{"id":25092,"date":"2022-02-08T14:21:28","date_gmt":"2022-02-08T14:21:28","guid":{"rendered":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/?p=25092"},"modified":"2022-02-08T14:37:52","modified_gmt":"2022-02-08T14:37:52","slug":"fonasc-mt-apoia-e-divulga-nota-publica-sobre-o-negacionismo-cientifico-na-embrapa-o-caso-evaristo-miranda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/?p=25092","title":{"rendered":"FONASC MT APOIA E DIVULGA NOTA P\u00daBLICA SOBRE O NEGACIONISMO CIENT\u00cdFICO NA EMBRAPA &#8220;O caso Evaristo Miranda&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<ol><li>A Rede Irer\u00ea de Prote\u00e7\u00e3o \u00e0 Ci\u00eancia compreende o acesso \u00e0 Ci\u00eancia como um Direito Humano fundamental, assegurando aos povos o direito de usufruir do progresso cient\u00edfico e seus benef\u00edcios. Para isso, a Rede Irer\u00ea entende que a promo\u00e7\u00e3o da livre express\u00e3o cient\u00edfica e da prote\u00e7\u00e3o de pesquisadores, cientistas e demais trabalhadores do campo cient\u00edfico \u00e9 tarefa fundamental,<br>especialmente em tempos de aprofundamento de governos totalit\u00e1rios e arbitr\u00e1rios.<\/li><li>No entanto, faz-se necess\u00e1rio afirmar que a liberdade cient\u00edfica n\u00e3o pode ser confundida com irresponsabilidade e at\u00e9 mesmo negacionismo cient\u00edfico. Especialmente, quando este se coloca de forma interessada junto aos grandes grupos pol\u00edticos e econ\u00f4micos, dispostos a atacar os direitos humanos, ambientais e de sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o.<\/li><li>Como bem demonstrado no recente artigo cient\u00edfico \u201cO risco de falsas controv\u00e9rsias para as pol\u00edticas ambientais brasileiras\u201d(https:\/\/doi.org\/10.1016\/j.biocon.2021.109447), a fabrica\u00e7\u00e3o artificial de d\u00favidas sobre aquilo que j\u00e1 se apresenta como certeza cient\u00edfica, consiste numa t\u00e1tica<br>conhecida e bem documentada das grandes corpora\u00e7\u00f5es multinacionais e de grupos conservadores para imporem narrativas ideol\u00f3gicas para manter seus lucros \u00e0s custas do interesse coletivo e da prote\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade e ao meio ambiente.<\/li><li>Provas do negacionismo cient\u00edfico e os danos promovidos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o podem ser revisitados ao longo da hist\u00f3ria, e foram usados para justificar a escravid\u00e3o, a submiss\u00e3o da mulher, dos povos ind\u00edgenas, a criminaliza\u00e7\u00e3o dos pobres, a nega\u00e7\u00e3o dos efeitos nocivos do tabaco, do amianto, de agrot\u00f3xicos j\u00e1 proibidos em diversos pa\u00edses, e at\u00e9 mesmo da efic\u00e1cia de vacinas contra Covid-19.<\/li><li>O caso Evaristo Miranda desnuda, por sua vez, essa pr\u00e1tica negacionista e a submiss\u00e3o, omiss\u00e3o e coniv\u00eancia ao poder econ\u00f4mico e pol\u00edtico em uma das maiores empresas de pesquisa p\u00fablica agropecu\u00e1ria do mundo!<\/li><li>Ineg\u00e1vel reconhecer que o negacionismo cient\u00edfico tem duas faces na Embrapa: de um lado da moeda, ela promove a distor\u00e7\u00e3o dos fatos cient\u00edficos por tais grupos alinhados ideologicamente ao poderio econ\u00f4mico conservador do setor (foi assim no debate cientifico sobre os transg\u00eanicos, c\u00f3digo florestal, agrot\u00f3xicos\u2026) e, por lado, busca promover uma verdadeira persegui\u00e7\u00e3o<br>aos cientistas divergentes, que apontam os impactos negativos deste modelo agropecu\u00e1rio atrasado, predador, baseado na explora\u00e7\u00e3o de recursos naturais sem qualquer crit\u00e9rio t\u00e9cnico como no caso dos n\u00edveis alarmantes de desmatamento no pa\u00eds, em especial na Amaz\u00f4nia, queimadas, uso de agrot\u00f3xicos, mau uso do solo e \u00e1gua, etc.<\/li><li>Importante destacar ainda que, no lado \u201cb\u201d da Embrapa, h\u00e1 dezenas, e provavelmente centenas, de pesquisadores e pesquisadoras que se sentem preteridos, isolados, desprestigiados, desmotivados, perseguidos, adoecidos e at\u00e9 mesmo sumariamente demitidos, por n\u00e3o se alinharem ao<br>negacionismo cient\u00edfico, intensificado nos \u00faltimos anos com o amparo do atual governo. S\u00e3o v\u00edtimas de uma viol\u00eancia cient\u00edfica, administrativa e ideol\u00f3gica quase invis\u00edvel, dissimulada e ignorada por muitos, mas hoje conhecida na literatura como whistleblowing cient\u00edfico (http:\/\/www.cesteh.ensp.fiocruz.br\/noticias\/manifesto-emdefesa-dos-cientistas-que-alertam-sobre-os-perigos-dos-Agrotoxicos; https:\/\/www.ohchr.org\/EN\/Issues\/Environment\/SRToxicsandhumanrights\/Pages\/rig<br>ht-to-science.aspx )<\/li><li>Assim, ao contr\u00e1rio da postura adotada pela Anvisa ou pelo INPE, por exemplo, o negacionismo cient\u00edfico na Embrapa precisa ser compreendido como uma pol\u00edtica institucional perpetrada pelo seu pr\u00f3prio quadro diretivo, uma vez que o sr. Evaristo Miranda, mesmo ap\u00f3s esta den\u00fancia humilhante, ainda permanece no cargo de Assessor do Presidente da empresa\u2026<ol><li>Desta forma o combate a essa viol\u00eancia institucional contra \u00e0 ci\u00eancia deve ser feita de maneira estrutural, com o apoio da ci\u00eancia e dos \u00f3rg\u00e3os de controle de vigil\u00e2ncia e das leis trabalhistas, de probidade administrativa, e na esfera criminal dos direitos humanos e ambiental.<\/li><li> Rede Irer\u00ea de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 Ci\u00eancia finaliza a presente nota solidarizando-se com todos os trabalhadores e trabalhadoras da Embrapa, seus pesquisadores e pesquisadoras, e cobra a apura\u00e7\u00e3o profunda da fabrica\u00e7\u00e3o de falsas controv\u00e9rsias cient\u00edficas na empresa e a persegui\u00e7\u00e3o \u00e0queles cientistas que optaram por cumprir seu papel em defesa dos interesses da sociedade. <br>Bras\u00edlia, 08 de fevereiro de 2022<\/li><\/ol><\/li><\/ol>\n\n\n\n<p>veja o link do documento : https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/wp-content\/uploads\/Nota-Evaristo-Miranda_Final.pdf<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Rede Irer\u00ea de Prote\u00e7\u00e3o \u00e0 Ci\u00eancia compreende o acesso \u00e0 Ci\u00eancia como um Direito Humano fundamental, assegurando aos povos&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[39,40,8],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25092"}],"collection":[{"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=25092"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25092\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":25094,"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25092\/revisions\/25094"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=25092"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=25092"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=25092"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}