{"id":25073,"date":"2022-02-08T02:11:19","date_gmt":"2022-02-08T02:11:19","guid":{"rendered":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/?p=25073"},"modified":"2022-02-08T18:10:32","modified_gmt":"2022-02-08T18:10:32","slug":"fonasc-df-fonasc-mt-assunto-encaminhamento-de-proposta-de-resolucao-cnrh-a-secretaria-executiva-do-conselho-nacional-de-recursos-hidricos-com-base-no-art-9-da-resolucao-cnrh-n-215-202","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/?p=25073","title":{"rendered":"FONASC-DF e FONASC MT : Protocolam   proposta de Resolu\u00e7\u00e3o CNRH \u00e0 Secretaria-Executiva do Conselho Nacional de Recursos H\u00eddricos, com base no Art. 9\u00b0 da Resolu\u00e7\u00e3o CNRH n\u00b0 215\/2020, de 30 de junho de 2020, intitulada \u201cAprova a atualiza\u00e7\u00e3o do Plano de Recursos H\u00eddricos da Regi\u00e3o Hidrogr\u00e1fica do Paraguai &#8211; PRH Paraguai e d\u00e1 outras provid\u00eancias\u201d."},"content":{"rendered":"\n<p>.<\/p>\n\n\n\n<p>FONASC-DF e FONASC MT : Protocolam proposta de Resolu\u00e7\u00e3o CNRH \u00e0 Secretaria-Executiva do Conselho Nacional de Recursos H\u00eddricos, com base no Art. 9\u00b0 da Resolu\u00e7\u00e3o CNRH n\u00b0 215\/2020, de 30 de junho de 2020, intitulada \u201cAprova a atualiza\u00e7\u00e3o do Plano de Recursos H\u00eddricos da Regi\u00e3o Hidrogr\u00e1fica do Paraguai &#8211; PRH Paraguai e d\u00e1 outras provid\u00eancias\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A iniciativa do FONASC acontece nessa conjuntura marcada por press\u00f5es de toda ordem dentro e fora do governo atual e a incenssibilidade das elites politicas que agem intenssamente para obstruir e postergar medidas para o cumprimento de diretrizes gerenciais e regulat\u00f3rias com vistas ao cumprimento da legisla\u00e7\u00e3o de gest\u00e3o dos corpos dagua da BACIA DO RIO PARAGUAI.O requerimento foi protocolado em 07.02.2022 e pressagiamos intensso esfor\u00e7os da sociedade civil e movimentos sociais para o cumprimento das metas do PLANO DE RECURSOS HIDRICOS aprovado no CNRH em  2020  . VEJA  O TEXTO DA MINUTA ABAIXO:<\/p>\n\n\n\n<p>Ilmo. Sr.o CNRH <\/p>\n\n\n\n<p>Senhor S\u00e9rgio Luiz Soares de Souza Costa<\/p>\n\n\n\n<p>Secret\u00e1rio Nacional de Seguran\u00e7a H\u00eddrica &#8211; SNSHSecret\u00e1rio-Executivo do CNRH<\/p>\n\n\n\n<p>Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Regional &#8211; MDR<\/p>\n\n\n\n<p>Assunto: Encaminhamento de proposta de Resolu\u00e7\u00e3o CNRH \u00e0 Secretaria-Executiva do Conselho Nacional de Recursos H\u00eddricos, com base no Art. 9\u00b0 da Resolu\u00e7\u00e3o CNRH n\u00b0 215\/2020, de 30 de junho de 2020, intitulada <strong>\u201cAprova a atualiza\u00e7\u00e3o do Plano de Recursos H\u00eddricos da Regi\u00e3o Hidrogr\u00e1fica do Paraguai &#8211; PRH Paraguai e d\u00e1 outras provid\u00eancias\u201d<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Prezado Senhor,<\/p>\n\n\n\n<p>Encaminhamos proposta de Resolu\u00e7\u00e3o CNRH sobre a atualiza\u00e7\u00e3o do Plano de Recursos H\u00eddricos da Regi\u00e3o Hidrogr\u00e1fica do Paraguai &#8211; PRH Paraguai, nos termos do Art. 9\u00b0 da <strong>Resolu\u00e7\u00e3o CNRH n\u00b0 215 <\/strong>(Aprova o Regimento Interno do Conselho Nacional de Recursos H\u00eddricos), de 30 de junho de 2020, que estabelece que as propostas de delibera\u00e7\u00e3o poder\u00e3o ser apresentadas por qualquer conselheiro \u00e0 Secretaria-Executiva do Conselho Nacional de Recursos H\u00eddricos &#8211; SECEX\/CNRH por meio de justificativa fundamentada e conte\u00fado m\u00ednimo necess\u00e1rio \u00e0 sua aprecia\u00e7\u00e3o, sendo que a justificativa da proposta de delibera\u00e7\u00e3o dever\u00e1 conter, no m\u00ednimo, informa\u00e7\u00f5es sobre relev\u00e2ncia e converg\u00eancia da mat\u00e9ria com programas, projetos, metas e diretrizes do Plano Nacional de Recursos H\u00eddricos, escopo do conte\u00fado normativo e impactos e consequ\u00eancias esperados e setores afetados pela aprova\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria, vimos por meio deste of\u00edcio apresentar os elementos que se seguem.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>I &#8211; RELEV\u00c2NCIA E CONVERG\u00caNCIA DA MAT\u00c9RIA COM PROGRAMAS, PROJETOS, METAS E DIRETRIZES DO PLANO NACIONAL DE RECURSOS H\u00cdDRICOS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Plano Nacional de Recursos H\u00eddricos 2006-2020, aprovado pela <strong>Resolu\u00e7\u00e3o CNRH n\u00b0 58\/2006<\/strong> estabeleceu em seu Componente Desenvolvimento da Gest\u00e3o Integrada dos Recursos H\u00eddricos &#8211; GIRH no Brasil o Programa III (Desenvolvimento e Implementa\u00e7\u00e3o dos Instrumentos de Gest\u00e3o de Recursos H\u00eddricos), o qual, por sua vez, definiu dentre os seus Subprogramas o Subprograma Planos de Recursos H\u00eddricos e Enquadramento dos Corpos d\u2019\u00c1gua em Classes de Uso. Ademais, o Componente de Programas Regionais de Recursos H\u00eddricos contemplou o Programa XI (Conserva\u00e7\u00e3o de \u00c1guas no Pantanal, em Especial suas \u00c1reas \u00damidas), sendo que a <strong>Resolu\u00e7\u00e3o CNRH n\u00b0 99\/2009<\/strong> aprovou o detalhamento dos Programas VIII, X, XI e XII do PNRH. O detalhamento do Programa XI est\u00e1 apresentado no Quadro 1.<\/p>\n\n\n\n<p>Quadro 1 &#8211; Programa XI: Conserva\u00e7\u00e3o de \u00c1guas no Pantanal, em Especial suas \u00c1reas \u00damidas<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table><tbody><tr><td><strong>Componente:<\/strong> <strong>Programas Regionais de Recursos H\u00eddricos<\/strong><\/td><\/tr><tr><td><strong>Programa:<\/strong> <strong>Programa XI: Conserva\u00e7\u00e3o das \u00c1guas no Pantanal, em especial suas \u00e1reas \u00famidas<\/strong><\/td><\/tr><tr><td><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong> A Regi\u00e3o Hidrogr\u00e1fica do Paraguai det\u00e9m especial interesse e posi\u00e7\u00e3o de destaque por sua caracter\u00edstica peculiar de abrigar uma das maiores extens\u00f5es \u00famidas cont\u00ednuas do planeta: o Pantanal Matogrossense, que foi declarado como Patrim\u00f4nio Nacional pela Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988. Em face do seu especial interesse, em 09 de novembro de 2000 a UNESCO aprovou pela Comiss\u00e3o Internacional do Programa O Homem e a Biosfera como Reserva da Biosfera e como Patrim\u00f4nio Natural da Humanidade, tornando-se a terceira maior reserva do mundo no g\u00eanero. A regi\u00e3o tem um forte simbolismo, aumentando a responsabilidade em promover o desenvolvimento e implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas visando a sua conserva\u00e7\u00e3o. Especificamente a regi\u00e3o denominada Pantanal ou plan\u00edcie pantaneira, compreende as \u00e1reas abaixo de 200 metros de altitude e \u00e9 pauta de um dos Programas do PNRH. Essa regi\u00e3o depende sobremaneira das intera\u00e7\u00f5es com a regi\u00e3o do Planalto, localizadas no entorno do Pantanal com altitudes acima de 200m, onde encontram-se as nascentes e os divisores da Regi\u00e3o Hidrogr\u00e1fica do Paraguai com outras regi\u00f5es hidrogr\u00e1ficas brasileiras (Paran\u00e1, Tocantins-Araguaia e Amaz\u00f4nica). A depend\u00eancia e as inter-rela\u00e7\u00f5es entre plan\u00edcie (pantanal) e planalto s\u00e3o preponderantes. Os desafios para promover a gest\u00e3o regional sobre as \u00e1guas pressup\u00f5em o entendimento destas rela\u00e7\u00f5es entre as fun\u00e7\u00f5es que ocorrem na plan\u00edcie e no planalto abrangendo toda a Regi\u00e3o Hidrogr\u00e1fica do Paraguai. O rio Paraguai nasce no territ\u00f3rio brasileiro e possui uma \u00e1rea de drenagem de 1.095.000 km\u00b2. A sua bacia \u00e9 compartilhada pelo Brasil, Argentina, Bol\u00edvia e Paraguai. Seu rio principal, o Paraguai, percorre uma dist\u00e2ncia de 2.612 km at\u00e9 a conflu\u00eancia com o rio Paran\u00e1. As \u00e1reas de nascentes, conhecidas como Alto Paraguai, possuem uma \u00e1rea de 600.000 km\u00b2, englobando os Estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, incluindo-se a\u00ed o Pantanal, uma das maiores \u00e1reas \u00famidas do mundo, com 147.574km\u00b2, sendo um elo entre o Cerrado do Brasil e o Chaco da Bol\u00edvia e do Paraguai. Portanto, a Regi\u00e3o Hidrogr\u00e1fica do Paraguai transcende as fronteiras nacionais, uma vez que parcela significativa da regi\u00e3o, e de ecossistemas associados, encontram-se em territ\u00f3rio argentino, boliviano e paraguaio. Diante disso, os desafios regionais avolumam-se na medida em que a gest\u00e3o regional necessita de articula\u00e7\u00e3o e mecanismos de rela\u00e7\u00f5es exteriores para a gest\u00e3o da regi\u00e3o hidrogr\u00e1fica de forma integrada. Os processos que ocorrem na Regi\u00e3o Hidrogr\u00e1fica do Paraguai diferenciam-se em grande parte dos realizados nas demais regi\u00f5es hidrogr\u00e1ficas brasileiras, pois os servi\u00e7os ambientais prestados na bacia hidrogr\u00e1fica pelos ecossistemas aqu\u00e1ticos produzem efeitos integrados ao conjunto de manuten\u00e7\u00e3o dos ecossistemas de import\u00e2ncia vital \u00e0 comunidade regional, interestadual e internacional. A an\u00e1lise n\u00e3o deve ser realizada somente pelo prisma dos usos, das disponibilidades e demandas de recursos h\u00eddricos, pois as rela\u00e7\u00f5es das sub-bacias hidrogr\u00e1ficas e dos respectivos cursos d\u2019\u00e1gua possuem uma rela\u00e7\u00e3o direta com a plan\u00edcie pantaneira. A manuten\u00e7\u00e3o do funcionamento ecol\u00f3gico do Pantanal est\u00e1 baseada na manuten\u00e7\u00e3o dos pulsos de inunda\u00e7\u00e3o dos rios que o comp\u00f5em, com interdepend\u00eancia entre as fases de cheia e seca: ora contribuindo para a produtividade do sistema terrestre (qualidade e diversidade das pastagens, por exemplo), ora para a produtividade do sistema aqu\u00e1tico (quantidade e diversidade de peixes, por exemplo), assim como para a qualidade de suas \u00e1guas e para a expressiva biodiversidade que tanto encanta os turistas, al\u00e9m das belas paisagens, da cultura e da hist\u00f3ria da regi\u00e3o pantaneira. A \u00e1gua, nesse contexto, \u00e9 um elemento de liga\u00e7\u00e3o e de rela\u00e7\u00e3o diretas para a exist\u00eancia do Pantanal e, portanto, vital para sobreviv\u00eancia dos ecossistemas terrestres e aqu\u00e1ticos regionais e sua diversidade. Os recursos h\u00eddricos, seu uso e aproveitamento merecem um tratamento especial no modelo de implementar a gest\u00e3o, de maneira integrada e indissoci\u00e1vel com os demais recursos naturais, em especial a conserva\u00e7\u00e3o do solo e da biodiversidade. Todos os estudos realizados na regi\u00e3o, da envergadura do Estudo de Desenvolvimento Integrado da Bacia do Alto Paraguai &#8211; EDIBAP em 1979, Plano de Conserva\u00e7\u00e3o da Bacia do Alto Paraguai &#8211; PCBAP em 1997 e Projeto GEF Pantanal &#8211; Implementa\u00e7\u00e3o de Pr\u00e1ticas de Gerenciamento Integrado de Bacia Hidrogr\u00e1fica para o Pantanal e Bacia do Alto Paraguai -, entre 1999 e 2004, apontam para a mesma dire\u00e7\u00e3o: a da necessidade de mecanismos especiais de gest\u00e3o em face de fragilidades dos ecossistemas, que possam viabilizar a produ\u00e7\u00e3o com conserva\u00e7\u00e3o. O GEF Pantanal, em especial, consolidado ao final de 2004, culminou com a elabora\u00e7\u00e3o de um Programa de A\u00e7\u00f5es Estrat\u00e9gicas &#8211; PAE, resultado de 44 estudos e projetos demonstrativos, de um Diagn\u00f3stico Anal\u00edtico do Pantanal e Bacia do Alto Paraguai &#8211; DAB, al\u00e9m de diversos debates com os principais atores e institui\u00e7\u00f5es da bacia, realizados mediante semin\u00e1rios e workshop e contando com a participa\u00e7\u00e3o de cerca de 4.500 pessoas. A regi\u00e3o do Pantanal n\u00e3o se destaca pela oferta ou demanda consuntiva pela \u00e1gua. Seu destaque est\u00e1 na forte depend\u00eancia da \u00e1gua, fato que possibilita manter uma imensa biodiversidade aqu\u00e1tica e terrestre. Diversos trabalhos indicam que o mau uso do solo na regi\u00e3o do planalto j\u00e1 reflete na plan\u00edcie. Substitui\u00e7\u00e3o de vegeta\u00e7\u00e3o nativa por pastagens e culturas anuais (desmatamentos), queimadas, pr\u00e1ticas agr\u00edcolas indevidas e uso de \u00e1reas altamente suscet\u00edveis \u00e0 eros\u00e3o propiciam fortemente a desagrega\u00e7\u00e3o do solo e, consequentemente, o assoreamento dos corpos d\u00b4\u00e1gua. Estima-se que o aporte de sedimentos que entram na plan\u00edcie \u00e9 da ordem de 24.195.000 t\/ano, sendo que 72% permanecem na plan\u00edcie. Al\u00e9m dos problemas ambientais provenientes do planalto, tem havido uma forte press\u00e3o de desenvolvimento tamb\u00e9m na regi\u00e3o da plan\u00edcie. A mudan\u00e7a de cen\u00e1rios no setor da pecu\u00e1ria regional, com a mudan\u00e7a de propriedade das terras, passando dos pecuaristas para empres\u00e1rios ou grupos empresariais elevou as taxas de desmatamento e de queimadas, sendo que parte das \u00e1reas est\u00e1 sendo utilizada para atividades agr\u00edcolas (plantio de feij\u00e3o e arroz irrigado). Portanto, evidencia-se uma crescente demanda de usos para produ\u00e7\u00e3o e de infraestrutura que geram press\u00f5es sobre a regi\u00e3o, que proporciona o uso e a ocupa\u00e7\u00e3o do solo sem planejamento integrado, executados de forma fragmentada pelas pol\u00edticas p\u00fablicas para os estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, tratando a regi\u00e3o hidrogr\u00e1fica de forma distinta e desassociando as rela\u00e7\u00f5es existentes entre a forma de uso nas regi\u00f5es de plan\u00edcie e o Planalto. Por sua vez, a\u00e7\u00f5es integradas de planejamento v\u00eam sendo empreendidas, buscando apresentar ao debate sobre o desenvolvimento regional propostas que contribuam para minimizar impactos sobre o Pantanal e valorizem os relevantes servi\u00e7os ambientais prestados por esse ecossistema \u00e0 sociedade, \u00e0 natureza e ao desenvolvimento econ\u00f4mico.<\/td><\/tr><tr><td><strong>Contexto e justificativas:<\/strong> O Plano Nacional de Recursos H\u00eddricos, considerando o que estabelece a Pol\u00edtica Nacional de Recursos H\u00eddricos, considera que a bacia hidrogr\u00e1fica \u00e9 a unidade territorial para a implementa\u00e7\u00e3o da Pol\u00edtica e do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos H\u00eddricos. Em algumas ocasi\u00f5es h\u00e1 de se adotar outro recorte, haja vista a peculiaridade de determinadas ocorr\u00eancias diferenciadas que, exatamente por isso, denominam-se, no PNRH, \u201cSitua\u00e7\u00f5es Especiais de Planejamento\u201d, tais como biomas, interliga\u00e7\u00e3o de bacias, \u00e1reas fr\u00e1geis, eixos de desenvolvimento. O Pantanal mato<ins>&#8211;<\/ins>grossense uma dessas situa\u00e7\u00f5es, juntamente com a zona costeira, a regi\u00e3o amaz\u00f4nica e o semi\u00e1rido brasileiro. Essas regi\u00f5es, por suas particularidades e conforme defini\u00e7\u00e3o do Conselho Nacional de Recursos H\u00eddricos, s\u00e3o contempladas com Programas espec\u00edficos do Plano Nacional de Recursos H\u00eddricos, tendo sido definido, para o caso espec\u00edfico, um programa de conserva\u00e7\u00e3o das \u00e1guas do Pantanal. Dentre as 64 macrodiretrizes definidas no Plano Nacional de Recursos H\u00eddricos, agrupadas em cinco conjuntos, duas delas, constantes do quarto conjunto, contemplam uma perspectiva espacial, definindo unidades geogr\u00e1ficas onde os limites n\u00e3o necessariamente coincidem com o de uma bacia hidrogr\u00e1fica, que demandam, portanto, a\u00e7\u00f5es e atividades ajustadas \u00e0 natureza e tipologia de problemas regionais que se mostram bastante caracter\u00edsticos, exigindo, por essa raz\u00e3o, que linhas de atua\u00e7\u00e3o dos programas e subprogramas j\u00e1 propostos nessas \u00e1reas venham a sofrer uma especializa\u00e7\u00e3o determinada por realidades espec\u00edficas. Cabe mencionar que as \u00e1reas geogr\u00e1ficas selecionadas re\u00fanem forte apelo simb\u00f3lico concernente \u00e0s tem\u00e1ticas ambiental e de recursos h\u00eddricos. As macrodiretrizes que orientam a estrutura\u00e7\u00e3o dos programas regionais do PNRH s\u00e3o: 1 &#8211; detalhar, oportunamente, os programas regionais em termos do ordenamento das a\u00e7\u00f5es e atividades necess\u00e1rias a cada unidade de interven\u00e7\u00e3o, contemplando: (a) modelos institucionais de gest\u00e3o apropriados \u00e0 natureza dos problemas a enfrentar; (b) \u00eanfases e prioridades na implanta\u00e7\u00e3o de instrumentos de gest\u00e3o de recursos h\u00eddricos, pr\u00f3prios a cada regi\u00e3o; e, (c) interven\u00e7\u00f5es f\u00edsicas estruturais de cunho regional, destinadas \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o das disponibilidades h\u00eddricas, em quantidade e qualidade, e \u00e0 sua conserva\u00e7\u00e3o e aproveitamento de forma ambientalmente sustent\u00e1vel; 2 &#8211; considerar que as unidades geogr\u00e1ficas priorit\u00e1rias para fins de estrutura\u00e7\u00e3o de programas regionais s\u00e3o: (i) aqu\u00edferos estrat\u00e9gicos; (ii) zonas costeiras; (iii) Amaz\u00f4nia; (iv) Pantanal; e, (v) Semi\u00e1rido brasileiro.<\/td><\/tr><tr><td><strong>Conceitos e Diretrizes:<\/strong> Consideradas as macrodiretrizes do PNRH, o Programa XI \u2013 Conserva\u00e7\u00e3o das \u00c1guas no Pantanal, em especial suas \u00e1reas \u00famidas, estrutura-se por meio da leitura do reflexo de a\u00e7\u00f5es previstas nos programas e subprogramas I ao VIII de forma especializada no contexto regional, determinado pelas realidades particulares ali presentes. Assim, a diretriz principal para a implementa\u00e7\u00e3o do Programa XI ser\u00e1 a especializa\u00e7\u00e3o da implementa\u00e7\u00e3o dos Programas I ao VIII sobre a regi\u00e3o foco, com \u00eanfase no modelo institucional de gest\u00e3o de recursos h\u00eddricos e na implementa\u00e7\u00e3o dos instrumentos de gest\u00e3o.