00fablico, na pol\u00edtica<br>e at\u00e9 na capacidade de razoar, incidindo nas bases da informa\u00e7\u00e3o e conviv\u00eancia civil.<br>A informa\u00e7\u00e3o sempre esteve na vanguarda das mudan\u00e7as sociais de todas as<br>\u00e9pocas, elucidando a intimidade das mudan\u00e7as comportamentais do ser humano;<br>dividido entre sentimentos e raz\u00e3o; emo\u00e7\u00f5es como algo antigo, autom\u00e1tico, como um<br>sistema processado, com suas m\u00faltiplas manifesta\u00e7\u00f5es de solidariedade, interesse, f\u00e9,<br>culpa, inveja etc.<br>Na escola, aprendemos m\u00faltiplas disciplinas, desde f\u00edsica e aritm\u00e9tica at\u00e9<br>geografia. Mas ningu\u00e9m nos ensinou esse grande neg\u00f3cio inacabado: a detec\u00e7\u00e3o e o<br>gerenciamento de emo\u00e7\u00f5es. Nossa educa\u00e7\u00e3o sentimental \u00e9 muito pobre, e \u00e9 por isso<br>14<br>que passamos nossas vidas \u2018ruminando\u2019, tentando nos conectar com nossos<br>sentimentos mais \u00edntimos e tentando, \u00e0s vezes em v\u00e3o, saber o que realmente<br>queremos. E o que os outros querem em rela\u00e7\u00e3o a n\u00f3s.<br>Mostramos, neste trabalho, que nosso c\u00e9rebro moderno \u00e9 um cora\u00e7\u00e3o \u00e0 antiga;<br>que n\u00e3o somos seres racionais\u2026somos seres emocionais que razonam (Roseti, 2019).<br>A deriva\u00e7\u00e3o de todas essas conclus\u00f5es essenciais, solidamente argumentadas,<br>perduram por muito tempo em nossas cabe\u00e7as quando fechamos este trabalho.<br>O Ser Humano costuma ser definido como um animal racional, deixando de lado<br>as emo\u00e7\u00f5es entre suas qualidades distintivas e essenciais. Ao longo da hist\u00f3ria, o<br>pensamento racional e a emo\u00e7\u00e3o foram considerados dois processos mentais separados<br>e geralmente opostos: a emo\u00e7\u00e3o exerceu um efeito negativo sobre o racioc\u00ednio e,<br>portanto, deve ser evitada se algu\u00e9m quiser pensar com clareza. Mas hoje podemos<br>refletir sobre as emo\u00e7\u00f5es e nos perguntar: elas n\u00e3o t\u00eam utilidade para o conhecimento?<br>Para que servem as emo\u00e7\u00f5es? \u00c9 algo al\u00e9m do nosso controle ?<br>O estudo cient\u00edfico moderno das emo\u00e7\u00f5es s\u00f3 foi poss\u00edvel quando elas foram<br>colocadas em um n\u00edvel equilibrado e complementar a outros processos cognitivos.<br>Deste ponto de vista, representa o marcador mais b\u00e1sico, autom\u00e1tico e r\u00e1pido para<br>guiar a abordagem do que gostamos e longe do perigo, da dor ou da frustra\u00e7\u00e3o. Por<br>isso, s\u00e3o considerados detectores da relev\u00e2ncia dos est\u00edmulos e eventos em termos de<br>seu significado para o indiv\u00edduo.<br>As emo\u00e7\u00f5es s\u00e3o epis\u00f3dios de mudan\u00e7as afetivas complexas nas diferentes<br>circunst\u00e2ncias da vida. Essas rea\u00e7\u00f5es complexas integram v\u00e1rios componentes, como<br>ativa\u00e7\u00e3o neurofisiol\u00f3gica e sentimento subjetivo interno. Podemos reconsider\u00e1-los,<br>ent\u00e3o, como uma forma alternativa de processamento de informa\u00e7\u00f5es ao pensamento<br>consciente mais elaborado que orienta, entre outras \u00e1reas, o aprendizado e a tomada<br>de decis\u00f5es em circunst\u00e2ncias r\u00e1pidas. Longe de ser um esbo\u00e7o desleixado,<br>desorganizado e esp\u00fario das decis\u00f5es nacionais, o sistema emocional \u00e9 um instrumento<br>adaptativo sem o qual nos seria imposs\u00edvel resolver situa\u00e7\u00f5es que eximem as<br>capacidades de an\u00e1lise l\u00f3gico-racional, seja pela falta de mais detalhamento<br>informa\u00e7\u00f5es ou pela velocidade das circunst\u00e2ncias para as quais a decis\u00e3o racional<br>15<br>pode se tornar muito lenta. Emo\u00e7\u00e3o e cogni\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o sistemas separados, muito<br>menos opostos, uma vez que podem ser atingidos em conjunto.