<\/td><\/tr><tr><td><strong>Objetivo geral e objetivos espec\u00edficos:<\/strong> <strong>Objetivo Geral<\/strong>: Desenvolver modelo de gest\u00e3o de recursos h\u00eddricos, adequado \u00e0s peculiaridades regionais, e implement\u00e1-lo mediante o fortalecimento institucional dos estados, com vistas a contribuir para a manuten\u00e7\u00e3o dos ecossistemas aqu\u00e1ticos no Pantanal, em harmonia com os demais usos atuais e futuros da \u00e1gua e dos solos. <strong>Objetivos Espec\u00edficos:<\/strong> Implementar modelos e estruturas de gest\u00e3o de recursos h\u00eddricos nos estados, adequados \u00e0s peculiaridades regionais, que possibilitem, dentre outros aspectos: contribuir para melhoria da qualidade dos recursos h\u00eddricos no Pantanal, por meio de a\u00e7\u00f5es que garantam o controle da polui\u00e7\u00e3o pontual e difusa na regi\u00e3o; contribuir para assegurar a ocorr\u00eancia dos pulsos de inunda\u00e7\u00e3o no Pantanal, com a menor varia\u00e7\u00e3o poss\u00edvel; propor medidas que evitem a desagrega\u00e7\u00e3o do solo na regi\u00e3o do planalto (eros\u00e3o), minimizando a deposi\u00e7\u00e3o de sedimentos na plan\u00edcie e o consequente assoreamentos dos corpos d\u00b4\u00e1gua e contamina\u00e7\u00e3o por agroqu\u00edmicos.<\/td><\/tr><tr><td><strong>A\u00e7\u00f5es realizadas e em curso:<\/strong> Levantamento do quadro institucional e das pol\u00edticas, planos, programas com repercuss\u00f5es sobre a regi\u00e3o foco do Programa (a\u00e7\u00f5es em curso conduzidas pela Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas, Secretaria de Recursos H\u00eddricos e Ambiente Urbano e \u00f3rg\u00e3os gestores estaduais de recursos h\u00eddricos na regi\u00e3o);Articula\u00e7\u00e3o com os estados para implementa\u00e7\u00e3o e fortalecimento dos sistemas estaduais;Informes a respeito das a\u00e7\u00f5es realizadas no \u00e2mbito da implementa\u00e7\u00e3o dos Programas I ao VIII, na \u00e1rea de abrang\u00eancia do Programa, especialmente aquelas relacionadas com o fortalecimento institucional e com a implementa\u00e7\u00e3o dos instrumentos de gest\u00e3o.Aguardando manifesta\u00e7\u00e3o do GEF quanto \u00e0 continuidade do Projeto.<\/td><\/tr><tr><td><strong>\u00c1rea de Abrang\u00eancia e Benefici\u00e1rios:<\/strong> A \u00e1rea de abrang\u00eancia \u00e9 o Pantanal Mato<ins>&#8211;<\/ins>grossense, cujo territ\u00f3rio \u00e9 partilhado pelos Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.<\/td><\/tr><tr><td><strong>Pre\u00e7os e fontes de recursos:<\/strong> A priori, os recursos s\u00e3o oriundos do Pro\u00e1gua Nacional ou Inter\u00e1guas.<\/td><\/tr><tr><td><strong>Executores e Intervenientes<\/strong> ANA e SRHU\/MMA como executores. \u00d3rg\u00e3os Gestores Estaduais, demais entes do SINGREH e organismos atuantes na regi\u00e3o, com tem\u00e1tica relacionada aos recursos h\u00eddricos, como intervenientes.<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p>Em 2011, a <strong>Resolu\u00e7\u00e3o n\u00b0 135\/2011<\/strong> aprovou 22 prioridades do PNRH para o per\u00edodo 2012-2015, dentre elas a Prioridade 6 (Implementa\u00e7\u00e3o da Pol\u00edtica) contendo a elabora\u00e7\u00e3o de Planos de Recursos H\u00eddricos.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, em 2013, o CNRH aprovou a <strong>Resolu\u00e7\u00e3o CNRH n\u00b0 152\/2013<\/strong> que decidiu pela elabora\u00e7\u00e3o do Plano de Recursos H\u00eddricos da Regi\u00e3o Hidrogr\u00e1fica do Paraguai (PRH Paraguai) e a constitui\u00e7\u00e3o do Grupo de Acompanhamento da elabora\u00e7\u00e3o do PRH Paraguai, e estabeleceu que caberia \u00e0 ANA a elabora\u00e7\u00e3o do Plano de Recursos H\u00eddricos, tendo como base as seguintes considera\u00e7\u00f5es:<\/p>\n\n\n\n<ul><li><em>\u201cConsiderando a Resolu\u00e7\u00e3o CNRH n\u00ba 145, de 12 de dezembro de 2012, que estabelece diretrizes para a elabora\u00e7\u00e3o de Planos de Recursos H\u00eddricos de Bacias Hidrogr\u00e1ficas e d\u00e1 outras providencias;<\/em><\/li><li><em>Considerando que a Resolu\u00e7\u00e3o CNRH n\u00b0 145\/2012, que estabelece que nas bacias e regi\u00f5es hidrogr\u00e1ficas onde n\u00e3o existam Comit\u00eas de Bacias Hidrogr\u00e1ficas que abranjam a totalidade destas, o CNRH, ou o respectivo Conselho Estadual, decidir\u00e1 pela elabora\u00e7\u00e3o dos Planos de Recursos H\u00eddricos, contemplando estas bacias e regi\u00f5es;<\/em><\/li><li><em>Considerando que esses planos dever\u00e3o ser elaborados pela entidade gestora de recursos h\u00eddricos correspondente e acompanhados por uma inst\u00e2ncia especifica, que dever\u00e1 contar com a participa\u00e7\u00e3o das entidades civis de recursos h\u00eddricos, usu\u00e1rios das \u00e1guas e poder p\u00fablico, conforme previsto nos par\u00e1grafos 2\u00ba, 3\u00ba e 4\u00ba do artigo 5\u00ba da Resolu\u00e7\u00e3o CNRH n\u00ba 145, de 2012;<\/em><\/li><li><em>Considerando que \u201cGest\u00e3o de recursos h\u00eddricos no Pantanal e Plano de Bacia Hidrogr\u00e1fica do Rio Paraguai\u201d foi aprovado como tema de alta prioridade no \u00e2mbito do CNRH para o per\u00edodo 2013-2014, durante a XXVIII Reuni\u00e3o Ordin\u00e1ria do Conselho, realizada em 12 de dezembro de 2012;<\/em><\/li><li><em><u>Considerando a instala\u00e7\u00e3o de empreendimentos hidrel\u00e9tricos na Regi\u00e3o Hidrogr\u00e1fica do Paraguai <\/u><\/em><em>(grifo nosso);<\/em><\/li><li><em>Considerando o uso e ocupa\u00e7\u00e3o do solo nas regi\u00f5es de planalto e seu impacto, em especial, sobre o Pantanal;<\/em><\/li><li><em>Considerando a recomenda\u00e7\u00e3o do Comit\u00ea Nacional de Zonas \u00damidas, objeto do Of\u00edcio n\u00ba 359\/2012\/SBF\/MMA, de elabora\u00e7\u00e3o do PRH do Alto Paraguai, em articula\u00e7\u00e3o com a elabora\u00e7\u00e3o do macrozoneamento ecol\u00f3gico econ\u00f4mico da regi\u00e3o;<\/em><\/li><li><em>Considerando que a tem\u00e1tica da preserva\u00e7\u00e3o ou conserva\u00e7\u00e3o dos recursos h\u00eddricos na regi\u00e3o hidrogr\u00e1fica do Paraguai vem sendo debatida em diferentes f\u00f3runs com abordagens que convergem para a necessidade de planejamento que permita compatibilizar os usos m\u00faltiplos da \u00e1gua e a sustentabilidade do seu aproveitamento;<\/em><\/li><li><em>Considerando o PRH da Regi\u00e3o Hidrogr\u00e1fica do Paraguai como instrumento que deve orientar e integrar as pol\u00edticas e interven\u00e7\u00f5es na regi\u00e3o visando assegurar a utiliza\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel das \u00e1guas, compatibilizando-as com as demandas existentes e a conserva\u00e7\u00e3o e\/ou prote\u00e7\u00e3o do Pantanal; e<\/em><\/li><li><em>Considerando que o CNRH \u00e9 o \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel pela decis\u00e3o da elabora\u00e7\u00e3o de Planos de Bacias Hidrogr\u00e1ficas conforme os termos do artigo 5\u00ba da Resolu\u00e7\u00e3o CNRH n\u00ba 145, de 2012\u201d.<\/em><\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>Por oportuno, a elabora\u00e7\u00e3o do novo Plano Nacional de Recursos H\u00eddricos 2022-2040, de forma semelhante ao PNRH 2006-2020, tamb\u00e9m inscreve em sua estrutura o Programa 02: Implementa\u00e7\u00e3o dos Instrumentos de Gest\u00e3o, o qual contempla o tema Plano de Recursos H\u00eddricos e demais instrumentos de gest\u00e3o, conforme Figura 1.<\/p>\n\n\n\n<p>Figura 1 &#8211; Programa 02 &#8211; Implementa\u00e7\u00e3o dos Instrumentos do PNRH 2022-2040<\/p>\n\n\n\n<p><strong>II &#8211; PLANO DE RECURSOS H\u00cdDRICOS DA REGI\u00c3O HIDROGR\u00c1FICA DO PARAGUAI &#8211; PRH PARAGUAI<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Coube \u00e0 Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas &#8211; ANA, como entidade gestora dos recursos h\u00eddricos de dom\u00ednio da Uni\u00e3o, a responsabilidade pela elabora\u00e7\u00e3o do PRH Paraguai, que foi acompanhado conjuntamente pela inst\u00e2ncia espec\u00edfica definida na Resolu\u00e7\u00e3o CNRH n\u00ba 152\/2013 &#8211; o Grupo de Acompanhamento (GAP) da Elabora\u00e7\u00e3o do Plano de Recursos H\u00eddricos da Regi\u00e3o Hidrogr\u00e1fica do Paraguai, al\u00e9m do pr\u00f3prio CNRH, dos Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e da sociedade civil.<\/p>\n\n\n\n<p>A Lei Federal n\u00ba 9.433\/1997, que instituiu a Pol\u00edtica Nacional de Recursos H\u00eddricos, estabelece, em seu Art. 4\u00ba, que a Uni\u00e3o articular-se-\u00e1 com os Estados tendo em vista o gerenciamento dos recursos h\u00eddricos de interesse comum, estabelecendo, assim, uma diretriz b\u00e1sica para os entes federados, no que se refere \u00e0 necessidade de articula\u00e7\u00e3o e coopera\u00e7\u00e3o, no \u00e2mbito da gest\u00e3o dos recursos h\u00eddricos compartilhados entre os estados e a Uni\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Os trabalhos tiveram in\u00edcio em dezembro de 2014 e se desenvolveram por um per\u00edodo de tr\u00eas anos, contando com a participa\u00e7\u00e3o ativa do GAP e dos Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, buscando-se alinhamento de expectativas e de conte\u00fado.<\/p>\n\n\n\n<p>O processo de elabora\u00e7\u00e3o do PRH Paraguai contou, ainda, com a realiza\u00e7\u00e3o de uma s\u00e9rie de eventos que tiveram por objetivo a difus\u00e3o, mobiliza\u00e7\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o social, informando e ouvindo a sociedade da bacia e contribuindo para uma constru\u00e7\u00e3o participativa do Plano.<\/p>\n\n\n\n<p>Voltado prioritariamente \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o dos instrumentos de gest\u00e3o previstos na Pol\u00edtica Nacional de Recursos H\u00eddricos, o PRH Paraguai teve o prop\u00f3sito fundamental de reunir dados atualizados sobre a RH Paraguai, interpret\u00e1-los e mape\u00e1-los; definir cen\u00e1rios futuros; identificar \u00e1reas cr\u00edticas e propor diretrizes para os instrumentos de gest\u00e3o; estabelecer objetivos e metas; definir a\u00e7\u00f5es de curto, m\u00e9dio e longo prazos e os custos envolvidos, constituindo assim um instrumento de planejamento estrat\u00e9gico de longo prazo, para uma adequada gest\u00e3o dos recursos h\u00eddricos desta regi\u00e3o hidrogr\u00e1fica.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi priorizada a elabora\u00e7\u00e3o de propostas para a solu\u00e7\u00e3o de problemas para os quais existe governan\u00e7a do sistema de gest\u00e3o de recursos h\u00eddricos atuante na regi\u00e3o, considerando seu n\u00edvel e escala de compet\u00eancias, notadamente aqueles de responsabilidade dos \u00f3rg\u00e3os gestores de recursos h\u00eddricos &#8211; ANA, SEMA\/MT e IMASUL\/MS.<\/p>\n\n\n\n<p>O PRH Paraguai constitui, assim, um ponto de partida imprescind\u00edvel para a tomada de decis\u00f5es rumo \u00e0 sustentabilidade h\u00eddrica da RH Paraguai sob uma vis\u00e3o integrada dos seus recursos h\u00eddricos, fortalecendo a atua\u00e7\u00e3o cont\u00ednua e articulada dos diversos atores envolvidos, permitindo-lhes gerir os recursos h\u00eddricos de forma efetiva, garantindo o seu uso m\u00faltiplo, racional e sustent\u00e1vel, em benef\u00edcio das gera\u00e7\u00f5es presentes e futuras (ANA, Plano de Recursos H\u00eddricos da Regi\u00e3o Hidrogr\u00e1fica do Paraguai, Resumo Executivo, Bras\u00edlia, 2018).<\/p>\n\n\n\n<p>O PRH Paraguai constou, ent\u00e3o, das seguintes etapas:<\/p>\n\n\n\n<p>ETAPA 1 &#8211; DIAGN\u00d3STICO<\/p>\n\n\n\n<ul><li>Caracteriza\u00e7\u00e3o da Regi\u00e3o Hidrogr\u00e1fica do Paraguai;<\/li><li>Disponibilidade H\u00eddrica Quanti-Qualitativa Superficial e Subterr\u00e2nea;<\/li><li>Usos Atuais da \u00c1gua e Demandas H\u00eddricas Associadas;<\/li><li>Balan\u00e7o entre Disponibilidades e Demandas H\u00eddricas Quanti-Qualitativas;<\/li><li>Panorama da Gest\u00e3o de Recursos H\u00eddricos na RH Paraguai; e<\/li><li>Diagn\u00f3stico Integrado.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>ETAPA 2 &#8211; PROGN\u00d3STICO<\/p>\n\n\n\n<ul><li>Cen\u00e1rios Futuros para a RH Paraguai; e<\/li><li>Progn\u00f3stico de \u00c1reas Cr\u00edticas; e o Cen\u00e1rio do PRH Paraguai.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>ETAPA 3 &#8211; PLANO DE A\u00c7\u00d5ES<\/p>\n\n\n\n<ul><li>Diretrizes para a Gest\u00e3o dos Recursos H\u00eddricos da RH Paraguai;<\/li><li>Objetivos, Metas e Programas de A\u00e7\u00f5es do PRH Paraguai;<\/li><li>Investimentos Previstos;<\/li><li>Estrat\u00e9gias Institucionais;<\/li><li>Caminhos para Implementa\u00e7\u00e3o e Monitoramento do PRH Paraguai; e<\/li><li>Considera\u00e7\u00f5es finais.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>O Plano de A\u00e7\u00f5es traz diretrizes para a gest\u00e3o dos recursos h\u00eddricos da RH Paraguai, dentre elas diretrizes estrat\u00e9gicas para a outorga de direito de usos de recursos h\u00eddricos:<\/p>\n\n\n\n<ul><li>a principal diretriz estrat\u00e9gica relacionada \u00e0 outorga de direito de uso dos recursos h\u00eddricos est\u00e1 direcionada \u00e0 sua implementa\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica como um efetivo instrumento de gest\u00e3o das \u00e1guas na RH Paraguai, cumprindo o papel de restri\u00e7\u00e3o e\/ou incentivo para novos usos, e capaz de interferir na consecu\u00e7\u00e3o de objetivos dirigidos \u00e0 solu\u00e7\u00e3o de conflitos existentes pelos usos m\u00faltiplos quanti-qualitativos e preven\u00e7\u00e3o de conflitos em \u00e1reas identificadas como potenciais;<\/li><li>revisar os procedimentos e metodologias de an\u00e1lise de outorgas para aproveitamentos hidrel\u00e9tricos t\u00e3o logo os resultados consolidados dos estudos em curso pela ANA, referentes \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o dos efeitos da implanta\u00e7\u00e3o de aproveitamentos hidrel\u00e9tricos na RH Paraguai, estejam dispon\u00edveis para sub-bacias hidrogr\u00e1ficas espec\u00edficas, e incorporar tais resultados junto aos procedimentos e crit\u00e9rios de outorga. Os estudos em quest\u00e3o devem trazer subs\u00eddios objetivos para a altera\u00e7\u00e3o das metodologias de outorga, principalmente considerando aspectos de qualidade das \u00e1guas relacionados ao potencial de eutrofiza\u00e7\u00e3o de reservat\u00f3rios, bem como nas metodologias para defini\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o entre retiradas e consumos e, ainda, \u00e0 defini\u00e7\u00e3o de vaz\u00f5es ou hidrogramas ecol\u00f3gicos para os principais rios da RH-Paraguai;<\/li><li>ainda no contexto desses estudos, indica-se como diretriz b\u00e1sica que os mesmos avaliem os resultados de ANA et al. (2004) de forma a propor uma prioriza\u00e7\u00e3o dentre as APCBs aqu\u00e1ticas e proposta de sua formaliza\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o;<\/li><li>apresentar e discutir os resultados parciais dos estudos em curso junto ao GAP, para que possam ser colhidos subs\u00eddios \u00e0 sua conclus\u00e3o e aprova\u00e7\u00e3o pela ANA;<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>Os pedidos de Declara\u00e7\u00e3o de Reserva de Disponibilidade H\u00eddrica (DRDH) ou Outorgas para novos aproveitamentos hidrel\u00e9tricos na RH-Paraguai devem aguardar os resultados desses estudos para a conclus\u00e3o de suas an\u00e1lises, de forma a poder incorporar seus resultados. Assim que conclu\u00eddos relat\u00f3rios parciais para bacias espec\u00edficas, seus resultados j\u00e1 devem ser incorporados aos pedidos de outorga e DRDH em an\u00e1lise (grifo nosso).<\/p>\n\n\n\n<p>O Plano de A\u00e7\u00f5es apresenta tamb\u00e9m programas, objetivos e metas e programas de a\u00e7\u00f5es do PRH Paraguai, sendo que a Figura 2 apresenta as finalidades de longo prazo e os componentes estrat\u00e9gicos do PRH Paraguai.<\/p>\n\n\n\n<p>Particularmente, o Componente Estrat\u00e9gico C (Solu\u00e7\u00e3o de conflito pelo uso de recursos h\u00eddricos), Programa C.5 (Programa para a Avalia\u00e7\u00e3o dos Efeitos da Implanta\u00e7\u00e3o de Empreendimentos Hidrel\u00e9tricos na RH<ins> <\/ins><del>&#8211;<\/del>Paraguai), \u00e9 composto pelas seguintes metas de curto prazo:<\/p>\n\n\n\n<ul><li>C.5.1: Elaborar estudos hidrol\u00f3gicos e sedimentol\u00f3gicos da RH Paraguai, com avalia\u00e7\u00e3o dos efeitos da implanta\u00e7\u00e3o de aproveitamentos hidrel\u00e9tricos no regime hidrol\u00f3gico e na din\u00e2mica das inunda\u00e7\u00f5es na plan\u00edcie do Pantanal;<\/li><li>C.5.2: Elaborar estudos de qualidade de \u00e1gua e hidrossedimentologia da RH Paraguai, de modo a avaliar altera\u00e7\u00f5es que as unidades de gera\u00e7\u00e3o hidrel\u00e9trica possam causar nas condi\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas na plan\u00edcie do Pantana<ins>l<\/ins>;<\/li><li>C.5.3: Elaborar estudos de ictiofauna, ictiopl\u00e2ncton e pesca da RH Paraguai, de modo a fornecer subs\u00eddios para a avalia\u00e7\u00e3o dos impactos econ\u00f4micos sobre as atividades da pesca e de turismo na regi\u00e3o;<\/li><li>C.5.4: Elaborar estudos socioecon\u00f4micos e de energia na RH Paraguai, visando \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o de impactos comparativos entre produ\u00e7\u00e3o de energia, pesca e turismo;<\/li><li>C.5.5: Elaborar an\u00e1lise integrada multicrit\u00e9rio para subsidiar o processo de tomada de decis\u00e3o quanto aos efeitos da implanta\u00e7\u00e3o de aproveitamentos hidrel\u00e9tricos em diferentes sub-bacias que comp\u00f5em a RH Paraguai; e<\/li><li>C.5.6: Desenvolver propostas de a\u00e7\u00f5es resultantes dos estudos desenvolvidos.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>Figura 2 &#8211; Finalidades de longo prazo e componentes estrat\u00e9gicos do PRH Paraguai<\/p>\n\n\n\n<p>A aprova\u00e7\u00e3o do PRH Paraguai ocorreu via <strong>Resolu\u00e7\u00e3o CNRH n\u00b0 <\/strong><strong>196<\/strong>, de 08 de mar\u00e7o de 2018 (publicada no DOU em 19\/07\/2018), considerando que:<\/p>\n\n\n\n<ul><li><em>\u201ca Resolu\u00e7\u00e3o CNRH n\u00ba 152, de 17 de dezembro de 2013, decidiu pela elabora\u00e7\u00e3o do Plano de Recursos H\u00eddricos da Regi\u00e3o Hidrogr\u00e1fica do Paraguai &#8211; PRH Paraguai, e incumbiu \u00e0 Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas &#8211; ANA a sua elabora\u00e7\u00e3o;<\/em><\/li><li><em>a Resolu\u00e7\u00e3o CNRH n\u00ba 152, de 17 de dezembro de 2013, alterada pela Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 176, de 29 de junho de 2016, tamb\u00e9m instituiu o Grupo de Acompanhamento da elabora\u00e7\u00e3o do PRH Paraguai &#8211; GAP e determinou que este grupo definisse as normas para o seu funcionamento, sua agenda de trabalho e promovesse a articula\u00e7\u00e3o do arranjo operacional necess\u00e1rio ao seu funcionamento e, acompanhasse a implementa\u00e7\u00e3o do plano at\u00e9 a cria\u00e7\u00e3o do respectivo Comit\u00ea;<\/em><\/li><li><em>os trabalhos consubstanciados no PRH Paraguai, conduzidos pela ANA e com acompanhamento pelos \u00f3rg\u00e3os gestores estaduais de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e do Grupo de Acompanhamento da elabora\u00e7\u00e3o do PRH Paraguai, foram desenvolvidos segundo os fundamentos, objetivos e diretrizes da Pol\u00edtica Nacional de Recursos H\u00eddricos, atendendo ao previsto na Lei n\u00b0 9.433, de 1997, e na Resolu\u00e7\u00e3o CNRH n\u00b0 145, de 2012, no que concerne ao conte\u00fado e ao processo participativo adotado ao longo da sua elabora\u00e7\u00e3o;<\/em><\/li><li><em>as recomenda\u00e7\u00f5es do Comit\u00ea Nacional de Zonas \u00damidas pertinentes \u00e0 Regi\u00e3o do PRH Paraguai;<\/em><\/li><li><em>o GAP acompanhou a elabora\u00e7\u00e3o do PRH Paraguai, em todas as suas etapas, desde o Termo de Refer\u00eancia para contrata\u00e7\u00e3o dos estudos pela ANA at\u00e9 o seu Produto Final \u2013 Consolida\u00e7\u00e3o do PRH Paraguai, submetendo-o \u00e0 an\u00e1lise da CTPNRH; e<\/em><\/li><li><em>o GAP recomendou a aprova\u00e7\u00e3o do PRH Paraguai, Of\u00edcio n\u00ba 05\/2018\/GAP, de 15 de janeiro de 2018 enviado ao CNRH, e a C\u00e2mara T\u00e9cnica do Plano Nacional de Recursos H\u00eddricos \u2013 CTPNRH manifestou-se favoravelmente \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o do PRH Paraguai, conforme Parecer n.01\/2018\/CTPNRH\/CNRH e seus anexos\u201d.<\/em><\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>Assim, o CNRH resolveu via <strong>Resolu\u00e7\u00e3o n\u00b0 <\/strong><strong>196<\/strong>:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cArt. 1\u00b0 Aprovar o Plano de Recursos H\u00eddricos da Regi\u00e3o Hidrogr\u00e1fica do Paraguai, que abrange a bacia hidrogr\u00e1fica do rio Paraguai em territ\u00f3rio nacional, conforme anexo I;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Art. 2\u00b0 Manter a atua\u00e7\u00e3o do GAP, que dever\u00e1 acompanhar a implementa\u00e7\u00e3o do plano at\u00e9 a cria\u00e7\u00e3o do respectivo Comit\u00ea;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u00a7 1\u00ba Os estudos, projetos e programas elencados no PRH Paraguai, quando demandarem posicionamento do CNRH, dever\u00e3o ser analisados pelo GAP previamente ao seu encaminhamento ao CNRH e suas inst\u00e2ncias;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u00a7 2\u00ba O GAP poder\u00e1 submeter ao CNRH atualiza\u00e7\u00e3o do PRH Paraguai, \u00e0 luz de novas demandas e conhecimentos advindos do seu processo de implementa\u00e7\u00e3o, sem preju\u00edzo das demandas origin\u00e1rias das inst\u00e2ncias do pr\u00f3prio CNRH;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Art. 3\u00b0 Na implementa\u00e7\u00e3o do PRH Paraguai, dever\u00e3o ser empreendidos esfor\u00e7os para a gest\u00e3o dos recursos h\u00eddricos da regi\u00e3o, do ponto de vista ambiental, geopol\u00edtico e multissetorial;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Art. 4\u00b0 O PRH Paraguai deve ser disponibilizado nos s\u00edtios eletr\u00f4nicos da Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas \u2013 ANA e do Conselho Nacional de Recursos H\u00eddricos;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Art. 5\u00b0 Esta Resolu\u00e7\u00e3o entra em vigor na data de sua publica\u00e7\u00e3o.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>III &#8211; ESTUDOS DE AVALIA\u00c7\u00c3O DOS EFEITOS DA IMPLANTA\u00c7\u00c3O DE EMPREENDIMENTOS HIDREL\u00c9TRICOS NA REGI\u00c3O HIDROGR\u00c1FICA DO PARAGUAI<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Tendo em vista os elementos apresentados e o disposto no Componente Estrat\u00e9gico C (Solu\u00e7\u00e3o de conflito pelo uso de recursos h\u00eddricos), Programa C.5 (Programa para a Avalia\u00e7\u00e3o dos Efeitos da Implanta\u00e7\u00e3o de Empreendimentos Hidrel\u00e9tricos na RH Paraguai) do PRH Paraguai, a ANA assinou contrato com a Funda\u00e7\u00e3o Eliseu Alves &#8211; FEA para a realiza\u00e7\u00e3o dos \u201cEstudos de avalia\u00e7\u00e3o dos efeitos da implanta\u00e7\u00e3o de empreendimentos hidrel\u00e9tricos na RH-Paraguai\u201d com vistas a apresentar a classifica\u00e7\u00e3o das \u00e1reas de maior e menor interesse para a manuten\u00e7\u00e3o dos estoques pesqueiros e, consequentemente, de conflito com o uso preexistente da pesca (pesca profissional-artesanal, turismo de pesca e pesca difusa), cujo in\u00edcio se deu em novembro de 2016 e t\u00e9rmino em maio de 2020, perfazendo um total de cerca de 3,5 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os estudos partiram do conceito de que a extra\u00e7\u00e3o de recursos pesqueiros por meio da pesca, em suas diversas modalidades (pesca profissional-artesanal, turismo de pesca e pesca difusa), \u00e9 um uso n\u00e3o consuntivo da \u00e1gua expressivo na RH Paraguai, de import\u00e2ncia social, econ\u00f4mica e cultural, al\u00e9m de import\u00e2ncia ecol\u00f3gica, fundamental para a conserva\u00e7\u00e3o do bioma. Essa pesca tem por base peixes com comportamento reprodutivo migrat\u00f3rio e que, portanto, necessitam percorrer dist\u00e2ncias importantes da sua por\u00e7\u00e3o de plan\u00edcie at\u00e9 a regi\u00e3o de planalto de forma a realizar a sua desova, bem como fazer o caminho inverso, com a deriva de ovos e larvas, permitindo a matura\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos at\u00e9 chegarem aos locais de alimenta\u00e7\u00e3o. A implanta\u00e7\u00e3o de barramentos, especificamente 133 aproveitamentos hidrel\u00e9tricos previstos conforme invent\u00e1rio de partida datado de mar\u00e7o de 2017 (Figura 3), em trechos de relevante migra\u00e7\u00e3o e desova pode influenciar a manuten\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es de peixes, uma vez que pode interromper ciclos migrat\u00f3rios para reprodu\u00e7\u00e3o e, com isso, afetar de forma direta a conserva\u00e7\u00e3o do bioma e a economia da regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Figura 3 &#8211; Aproveitamentos hidrel\u00e9tricos atuais e previstos na RH Paraguai<\/p>\n\n\n\n<p>Com esses conceitos de interrela\u00e7\u00e3o entre aspectos f\u00edsicos, bi\u00f3ticos, sociais e econ\u00f4micos, foram definidas as tem\u00e1ticas consideradas nesses estudos, que t\u00eam rela\u00e7\u00e3o direta com as metas estabelecidas no PRH Paraguai:\u0301<\/p>\n\n\n\n<ul><li>estudos hidrol\u00f3gicos e sedimentol\u00f3gicos: visaram a avaliar o impacto da opera\u00e7\u00e3o de barragens sobre o regime hidrol\u00f3gico, o padr\u00e3o espa\u00e7o-temporal de inunda\u00e7\u00f5es na regi\u00e3o do Pantanal, e a conectividade dos rios como indicador de fragmenta\u00e7\u00e3o de habitats (Meta C.5.1);<\/li><li>estudos de qualidade da \u00e1gua e hidrossedimentologia: visaram a prever altera\u00e7\u00f5es nos fluxos de sedimentos, nutrientes e outros constituintes importantes para o funcionamento dos ecossistemas decorrentes da instala\u00e7\u00e3o dos aproveitamentos hidrel\u00e9tricos previstos na RH Paraguai com base nos impactos gerados pelos empreendimentos em opera\u00e7\u00e3o (Meta C.5.2);<\/li><li>estudos de ictiofauna, ictiopl\u00e2ncton e estat\u00edstica pesqueira: visaram a avaliar os efeitos da implanta\u00e7\u00e3o de empreendimentos hidrel\u00e9tricos sobre a ictiofauna da RH Paraguai, avaliando o impacto sobre as popula\u00e7\u00f5es de peixes e, por consequ\u00eancia, fornecer subs\u00eddios para a avalia\u00e7\u00e3o dos impactos socioecon\u00f4micos sobre as atividades da pesca artesanal e sobre as atividades de turismo, relacionado direta ou indiretamente \u00e0 pesca e ao ecoturismo (Meta C.5.3);<\/li><li>estudos socioecon\u00f4micos e de energia: visaram a analisar, nas sub-bacias selecionadas, os empreendimentos hidrel\u00e9tricos pela \u00f3tica dos impactos que poder\u00e3o ocorrer sobre vari\u00e1veis sociais e econ\u00f4micas vinculadas \u00e0 atividade pesqueira, representada pela cadeia produtiva das comunidades ribeirinhas e col\u00f4nias pesqueiras e pelas atividades de turismo vinculadas direta ou indiretamente a pesca e ao ecoturismo (Meta C.5.4);<\/li><li>an\u00e1lise integrada dos estudos: visou a avaliar as interdepend\u00eancias entre as vari\u00e1veis observadas nos demais estudos e fazer o cruzamento espacial dos indicadores obtidos de forma a caracterizar potenciais conflitos associados aos recursos h\u00eddricos que a instala\u00e7\u00e3o de empreendimentos hidrel\u00e9tricos na regi\u00e3o poderia vir a gerar (Meta C.5.5).<strong><\/strong><\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>Esquematicamente, a abordagem geral dos \u201cEstudos de avalia\u00e7\u00e3o dos efeitos da implanta\u00e7\u00e3o de empreendimentos hidrel\u00e9tricos na Regi\u00e3o Hidrogr\u00e1fica do Paraguai\u201d pode ser representada pela Figura 4, considerando tamb\u00e9m os impactos positivos e negativos da implanta\u00e7\u00e3o de empreendimentos hidrel\u00e9tricos.<\/p>\n\n\n\n<p>Figura 4 &#8211; Esquema representativo da abordagem dos \u201cEstudos de avalia\u00e7\u00e3o dos efeitos da implanta\u00e7\u00e3o de empreendimentos hidrel\u00e9tricos na Regi\u00e3o Hidrogr\u00e1fica do Paraguai\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Ao custo total de R$ 8.327.770,66 (oito milh\u00f5es, trezentos e vinte e sete mil, setecentos e setenta reais e sessenta e seis centavos), os estudos contaram com uma equipe t\u00e9cnica altamente qualificada (83 pesquisadores, 33 estudantes de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, 42 estudantes de gradua\u00e7\u00e3o e 95 t\u00e9cnicos, perfazendo 253 pessoas de 23 institui\u00e7\u00f5es) especialistas nos temas de estudo, sob coordena\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria &#8211; EMBRAPA PANTANAL, em parceria com diversas universidades (Universidade Estadual de Maring\u00e1 &#8211; UEM, Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul &#8211; UEMS, Universidade do Estado de Mato Grosso \u2013 UNEMAT, Universidade Federal do Mato Grosso &#8211; UFMT, Universidade Federal do Mato Grosso do Sul &#8211; UFMS, Universidade Federal do Paran\u00e1 &#8211; UFPR, Universidade Federal do Rio Grande do Sul &#8211; UFRGS, Universidade Federal de Santa Catarina &#8211; UFSC, Universidade de Bras\u00edlia &#8211; UnB,&nbsp; Universidade Estadual de Campinas &#8211; UNICAMP), dando suporte \u00e0 ANA no planejamento e execu\u00e7\u00e3o de uma s\u00e9rie de atividades para a obten\u00e7\u00e3o de dados prim\u00e1rios, modelagens e composi\u00e7\u00e3o de diagn\u00f3sticos tem\u00e1ticos para os dom\u00ednios estudados.<\/p>\n\n\n\n<p>A \u00edntegra dos resultados dos estudos pode ser acessada no seguinte link:<\/p>\n\n\n\n<ul><li><a href=\"https:\/\/www.gov.br\/ana\/pt-br\/assuntos\/gestao-das-aguas\/planos-e-estudos-sobre-rec-hidricos\/plano-de-recursos-hidricos-rio-paraguai\/estudos-de-avaliacao-dos-efeitos-da-implantacao-de-empreendimentos-hidreletricos\">https:\/\/www.gov.br\/ana\/pt-br\/assuntos\/gestao-das-aguas\/planos-e-estudos-sobre-rec-hidricos\/plano-de-recursos-hidricos-rio-paraguai\/estudos-de-avaliacao-dos-efeitos-da-implantacao-de-empreendimentos-hidreletricos<\/a><\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>Desnecess\u00e1rio mencionar que os estudos foram pioneiros em n\u00edvel de pa\u00eds, qui\u00e7\u00e1 mundial, e certamente se constitu\u00edram em um dos maiores estudos sobre uma bacia hidrogr\u00e1fica j\u00e1 realizado no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Para acompanhar o desenvolvimento dos trabalhos em seus diversos temas, foi institu\u00eddo por meio da Portaria ANA n\u00b0 365\/2017 um grupo de acompanhamento tem\u00e1tico, constitu\u00eddo por servidores da ANA com experi\u00eancia nos temas dos estudos (hidrologia, qualidade da \u00e1gua, ictiofauna e estat\u00edstica pesqueira, socioeconomia e energia, e sistema de suporte \u00e0 decis\u00e3o), e um grupo de acompanhamento institucional, com representantes dos \u00f3rg\u00e3os gestores estaduais de Mato Grosso (Secretaria de Estado de Meio Ambiente &#8211; SEMA\/MT) e Mato Grosso do Sul (Instituto de Meio Ambiente do Mato Grosso do Sul &#8211; IMASUL\/MS), al\u00e9m da ANA. A Figura 5 apresenta o organograma da coordena\u00e7\u00e3o dos estudos.<\/p>\n\n\n\n<p>Figura 5 &#8211; Organograma da coordena\u00e7\u00e3o dos estudos cient\u00edficos no \u00e2mbito do PRH Paraguai.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>IV &#8211; RESOLU\u00c7\u00d5ES DA ANA EMITIDAS AO LONGO DOS ESTUDOS DE AVALIA\u00c7\u00c3O DOS EFEITOS DA IMPLANTA\u00c7\u00c3O DE EMPREENDIMENTOS HIDREL\u00c9TRICOS NA RH PARAGUAI<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O PRH Paraguai disp\u00f4s, dentre as diretrizes para outorga de direito de uso de recursos h\u00eddricos, que os pedidos de Declara\u00e7\u00e3o de Reserva de Disponibilidade H\u00eddrica &#8211; DRDH ou Outorgas para novos aproveitamentos hidrel\u00e9tricos na RH Paraguai deveriam aguardar os resultados desses estudos para a conclus\u00e3o de suas an\u00e1lises, de forma a poder incorporar seus resultados. Disp\u00f4s tamb\u00e9m que deveria se promover a revis\u00e3o dos procedimentos e metodologias de an\u00e1lise de outorgas para aproveitamentos hidrel\u00e9tricos t\u00e3o logo os resultados consolidados dos \u201cEstudos de avalia\u00e7\u00e3o dos efeitos da implanta\u00e7\u00e3o de aproveitamentos hidrel\u00e9tricos na RH Paraguai\u201d, estivessem dispon\u00edveis para sub-bacias hidrogr\u00e1ficas espec\u00edficas, e incorporar tais resultados junto aos procedimentos e crit\u00e9rios de outorga.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, considerando as referidas diretrizes no PRH Paraguai, a <strong>Resolu\u00e7\u00e3o ANA n\u00ba 64<\/strong>, de 04 de setembro de 2018, sobrestou os processos referentes aos requerimentos de DRDHs e de Outorgas de direito de uso de recursos h\u00eddricos para novos aproveitamentos hidrel\u00e9tricos em rios de dom\u00ednio da Uni\u00e3o na RH Paraguai, at\u00e9 31 de maio de 2020. A Resolu\u00e7\u00e3o ANA n\u00ba 64 tamb\u00e9m estabeleceu que, ap\u00f3s aprova\u00e7\u00e3o dos estudos indicados no PRH Paraguai pela ANA, os procedimentos e as metodologias de an\u00e1lise de DRDHs e outorgas de direito de uso de recursos h\u00eddricos poderiam ser revisados para estabelecer novos crit\u00e9rios aplic\u00e1veis aos requerimentos sobrestados. Registre-se, demais disso, que um dos \u201cConsiderandos\u201d da <strong>Resolu\u00e7\u00e3o ANA n\u00ba 64, <\/strong>diz respeito ao Parecer n\u00ba 00005\/2018\/GAB\/PF\/PFEANA\/PGF\/AGU (Parecer da Procuradoria Federal da ANA) no qual <em>\u201crecomenda-se a suspens\u00e3o da an\u00e1lise dos requerimentos de Declara\u00e7\u00e3o de Reserva de Disponibilidade H\u00eddrica e de Outorgas de Direito de Uso de Recursos H\u00eddricos para usos com fins de aproveitamento dos potenciais hidrel\u00e9tricos na Regi\u00e3o Hidrogr\u00e1fica do Paraguai, at\u00e9 que haja conclus\u00f5es advindas dos estudos em execu\u00e7\u00e3o pela Funda\u00e7\u00e3o Eliseu Alves\u201d<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Na sequ\u00eancia, visto o desenvolvimento dos estudos e seus resultados parciais, foram emitidas as seguintes Resolu\u00e7\u00f5es ANA:<\/p>\n\n\n\n<ul><li>em novembro de 2019 foi elaborada a Nota T\u00e9cnica Conjunta N\u00ba 3\/2019\/SPR\/SRE que analisou os resultados desses estudos para as Unidades de Planejamento e Gest\u00e3o &#8211; UPG do Estado de Mato Grosso P-1 Jauru, P-2 Alto Paraguai M\u00e9dio e P-3 Alto Paraguai Superior. A referida Nota T\u00e9cnica subsidiou a emiss\u00e3o da <strong>Resolu\u00e7\u00e3o ANA n\u00ba 99\/2019<\/strong>, de 19 de novembro de 2019, que liberou do sobrestamento os processos de novos empreendimentos na \u00e1rea do rio Santana, de dom\u00ednio da Uni\u00e3o, mantidos os sobrestamentos dos processos referentes aos requerimentos de Declara\u00e7\u00f5es de Reserva de Disponibilidade H\u00eddrica e de Outorgas de direito de uso de recursos h\u00eddricos para novos aproveitamentos hidrel\u00e9tricos nos demais rios de dom\u00ednio da Uni\u00e3o na Regi\u00e3o Hidrogr\u00e1fica do Paraguai, at\u00e9 31 de maio de 2020, nos termos da Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 64\/2018;<\/li><li>em dezembro de 2019 foi elaborada a Nota T\u00e9cnica Conjunta N\u00ba 4\/2019\/SPR\/SRE que analisou os resultados desses estudos para a UPG do Estado do Mato Grosso P6 Correntes-Taquari e a UPG do Estado de Mato Grosso do Sul II.1 &#8211; Correntes. A referida Nota T\u00e9cnica subsidiou a emiss\u00e3o da <strong>Resolu\u00e7\u00e3o ANA n\u00ba 2\/2020<\/strong>, de 27 de janeiro de 2020, que liberou do sobrestamento os processos de novos empreendimentos na \u00e1rea da bacia do rio Correntes, de dom\u00ednio da Uni\u00e3o, a montante do empreendimento hidrel\u00e9trico Aquarius, localizado entre os munic\u00edpios de Sonora\/MS e Itiquira\/MT, mantidos, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o das \u00e1reas indicadas na Resolu\u00e7\u00e3o ANA n\u00ba 99, de 19 de novembro de 2019, e no art.1\u00ba desta Resolu\u00e7\u00e3o, os sobrestamentos dos processos referentes aos requerimentos de Declara\u00e7\u00f5es de Reserva de Disponibilidade H\u00eddrica e de Outorgas de direito de uso de recursos h\u00eddricos para novos aproveitamentos hidrel\u00e9tricos nos demais rios de dom\u00ednio da Uni\u00e3o na Regi\u00e3o Hidrogr\u00e1fica do Paraguai, at\u00e9 31 de maio de 2020, nos termos da Resolu\u00e7\u00e3o ANA n\u00ba 64, de 04 de setembro de 2018. Ademais, a Resolu\u00e7\u00e3o ANA n\u00ba 2\/2020 estabeleceu que enquanto n\u00e3o forem conclu\u00eddos os estudos indicados nas metas do PRH Paraguai, referentes \u00e0 revis\u00e3o dos procedimentos e metodologias de Outorgas, a ANA analisar\u00e1 as solicita\u00e7\u00f5es de DRDHs e de Outorgas com base na metodologia atual; e<\/li><li>em mar\u00e7o de 2020 a Nota T\u00e9cnica Conjunta N\u00ba 01\/2020\/SPR\/SRE analisou os resultados desses estudos das UPG do Estado de Mato Grosso P4 &#8211; Alto Rio Cuiab\u00e1 (analisada conjuntamente com a sub-bacia do rio Mutum &#8211; P7 Paraguai-Pantanal) e P5 &#8211; S\u00e3o Louren\u00e7o. A referida Nota T\u00e9cnica subsidiou a emiss\u00e3o da <strong>Resolu\u00e7\u00e3o ANA n\u00ba 23\/2020<\/strong>, de 30 de abril de 2020, que liberou do sobrestamento os processos de novos empreendimentos na \u00e1rea da bacia do rio Manso, de dom\u00ednio da Uni\u00e3o, a montante do empreendimento hidrel\u00e9trico Manso, localizado no munic\u00edpio da Chapada dos Guimar\u00e3es\/MT, mantidos, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o das \u00e1reas indicadas na Resolu\u00e7\u00e3o ANA n\u00ba 99, de 19 de novembro de 2019, na Resolu\u00e7\u00e3o ANA n\u00ba 02, de 27 de janeiro de 2020 e no art.1\u00ba desta Resolu\u00e7\u00e3o, os sobrestamentos dos processos referentes aos requerimentos de Declara\u00e7\u00f5es de Reserva de Disponibilidade H\u00eddrica e de Outorgas de direito de uso de recursos h\u00eddricos para novos aproveitamentos hidrel\u00e9tricos nos demais rios de dom\u00ednio da Uni\u00e3o na Regi\u00e3o Hidrogr\u00e1fica do Paraguai, at\u00e9 31 de maio de 2020, nos termos da Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 64\/2018. Ademais, a Resolu\u00e7\u00e3o ANA n\u00ba 23\/2020 estabeleceu que enquanto n\u00e3o forem conclu\u00eddos os estudos indicados nas metas do PRH<ins> <\/ins><del>&#8211;<\/del>Paraguai, referentes \u00e0 revis\u00e3o dos procedimentos e metodologias de Outorgas, a ANA analisar\u00e1 as solicita\u00e7\u00f5es de DRDHs e de Outorgas com base na metodologia atual.