<br>Uma quest\u00e3o que ainda precisa ser respondida \u00e9 se, al\u00e9m do que foi dito, as<br>emo\u00e7\u00f5es continuam a ser um elemento incontrol\u00e1vel do comportamento. A influ\u00eancia<br>das pessoas sobre isso ocorre em diferentes aspectos, como as emo\u00e7\u00f5es que temos,<br>quando ou como as vivenciamos e expressamos. As emo\u00e7\u00f5es podem ser bastante<br>autom\u00e1ticas e fixas em seu padr\u00e3o de disparo (quando a mesma emo\u00e7\u00e3o ocorre<br>regularmente na frente do mesmo est\u00edmulo) ou podem resultar de um processo<br>cognitivo mais elaborado. As pessoas s\u00e3o capazes de operar nossas emo\u00e7\u00f5es, mesmo<br>que n\u00e3o seja em seus resultados. Em muitos casos, n\u00e3o podemos inibir seu disparo,<br>mas podemos tentar torcer seu curso para escond\u00ea-los ou atenu\u00e1-los, uma vez que as<br>emo\u00e7\u00f5es constroem um processo din\u00e2mico no andamento. As emo\u00e7\u00f5es n\u00e3o nos<br>obrigam, na maioria dos casos, a agir de uma maneira espec\u00edfica, mas tornam mais<br>prov\u00e1vel um tipo de resposta. Com certo esfor\u00e7o ou prepara\u00e7\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel bloquear<br>ou mudar o comportamento favorecido pela emo\u00e7\u00e3o desencadeada. Pelo contr\u00e1rio, ao<br>reconhecermos as circunst\u00e2ncias que desencadearam certas emo\u00e7\u00f5es negativas,<br>podemos aprender a evitar os contextos de situa\u00e7\u00f5es que est\u00e3o associadas a essas<br>emo\u00e7\u00f5es, de forma a reduzir a probabilidade do seu aparecimento e assim regular o<br>epis\u00f3dio emocional de seu in\u00edcio, origem. Essa transforma\u00e7\u00e3o cognitiva da experi\u00eancia<br>emocional, \u00e9 chamada de &#8220;reavalia\u00e7\u00e3o&#8221; e consiste na sele\u00e7\u00e3o de um significado<br>espec\u00edfico para a situa\u00e7\u00e3o que desencadeia uma emo\u00e7\u00e3o. Trata-se, nem mais nem<br>menos, de mudar a forma como nos sentimos, de mudar a forma como pensamos.<br>V. REFER\u00caNCIAS<br>Ser Humano \u2013 MANES, Facundo \u2013 Planeta, 2021;<br>L\u00edmete \u2013 Latouche, Serge \u2013 AH, 2015;<br>A Interpreta\u00e7\u00e3o das Culturas &#8211; Clifford Geertz \u2013 LTC, 2012;<br>Uma teoria darwinista da coevolu\u00e7\u00e3o gen-cultura &#8211; RICHERSON1, Peter J. e<br>BOYD, ROBERT &#8211; University of California, 2011.<br>BERTALANFFY, Ludwig Von. Teoria Geral dos Sistemas. 8. ed. S\u00e3o Paulo:<br>Vozes, 2015. BERTALANFFY, Ludwig Von. The Mind-Body Problem:: : A New<br>View. Psychosomatic medicine, Canada, v. 26, n. 1, p. 29-45, jan.\/1964.<br>16<br>COSMIDES et al. The Adapted Mind: : Evolutionary Psychology and the<br>Generation of Culture Revised ed. Edition. 1. ed. [S.l.]: Oxford University Press;,<\/p>\n\n\n\n<ol start=\"1995\"><li><br>DAWKINS, Richard. O gene ego\u00edsta. 1. ed. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras,<\/li><li>DURKHEIM, \u00c8mile. As Regras do m\u00e9todo sociol\u00f3gico. 1. ed. [S.l.]:<br>Editora Vozes, 1895. GEERTZ, Clifford. A Interpreta\u00e7\u00e3o das Culturas. 1. ed.<br>[S.l.]: LTC, 1981. HARVEY, David. Os sentidos do mundo. 1. ed. S\u00e3o Paulo: Boi<br>Tempo, 2020. p. 1-415<br>KROEBER, A. L.. A Natureza da Cultura. 1. ed. [S.l.]: Edi\u00e7\u00f5es 70, 1993.<br>LALAND, Kevin N.; ODLING-SMEE, John; FELDMAN, Marcus W.. Niche<br>construction, biological evolution, and cultural change. Behav Brain Sci . , EUA,<br>v. 1, n. 1, p. 131-175, fev.\/2000.<br>LEFEBVRE, Henry. Jan \/ Mar. 1971 PINKER, Steven. The Language Instinct::<br>How the Mind Creates Language . 1. ed. [S.l.]: ? Harper Perennia, 2007.<br>RICHERSON, Peter J; BOYD, Robert. Not by Genes Alone: : How Culture<br>Transformed Human. 1. ed. [S.l.]: University of Chicago Press , 2006.<br>SAHLINS, Marshall D. Evolution and Culture . 1. ed. [S.l.]: University of<br>Michigan Press, 1960.<br>TOMASELLO, Michael. Language Is Not an Instinct.. Cognitive Development,<br>wee, v. 10, n. 1, p. 131-156, jan.\/1995.<br>WEBER, Max. 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Os avan\u00e7os e mudan\u00e7as mostraram, na pr\u00e1tica,<br>que os projetos, em que as pol\u00edticas s\u00e3o alvos irrefut\u00e1veis, merecem<br>constante acompanhamento, mobiliza\u00e7\u00e3o, sensibiliza\u00e7\u00e3o e perspectivas<br>de controle nos segmentos envolvidos. Com intuito de diminuir car\u00eancias<br>na estrutura democr\u00e1ticas, desigualdades, falta de controle na<br>comunica\u00e7\u00e3o, delibera\u00e7\u00e3o e falta de decis\u00e3o (BEAUVAIS; WARREN,<br>2019; WARREN, 2017) a ci\u00eancia participativa, definiu-se para entender<br>os feitos. hegem\u00f4nicos da teoria e da pr\u00e1tica, se problematizando a<br>altern\u00e2ncia do conflito no debate participativo (mecanismos de inova\u00e7\u00e3o<br>democr\u00e1tica). Nesse contexto, a sele\u00e7\u00e3o de atores representantes dentro<br>das institui\u00e7\u00f5es sociais, depende de crit\u00e9rios e interesses, n\u00e3o mostrando<br>f\u00f3rmula certa para crit\u00e9rios de sele\u00e7\u00e3o melhores em si. A constru\u00e7\u00e3o, que<br>marca este per\u00edodo de mobiliza\u00e7\u00e3o social, de uma cultura participativa,<br>que admite, reivindica e valoriza a participa\u00e7\u00e3o direta e o controle social<br>por parte de atores interessados nas pol\u00edticas p\u00fablicas: i) depois do golpe<br>11<br>de Estado (2016) ao governo do Partido dos Trabalhadores, eleito<br>democraticamente e juntamente com o momento pand\u00eamico desde<br>dezembro 2019, onde a sociedade civil organizada mostra uma total<br>apatia na participa\u00e7\u00e3o; ii) o problema que transita sobre cada ator<br>participativo, est\u00e1, historicamente, condicionado pelo desenvolvimento<br>das for\u00e7as produtivas das rela\u00e7\u00f5es de mercado com maior legitimidade<br>em postos de decis\u00e3o, se tornando enunciadores leg\u00edtimos o que d\u00e1<br>elementos para que se constitua o interesse e consequentemente o<br>conflito entre atores institucionalizados, beneficiados ou n\u00e3o pela<br>estrutura que intimida indiv\u00edduos mais vulner\u00e1veis. Desta forma podem<br>ser lembrados tr\u00eas postulados b\u00e1sicos: a) a estrutura criada para a<br>participa\u00e7\u00e3o institucionalizada n\u00e3o \u00e9 dada e n\u00e3o \u00e9 \u201cneutra\u201d igual para<br>todos; b) o poder \u00e9 uma caracter\u00edstica fundamental e irrefut\u00e1vel de todas<br>as rela\u00e7\u00f5es sociais; c) a estrutura de participa\u00e7\u00e3o institucionalizada tem<br>uma l\u00f3gica de seduzir na participa\u00e7\u00e3o, sabendo que constrangimento e<br>sedu\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tem o mesmo efeito para todos; o que intimida alguns, pode<br>potencializar a atua\u00e7\u00e3o de outros.