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p><strong>V &#8211; OF\u00cdCIOS ANA ENCAMINHADOS AOS ESTADOS DE MATO GROSSO E MATO GROSSO DO SUL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a edi\u00e7\u00e3o da Resolu\u00e7\u00e3o ANA n\u00ba 64, em 04 de setembro de 2018, a ANA encaminhou ao Senhor Jaime Elias Verruck (Secret\u00e1rio de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econ\u00f4mico, Produ\u00e7\u00e3o e Agricultura Familiar de Mato Grosso do Sul &#8211; SEMAGRO), com c\u00f3pia ao Senhor Ricardo Eboli Gon\u00e7alves Ferreira (Diretor-Presidente Instituto de Meio Ambiente do Mato Grosso do Sul &#8211; IMASUL), e ao Senhor Andr\u00e9 Lu\u00eds Torres Baby (Secret\u00e1rio de Estado de Meio Ambiente do Mato Grosso do Sul &#8211; SEMA) os <strong>Of\u00edcios n\u00ba 12\/2018\/AP-MC-ANA e n\u00ba 13\/2018\/AP-MC-ANA<\/strong>, sobre o seguinte assunto: <em>\u201cResolu\u00e7\u00e3o ANA n\u00ba 64\/2018, que trata do sobrestamento tempor\u00e1rio dos processos referentes a novos aproveitamentos hidrel\u00e9tricos em rios de dom\u00ednio da Uni\u00e3o na Regi\u00e3o Hidrogr\u00e1fica do Paraguai\u201d.<\/em> A \u00edntegra dos of\u00edcios, de id\u00eantico conte\u00fado, \u00e9 apresentada a seguir:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201c1. Ao cumpriment\u00e1-lo, fazemos men\u00e7\u00e3o ao Plano de Recursos H\u00eddricos da Regi\u00e3o Hidrogr\u00e1fica do Rio Paraguai &#8211; PRH Paraguai, aprovado, em 08 de mar\u00e7o \u00faltimo, pelo Conselho Nacional de Recursos H\u00eddricos &#8211; CNRH, por meio da Resolu\u00e7\u00e3o CNRH n\u00ba 196\/2018.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>2. A t\u00edtulo de contextualiza\u00e7\u00e3o, o PRH Paraguai foi elaborado por esta Ag\u00eancia, em conjunto com o Grupo de Acompanhamento da Elabora\u00e7\u00e3o do PRH Paraguai &#8211; GAP, institu\u00eddo pela Resolu\u00e7\u00e3o CNRH n\u00ba 152\/2013 no qual o Estado do Mato Grosso participou por meio dessa Secretaria de Meio Ambiente, o qual encaminhou, em 15 de janeiro de 2018, manifesta\u00e7\u00e3o ao CNRH com recomenda\u00e7\u00e3o para aprova\u00e7\u00e3o do Plano, resultando na Resolu\u00e7\u00e3o CNRH n\u00ba 196\/2018.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>3. O PRH Paraguai estabeleceu diretrizes de car\u00e1ter estrat\u00e9gico para a outorga de direito de uso dos recursos h\u00eddricos, entre elas:<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>a) \u201cRevisar os procedimentos e metodologias de an\u00e1lise de outorgas para aproveitamentos hidrel\u00e9tricos t\u00e3o logo os resultados consolidados dos estudos em curso pela ANA, referentes \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o dos efeitos da implanta\u00e7\u00e3o de aproveitamentos hidrel\u00e9tricos na RH Paraguai, estejam dispon\u00edveis para sub-bacias hidrogr\u00e1ficas espec\u00edficas, e incorporar tais resultados junto aos procedimentos e crit\u00e9rios de outorga.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>b) \u201cOs pedidos de Declara\u00e7\u00e3o de Reserva de Disponibilidade H\u00eddrica (DRDH) ou Outorgas para novos aproveitamentos hidrel\u00e9tricos na RH Paraguai devem aguardar os resultados desses estudos para a conclus\u00e3o de suas an\u00e1lises, de forma a poder incorporar seus resultados.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>4. <u>A preocupa\u00e7\u00e3o com o tema da previs\u00e3o de instala\u00e7\u00e3o de novos empreendimentos hidrel\u00e9tricos foi uma das motiva\u00e7\u00f5es para a elabora\u00e7\u00e3o do PRH Paraguai e, desde o in\u00edcio de sua elabora\u00e7\u00e3o, as an\u00e1lises refor\u00e7aram ser fundamental a realiza\u00e7\u00e3o de estudos mais detalhados para avalia\u00e7\u00e3o dos impactos gerados a partir da instala\u00e7\u00e3o desses empreendimentos nos recursos h\u00eddricos e usos m\u00faltiplos da \u00e1gua<\/u> (grifo nosso)<u>.<\/u><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>5. Nesse contexto, a ANA est\u00e1 conduzindo estudo espec\u00edfico, em parceria com a Funda\u00e7\u00e3o Eliseu Alves, com foco na avalia\u00e7\u00e3o desses efeitos na regi\u00e3o hidrogr\u00e1fica do rio Paraguai, com previs\u00e3o de finaliza\u00e7\u00e3o em maio de 2020. <u>Esses estudos ser\u00e3o essenciais para subsidiar a Ag\u00eancia e os \u00f3rg\u00e3os gestores de recursos h\u00eddricos de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul nas decis\u00f5es acerca da autoriza\u00e7\u00e3o do uso da \u00e1gua para empreendimentos hidrel\u00e9tricos na regi\u00e3o<\/u> (grifo nosso).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>6. <u>H\u00e1 que se considerar ainda a constante judicializa\u00e7\u00e3o de autoriza\u00e7\u00f5es para os empreendimentos hidrel\u00e9tricos, resultando em inseguran\u00e7a jur\u00eddica para os \u00f3rg\u00e3os ambientais, os \u00f3rg\u00e3os gestores de recursos h\u00eddricos e os empreendedores do setor hidroenerg\u00e9tico<\/u> (grifo nosso).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>7. Nesse sentido, em atendimento \u00e0 diretriz que trata dos pedidos de DRDH ou de Outorga para aproveitamentos hidrel\u00e9tricos, foi publicada, em 11 de setembro de 2018, no Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o, a Resolu\u00e7\u00e3o ANA n\u00ba 64, cuja c\u00f3pia \u00e9 encaminhada em anexo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>8. Nessa Resolu\u00e7\u00e3o, a Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas determina que ficam sobrestados os processos referentes aos requerimentos de Declara\u00e7\u00f5es de Reserva de Disponibilidade H\u00eddrica e de Outorgas de Direito de Uso de Recursos H\u00eddricos para novos aproveitamentos hidrel\u00e9tricos em rios de dom\u00ednio da Uni\u00e3o na Regi\u00e3o Hidrogr\u00e1fica do Paraguai, at\u00e9 31 de maio de 2020.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>9. <u>Considerando que a Lei n\u00ba 9.433\/1997 estabelece em seus fundamentos que a bacia hidrogr\u00e1fica \u00e9 a unidade territorial para implementa\u00e7\u00e3o da Pol\u00edtica Nacional de Recursos H\u00eddricos e atua\u00e7\u00e3o do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos H\u00eddricos, a ANA considera de fundamental import\u00e2ncia que os \u00d3rg\u00e3os Gestores de Recursos H\u00eddricos dos Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul tamb\u00e9m formalizem, por meio de seus instrumentos regulat\u00f3rios, essa importante diretriz do Plano da Regi\u00e3o Hidrogr\u00e1fica do Rio Paraguai <\/u>(grifo nosso).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Atenciosamente,<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Assinado eletronicamente &#8211; MARCELO CRUZ &#8211; Diretor e OSCAR CORDEIRO NETTO Diretor\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Interessante destacar o conte\u00fado dos of\u00edcios encaminhados, sobretudo no que diz respeito ao reconhecimento de que os estudos ser\u00e3o essenciais na linha de aportar subs\u00eddios \u00e0 ANA e aos \u00f3rg\u00e3os gestores de recursos h\u00eddricos estaduais nas decis\u00f5es sobre a autoriza\u00e7\u00e3o do uso da \u00e1gua para empreendimentos hidrel\u00e9tricos na RH Paraguai, inclusive considerando a constante judicializa\u00e7\u00e3o, resultado em inseguran\u00e7a jur\u00eddica para os \u00f3rg\u00e3os ambientais e de recursos h\u00eddricos e empreendedores do setor hidrel\u00e9trico.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, portanto, \u00e9 razo\u00e1vel inferir que, pelo menos \u00e0 \u00e9poca, a expectativa era de que, a partir da conclus\u00e3o dos estudos, os \u00f3rg\u00e3os gestores de recursos h\u00eddricos com atua\u00e7\u00e3o na RH Paraguai exerceriam efetivamente seus respectivos papeis regulat\u00f3rios na dire\u00e7\u00e3o de equacionar o conflito entre os usos preexistentes (pesca profissional artesanal, turismo de pesca e pesca difusa) e a determina\u00e7\u00e3o constitucional e do PNRH de se conservar os processos ecol\u00f3gicos, no caso hidro-ecol\u00f3gicos, do bioma Pantanal, dado o seu car\u00e1ter de Patrim\u00f4nio Nacional e ambiente excepcional, e a gera\u00e7\u00e3o de energia hidrel\u00e9trica, conforme foi, posteriormente, comprovado pelos resultados dos estudos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ademais, havia na ocasi\u00e3o, conforme ressaltado pelos of\u00edcios, aspectos relacionados \u00e0 inseguran\u00e7a jur\u00eddica relacionados \u00e0 constante judicializa\u00e7\u00e3o de autoriza\u00e7\u00f5es, fato esse que ainda permanece, como se ver\u00e1 mais adiante, sobretudo pela falta de decis\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es integrantes do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos H\u00eddricos &#8211; SINGREH em cumprir correta e tempestivamente suas respectivas atribui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>VI &#8211; NOTA T\u00c9CNICA CONJUNTA N\u00ba 3\/2020\/SPR\/SRE<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em 31 de maio de 2020, as Superintend\u00eancias de Planejamento de Recursos H\u00eddricos &#8211; SPR e de Regula\u00e7\u00e3o &#8211; SRE da ANA emitiram a Nota T\u00e9cnica Conjunta n\u00ba 3\/2020\/SPR\/SRE (ver ANEXO I) que tratou da <strong>An\u00e1lise integrada dos efeitos da implanta\u00e7\u00e3o de aproveitamento hidrel\u00e9tricos &#8211; AHEs na RH Paraguai<\/strong>, da qual constavam as assinaturas de 14 t\u00e9cnicos da ANA que acompanharam todo o desenvolvimento dos \u201cEstudos de avalia\u00e7\u00e3o dos efeitos da implanta\u00e7\u00e3o de empreendimentos hidrel\u00e9tricos na RH Paraguai\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Em linhas gerais, a estrutura da Nota T\u00e9cnica Conjunta n\u00ba 3\/2020\/SPR\/SRE \u00e9 a seguinte:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>1- Apresenta\u00e7\u00e3o e Contextualiza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>2- Estudos de avalia\u00e7\u00e3o dos efeitos da implanta\u00e7\u00e3o de empreendimentos hidrel\u00e9tricos na RH Paraguai<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>2.1 Resumo das metodologias utilizadas<\/p>\n\n\n\n<p>2.1.1 Levantamentos Hidrol\u00f3gicos e Sedimentol\u00f3gicos<\/p>\n\n\n\n<p>2.1.2. Qualidade da \u00c1gua e Hidrossedimentologia<\/p>\n\n\n\n<p>2.1.3. Icitiofauna: Ictiodiversidade, Pesca experimental e Ictiopl\u00e2ncton.<\/p>\n\n\n\n<p>2.1.4. Pesca profissional artesanal, turismo de pesca e pesca difusa<\/p>\n\n\n\n<p>2.1.5 An\u00e1lise de Conectividade e fragmenta\u00e7\u00e3o fluvial<\/p>\n\n\n\n<p><strong>3- An\u00e1lise Integrada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>3.1 Manuten\u00e7\u00e3o do Estoque Pesqueiro<\/p>\n\n\n\n<p>3.2 Conectividade<\/p>\n\n\n\n<p>3.2.1 An\u00e1lise de conectividade na regi\u00e3o do Alto Paraguai<\/p>\n\n\n\n<p>3.2.2 An\u00e1lise de conectividade na bacia do rio Cuiab\u00e1<\/p>\n\n\n\n<p>3.2.3 An\u00e1lise de conectividade na bacia do rio S\u00e3o Louren\u00e7o<\/p>\n\n\n\n<p>3.2.4 An\u00e1lise de conectividade na bacia dos rios Correntes e Piquiri<\/p>\n\n\n\n<p>3.2.5 An\u00e1lise de conectividade na bacia do rio Taquari<\/p>\n\n\n\n<p>3.2.6. An\u00e1lise de conectividade na bacia do rio Negro<\/p>\n\n\n\n<p>3.2.7. An\u00e1lise simplificada de conectividade na bacia do rio APA<\/p>\n\n\n\n<p>3.2.8 S\u00edntese da an\u00e1lise da conectividade<\/p>\n\n\n\n<p>3.3 Pesca<\/p>\n\n\n\n<p>3.3.1 Pesca Profissional Artesanal<\/p>\n\n\n\n<p>3.3.2 Pesca Difusa<\/p>\n\n\n\n<p>3.3.3 Turismo de Pesca<\/p>\n\n\n\n<p>3.3.4 S\u00edntese da pesca e locais de ocorr\u00eancia<\/p>\n\n\n\n<p>3.4 Hidrologia e Qualidade de \u00c1gua<\/p>\n\n\n\n<p>3.4.1 Altera\u00e7\u00e3o hidrol\u00f3gica<\/p>\n\n\n\n<p>3.4.2 Qualidade de \u00c1gua e Hidrossedimentologia<\/p>\n\n\n\n<p><strong>4- Classifica\u00e7\u00e3o Final da An\u00e1lise Integrada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>5- Tecnologias para passagem de peixes<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>6- Conclus\u00f5es e Recomenda\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>6.1 Incorpora\u00e7\u00e3o dos Resultados nas An\u00e1lises de DRDHs ou Outorga em rios de dom\u00ednio da Uni\u00e3o na RH-Paraguai<\/p>\n\n\n\n<ul><li>Proposta de Encaminhamentos para o CNRH<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>6.3 Proposta de Encaminhamentos para o IMASUL, SEMA\/MT e IBAMA<\/p>\n\n\n\n<p>6.4 Proposta de Encaminhamentos para o MME, EPE e ANEEL<\/p>\n\n\n\n<p><strong>VI.1 &#8211; An\u00e1lise Integrada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No que concerne \u00e0 An\u00e1lise Integrada (Item 3), que veio a substituir a an\u00e1lise multicrit\u00e9rio originalmente proposta no PRH Paraguai, Meta C.5.5, a Nota T\u00e9cnica Conjunta n\u00ba 3\/2020\/SPR\/SRE detalha e justifica os elementos considerados, a saber:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cDentre os fundamentos da Pol\u00edtica Nacional de Recursos H\u00eddricos, a gest\u00e3o dos recursos h\u00eddricos deve sempre proporcionar o uso m\u00faltiplo das \u00e1guas e a bacia hidrogr\u00e1fica \u00e9 a unidade territorial para implementa\u00e7\u00e3o da Pol\u00edtica e atua\u00e7\u00e3o do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos H\u00eddricos.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>A an\u00e1lise dos usos m\u00faltiplos da \u00e1gua e a vis\u00e3o integrada da bacia hidrogr\u00e1fica balizam a atua\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os gestores na implementa\u00e7\u00e3o de instrumentos da Pol\u00edtica, como os planos de recursos h\u00eddricos e a outorga.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Nessa l\u00f3gica, o conflito pelo uso da \u00e1gua \u00e9 mais bem quantificado quando se trata de usos consuntivos, ou seja, usos que captam e consomem \u00e1gua dos corpos h\u00eddricos, tais como o abastecimento p\u00fablico, a ind\u00fastria e a agricultura irrigada. Esses usos possuem metodologias de estimativa consolidadas, seja por meio de cadastros de usu\u00e1rios ou por convers\u00e3o de vari\u00e1veis de controle em volumes de \u00e1gua. Com isso, esses usos podem ser convertidos em vaz\u00e3o (quantidade) e concentra\u00e7\u00e3o (qualidade) &#8211; permitindo uma an\u00e1lise t\u00e9cnica que considere, por exemplo, o atendimento a requisitos de qualidade da \u00e1gua e de disponibilidade h\u00eddrica.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Por outro lado, por n\u00e3o consumir \u00e1gua diretamente, embora dependa de padr\u00f5es quali-quantitativos, os usos n\u00e3o consuntivos da \u00e1gua s\u00e3o considerados de forma menos expl\u00edcita como usu\u00e1rios de recursos h\u00eddricos nas an\u00e1lises dos \u00f3rg\u00e3os gestores. Essa simplifica\u00e7\u00e3o \u00e9 razo\u00e1vel em muitos casos: ao adotar padr\u00f5es restritivos de comprometimento, outorgando aos usos consuntivos percentuais de vaz\u00f5es m\u00ednimas, garante-se \u00e1gua em quantidade e qualidade tamb\u00e9m para usos n\u00e3o consuntivos.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Por interromper fisicamente a conectividade fluvial, barramentos de qualquer natureza apresentam a caracter\u00edstica de interferir mais diretamente sobre usos n\u00e3o consuntivos, como a navega\u00e7\u00e3o, o turismo e a pesca. H\u00e1 casos em que esse impacto pode ser analisado individualmente para cada barramento proposto. \u00c9 comum, por exemplo, a exig\u00eancia de eclusas ou outros dispositivos de transposi\u00e7\u00e3o hidrovi\u00e1ria para permitir a navega\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>A an\u00e1lise integrada, em escala de bacia, como a realizada para a RH Paraguai permite a an\u00e1lise do conflito da eventual implementa\u00e7\u00e3o de barragens, com ou sem AHEs, com o uso preexistente da pesca (pesca profissional artesanal, pesca difusa e turismo de pesca), sustentada essencialmente por peixes migradores de longa dist\u00e2ncia que s\u00f3 se viabilizam com trechos de rio livres de algumas centenas de quil\u00f4metros e com habitats adequados para reprodu\u00e7\u00e3o, crescimento e desenvolvimento.