<br>Os estudos explicativos do conflito participativo, entre atores sociais e suas<br>muta\u00e7\u00f5es de ideias numa sociedade fundada sobre a integra\u00e7\u00e3o ao sistema social, ainda<br>s\u00e3o parte de lacunas de desconhecimento bem significativas. Nesta linha de<br>pensamento, a sociedade \u00e9 concebida como um todo unificada e seus cidad\u00e3os, ligados<br>por rela\u00e7\u00f5es de interdepend\u00eancia, tendo por fun\u00e7\u00e3o refor\u00e7ar a coes\u00e3o do conjunto que<br>durante o contradit\u00f3rio da participa\u00e7\u00e3o atuam como sinais situacionais do Estado<br>Democr\u00e1tico de Direito. Naturalmente as regras de uma sociedade, n\u00e3o agradam a<br>maioria em seu funcionamento; assim, os conflitos participativos nas rela\u00e7\u00f5es do ser<br>humano transcorrem sempre que existe uma hierarquia, os pap\u00e9is sociais s\u00e3o<br>diferenciados entre classes sociais e principalmente onde a distribui\u00e7\u00e3o do poder \u00e9<br>desigual. As agendas participativas ultrapassaram fronteiras, por um lado invadindo<br>direitos, pelo outro se acentuando, n\u00e3o apenas no sentido de reivindica\u00e7\u00f5es, mas<br>tamb\u00e9m em termos de recupera\u00e7\u00e3o e disputa no estreitamento de espa\u00e7os do executivo<br>com notadas experi\u00eancias autorit\u00e1rias, desigualdades e diferentes formas de<br>segrega\u00e7\u00e3o, discrimina\u00e7\u00e3o, nega\u00e7\u00e3o de direitos e concentrados desmonte institucionais<br>de organiza\u00e7\u00f5es sociais. O que preocupa, desde 2016, que, al\u00e9m das investidas em<br>12<br>acabar com direitos e pol\u00edticas p\u00fablicas, a inten\u00e7\u00e3o declarada de quem hoje nos<br>governa, \u00e9 tamb\u00e9m eliminar os sujeitos pol\u00edticos que fazem essas lutas. Observa-se a<br>complexidade do debate te\u00f3rico do conflito participativo diante de interesses<br>socioecon\u00f4micos e ambientais, a partir das quais vem-se tratando temas como crise e<br>reconfigura\u00e7\u00e3o da representa\u00e7\u00e3o; multiplicando-se teorias normativas, p\u00f3s-modernas,<br>da sociedade, e de campos cient\u00edficos, que consequentemente tamb\u00e9m vivem<br>mudan\u00e7as, mostrando claramente a politiza\u00e7\u00e3o dos temas com claro interesse na<br>manuten\u00e7\u00e3o de poder como equ\u00edvoco do funcionamento democr\u00e1tico. Sem<br>representatividade, legitimidade, participa\u00e7\u00e3o da base e planejamento participativo<br>autossustentado, a participa\u00e7\u00e3o, aproxima-se da farsa ou da incompet\u00eancia (DEMO,<br>2001, p. 45). Nas rela\u00e7\u00f5es participativas n\u00e3o significa que em todas as situa\u00e7\u00f5es n\u00e3o<br>h\u00e1 concord\u00e2ncia de interesses, em um momento dado, pode-se dar, que a n\u00e3o\u0002coincid\u00eancia dos interesses \u00e9 suficiente para surgir uma rea\u00e7\u00e3o determinada. De a\u00ed, a<br>import\u00e2ncia de