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Os impactos dos empreendimentos foram analisados em diferentes vertentes: impactos hidrol\u00f3gicos, impactos sedimentol\u00f3gicos e sobre a qualidade da \u00e1gua, impactos sobre a ictiofauna e impactos sociais e econ\u00f4micos. Embora independentes em suas equipes e metodologias de estudo, as diversas \u00e1reas s\u00e3o interdependentes na identifica\u00e7\u00e3o de vari\u00e1veis f\u00edsicas e biof\u00edsicas que afetam a presen\u00e7a do peixe para o setor usu\u00e1rio em seus tr\u00eas segmentos (pesca profissional-artesanal, pesca difusa e turismo de pesca) e os consequentes impactos de sua varia\u00e7\u00e3o. Um modelo de integra\u00e7\u00e3o anal\u00edtica deve permitir o cruzamento espacial de indicadores e lidar com a interdepend\u00eancia de vari\u00e1veis e com a dificuldade em se avaliar \u00e1reas de abrang\u00eancia e grupos de empreendimentos de forma sist\u00eamica.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Desconsiderando a ocorr\u00eancia de impactos ecol\u00f3gicos sist\u00eamicos sobre o conjunto da biodiversidade, o presente estudo busca caracterizar potenciais conflitos associados aos recursos h\u00eddricos &#8211; compet\u00eancia dos \u00f3rg\u00e3os integrantes do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos H\u00eddricos. Com recorte centrado nos impactos sobre os peixes e a pesca, v\u00e1rios outros aspectos de impactos ecol\u00f3gicos existentes est\u00e3o subdimensionados ou n\u00e3o foram considerados nas avalia\u00e7\u00f5es conduzidas, por extrapolarem o seu escopo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>O elemento nuclear do modelo de integra\u00e7\u00e3o anal\u00edtica \u00e9 o estoque pesqueiro (presen\u00e7a do peixe e disponibilidade de pescado), que suporta o uso n\u00e3o consuntivo preexistente da pesca na RH Paraguai, com impactos diretos nas din\u00e2micas social e ambiental dessa regi\u00e3o hidrogr\u00e1fica. A ictiofauna \u00e9 o elemento das cadeias ecossist\u00eamicas potencialmente mais afetado pela implanta\u00e7\u00e3o de barramentos, pois estes interferem de modo decisivo em seus ciclos reprodutivos, especialmente nos das esp\u00e9cies migradoras. Dessa forma, a caracteriza\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia para o estoque pesqueiro, sistematizada pelo fluxo de ovos e larvas de migradores, \u00e9 a primeira etapa do fluxo de an\u00e1lise integrada.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Como segunda etapa, e de forma a aprimorar a delimita\u00e7\u00e3o da \u00e1rea de abrang\u00eancia dos indicadores de estoque pesqueiro, avaliando inclusive a presen\u00e7a de barreiras naturais, foi agregado o modelo de conectividade longitudinal e fragmenta\u00e7\u00e3o de habitats fluviais, que foi ponderado pela import\u00e2ncia de cada trecho de rio para a reprodu\u00e7\u00e3o dos peixes (presen\u00e7a de ovos e larvas) e para a potencial gera\u00e7\u00e3o de energia.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Como terceira e \u00faltima etapa, verifica-se a exist\u00eancia do uso preexistente da pesca, cuja ocorr\u00eancia foi mapeada ao longo dos estudos e sua relev\u00e2ncia indicada pelos indicadores socioecon\u00f4micos detalhados nesta NT e em seus anexos. Apenas as \u00e1reas classificadas como estrat\u00e9gicas nas tr\u00eas etapas anteriores &#8211; maior relev\u00e2ncia para manuten\u00e7\u00e3o do estoque pesqueiro, maior perda de conectividade e rela\u00e7\u00e3o com uso preexistente e relevante da pesca (em \u00e2mbito local e regional) &#8211; foram classificadas como \u00e1reas de conflito.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>O fluxograma apresenta uma s\u00edntese das etapas detalhadas. Em suma, a primeira etapa de an\u00e1lise do fluxo diz respeito a manuten\u00e7\u00e3o do estoque pesqueiro, ou seja, \u00e1reas consideradas estrat\u00e9gicas para reprodu\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies de peixes migradoras; a segunda, aborda a an\u00e1lise de conectividade, que considera a fragmenta\u00e7\u00e3o de habitats provocada pela implanta\u00e7\u00e3o de barramentos que dificulta ou impede o movimento de migra\u00e7\u00e3o de jusante para montante, e dificulta ou impede o fluxo de ovos, larvas e indiv\u00edduos adultos de montante para jusante; o pr\u00f3ximo passo identifica poss\u00edveis conflitos locais ou regionais com as atividades pesqueiras praticadas especificamente nas sub-bacias analisadas <\/em>(Figura 6)<em>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Avalia\u00e7\u00f5es complementares de qualidade de \u00e1gua e de altera\u00e7\u00e3o hidrol\u00f3gica integram a an\u00e1lise, mas n\u00e3o motivaram a reclassifica\u00e7\u00e3o de \u00e1reas. No entanto, pela ader\u00eancia ao resultado obtido nas etapas anteriores, refor\u00e7am a classifica\u00e7\u00e3o definida\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Figura 6 &#8211; Fluxograma da An\u00e1lise Integrada por bacia<ins> <\/ins>no \u00e2mbito do PRH Paraguai.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>VI.2 &#8211; Classifica\u00e7\u00e3o Final da An\u00e1lise Integrada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No que diz respeito \u00e0 Classifica\u00e7\u00e3o Final da An\u00e1lise Integrada (Item 4), a Nota T\u00e9cnica Conjunta n\u00ba 3\/2020\/SPR\/SRE aponta que: <em>\u201cos resultados da an\u00e1lise integrada, seguindo o fluxograma apresentado <\/em>(Figura 5)<em>, indicam \u00e1reas estrat\u00e9gicas como rota migrat\u00f3ria dos peixes migradores, ou seja, que permitem a conex\u00e3o entre a plan\u00edcie e \u00e1reas do planalto utilizadas em grande escala para a reprodu\u00e7\u00e3o dessas esp\u00e9cies. Al\u00e9m disso suportam uma atividade pesqueira importante em suas diversas modalidades. <u>As \u00e1reas identificadas como estrat\u00e9gicas para a manuten\u00e7\u00e3o dos recursos pesqueiros<\/u> <\/em>(grifo nosso)<em> s\u00e3o partes das bacias:<\/em><\/p>\n\n\n\n<ul><li><em>Regi\u00e3o do Alto Paraguai: baixo Jauru (MT), baixo Caba\u00e7al, Sepotuba, Formoso e Paraguai;<\/em><\/li><li><em>Cuiab\u00e1: Cuiab\u00e1, Cuiabazinho e baixo Manso;<\/em><\/li><li><em>S\u00e3o Louren\u00e7o: baixo S\u00e3o Louren\u00e7o, Vermelho, baixo Tadarimana e baixo Poxor\u00e9u;<\/em><\/li><li><em>Correntes\/Piquiri: Piquir\u00ed\u00e9baix\u00f3Tau\u00e1;<\/em><\/li><li><em>Taquari: Taquari, Coxim, Jauru (MS) e Figueir\u00e3o;<\/em><\/li><li><em>Negro: Peixe e baixo Rico; e<\/em><\/li><li><em>Apa: Apa.<\/em><\/li><\/ul>\n\n\n\n<p><em>Nessas sub-bacias, a reprodu\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies migradoras foi muito representativa (elevado fluxo de ovos e larvas de migradores) dentro da bacia amostrada. Nelas tamb\u00e9m se verifica a realiza\u00e7\u00e3o de atividades significativas das diversas modalidades de pesca. A instala\u00e7\u00e3o de barragens, com ou sem aproveitamentos hidrel\u00e9tricos &#8211; AHEs, interromper\u00e1 a conectividade entre as \u00e1reas de jusante e a montante desses barramentos e consequentemente impedir\u00e1 as migra\u00e7\u00f5es ascendente (chegada dos peixes migradores at\u00e9 as \u00e1reas de desova no tempo exato de matura\u00e7\u00e3o) e descendente (chegada da larva no tempo adequado aos locais de crescimento na plan\u00edcie alagada).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ao impedir os fluxos migrat\u00f3rios, essas estruturas provocam impactos negativos sobre a manuten\u00e7\u00e3o dos estoques pesqueiros n\u00e3o somente nessas bacias, como tamb\u00e9m em bacias conectadas e no Pantanal. <u>Com isso, a atividade pesqueira na regi\u00e3o teria sua sustentabilidade comprometida, configurando, portanto, conflito com o uso da \u00e1gua preexistente<\/u>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Do mesmo modo, foram identificadas \u00e1reas n\u00e3o estrat\u00e9gicas para a manuten\u00e7\u00e3o dos estoques pesqueiros e pouco relevantes para a conex\u00e3o entre a plan\u00edcie e o planalto. Em parte dessas \u00e1reas observou-se aus\u00eancia ou baixa reprodu\u00e7\u00e3o dos migradores devido provavelmente \u00e0s condi\u00e7\u00f5es ambientais, como graves assoreamentos (rios muito rasos) ou a alta transpar\u00eancia da \u00e1gua (aumenta a preda\u00e7\u00e3o de ovos e larvas). Em outras, em que pese tenham import\u00e2ncia para a reprodu\u00e7\u00e3o, o impacto da instala\u00e7\u00e3o de novas barragens na conectividade \u00e9 reduzido. <a><u>As \u00e1reas identificadas como n\u00e3o estrat\u00e9gicas ou sem impacto significativo sobre o estoque pesqueiro<\/u> <\/a><\/em>(grifo nosso)<em> s\u00e3o partes das bacias:<\/em><\/p>\n\n\n\n<ul><li><em>Regi\u00e3o do Alto Paraguai: alto Jauru (MT), alto Caba\u00e7al, Vermelho, Juba, Sapo, Maracan\u00e3 e Santana;<\/em><\/li><li><em>Cuiab\u00e1: alto Manso, Aric\u00e1-mirim e Mutum;<\/em><\/li><li><em>S\u00e3o Louren\u00e7o: alto S\u00e3o Louren\u00e7o, Tenente Amaral, Prata, Beleza, Alto Ibo, Ponte de Pedra, Anhumas, alto Tadarimana e alto Poxor\u00e9o;<\/em><\/li><li><em>Correntes\/Piquiri\/Itiquira: Itiquira, Correntes, Comprido, alto Tau\u00e1, C\u00f3rregos Benjamin e Piranema;<\/em><\/li><li><em>Taquari: alto Taquari, Ariranha, Verde, Novo e Camapu\u00e3;<\/em><\/li><li><em>Negro: Negro, Negrinho, alto Rico e C\u00f3rregos Falha dos Padres e do Garimpo;<\/em><\/li><li><em>Apa: Perdido.<\/em><\/li><\/ul>\n\n\n\n<p><em>A defini\u00e7\u00e3o de \u00e1reas estrat\u00e9gicas (com conflito regional ou local com o uso preexistente da \u00e1gua) e n\u00e3o estrat\u00e9gicas ou sem impacto significativo sobre os estoques pesqueiros, bem como das sem defini\u00e7\u00e3o (\u00e1reas que necessitam de mais estudos para serem classificadas) resultou no Zoneamento para a RH Paraguai apresentado na<\/em> Figura 7<em> e sintetizado na <\/em>Tabela 1\u201d<em>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Figura 7 &#8211; Zoneamento quanto ao conflito de uso na RH Paraguai avaliados no PRH Paraguai<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cCabe apontar que a bacia do rio Miranda n\u00e3o foi alvo de an\u00e1lise por n\u00e3o haver empreendimentos hidrel\u00e9tricos previstos no invent\u00e1rio de refer\u00eancia. Entretanto, caso venha a ser planejada a implanta\u00e7\u00e3o de barragens, com ou sem AHEs, nessa bacia, \u00e9 importante que seja feita sobre essa bacia abordagem similar \u00e0 apresentada nesta Nota, para manter a coer\u00eancia com as demais bacias.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Considerando as informa\u00e7\u00f5es constantes do Estudo de Invent\u00e1rio Hidrel\u00e9trico de partida de mar\u00e7o de 2017, a Tabela 1 apresenta a classifica\u00e7\u00e3o dos Aproveitamentos Hidrel\u00e9tricos previstos em cada uma das categorias definidas.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><u>Observa-se que 69% dos empreendimentos inventariados, que correspondem a 51% da pot\u00eancia inventariada, localizam-se em \u00e1reas n\u00e3o estrat\u00e9gicas, sem impacto evidente sobre o recurso pesqueiro e, consequentemente, sem caracteriza\u00e7\u00e3o de conflito com o uso preexistente. Em \u00e1reas de conflito, por outro lado, encontram-se 30% dos AHEs e 48% da pot\u00eancia inventariada. Em rios de dom\u00ednio dos estados, s\u00e3o ainda maiores as propor\u00e7\u00f5es de AHEs em \u00e1reas n\u00e3o estrat\u00e9gicas<\/u><\/em> (grifo nosso)<em>\u201d<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Tabela 1 &#8211; Classifica\u00e7\u00e3o dos empreendimentos (n\u00famero e pot\u00eancia) em \u00e1reas n\u00e3o estrat\u00e9gicas e com conflito regional e\/ou local, em rios de dom\u00ednio da Uni\u00e3o e dos Estados na RH Paraguai.<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cA classifica\u00e7\u00e3o apresentada na Figura 6, que identifica as \u00e1reas de conflito com usos preexistentes, est\u00e1 alinhada com dois fundamentos da Pol\u00edtica Nacional de Recursos H\u00eddricos &#8211; proporcionar o uso m\u00faltiplo das \u00e1guas e adotar a bacia hidrogr\u00e1fica como unidade territorial de implementa\u00e7\u00e3o\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Ao nosso ver ainda se deve considerar as Diretrizes Gerais de A\u00e7\u00e3o da PNRH (Lei 9433\/1997) que determinam:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 3\u00ba Constituem diretrizes gerais de a\u00e7\u00e3o para implementa\u00e7\u00e3o da Pol\u00edtica Nacional de Recursos H\u00eddricos:<\/p>\n\n\n\n<p>I &#8211; a gest\u00e3o sistem\u00e1tica dos recursos h\u00eddricos, sem dissocia\u00e7\u00e3o dos aspectos de quantidade e qualidade;<\/p>\n\n\n\n<p>II &#8211; a adequa\u00e7\u00e3o da gest\u00e3o de recursos h\u00eddricos \u00e0s diversidades f\u00edsicas, bi\u00f3ticas, demogr\u00e1ficas, econ\u00f4micas, sociais e culturais das diversas regi\u00f5es do Pa\u00eds;<\/p>\n\n\n\n<p>III &#8211; a integra\u00e7\u00e3o da gest\u00e3o de recursos h\u00eddricos com a gest\u00e3o ambiental;<\/p>\n\n\n\n<p>IV &#8211; a articula\u00e7\u00e3o do planejamento de recursos h\u00eddricos com o dos setores usu\u00e1rios e com os planejamentos regional, estadual e nacional;<\/p>\n\n\n\n<p>V &#8211; a articula\u00e7\u00e3o da gest\u00e3o de recursos h\u00eddricos com a do uso do solo;&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 4\u00ba A Uni\u00e3o articular-se-\u00e1 com os Estados tendo em vista o gerenciamento dos recursos h\u00eddricos de interesse comum.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado a conserva\u00e7\u00e3o dos processos ecol\u00f3gicos, mantendo a conectividade fluvial e a produ\u00e7\u00e3o pesqueira, por exemplo, promove a conserva\u00e7\u00e3o do peixe como item alimentar de import\u00e2ncia para a cadeia alimentar aqu\u00e1tica e terrestre (on\u00e7as, aves), conservando a biodiversidade, como respeito fundamental \u00e0 determina\u00e7\u00e3o constitucional, bem como aos acordos internacionais (Conven\u00e7\u00e3o da Diversidade Biol\u00f3gica, Conven\u00e7\u00e3o Ramsar, OIT 169 e Objetivos do Desenvolvimento Sustent\u00e1vel\/ONU &#8211; ODS 1, 2, 6, 8, 10 e 14) cujo pa\u00eds \u00e9 signat\u00e1rio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A pr\u00f3pria Lei 9433\/1997, o PNRH vigente, o Plano de Conserva\u00e7\u00e3o da Bacia do Alto Paraguai \u2013 PCBAP, o GEF Pantanal e, recentemente, o PRH Paraguai, deveriam ser considerados e cumpridos pelo poder p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>VI.3 &#8211; Tecnologias para passagem de peixes<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No que se refere ao Item 7 (Tecnologias para passagem de peixes),a Nota T\u00e9cnica Conjunta n\u00ba 3\/2020\/SPR\/SRE, tendo como base os Estudos FEA\/ANA conduzidos por especialistas no assunto, destaca os seguintes aspectos:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cAs tecnologias para passagem de peixe s\u00e3o bastante antigas, sendo as primeiras desenvolvidas no S\u00e9culo XVIII, visando a permitir que peixes migradores, em especial os salmon\u00eddeos, pudessem transpor obst\u00e1culos nos rios (Clay, 1995; Agostinho; Gomes; Pelicice, 2007). O primeiro barramento artificial a ter uma estrutura para passagem de peixes data de 1828 (Godoy, 1985), enquanto a primeira passagem para peixes no Brasil foi constru\u00edda em 1911 no rio Pardo (Makrakis et al, 2007). O uso destas tecnologias ganhou for\u00e7a no Brasil na segunda metade do S\u00e9culo XX, e alguns em estados o uso das passagens de peixe passou a ser exigido por lei (Godinho; Kynard, 2009; Lira et al, 2017).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Existem diversas tecnologias de passagem de peixes (Agostinho; Gomes; Pelicice, 2007):<\/em><\/p>\n\n\n\n<ul><li><em>Escadas de peixe: tecnologia mais comum no Brasil e no mundo, consiste em uma estrutura para reduzir a velocidade e o gradiente da \u00e1gua, de maneira a permitir que os peixes consigam subir e passar pela barragem. Existem diversos modelos de escadas de peixe;<\/em><\/li><li><em>Eclusa de peixe: semelhante \u00e0s eclusas para navega\u00e7\u00e3o, trata-se de um sistema de compartimentos interligados e comportas de diferentes n\u00edveis (jusante e montante), de modo que se possa variar o n\u00edvel da \u00e1gua no interior do compartimento;<\/em><\/li><li><em>Elevadores de peixe: t\u00eam um conceito de funcionamento similar ao das eclusas, mas contam com um sistema mec\u00e2nico (elevador) para levar os peixes do n\u00edvel jusante ao montante;<\/em><\/li><li><em>Canais de passagem secund\u00e1rios: s\u00e3o rios artificiais que visam manter a conex\u00e3o entre o trecho a montante e o trecho a jusante;<\/em><\/li><li><em>Sistema de captura e transporte por caminh\u00f5es: usado, em geral, apenas de maneira provis\u00f3ria.<\/em><\/li><\/ul>\n\n\n\n<p><em>O sucesso atribu\u00eddo \u00e0s passagens de peixe, notadamente \u00e0s escadas de peixe, est\u00e1 muito ligado \u00e0 sua efici\u00eancia no caso dos salmon\u00eddeos do hemisf\u00e9rio norte (Agostinho et al, 2007). Contudo, apesar dos diversos tipos de tecnologias dispon\u00edveis e dos grandes investimentos de capital e de engenharia para melhor\u00e1-las, diversos estudos mostram que as passagens de peixe s\u00e3o ineficientes no caso dos peixes neotropicais, devido a sua alta diversidade ecol\u00f3gica e comportamental (Pelicice; Pompeu; Agostinho, 2015).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Alguns estudos at\u00e9 consideram as passagens de peixes eficientes, mesmo no caso de peixes neotropicais, por entender que elas promovem a subida dos peixes para a montante da barragem. Contudo, este aspecto, isoladamente, n\u00e3o \u00e9 suficiente para determinar o sucesso desta tecnologia para preserva\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies de peixe (Pompeu; Agostinho, Pelicice, 2012).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Primeiro, \u00e9 preciso que as passagens de peixe consigam atrair os peixes para dentro delas. Se o mecanismo de atra\u00e7\u00e3o n\u00e3o funcionar de maneira apropriada, os peixes podem ficar nos arredores da passagem, sem efetivamente transpor a barragem. Isso pode atrasar a migra\u00e7\u00e3o, comprometendo a desova. Caso esse atraso seja excessivo, pode resultar inclusive na reabsor\u00e7\u00e3o dos ov\u00f3citos, de modo a nem sequer haver a desova (Agostinho; Gomes; Pelicice, 2007; Antonio et al, 2007).