considerar os aspectos da manifesta\u00e7\u00e3o na defini\u00e7\u00e3o do conflito<br>participativo. Isto da luz sobre a evolu\u00e7\u00e3o dos homin\u00eddeos, sobre a evolu\u00e7\u00e3o da cultura<br>e sobre o altru\u00edsmo e a coopera\u00e7\u00e3o. A cultura n\u00e3o soluciona todos os problemas, mas<br>no caso aumenta a capacidade dos seres humanos de modificar as fontes de sele\u00e7\u00e3o<br>natural em seus ambientes a ponto de essa capacidade levantar algumas novas quest\u00f5es<br>sobre os processos de adapta\u00e7\u00e3o humana. Essa rela\u00e7\u00e3o entre evolu\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica e<br>cultura levanta duas quest\u00f5es causais, a) diz respeito \u00e0 extens\u00e3o em que as culturas<br>humanas contempor\u00e2neas s\u00e3o restringidas ou direcionadas por nossa heran\u00e7a evolutiva<br>biol\u00f3gica; b) se preocupa se a evolu\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica dos infinitos nichos animais foi<br>influenciada culturalmente.<br>IV. CONCLUS\u00c3O<br>Este trabalho admite que as sociedades sempre viveram seus problemas<br>existenciais; por\u00e9m, jamais na hist\u00f3ria se deu tanta aten\u00e7\u00e3o ao conceito de melhorar<br>mudan\u00e7as comportamentais nos arranjos institucionais, definindo o Ser Humano numa<br>rela\u00e7\u00e3o muito pr\u00f3xima, dentro de um marco conceitual capitalista em beneficio<br>individual.<br>13<br>Sendo este o conceitual te\u00f3rico, a externalidade do c\u00e1lculo econ\u00f4mico e a<br>inexistente evolu\u00e7\u00e3o humana, se demonstra a influ\u00eancia dos valores econ\u00f4micos sobre os<br>conflitos existentes em todos os segmentos sociais.<br>Charles Darwin (1809 \u2013 1882) prop\u00f4s a teoria da evolu\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica por<br>sele\u00e7\u00e3o natural, as esp\u00e9cies mudam ao longo do tempo, dando origem a novas<br>esp\u00e9cies que compartilham um ancestral comum.<br>O debate proporcionado por este trabalho, do multidisciplinar das ci\u00eancias com<br>a biologia, contribui para a indaga\u00e7\u00e3o de como est\u00e3o se desenvolvendo as novas formas<br>comportamentais do Ser Humano, grupalmente ou individualmente, no meio f\u00edsico<br>presencial ou diante das tecnologias digitais. Como gerir novas pol\u00edticas p\u00fablicas e<br>governar as sociedades de uma maneira mais humana se os padr\u00f5es das atividades<br>humanas s\u00e3o percept\u00edveis por meio da an\u00e1lise cultual e comportamental dentro da<br>linguagem do ser humano?<br>A abordagem multidisciplinar, nos mostra \u00e0s grandes quest\u00f5es existenciais,<br>definidas de diversas forma, uma reflex\u00e3o sobre as formas diretas e simples de<br>express\u00e3o \u2013 tal qual elas se apresentam \u2013 sem buscar artif\u00edcios de acomoda\u00e7\u00e3o<br>suscept\u00edveis de infinidade de combina\u00e7\u00f5es que nunca s\u00e3o iguais a si mesmas se<br>multiplicando em infinidade de figuras diferentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta forma de relacionamento n\u00e3o transparente, dentro dos grupos participativos,<br>encontra constantes confirma\u00e7\u00f5es de difus\u00e3o no mundo do discurso p\u00fablico, na pol\u00edtica<br>e at\u00e9 na capacidade de razoar, incidindo nas bases da informa\u00e7\u00e3o e conviv\u00eancia civil.<br>A informa\u00e7\u00e3o sempre esteve na vanguarda das mudan\u00e7as sociais de todas as<br>\u00e9pocas, elucidando a intimidade das mudan\u00e7as comportamentais do ser humano;<br>dividido entre sentimentos e raz\u00e3o; emo\u00e7\u00f5es como algo antigo, autom\u00e1tico, como um<br>sistema processado, com suas m\u00faltiplas manifesta\u00e7\u00f5es de solidariedade, interesse, f\u00e9,<br>culpa, inveja etc.<br>Na escola, aprendemos m\u00faltiplas disciplinas, desde f\u00edsica e aritm\u00e9tica at\u00e9<br>geografia. Mas ningu\u00e9m nos ensinou esse grande neg\u00f3cio inacabado: a detec\u00e7\u00e3o e o<br>gerenciamento de emo\u00e7\u00f5es. Nossa educa\u00e7\u00e3o sentimental \u00e9 muito pobre, e \u00e9 por isso<br>14<br>que passamos nossas vidas \u2018ruminando\u2019, tentando nos conectar com nossos<br>sentimentos mais \u00edntimos e tentando, \u00e0s vezes em v\u00e3o, saber o que realmente<br>queremos. E o que os outros querem em rela\u00e7\u00e3o a n\u00f3s.<br>Mostramos, neste trabalho, que nosso c\u00e9rebro moderno \u00e9 um cora\u00e7\u00e3o \u00e0 antiga;<br>que n\u00e3o somos seres racionais\u2026somos seres emocionais que razonam (Roseti, 2019).<br>A deriva\u00e7\u00e3o de todas essas conclus\u00f5es essenciais, solidamente argumentadas,<br>perduram por muito tempo em nossas cabe\u00e7as quando fechamos este trabalho.<br>O Ser Humano costuma ser definido como um animal racional, deixando de lado<br>as emo\u00e7\u00f5es entre suas qualidades distintivas e essenciais. Ao longo da hist\u00f3ria, o<br>pensamento racional e a emo\u00e7\u00e3o foram considerados dois processos mentais separados<br>e geralmente opostos: a emo\u00e7\u00e3o exerceu um efeito negativo sobre o racioc\u00ednio e,<br>portanto, deve ser evitada se algu\u00e9m quiser pensar com clareza. Mas hoje podemos<br>refletir sobre as emo\u00e7\u00f5es e nos perguntar: elas n\u00e3o t\u00eam utilidade para o conhecimento?<br>Para que servem as emo\u00e7\u00f5es? \u00c9 algo al\u00e9m do nosso controle ?<br>O estudo cient\u00edfico moderno das emo\u00e7\u00f5es s\u00f3 foi poss\u00edvel quando elas foram<br>colocadas em um n\u00edvel equilibrado e complementar a outros processos cognitivos.<br>Deste ponto de vista, representa o marcador mais b\u00e1sico, autom\u00e1tico e r\u00e1pido para<br>guiar a abordagem do que gostamos e longe do perigo, da dor ou da frustra\u00e7\u00e3o. Por<br>isso, s\u00e3o considerados detectores da relev\u00e2ncia dos est\u00edmulos e eventos em termos de<br>seu significado para o indiv\u00edduo.<br>As emo\u00e7\u00f5es s\u00e3o epis\u00f3dios de mudan\u00e7as afetivas complexas nas diferentes<br>circunst\u00e2ncias da vida. Essas rea\u00e7\u00f5es complexas integram v\u00e1rios componentes, como<br>ativa\u00e7\u00e3o neurofisiol\u00f3gica e sentimento subjetivo interno. Podemos reconsider\u00e1-los,<br>ent\u00e3o, como uma forma alternativa de processamento de informa\u00e7\u00f5es ao pensamento<br>consciente mais elaborado que orienta, entre outras \u00e1reas, o aprendizado e a tomada<br>de decis\u00f5es em circunst\u00e2ncias r\u00e1pidas. Longe de ser um esbo\u00e7o desleixado,<br>desorganizado e esp\u00fario das decis\u00f5es nacionais, o sistema emocional \u00e9 um instrumento<br>adaptativo sem o qual nos seria imposs\u00edvel resolver situa\u00e7\u00f5es que eximem as<br>capacidades de an\u00e1lise l\u00f3gico-racional, seja pela falta de mais detalhamento<br>informa\u00e7\u00f5es ou pela velocidade das circunst\u00e2ncias para as quais a decis\u00e3o racional<br>15<br>pode se tornar muito lenta. Emo\u00e7\u00e3o e cogni\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o sistemas separados, muito<br>menos opostos, uma vez que podem ser atingidos em conjunto.