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Outros problemas s\u00e3o a seletividade e a domin\u00e2ncia. A seletividade diz respeito \u00e0 propor\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies existentes no rio que percorrem a passagem, enquanto a domin\u00e2ncia significa que uma quantidade pequena de esp\u00e9cies representa a maior parte dos peixes que atravessam a passagem. A seletividade foi verificada, por exemplo, por Fernandez, Agostinho e Bini (2004) na UHE Itaip\u00fa. Eles verificaram que as esp\u00e9cies mais abundantes na escada n\u00e3o eram as mesmas que no rio (rio Paran\u00e1). Diversos outros estudos relatam tanto o problema da seletividade e da domin\u00e2ncia (ver Pompeu, Agostinho e Pelicice (2012). Estes estudos indicam que, em geral, apenas de 3 a 5 esp\u00e9cies de peixes representam 80% ou mais dos exemplares encontrados nas escadas de peixe.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Uma quest\u00e3o relevante apontada por Agostinho et al (2012) \u00e9 a preda\u00e7\u00e3o intensa nas escadas de peixe. Isso ocorre em fun\u00e7\u00e3o da alta concentra\u00e7\u00e3o de peixes em uma estrutura de espa\u00e7o limitado. Desse modo, a escada pode se tornar um <u>hotspot<\/u> para a preda\u00e7\u00e3o (Mclaughlin et al, 2013). O estudo de Agostinho et al (2012) mostra que a preda\u00e7\u00e3o intensa n\u00e3o ocorre apenas na escada, havendo preda\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m nos arredores da entrada e da sa\u00edda da escada. Algumas esp\u00e9cies podem, inclusive, passar per\u00edodos prolongados dentro da escada, predando as demais esp\u00e9cies de peixe que passam por ela. Mas as esp\u00e9cies predadoras n\u00e3o se limitam aos pr\u00f3prios peixes, ocorrendo preda\u00e7\u00e3o por mam\u00edferos, r\u00e9pteis e aves.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>O maior problema das passagens de peixe \u00e9 que elas s\u00e3o estruturas unidirecionais. Tanto peixes que conseguem subir \u00e0 montante da barragem, quanto os ovos e larvas resultantes da desova desses peixes, t\u00eam dificuldade para descer de volta a jusante da barragem. No caso dos peixes adultos, h\u00e1 consenso de que as passagens projetadas para faz\u00ea-los subir n\u00e3o funcionam de maneira adequada para faz\u00ea-los descer (Larinier; Travade, 2002; Pompeu; Agostinho; Pelicice, 2012).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Os peixes da Am\u00e9rica do Sul tendem a evitar ambientes l\u00eanticos, como os reservat\u00f3rios das hidrel\u00e9tricas. Desse modo, ap\u00f3s subir pelas passagens de peixe, eles tendem a subir ainda mais pelo rio e n\u00e3o mais retornar ao reservat\u00f3rio (Pompeu; Agostinho; Pelicice, 2012). Assim, os pr\u00f3prios reservat\u00f3rios funcionam como barreiras comportamentais, com efeito semelhante \u00e0 barreira f\u00edsica imposta pela barragem. O gradiente de condi\u00e7\u00f5es hidrol\u00f3gicas e limnol\u00f3gicas nos reservat\u00f3rios resulta numa transi\u00e7\u00e3o do ambiente l\u00f3tico do rio para um ambiente semi-l\u00eantico e l\u00eantico. Esse ambiente l\u00eantico n\u00e3o oferece as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para a orienta\u00e7\u00e3o dos peixes para a migra\u00e7\u00e3o rumo a jusante (Pelicice; Pompeu; Agostinho, 2015).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>O reservat\u00f3rio tamb\u00e9m impede que os ovos e larvas des\u00e7am o rio. Como os ovos e as larvas s\u00e3o levemente mais densos que a \u00e1gua, no ambiente l\u00eantico do reservat\u00f3rio, eles tendem a afundar (Pelicice; Pompeu; Agostinho, 2015). Estudo feito por Agostinho et al (2007) na UHE Lu\u00eds Eduardo Magalh\u00e3es n\u00e3o identificou nenhuma larva ou ovo de peixes migradores abaixo da barragem. Eles constataram tamb\u00e9m que a subida dos peixes pela escada de peixe ocorria em uma frequ\u00eancia 258 vezes maior que a descida, chegando a 282 vezes para esp\u00e9cies migradoras.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Deste modo, as passagens de peixe, ao inv\u00e9s de auxiliar na conserva\u00e7\u00e3o do ecossistema, podem, na verdade, funcionar como armadilhas ecol\u00f3gicas. Se os peixes que sobem pela passagem n\u00e3o conseguem descer e se o ambiente a montante da barragem tem condi\u00e7\u00f5es piores que o ambiente a jusante para o desenvolvimento dos ovos e larvas, o resultado \u00e9 que os peixes ficam presos em um ambiente com condi\u00e7\u00f5es ruins para a reprodu\u00e7\u00e3o. Isso ocorre com mais frequ\u00eancia em rios com hidrel\u00e9tricas em sequ\u00eancia e em barragens localizadas nas regi\u00f5es superiores da bacia hidrogr\u00e1fica (Pelicice; Agostinho, 2008).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ressalta-se que a migra\u00e7\u00e3o descendo o reservat\u00f3rio n\u00e3o \u00e9 um problema nos sistemas temperados, visto que os salmon\u00eddeos t\u00eam comportamento diferente dos peixes neotropicais, sendo capazes de vencer o efeito de barreira imposto pelo reservat\u00f3rio (Pelicice; Pompeu; Agostinho, 2015).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Segundo Pompeu, Agostinho e Pelicice (2012), o insucesso na descida \u00e9 o maior obst\u00e1culo para o uso das passagens de peixe como ferramentas de gest\u00e3o e conserva\u00e7\u00e3o ambiental. Isso \u00e9 ainda mais relevante por n\u00e3o haver, at\u00e9 o momento, solu\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica para o problema da descida dos peixes (Pelicine; Pompeu; Agostinho, 2015).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Portanto, <u>as informa\u00e7\u00f5es elencadas fornecem um indicativo de que as passagens de peixe n\u00e3o solucionam o impacto que as barragens t\u00eam no ciclo reprodutivo dos peixes, em especial das esp\u00e9cies migradoras na RH Paraguai<\/u><\/em> (grifo nosso)<em>. Entretanto, a avalia\u00e7\u00e3o final sobre a efetividade da utiliza\u00e7\u00e3o das passagens de peixe nestes casos deve ser realizada pelo \u00f3rg\u00e3o ambiental respons\u00e1vel, tendo em vista as compet\u00eancias estabelecidas na Pol\u00edtica Nacional de Meio Ambiente, institu\u00edda pela Lei n\u00ba 6.938, de 31 de agosto de 1981, na Lei Complementar n\u00ba 140, de 08 de dezembro de 2011, e em outras legisla\u00e7\u00f5es correlatas.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>VI.4 &#8211; Conclus\u00f5es e Recomenda\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Como Conclus\u00f5es e Recomenda\u00e7\u00f5es (Item 6), a Nota T\u00e9cnica Conjunta n\u00ba 3\/2020\/SPR\/SRE apresenta os itens a seguir que tratam da incorpora\u00e7\u00e3o dos resultados nas an\u00e1lises de outorga em rios de dom\u00ednio da Uni\u00e3o na RH Paraguai e de propostas de encaminhamentos:<\/p>\n\n\n\n<ul><li><strong>Incorpora\u00e7\u00e3o dos Resultados nas An\u00e1lises de DRDHs ou Outorga em rios de dom\u00ednio da Uni\u00e3o na RH Paraguai (Item 6.1)<\/strong><\/li><\/ul>\n\n\n\n<p><em>\u201cConsiderando as motiva\u00e7\u00f5es elencadas e os resultados apresentados nesta Nota T\u00e9cnica, recomenda-se que as an\u00e1lises dos pedidos de DRDH ou outorga para barragens, com ou sem AHEs, localizados em rios de dom\u00ednio da Uni\u00e3o na RH-Paraguai, sejam realizadas conforme descrito a seguir.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Se a barragem, com ou sem AHE, estiver localizada em sub-bacia classificada na Categoria 1 &#8211; \u201c\u00c1reas n\u00e3o estrat\u00e9gicas ou sem impacto sobre o estoque pesqueiro\u201d, recomenda-se que a an\u00e1lise do pedido de DRDH ou outorga siga o procedimento geral adotado pela ANA para esse tipo de empreendimento.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Se a barragem, com ou sem AHE, estiver localizada em sub-bacia classificada na Categoria 2 &#8211; \u201c\u00c1reas com exist\u00eancia de conflito regional ou local com a pesca e\/ou turismo\u201d, recomenda-se que a an\u00e1lise do pedido de DRDH ou outorga seja realizada conforme descrito a seguir.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Se a barragem n\u00e3o possuir tecnologia de passagem de peixes que vise a mitigar os seus impactos sobre a ictiofauna, recomenda-se que o requerente seja informado sobre os resultados apresentados nesta Nota T\u00e9cnica e seja solicitado a fazer reavalia\u00e7\u00e3o do seu pedido. Caso n\u00e3o seja apresentada essa reavalia\u00e7\u00e3o, recomenda-se que o pedido seja indeferido por descumprimento do par\u00e1grafo \u00fanico do art. 13 da Lei n\u00b0 9.433, de 08 de janeiro de 1997.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Se a barragem possuir tecnologia de passagem de peixes que vise mitigar os seus impactos sobre a ictiofauna, recomenda-se que o pedido de DRDH ou outorga, para a devida an\u00e1lise, venha acompanhado de manifesta\u00e7\u00e3o formal de anu\u00eancia quanto \u00e0 tecnologia proposta, que considere inclusive os resultados desta Nota T\u00e9cnica, emitida pelo \u00f3rg\u00e3o ambiental respons\u00e1vel, tendo em vista as compet\u00eancias estabelecidas na Pol\u00edtica Nacional de Meio Ambiente, institu\u00edda pela Lei n\u00ba 6.938, de 31 de agosto de 1981, na Lei Complementar n\u00ba 140, de 08 de dezembro de 2011, e em outras legisla\u00e7\u00f5es correlatas.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Por fim, observa-se que na avali\u00e7\u00e3o dos AHEs realizada nesta Nota T\u00e9cnica n\u00e3o foram identificados AHEs em rios de dom\u00ednio da Uni\u00e3o enquadrados na Categoria 3 &#8211; \u201c\u00c1reas sem defini\u00e7\u00e3o\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<ul><li><strong>Proposta de Encaminhamentos para o CNRH (Item 6.2)<\/strong><\/li><\/ul>\n\n\n\n<p><em>\u201cO Plano de Recursos H\u00eddricos da Regi\u00e3o Hidrogr\u00e1fica do Paraguai, aprovado pelo Conselho Nacional de Recursos H\u00eddricos em sua 40\u00aa Reuni\u00e3o Extraordin\u00e1ria, realizada em 08 de mar\u00e7o de 2018, por meio da Resolu\u00e7\u00e3o CNRH n\u00ba 196, de 08 de mar\u00e7o de 2018, publicada no Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o em 19 de julho de 2018, disp\u00f4s, dentre as diretrizes para outorga de direito de uso de recursos h\u00eddricos, que os pedidos de DRDHs ou Outorgas para novos aproveitamentos hidrel\u00e9tricos na RH Paraguai deveriam aguardar os resultados dos estudos de que trata esta Nota T\u00e9cnica para a conclus\u00e3o de suas an\u00e1lises, de forma a poder incorporar seus resultados.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Considerando o exposto, recomenda-se que esta Nota T\u00e9cnica seja encaminhada ao CNRH para incorporar os seus resultados como subs\u00eddios \u00e0 atualiza\u00e7\u00e3o do Plano. Nesse processo de atualiza\u00e7\u00e3o, sugere-se avaliar as \u00e1reas com conflito regional ou local com os usos existentes de pesca (pesca profissional artesanal, pesca difusa e turismo de pesca) como \u00e1reas sujeitas \u00e0 restri\u00e7\u00e3o de uso de recursos h\u00eddricos para barragens, com ou sem AHE, localizadas em rios de dom\u00ednio da Uni\u00e3o e dos Estados.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Essa sugest\u00e3o tem por base a Lei n\u00b0 9.433, de 1997, que estabelece, em seu artigo 7\u00ba, que os Planos de Recursos H\u00eddricos ter\u00e3o entre os itens previstos no seu conte\u00fado m\u00ednimo, propostas para a cria\u00e7\u00e3o de \u00e1reas sujeitas a restri\u00e7\u00e3o de uso.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Observa-se que o processo de atualiza\u00e7\u00e3o do PRH Paraguai dever\u00e1 seguir as diretrizes para a elabora\u00e7\u00e3o de Planos de Recursos H\u00eddricos de Bacias Hidrogr\u00e1ficas, estabelecidas na Resolu\u00e7\u00e3o CNRH n\u00ba 145, de 12 de dezembro de 2012.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>O Grupo de Acompanhamento do Plano (GAP) foi criado nesse contexto para acompanhar a elabora\u00e7\u00e3o e a implementa\u00e7\u00e3o do PRH Paraguai, mas foi formalmente extinto pelo Decreto N\u00ba 9.759, de 11 de abril de 2019. Como cabe ao CNRH as delibera\u00e7\u00f5es sobre o Plano, j\u00e1 existe proposta de institui\u00e7\u00e3o de Grupo de Trabalho do Plano de Recursos H\u00eddricos da Regi\u00e3o Hidrogr\u00e1fica do Paraguai, no \u00e2mbito da C\u00e2mara T\u00e9cnica de Planejamento e Articula\u00e7\u00e3o &#8211; CTPA do CNRH, de forma a preservar o arranjo previsto na Resolu\u00e7\u00e3o CNRH n\u00ba 145.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<ul><li><strong>Proposta de Encaminhamentos para o IMASUL, SEMA\/MT e IBAMA (Item 6.3)<\/strong><\/li><\/ul>\n\n\n\n<p><em>\u201cConsiderando as diretrizes do PRH Paraguai j\u00e1 apresentadas, a manifesta\u00e7\u00e3o realizada durante o Workshop do dia 27 de maio 2020 e a participa\u00e7\u00e3o no grupo institucional definido na Portaria ANA n\u00b0 365\/2017, recomenda-se que esta Nota T\u00e9cnica seja encaminhada ao Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (IMASUL) e \u00e0 Secretaria de Estado de Meio Ambiente do Mato Grosso (SEMA\/MT), para conhecimento e avalia\u00e7\u00e3o pelos setores respons\u00e1veis pela Pol\u00edtica Nacional de Recursos H\u00eddricos quanto \u00e0 sua incorpora\u00e7\u00e3o nas an\u00e1lises de DRDH ou outorga de uso de recursos h\u00eddricos em rios de dom\u00ednio dos Estados na RH Paraguai.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Adicionalmente, considerando que as referidas institui\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m s\u00e3o respons\u00e1veis pelas compet\u00eancias relacionadas \u00e0 Pol\u00edtica Nacional de Meio Ambiente, institu\u00edda pela Lei n\u00ba 6.938, de 31 de agosto de 1981, e legisla\u00e7\u00f5es correlatas, recomenda-se que os setores respons\u00e1veis correspondentes tamb\u00e9m considerem esta Nota T\u00e9cnica nas an\u00e1lises das barragens, com ou sem AHE, da RH Paraguai sob sua responsabilidade.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Finalmente, pelos mesmos motivos j\u00e1 expostos, recomenda-se que esta Nota T\u00e9cnica seja encaminhada ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (IBAMA) para considera\u00e7\u00e3o na an\u00e1lise das barragens, com ou sem AHE, da RH-Paraguai sob sua responsabilidade.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<ul><li><strong>Proposta de Encaminhamentos para o MME, EPE e ANEEL (Item 6.4)<\/strong><\/li><\/ul>\n\n\n\n<p><em>\u201cConsiderando que os estudos realizados avaliam os efeitos da implanta\u00e7\u00e3o de empreendimentos hidrel\u00e9tricos na RH Paraguai e que o IMASUL e a SEMA\/MT enfatizaram, no Workshop realizado em 27 de maio de 2020, a necessidade de articula\u00e7\u00e3o com as entidades federais respons\u00e1veis pela implementa\u00e7\u00e3o da Pol\u00edtica Energ\u00e9tica, recomenda-se que esta Nota T\u00e9cnica seja encaminhada ao Minist\u00e9rio de Minas e Energia (MME), \u00e0 Empresa de Pesquisa Energ\u00e9tica (EPE) e \u00e0 Ag\u00eancia Nacional de Energia El\u00e9trica (ANEEL), para conhecimento e avalia\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 incorpora\u00e7\u00e3o dos resultados nos Estudos de Invent\u00e1rio Hidrel\u00e9trico da RH Paraguai e nos estudos que subsidiam os requerimentos de DRDH\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>VII &#8211; PCHS PREVISTAS NA RH PARAGUAI E A EVOLU\u00c7\u00c3O DA CAPACIDADE INSTALADA NO SISTEMA INTERLIGADO NACIONAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Nota T\u00e9cnica n\u00b0 3\/SPR\/SRE, portanto, apresentou a classifica\u00e7\u00e3o dos empreendimentos (quantidade e pot\u00eancia) previstos em \u00e1reas estrat\u00e9gicas e em \u00e1reas com conflito regional e\/ou local na RH Paraguai, sintetizados na Tabela 2.<\/p>\n\n\n\n<p>Tabela 2 &#8211; Classifica\u00e7\u00e3o dos aproveitamentos hidrel\u00e9tricos previstos da RH Paraguai em \u00e1reas n\u00e3o estrat\u00e9gicas e com conflito regional e\/ou local<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table><tbody><tr><td><strong>Aproveitamentos hidrel\u00e9tricos previstos na RH Paraguai<\/strong> &nbsp;<\/td><td>Pot\u00eancia (MW)<\/td><td>Quantidade<\/td><\/tr><tr><td><strong>Aproveitamentos hidrel\u00e9tricos previstos em \u00e1reas n\u00e3o estrat\u00e9gicas\/sem impacto no estoque pesqueiro<\/strong><strong><\/strong><\/td><td><strong>536,0<\/strong> <strong>(51%)<\/strong><\/td><td><strong>83<\/strong> <strong>(69%)<\/strong><\/td><\/tr><tr><td><strong>Aproveitamentos hidrel\u00e9tricos previstos em \u00e1reas com conflito regional e\/ou local<\/strong><strong><\/strong><\/td><td><strong>513,0<\/strong> <strong>(48%)<\/strong><\/td><td><strong>36<\/strong> <strong>(30%)<\/strong><\/td><\/tr><tr><td><strong>Aproveitamentos hidrel\u00e9tricos em \u00e1reas sem defini\u00e7\u00e3o<\/strong><strong><\/strong><\/td><td>9,4 (1%)<\/td><td>1 (1%)<\/td><\/tr><tr><td><strong>Total<\/strong><\/td><td><strong>1.058,4<\/strong><\/td><td><strong>120<\/strong><\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p>Por sua vez, a partir de dados obtidos no site do Operador Nacional do Sistema El\u00e9trico &#8211; ONS, a Figura 8 apresenta a evolu\u00e7\u00e3o da capacidade instalada no Sistema Interligado Nacional &#8211; SIN (dezembro 2021\/dezembro 2025).<\/p>\n\n\n\n<p>Figura 8 &#8211; Evolu\u00e7\u00e3o da capacidade instalada no SIN &#8211; Dez 2021\/Dez 2025<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte &#8211; <a href=\"http:\/\/www.ons.org.br\/paginas\/sobre-o-sin\/o-sistema-em-numeros\">http:\/\/www.ons.org.br\/paginas\/sobre-o-sin\/o-sistema-em-numeros<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Diversas an\u00e1lises comparativas, mais ou menos aprofundadas, poderiam ser realizadas a partir do cruzamento dos dados da evolu\u00e7\u00e3o da capacidade instalada no SIN 2022-2026 com a previs\u00e3o de instala\u00e7\u00e3o de AHEs na RH Paraguai, seja em termos globais, seja em termos de fontes da matriz de energia el\u00e9trica brasileira. Todavia, n\u00e3o sendo esse o nosso objetivo, pois implicaria em um conjunto muito mais amplo e complexo de considera\u00e7\u00f5es, os aproveitamentos hidrel\u00e9tricos previstos em \u00e1reas com conflito regional e\/ou local, que perfazem um total de 513 MW, correspondem a 0,28% do total da capacidade instalada no SIN em 2022 e 0,26 % em 2026.