<br>Uma quest\u00e3o que ainda precisa ser respondida \u00e9 se, al\u00e9m do que foi dito, as<br>emo\u00e7\u00f5es continuam a ser um elemento incontrol\u00e1vel do comportamento. A influ\u00eancia<br>das pessoas sobre isso ocorre em diferentes aspectos, como as emo\u00e7\u00f5es que temos,<br>quando ou como as vivenciamos e expressamos. As emo\u00e7\u00f5es podem ser bastante<br>autom\u00e1ticas e fixas em seu padr\u00e3o de disparo (quando a mesma emo\u00e7\u00e3o ocorre<br>regularmente na frente do mesmo est\u00edmulo) ou podem resultar de um processo<br>cognitivo mais elaborado. As pessoas s\u00e3o capazes de operar nossas emo\u00e7\u00f5es, mesmo<br>que n\u00e3o seja em seus resultados. Em muitos casos, n\u00e3o podemos inibir seu disparo,<br>mas podemos tentar torcer seu curso para escond\u00ea-los ou atenu\u00e1-los, uma vez que as<br>emo\u00e7\u00f5es constroem um processo din\u00e2mico no andamento. As emo\u00e7\u00f5es n\u00e3o nos<br>obrigam, na maioria dos casos, a agir de uma maneira espec\u00edfica, mas tornam mais<br>prov\u00e1vel um tipo de resposta. Com certo esfor\u00e7o ou prepara\u00e7\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel bloquear<br>ou mudar o comportamento favorecido pela emo\u00e7\u00e3o desencadeada. Pelo contr\u00e1rio, ao<br>reconhecermos as circunst\u00e2ncias que desencadearam certas emo\u00e7\u00f5es negativas,<br>podemos aprender a evitar os contextos de situa\u00e7\u00f5es que est\u00e3o associadas a essas<br>emo\u00e7\u00f5es, de forma a reduzir a probabilidade do seu aparecimento e assim regular o<br>epis\u00f3dio emocional de seu in\u00edcio, origem. Essa transforma\u00e7\u00e3o cognitiva da experi\u00eancia<br>emocional, \u00e9 chamada de &#8220;reavalia\u00e7\u00e3o&#8221; e consiste na sele\u00e7\u00e3o de um significado<br>espec\u00edfico para a situa\u00e7\u00e3o que desencadeia uma emo\u00e7\u00e3o. Trata-se, nem mais nem<br>menos, de mudar a forma como nos sentimos, de mudar a forma como pensamos.<br>V. REFER\u00caNCIAS<br>Ser Humano \u2013 MANES, Facundo \u2013 Planeta, 2021;<br>L\u00edmete \u2013 Latouche, Serge \u2013 AH, 2015;<br>A Interpreta\u00e7\u00e3o das Culturas &#8211; Clifford Geertz \u2013 LTC, 2012;<br>Uma teoria darwinista da coevolu\u00e7\u00e3o gen-cultura &#8211; RICHERSON1, Peter J. e<br>BOYD, ROBERT &#8211; University of California, 2011.<br>BERTALANFFY, Ludwig Von. Teoria Geral dos Sistemas. 8. ed. S\u00e3o Paulo:<br>Vozes, 2015. BERTALANFFY, Ludwig Von. The Mind-Body Problem:: : A New<br>View. Psychosomatic medicine, Canada, v. 26, n. 1, p. 29-45, jan.\/1964.<br>16<br>COSMIDES et al. The Adapted Mind: : Evolutionary Psychology and the<br>Generation of Culture Revised ed. Edition. 1. ed. [S.l.]: Oxford University Press;,<\/p>\n\n\n\n<ol start=\"1995\"><li><br>DAWKINS, Richard. O gene ego\u00edsta. 1. ed. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras,<\/li><li>DURKHEIM, \u00c8mile. As Regras do m\u00e9todo sociol\u00f3gico. 1. ed. [S.l.]:<br>Editora Vozes, 1895. 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