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao considerarmos as recentes opini\u00f5es de v\u00e1rios especialistas, h\u00e1, segundo eles, in\u00fameras iniciativas que poderiam ser adotadas e trazer ganhos para o Setor El\u00e9trico e para a seguran\u00e7a h\u00eddrica, entre elas: revis\u00e3o do modelo, revis\u00e3o do planejamento da opera\u00e7\u00e3o\/expans\u00e3o, otimiza\u00e7\u00e3o\/expans\u00e3o da transmiss\u00e3o e revis\u00e3o\/elimina\u00e7\u00e3o de restri\u00e7\u00f5es operativas (tema abordado durante o XXIV Simp\u00f3sio de Recursos H\u00eddricos da ABRHidro).<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, estudo recente da Empresa de Pesquisa Energ\u00e9tica &#8211; EPE (Expans\u00e3o da Gera\u00e7\u00e3o &#8211; Repotencia\u00e7\u00e3o e Moderniza\u00e7\u00e3o de Usinas Hidrel\u00e9tricas &#8211; Ganhos de efici\u00eancia, energia e capacidade instalada, outubro de 2019) registra que \u201c<em>os estudos puderam apontar:<\/em><\/p>\n\n\n\n<ul><li><strong><em>Custos de degrada\u00e7\u00e3o<\/em><\/strong><em> &#8211; A modelagem da degrada\u00e7\u00e3o das m\u00e1quinas indica perdas na gera\u00e7\u00e3o hidrel\u00e9trica, que se refletem nos custos operativos do sistema. N\u00e3o incentivar ou n\u00e3o dotar a regula\u00e7\u00e3o de medidas que estimulem os agentes a modernizar seus ativos pode implicar em eleva\u00e7\u00e3o dos custos operativos (eleva\u00e7\u00e3o de 15% no CMO, na simula\u00e7\u00e3o est\u00e1tica) e inefici\u00eancia do uso dos recursos h\u00eddricos, tendo por efeito o incremento da gera\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica e por consequ\u00eancia, seus efeitos econ\u00f4micos;<\/em><\/li><li><strong><em>Ganhos energ\u00e9ticos de efici\u00eancia<\/em><\/strong><em> &#8211; A opera\u00e7\u00e3o de usinas com maiores \u00edndices de efici\u00eancia se traduz em maior produtibilidade, tornando o SIN mais eficiente;<\/em><\/li><li><strong><em>Otimiza\u00e7\u00e3o da gera\u00e7\u00e3o hidrel\u00e9trica<\/em><\/strong><em> &#8211; As simula\u00e7\u00f5es evidenciam que a recapacita\u00e7\u00e3o das usinas otimiza o uso do recurso h\u00eddrico com aumento da gera\u00e7\u00e3o;<\/em><\/li><li><strong><em>Redu\u00e7\u00e3o do CMO<\/em><\/strong><em> &#8211; A repotencia\u00e7\u00e3o como um todo reduz o CMO m\u00e9dio do per\u00edodo de estudos em at\u00e9 11%, quando comparado ao caso base;<\/em><\/li><li><strong><em>Ganhos de adicional de capacidade<\/em><\/strong><em> &#8211; Possibilidade t\u00e9cnica de dispor de aproximadamente 11.000 MW de capacidade instalada adicional sem a necessidade da expans\u00e3o hidrel\u00e9trica para novos s\u00edtios ao SIN. Contudo \u00e9 preciso evoluir a atual forma de remunera\u00e7\u00e3o reconhecendo os atributos das hidrel\u00e9tricas, como a capacidade, sendo que estes poderiam compor uma nova forma de remunera\u00e7\u00e3o dos empreendimentos, estimulando esse processo de moderniza\u00e7\u00e3o\u201d.<\/em><\/li><\/ul>\n\n\n\n<p><strong>VIII &#8211; DECIS\u00d5ES, ACOLHIMENTOS, RESSALVA E ENCAMINHAMENTOS DA DIRETORIA COLEGIADA DA ANA SOBRE O PRH PARAGUAI<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>VIII.1 &#8211; Agenda Regulat\u00f3ria da ANA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em 29 de outubro de 2018, por interm\u00e9dio da Resolu\u00e7\u00e3o ANA n\u00ba 86, foi institu\u00eddo o Programa de Qualidade Regulat\u00f3ria da ANA e aprovado o Manual de instru\u00e7\u00f5es para elabora\u00e7\u00e3o, implementa\u00e7\u00e3o e revis\u00e3o da agenda regulat\u00f3ria da Ag\u00eancia:<\/p>\n\n\n\n<ul><li><em>\u201ca Agenda Regulat\u00f3ria;<\/em><\/li><li><em>a gest\u00e3o do estoque regulat\u00f3rio; e<\/em><\/li><li><em>a An\u00e1lise de Impacto Regulat\u00f3rio &#8211; AIR.<\/em><em><\/em><\/li><\/ul>\n\n\n\n<p><em>Segundo a Resolu\u00e7\u00e3o ANA n\u00b0 86\/2018:<\/em><\/p>\n\n\n\n<ul><li><em>a Agenda Regulat\u00f3ria \u00e9 um instrumento de gest\u00e3o, que indica quais temas s\u00e3o priorit\u00e1rios para a pauta de regulamenta\u00e7\u00e3o, sendo que ser\u00e1 institu\u00edda com a vig\u00eancia de 02 anos<\/em><\/li><li><em>a Agenda Regulat\u00f3ria tem por finalidade aprimorar continuamente o processo normativo da ANA, aumentar a transpar\u00eancia e previsibilidade perante a sociedade e direcionar os esfor\u00e7os de normatiza\u00e7\u00e3o das \u00e1reas t\u00e9cnicas;<\/em><\/li><li><em>os temas da Agenda Regulat\u00f3ria devem estar relacionados com a identifica\u00e7\u00e3o de um problema regulat\u00f3rio sujeito \u00e0 edi\u00e7\u00e3o de atos normativos ou a implementa\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es regulat\u00f3rias;<\/em><\/li><li><em>ser\u00e3o considerados como potenciais temas, aqueles de natureza regulat\u00f3ria, notadamente as regras de ordenamento e atos normativos que estabelecem crit\u00e9rios, procedimentos, mecanismos de controle e orienta\u00e7\u00e3o para regula\u00e7\u00e3o e fiscaliza\u00e7\u00e3o de usos da \u00e1gua, opera\u00e7\u00e3o de reservat\u00f3rios, servi\u00e7os de irriga\u00e7\u00e3o, reserva\u00e7\u00e3o e adu\u00e7\u00e3o de \u00e1gua bruta e planejamento de recursos h\u00eddricos, bem como temas referentes a outras atribui\u00e7\u00f5es normativas da ANA<\/em><em><\/em><\/li><li><em>a sele\u00e7\u00e3o dos temas para a Agenda Regulat\u00f3ria dever\u00e1 ser pautada por crit\u00e9rios de relev\u00e2ncia e prazo, bem como a disponibilidade de recursos para conduzir o tratamento adequado, observando as seguintes diretrizes: urg\u00eancia para seu tratamento; compatibilidade com o planejamento estrat\u00e9gico da ANA e as orienta\u00e7\u00f5es da Diretoria Colegiada &#8211; DIREC, sendo que cada tema ter\u00e1 a previs\u00e3o da conclus\u00e3o da atividade descrita na Agenda;<\/em><\/li><li><em>a Agenda deve ser publicada at\u00e9 o dia 15 de dezembro do ano anterior ao in\u00edcio de sua vig\u00eancia, competindo \u00e0 DIREC aprovar e publicar, por meio de Resolu\u00e7\u00e3o, as Agendas Regulat\u00f3rias; ao final do primeiro ano de cada bi\u00eanio, ocorrer\u00e1 a revis\u00e3o ordin\u00e1ria da Agenda Regulat\u00f3ria, com inclus\u00e3o e exclus\u00e3o de temas, por delibera\u00e7\u00e3o da DIREC; revis\u00f5es&nbsp; extraordin\u00e1rias poder\u00e3o ocorrer a qualquer tempo, por decis\u00e3o da DIREC, em casos de urg\u00eancia ou relev\u00e2ncia identificados pelas Unidades Organizacionais &#8211; UORGs da ANA; a primeira Agenda Regulat\u00f3ria ,relativa ao ano de 2019, ter\u00e1, excepcionalmente, a dura\u00e7\u00e3o de um ano e dever\u00e1 ser publicada at\u00e9 o dia 30 de janeiro de 2019; e<\/em><\/li><li><em>Os procedimentos, etapas e o cronograma para elabora\u00e7\u00e3o, execu\u00e7\u00e3o, monitoramento e revis\u00e3o da Agenda Regulat\u00f3ria, bem como as responsabilidades e atribui\u00e7\u00f5es das UORGs da ANA e inst\u00e2ncias envolvidas no processo, ser\u00e3o estabelecidos em Manual pr\u00f3prio\u201d.<\/em><\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>Em suma, <em>\u201ca Agenda Regulat\u00f3ria da ANA consiste em um instrumento de gest\u00e3o que indica os temas priorit\u00e1rios que podem alterar a rela\u00e7\u00e3o com o setor regulado ou com os usu\u00e1rios, buscando efetividade, previsibilidade e transpar\u00eancia no cumprimento da miss\u00e3o e dos objetivos estrat\u00e9gicos da Ag\u00eancia. Dessa forma, mat\u00e9rias que possam resultar em normativos ou revis\u00e3o de normativos devem integrar a Agenda Regulat\u00f3ria. Isso n\u00e3o significa, entretanto, que apenas mat\u00e9rias que resultar\u00e3o em uma regulamenta\u00e7\u00e3o devem ser temas da agenda, pois os estudos podem indicar outras a\u00e7\u00f5es regulat\u00f3rias que n\u00e3o a normatiza\u00e7\u00e3o. A Agenda Regulat\u00f3ria propicia maior seguran\u00e7a ao setor regulado e aos usu\u00e1rios na medida em que d\u00e1 publicidade ao planejamento regulat\u00f3rio da Ag\u00eancia, possibilitando a amplia\u00e7\u00e3o da presta\u00e7\u00e3o de contas, do controle e da participa\u00e7\u00e3o social e conferindo previsibilidade \u00e0 atua\u00e7\u00e3o regulat\u00f3ria\u201d<\/em> (Agenda Regulat\u00f3ria da ANA 2021-2022).<\/p>\n\n\n\n<p>A partir da institui\u00e7\u00e3o do Programa de Qualidade Regulat\u00f3ria, a ANA j\u00e1 publicou 02 Agendas Regulat\u00f3rias, sendo a primeira relativa ao ano de 2019 e a segunda concernente aos anos de 2020\/2021.<\/p>\n\n\n\n<p>Considerando a edi\u00e7\u00e3o da Lei n\u00b0 14.026\/2020 (Atualiza\u00e7\u00e3o do Marco Legal do Saneamento B\u00e1sico), foram introduzidas na Lei n\u00b0 9.984\/2000 atribui\u00e7\u00f5es adicionais para a ANA, as quais, associadas \u00e0s disposi\u00e7\u00f5es da Lei n\u00ba 14.182\/2021, implicaram na necessidade de revis\u00e3o da Agenda Regulat\u00f3ria 2020\/2021, a qual foi consistida pela Resolu\u00e7\u00e3o ANA n\u00b0 105\/2021, de 18 de outubro de 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, a Agenda Regulat\u00f3ria 2020\/2021 contempla os seguintes eixos tem\u00e1ticos:<\/p>\n\n\n\n<ul><li>Regula\u00e7\u00e3o de Usos e Opera\u00e7\u00e3o de Reservat\u00f3rios;<\/li><li>Seguran\u00e7a de Barragens;<\/li><li>Regula\u00e7\u00e3o de Servi\u00e7os;<\/li><li>Fiscaliza\u00e7\u00e3o;<\/li><li>Monitoramento;<\/li><li>Planejamento e Informa\u00e7\u00e3o; e<\/li><li>Implementa\u00e7\u00e3o da Pol\u00edtica Nacional de Recursos H\u00eddricos.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>Dentre os temas contidos no eixo tem\u00e1tico Planejamento e Informa\u00e7\u00e3o, a Agenda Regulat\u00f3ria ANA 2020\/2021 estabeleceu o Zoneamento da Regi\u00e3o Hidrogr\u00e1fica do Paraguai para fins de implanta\u00e7\u00e3o de aproveitamentoshidrel\u00e9tricos<strong>, <\/strong>conforme se segue:<\/p>\n\n\n\n<ul><li><em>\u201cDescri\u00e7\u00e3o do problema regulat\u00f3rio &#8211; Depois da aprova\u00e7\u00e3o do Plano de Recursos H\u00eddricos da Regi\u00e3o Hidrogr\u00e1fica do Paraguai (PRH Paraguai), em 2018, a ANA determinou o sobrestamento dos processos referentes aos requerimentos de Declara\u00e7\u00f5es de Reserva de Disponibilidade H\u00eddrica e de Outorgas de Direito de Uso de Recursos H\u00eddricos para novos aproveitamentos hidrel\u00e9tricos em rios de dom\u00ednio da Uni\u00e3o na Regi\u00e3o Hidrogr\u00e1fica do Paraguai, at\u00e9 31 de maio de 2020, quando a ANA dever\u00e1 apresentar uma proposta de atualiza\u00e7\u00e3o dos termos e da abrang\u00eancia dos atos regulat\u00f3rios;<\/em><\/li><li><em>Objetivo &#8211; Fornecer informa\u00e7\u00f5es para o zoneamento de \u00e1reas de acordo com o grau dos impactos causados pela implanta\u00e7\u00e3o de aproveitamentos hidrel\u00e9tricos na Regi\u00e3o Hidrogr\u00e1fica do Paraguai\u201d.<\/em><\/li><\/ul>\n\n\n\n<p><strong>VIII.2 &#8211; OF\u00cdCIO N\u00b0 81\/2020\/AA-CD\/ANA ENVIADO AO CNRH<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em 26 de junho de 2020, a Diretora-Presidente da ANA encaminhou ao Presidente do CNRH o Of\u00edcio n\u00b0 81\/2020\/AA-CD\/ANA sobre o assunto \u201cEstudos de avalia\u00e7\u00e3o dos efeitos da implanta\u00e7\u00e3o de empreendimentos hidrel\u00e9tricos na RH Paraguai\u201d, no \u00e2mbito do PRH Paraguai. A seguir s\u00e3o apresentados trechos do referido of\u00edcio:<\/p>\n\n\n\n<ul><li><em>\u201cEm aten\u00e7\u00e3o aos desdobramentos previstos pela Resolu\u00e7\u00e3o CNRH n\u00b0 196, de 08 de mar\u00e7o de 199, que trata do Plano da Regi\u00e3o Hidrogr\u00e1fica do Rio Paraguai &#8211; PRH Paraguai, <u>e a fim de subsidiar eventual processo de atualiza\u00e7\u00e3o do Plano<\/u><\/em><em> <\/em>(grifo nosso)<em>,<\/em><em> <\/em><em>informo o que se segue:<\/em><\/li><li><em>A elabora\u00e7\u00e3o do Plano da Regi\u00e3o Hidrogr\u00e1fica do Rio Paraguai foi atribu\u00edda \u00e0 Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas por esse Conselho Nacional de Recursos H\u00eddricos &#8211; CNRH, por meio da Resolu\u00e7\u00e3o CNRH n\u00b0 152\/2013, tendo, entre as motiva\u00e7\u00f5es, a previs\u00e3o de instala\u00e7\u00e3o de empreendimentos hidrel\u00e9tricos na Regi\u00e3o Hidrogr\u00e1fica do Paraguai, a necessidade de planejamento que permita compatibilizar os usos m\u00faltiplos da \u00e1gua e a sustentabilidade do seu aproveitamento, e o papel do PRH Paraguai como instrumento que deve orientar e integrar as pol\u00edticas e interven\u00e7\u00f5es na regi\u00e3o, visando assegurar a utiliza\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel das \u00e1guas, compatibilizando-as com as demandas existentes e a conserva\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o do Pantanal;<\/em><\/li><li><em>Nesse contexto, ap\u00f3s a aprova\u00e7\u00e3o do Plano, e <u>dando consequ\u00eancias \u00e0s suas diretrizes<\/u> <\/em>(grifo nosso), <em>a ANA editou a Resolu\u00e7\u00e3o n\u00b0 64, de 04 de setembro de 2018, que determinou o sobrestamento dos processos referentes aos requerimentos de Declara\u00e7\u00f5es de Reserva de Disponibilidade H\u00eddrica e de Outorgas de direito de uso de recursos h\u00eddricos para novos aproveitamentos hidrel\u00e9tricos em rios de dom\u00ednio da Uni\u00e3o na Regi\u00e3o Hidrogr\u00e1fica do Paraguai at\u00e9 31 de mar\u00e7o de 2020, data prevista para a conclus\u00e3o dos Estudos;<\/em><\/li><li><em>Ao longo do per\u00edodo de sua vig\u00eancia, os resultados parciais dos Estudos permitiram \u00e0 ANA atualizar a Resolu\u00e7\u00e3o n\u00b0 64\/2018 <\/em>(Resolu\u00e7\u00f5es ANA n\u00b0 99\/2019, n\u00b0 02\/2020 e n\u00b0 23\/2020)<em>, <u>com a libera\u00e7\u00e3o do sobrestamento das an\u00e1lises de empreendimentos localizados em \u00e1reas onde n\u00e3o foi caracterizado o conflito com a atividade da pesca<\/u> (<\/em>grifo nosso<em>). Esses resultados foram compartilhados com os Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Observa-se que a Resolu\u00e7\u00e3o teve sua vig\u00eancia e seus efeitos encerrados em 31 de maio de 2020, sendo conclu\u00eddos tamb\u00e9m os Estudos\u201d;<\/em><\/li><li><em>Em face da conclus\u00e3o dos estudos, a \u00e1rea t\u00e9cnica da ANA apresentou, por meio de Nota T\u00e9cnica Conjunta n\u00b0 3\/2020\/SPR\/SRE, a avalia\u00e7\u00e3o dos resultados dos trabalhos e as propostas de encaminhamento, <u>as quais foram acolhidas<\/u> <\/em>(grifo nosso) <em>pela Diretoria Colegiada da ANA, em sua 792\u00aa Reuni\u00e3o Ordin\u00e1ria, com <u>ressalva \u00e0 recomenda\u00e7\u00e3o constante do item 6.1<\/u> <\/em>(grifo nosso)<em> da Nota T\u00e9cnica, relativa \u00e0s situa\u00e7\u00f5es de barragens localizadas em sub-bacia classificada na Categoria 2 &#8211; \u201c\u00c1reas com exist\u00eancia de conflito regional ou local com a pesca e\/ou turismo\u201d. <u>Nesse caso, a an\u00e1lise do pedido de DRDH ou outorga j\u00e1 apresentado \u00e0 ANA poder\u00e1 ter continuidade<\/u><\/em> (grifo nosso)<em>, mediante dilig\u00eancia ao empreendedor, para que este obtenha manifesta\u00e7\u00e3o formal de anu\u00eancia do \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel pelo licenciamento ambiental, quanto \u00e0 tecnologia proposta para a transposi\u00e7\u00e3o de peixes, considerando as compet\u00eancias estabelecidas na Lei n\u00b0 6.938\/1981, na Lei Complementar n\u00b0 140, de 08\/2011, e em outras legisla\u00e7\u00f5es e normativos correlatos. <u>Nos casos de novos pedidos de DRDH e outorga \u00e0 ANA<\/u> <\/em>(grifo nosso)<em>, nessa regi\u00e3o hidrogr\u00e1fica, classificada na Categoria 2 &#8211; \u201c\u00c1reas com exist\u00eancia de conflito regional ou local com a pesca e\/ou turismo\u201d, com ou sem AHE, tal manifesta\u00e7\u00e3o dever\u00e1 constituir documento necess\u00e1rio ao in\u00edcio da an\u00e1lise.<\/em><\/li><li><em>Diante do exposto, em atendimento ao PRH Paraguai, encaminha-se a esse Conselho, <u>com vistas a subsidiar eventual processo de atualiza\u00e7\u00e3o do Plano<\/u> <\/em>(grifo nosso)<em>, o \u201cEstudo de avalia\u00e7\u00e3o dos efeitos da implanta\u00e7\u00e3o de empreendimentos hidrel\u00e9tricos na Regi\u00e3o Hidrogr\u00e1fica do Paraguai e <u>para suporte<\/u> <\/em>(grifo nosso)<em> \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o do Plano de Recursos H\u00eddricos da RH Paraguai\u201d, bem como a Nota T\u00e9cnica Conjunta n\u00b0 3\/2020\/SPR\/SRE\u201d.<\/em><\/li><\/ul>\n\n\n\n<p><strong>IX &#8211; DESDOBRAMENTOS DO PRH PARAGUAI PELAS INST\u00c2NCIAS DO SINGREH DA RH PARAGUAI<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O PRH Paraguai, conforme abordado, foi estruturado em 04 componentes estrat\u00e9gicos, 17 programas, cada um constitu\u00eddo de v\u00e1rias atividades\/a\u00e7\u00f5es e seus respectivos custos (incluindo or\u00e7amentos associados) para alcance dos objetivos estabelecidos e 70 metas de curto, m\u00e9dio e longo prazos.<\/p>\n\n\n\n<p>Todavia, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o do objetivo C.5 (Programa para a Avalia\u00e7\u00e3o dos Efeitos da Implanta\u00e7\u00e3o de Empreendimentos Hidrel\u00e9tricos na RH Paraguai) e suas Metas C5.1 a C.5.6, decorridos quase 04 anos da aprova\u00e7\u00e3o do PRH Paraguai pela Resolu\u00e7\u00e3o CNRH n\u00b0 196, de 08 de mar\u00e7o de 2018, e aproximadamente 20 meses da conclus\u00e3o dos \u201cEstudos de avalia\u00e7\u00e3o dos efeitos da implanta\u00e7\u00e3o de empreendimentos hidrel\u00e9tricos na Regi\u00e3o Hidrogr\u00e1fica do Paraguai\u201d, quase nenhum avan\u00e7o foi observado em termos de acompanhamento e implementa\u00e7\u00e3o do PRH Paraguai, tanto por parte do CNRH e de suas inst\u00e2ncias, quanto por parte da SEMA-MT, do IMASUL e da ANA, \u00f3rg\u00e3os gestores de recursos h\u00eddricos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>IX.1 &#8211; CNRH<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A partir da edi\u00e7\u00e3o do Decreto Presidencial n\u00b0 9.759, de 11 de abril de 2019, que extingue e estabelece diretrizes, regras e limita\u00e7\u00f5es para colegiados da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica federal, o GAP &#8211; Grupo de Acompanhamento da elabora\u00e7\u00e3o do PRH Paraguai, institu\u00eddo pela Resolu\u00e7\u00e3o CNRH n\u00ba 152, de 17 de dezembro de 2013, alterada pela Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 176, de 29 de junho de 2016, foi extinto.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, a C\u00e2mara T\u00e9cnica de Planejamento e Articula\u00e7\u00e3o &#8211; CTPA\/CNRH, em sua 2\u00aa Reuni\u00e3o, dias 02 e 03 de mar\u00e7o de 2020, ap\u00f3s a apresenta\u00e7\u00e3o pela SECEX\/CNRH de proposta de institui\u00e7\u00e3o de Grupo de Trabalho no \u00e2mbito da CTPA sobre o PRH Paraguai, aprovou o mencionado GT, intitulado GT Paraguai, com menor n\u00famero de componentes. Os presentes \u00e0 2\u00aa Reuni\u00e3o acordaram que a composi\u00e7\u00e3o e funcionamento do GT Paraguai seriam definidos em ata e que a sua cria\u00e7\u00e3o seria informada ao plen\u00e1rio do CNRH.<\/p>\n\n\n\n<p>Todavia, apesar de reuni\u00f5es realizadas pelo GT Paraguai, o tema relativo ao acompanhamento da implementa\u00e7\u00e3o do PRH Paraguai n\u00e3o avan\u00e7ou a contento.<\/p>\n\n\n\n<p>Passados mais de 01 ano da institui\u00e7\u00e3o do GT Paraguai, ou seja, um prazo superior a 01 ano de dura\u00e7\u00e3o para a exist\u00eancia de grupos de trabalho no \u00e2mbito de C\u00e2maras T\u00e9cnicas do CNRH, conforme estabelece o Art. 31 da Resolu\u00e7\u00e3o CNRH n\u00b0 215, de 30 de junho de 2020, sem apresentar resultados pr\u00e1ticos, em nossa avalia\u00e7\u00e3o, por falta de empenho dos coordenadores respons\u00e1veis. no sentido de buscar alternativas para o acompanhamento do PRH Paraguai, foi realizada, em 18 de outubro de 2021, com a presen\u00e7a de cerca de 70 participantes, \u201cOficina para definir a estrat\u00e9gia de acompanhamento do Plano de Recursos H\u00eddricos da Regi\u00e3o Hidrogr\u00e1fica do Paraguai\u201d. Durante a Oficina, a coordenadora da CTPA ressaltou que <em>\u201c<u>o GT atual n\u00e3o foi eficaz no acompanhamento do Plano<\/u>\u201d <\/em>(grifo nosso). Assim, o GT Paraguai tamb\u00e9m foi extinto e os encaminhamentos da Oficina, conforme Ajuda Mem\u00f3ria, foram os seguintes:<\/p>\n\n\n\n<ul><li><em>\u201cANA e os \u00d3rg\u00e3os Gestores de Recursos H\u00eddricos do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul devem formalizar Grupo de Monitoramento que acompanhar\u00e1 o andamento da implementa\u00e7\u00e3o do PRH Paraguai (termo de coopera\u00e7\u00e3o, resolu\u00e7\u00e3o conjunta, ou outro instrumento que se mostre vi\u00e1vel);<\/em><\/li><li><em>o Grupo de Monitoramento dever\u00e1 enviar informes peri\u00f3dicos \u00e0 CTPA, seguindo o conte\u00fado m\u00ednimo definido pela C\u00e2mara T\u00e9cnica; e<\/em><\/li><li><em>a coordena\u00e7\u00e3o da CTPA deve convidar atores da bacia para as reuni\u00f5es que forem tratar do assunto do PRH Paraguai\u201d.<\/em><\/li><\/ul>\n\n\n\n<p><strong>IX.2 &#8211; ANA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Particularmente, os robustos resultados dos \u201cEstudos de avalia\u00e7\u00e3o dos efeitos da implanta\u00e7\u00e3o de empreendimentos hidrel\u00e9tricos na Regi\u00e3o Hidrogr\u00e1fica do Paraguai\u201d, amplamente reconhecidos pela equipe t\u00e9cnica que integrou o trabalho (83 pesquisadores, 33 estudantes de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, 42 estudantes de gradua\u00e7\u00e3o e 95 t\u00e9cnicos, perfazendo 253 pessoas de 23 institui\u00e7\u00f5es), pelos setores de pesca e turismo e pelas equipes t\u00e9cnicas da ANA e dos \u00f3rg\u00e3os gestores de recursos h\u00eddricos dos Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, foram praticamente relegados a um segundo plano pela Diretoria Colegiada da ANA &#8211; DIREC\/ANA.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de ter assinado contrato com a Funda\u00e7\u00e3o Eliseu Alves &#8211; FEA, em 21 de novembro de 2016, ao custo total de R$ 8.327.770,66, visando a apoiar a elabora\u00e7\u00e3o do PRH Paraguai, com vig\u00eancia de 42 meses, os \u201cEstudos de avalia\u00e7\u00e3o dos efeitos da implanta\u00e7\u00e3o de empreendimentos hidrel\u00e9tricos na RH Paraguai\u201d e, por consequ\u00eancia, a Nota T\u00e9cnica Conjunta n\u00b0 3\/2020\/SPR\/SRE, n\u00e3o foram aprovados pela DIREC\/ANA, sendo que as conclus\u00f5es e recomenda\u00e7\u00f5es, e, por consequ\u00eancia, as propostas de encaminhamento apresentadas na referida Nota T\u00e9cnica Conjunta, foram somente e simplesmente acolhidas pela DIREC\/ANA, com uma ressalva em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 recomenda\u00e7\u00e3o constante do item 6.1, conforme Of\u00edcio n\u00b0 81\/2020\/AA-CD\/ANA, de 26 de junho de 2020, ressalva essa que estranhamente trata de forma diferenciada a an\u00e1lise de pedidos de DRDH ou outorga j\u00e1 apresentados \u00e0 ANA da an\u00e1lise em casos de novos pedidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os resultados dos Estudos FEA\/ANA acoplados \u00e0 an\u00e1lise integrada dos efeitos da implanta\u00e7\u00e3o de aproveitamento hidrel\u00e9tricos &#8211; AHEs na RH Paraguai contida na Nota T\u00e9cnica Conjunta n\u00b0 3\/2020\/SPR\/SRE demostraram claramente que h\u00e1 importantes conflitos regionais e locais entre os usos preexistentes da \u00e1gua na RH Paraguai (pesca profissional artesanal, turismo de pesca e pesca difusa) e a implanta\u00e7\u00e3o de aproveitamentos hidrel\u00e9tricos.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo ciente desses resultados, a DIREC\/ANA, ao n\u00e3o exercer o seu papel regulat\u00f3rio no sentido da resolu\u00e7\u00e3o de conflitos pelo uso da \u00e1gua, optou meramente por encaminhar ao CNRH, com vistas a subsidiar eventual processo de atualiza\u00e7\u00e3o do Plano, o \u201cEstudo de avalia\u00e7\u00e3o dos efeitos da implanta\u00e7\u00e3o de empreendimentos hidrel\u00e9tricos na Regi\u00e3o Hidrogr\u00e1fica do Paraguai\u201d e para suporte \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o do Plano de Recursos H\u00eddricos da RH Paraguai, bem como a Nota T\u00e9cnica Conjunta n\u00b0 3\/2020\/SPR\/SRE.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa posi\u00e7\u00e3o contradit\u00f3ria, paradoxal mesmo, vai de encontro \u00e0 posi\u00e7\u00e3o adotada anteriormente pela pr\u00f3pria DIREC\/ANA, pois, tendo aprovado a Resolu\u00e7\u00e3o ANA n\u00b0 64\/2018 (revogada pela Resolu\u00e7\u00e3o ANA n\u00b0 43, de 28 de setembro de 2020), que sobrestou os processos referentes aos requerimentos de DRDHs e de Outorgas de direito de uso de recursos h\u00eddricos para novos aproveitamentos hidrel\u00e9tricos em rios de dom\u00ednio da Uni\u00e3o na RH Paraguai, at\u00e9 31 de maio de 2020, liberou, de maneira coerente, do sobrestamento processos de novos empreendimentos hidrel\u00e9tricos, a partir dos resultados parciais dos \u201cEstudos de avalia\u00e7\u00e3o dos efeitos da implanta\u00e7\u00e3o de empreendimentos hidrel\u00e9tricos na Regi\u00e3o Hidrogr\u00e1fica do Paraguai\u201d e de outras Notas T\u00e9cnicas Conjuntas da SPR e SRE, via Resolu\u00e7\u00f5es ANA n\u00bas 99\/2019, 2\/2020 e 23\/2020, situados em \u00e1reas n\u00e3o estrat\u00e9gicas e que n\u00e3o apresentavam impactos sobre o estoque pesqueiro, sendo que para as \u00e1reas que apresentavam conflito regional e\/ou local, conforme Nota T\u00e9cnica Conjunta n\u00b0 3\/2020\/SPR\/SRE, a DIREC\/ANA declinou em cumprir o seu mandato regulat\u00f3rio e ficou silente, encaminhando simplesmente o assunto ao CNRH com vistas a subsidiar eventual processo de atualiza\u00e7\u00e3o do PRH Paraguai.<\/p>\n\n\n\n<p>Ademais, outra proposta de encaminhamento contida na Nota T\u00e9cnica n\u00b0 3\/2020\/SPR\/SRE, at\u00e9 o momento n\u00e3o conduzida a contento, diz respeito \u00e0 necessidade de uma estreita articula\u00e7\u00e3o entre a ANA, a SEMA-MT e o IMASUL e as entidades federais respons\u00e1veis pela implementa\u00e7\u00e3o da Pol\u00edtica Energ\u00e9tica (Minist\u00e9rio de Minas e Energia &#8211; MME, Empresa de Pesquisa Energ\u00e9tica &#8211; EPE e Ag\u00eancia Nacional de Energia El\u00e9trica &#8211; ANEEL), para ci\u00eancia e avalia\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 necessidade de incorpora\u00e7\u00e3o dos resultados nos Estudos de Invent\u00e1rio Hidrel\u00e9trico da RH Paraguai e nos estudos que subsidiam os requerimentos de DRDH, em respeito \u00e0 determina\u00e7\u00e3o constitucional de conserva\u00e7\u00e3o do bioma Pantanal.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, a DIREC\/ANA, apesar do t\u00e9rmino dos \u201cEstudos de avalia\u00e7\u00e3o dos efeitos da implanta\u00e7\u00e3o de empreendimentos hidrel\u00e9tricos na Regi\u00e3o Hidrogr\u00e1fica do Paraguai\u201d e da edi\u00e7\u00e3o da Nota T\u00e9cnica Conjunta n\u00b0 3\/2020\/SPR\/SRE, n\u00e3o deu consequ\u00eancia \u00e0 sua Agenda Regulat\u00f3ria 2020\/2021 no que concerne ao tema Zoneamento da Regi\u00e3o Hidrogr\u00e1fica do Paraguai para fins de implanta\u00e7\u00e3o de aproveitamentos hidrel\u00e9tricos, ignorando, assim, os termos estabelecidos pelas Resolu\u00e7\u00f5es ANA n\u00b0 86\/2018 e n\u00b0 105\/2021.<\/p>\n\n\n\n<p>Cabe ressaltar que a Lei e Recursos H\u00eddricos (9433\/97) determina, em seu Cap\u00edtulo IV, Se\u00e7\u00e3o I, sobre os Planos de Recursos H\u00eddricos que:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Art. 7\u00ba Os Planos de Recursos H\u00eddricos s\u00e3o planos de longo prazo, com horizonte de planejamento compat\u00edvel com o per\u00edodo de implanta\u00e7\u00e3o de seus programas e projetos e ter\u00e3o o seguinte conte\u00fado m\u00ednimo:<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>&#8230;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>X &#8211; <a>propostas para a cria\u00e7\u00e3o de \u00e1reas sujeitas a restri\u00e7\u00e3o de uso, com vistas \u00e0 prote\u00e7\u00e3o dos recursos h\u00eddricos.<\/a><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Ainda, a mesma Lei determina como a\u00e7\u00f5es do poder p\u00fablico federal (Art.29\u00ba.) e estadual (art. 30\u00ba.): <em>promover a integra\u00e7\u00e3o da gest\u00e3o de recursos h\u00eddricos com a gest\u00e3o ambiental.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, entendemos que o tema conflito pelo uso de recursos h\u00eddricos n\u00e3o extrapola em hip\u00f3tese alguma as compet\u00eancias do SINGREH e dos \u00f3rg\u00e3os gestores com atua\u00e7\u00e3o na RH Paraguai, estando, muito pelo contr\u00e1rio, previsto na legisla\u00e7\u00e3o que criou o SINGREH (Lei 9433\/97 ????) com o objetivo, entre outros, de arbitrar conflitos relacionados com os recursos h\u00eddricos e planejar, regular e controlar o uso, a preserva\u00e7\u00e3o e a recupera\u00e7\u00e3o dos recursos h\u00eddricos, como no caso do conflito entre os usos preexistentes (pesca profissional-artesanal, turismo de pesca e pesca difusa) e a gera\u00e7\u00e3o hidrel\u00e9trica na RH Paraguai.<\/p>\n\n\n\n<p>Como salienta o ex-presidente da ANA, Jerson Kelman (Valor Econ\u00f4mico, 29 de dezembro de 2021), <em>\u201cas ag\u00eancias reguladoras foram concebidas para funcionar como entidades de Estado e n\u00e3o de Governo. &#8230; As diretorias colegiadas t\u00eam o dever de defender os interesses de longo prazo da popula\u00e7\u00e3o, n\u00e3o necessariamente coincidentes com os do governo de plant\u00e3o. Os diretores t\u00eam mandato para que possam exercer a independ\u00eancia decis\u00f3ria sem risco de demiss\u00e3o\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>IX.3 &#8211; Sistemas Estaduais de Gerenciamento de Recursos H\u00eddricos de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Estado de Mato Grosso se manifestou via Conselho Estadual de Recursos H\u00eddricos &#8211; CEHIDRO, Resolu\u00e7\u00e3o n\u00b0 113, de 09 de maio de 2019, a saber:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cConsiderando o Of\u00edcio n\u00b0 13\/2018\/AP-MC-ANA solicitando que a SEMA formalize atrav\u00e9s de seus instrumentos regulat\u00f3rios esta diretriz do PRH Paraguai de forma similar ao feito atrav\u00e9s da Resolu\u00e7\u00e3o ANA n\u00b0 64\/2018;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Considerando o Parecer n\u00b0 53\/SUBPGMA\/2018, que remete ao Conselho Estadual de Recursos H\u00eddricos, a atribui\u00e7\u00e3o de editar Resolu\u00e7\u00e3o tratando de marco regulat\u00f3rio para an\u00e1lise de requerimentos de Declara\u00e7\u00f5es de Reserva de Disponibilidade H\u00eddrica e de outorgas de direito de uso de recursos h\u00eddricos em rios de dom\u00ednio do Estado de Mato Grosso na Regi\u00e3o Hidrogr\u00e1fica do Paraguai, eis que possui fun\u00e7\u00f5es normativas, deliberativas e consultivas pertinentes \u00e0 formula\u00e7\u00e3o, implanta\u00e7\u00e3o e acompanhamento da Pol\u00edtica Estadual de Recursos H\u00eddricos;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Considerando a realiza\u00e7\u00e3o da 79\u00aa Reuni\u00e3o ordin\u00e1ria do Conselho Estadual de Recursos H\u00eddricos, ocorrida em 09 de maio de 2019:<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>RESOLVE<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Art. 1\u00b0 Rejeitar, por maioria, a proposta de Resolu\u00e7\u00e3o que sobrestava a an\u00e1lise de requerimentos de Declara\u00e7\u00f5es de Reserva de Disponibilidade H\u00eddrica e de Outorgas de direito de uso de recursos h\u00eddricos em rios de dom\u00ednio do Estado de Mato Grosso na Regi\u00e3o Hidrogr\u00e1fica do Paraguai para aproveitamentos hidrel\u00e9tricos.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Art. 2\u00b0 Esta Resolu\u00e7\u00e3o entra em vigor na data de sua publica\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>MAURREN LAZARETTI<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Secret\u00e1ria de Estado de Meio Ambiente<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Presidente do Conselho Estadual de Recursos H\u00eddricos\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Importante salientar que, apesar de ter acompanhado, participado e aprovado o PRH Paraguai, a SEMA-MT declinou de emitir ju\u00edzo de valor sobre essa importante diretriz do PRH Paraguai que estabeleceu que os pedidos de Declara\u00e7\u00e3o de Reserva de Disponibilidade H\u00eddrica (DRDH) ou Outorgas para novos aproveitamentos hidrel\u00e9tricos na RH Paraguai devem aguardar os resultados desses estudos para a conclus\u00e3o de suas an\u00e1lises, de forma a poder incorporar seus resultados. Assim que conclu\u00eddos relat\u00f3rios parciais para bacias espec\u00edficas, seus resultados j\u00e1 devem ser incorporados aos pedidos de outorga e DRDH em an\u00e1lise (grifo nosso), remetendo ao CEHIDRO\/MT tal atribui\u00e7\u00e3o, o qual se manifestou, por maioria, contrariamente \u00e0 referida diretriz.<\/p>\n\n\n\n<p>Aparentemente, salvo melhor ju\u00edzo, interessante notar que para todas as outras solicita\u00e7\u00f5es de DRDHs no \u00e2mbito estadual, a SEMA-MT sempre emitiu a sua avalia\u00e7\u00e3o, omitindo-se unicamente no presente caso.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda, considerando que a Lei n\u00ba 9.433\/1997 estabelece em seus fundamentos que a bacia hidrogr\u00e1fica \u00e9 a unidade territorial para o planejamento e gest\u00e3o, no caso, para a implementa\u00e7\u00e3o da Pol\u00edtica Nacional de Recursos H\u00eddricos e atua\u00e7\u00e3o do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos H\u00eddricos, o PRH Paraguai, ap\u00f3s a sua aprova\u00e7\u00e3o, deveria ser considerado como o instrumento orientador da gest\u00e3o de recursos h\u00eddricos na RH Paraguai, o que n\u00e3o foi respeitado pelo pr\u00f3prio \u00f3rg\u00e3o colegiado de Mato Grosso &#8211; CEHIDRO.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, o Sistema Estadual de Recursos H\u00eddricos do Mato Grosso do Sul (IMASUL e CERH-MS) n\u00e3o se posicionou, deixando de exercer assim sua atribui\u00e7\u00e3o sobre t\u00e3o relevante assunto, o que no nosso ponto de vista \u00e9 bastante preocupante.<\/p>\n\n\n\n<p>Por oportuno, importante destacar a exist\u00eancia de 07 Comit\u00eas de Bacia com atua\u00e7\u00e3o na RH Paraguai (Mato Grosso: Comit\u00eas dos rios Sepotuba, Caba\u00e7al, S\u00e3o Louren\u00e7o, Jauru, Margem Esquerda do Rio Cuiab\u00e1 e Alto Paraguai Superior; e Mato Grosso do Sul: Comit\u00ea do rio Miranda) que deveriam, obrigatoriamente, ser consultados e envolvidos em todas as etapas, anteriores e posteriores, do processo de constru\u00e7\u00e3o e implementa\u00e7\u00e3o do PRH Paraguai, exercendo assim suas atribui\u00e7\u00f5es previstas na legisla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>X &#8211; MINIST\u00c9RIO P\u00daBLICO E PODER JUDICI\u00c1RIO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na aus\u00eancia de decis\u00e3o sobre o assunto por parte das institui\u00e7\u00f5es do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos H\u00eddricos, e dos Sistemas Estaduais de Gerenciamento de Recursos H\u00eddricos inclusive, foi aberto pelo Poder Judici\u00e1rio, Vara Especializada do Meio Ambiente, Estado de Mato Grosso, o Processo n\u00b0 1010861-87.2021.8.11.0041, tendo como requerente o Minist\u00e9rio P\u00fablico do Estado de Mato Grosso e o requerido o Estado de Mato Grosso, a saber:<\/p>\n\n\n\n<ul><li><em>\u201cCuida-se de A\u00e7\u00e3o Civil P\u00fablica proposta pelo <strong>MINIST\u00c9RIO P\u00daBLICO DO ESTADO DE MATO GROSSO<\/strong> em desfavor do <strong>ESTADO DE MATO GROSSO<\/strong>, pretendendo a concess\u00e3o de tutela provis\u00f3ria de urg\u00eancia, de natureza antecipada, consubstanciada em ordem para que a parte requerida cumpra obriga\u00e7\u00e3o assinalada em tratados internacionais e dispositivos legais, consistente: &#8230; (03) A suspens\u00e3o da an\u00e1lise\/aprova\u00e7\u00e3o de processos de licenciamento ambiental e da emiss\u00e3o de outorgas referentes a novos aproveitamentos hidrel\u00e9tricos de qualquer porte (PCH\/UHE), notadamente daqueles que ainda n\u00e3o est\u00e3o em opera\u00e7\u00e3o comercial, em toda a bacia do Rio Cuiab\u00e1, at\u00e9 que se estabele\u00e7a estudo detalhado junto \u00e0 ANA (Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas) sobre o tema, aplicando o princ\u00edpio da preven\u00e7\u00e3o\u201d;<\/em><\/li><li><em>\u201cDiante do exposto, e considerando a fundamenta\u00e7\u00e3o supra: <strong>2.1.<\/strong> <strong>DEFIRO PARCIALMENTE<\/strong> o pedido de tutela provis\u00f3ria de urg\u00eancia formulado pelo <strong>MINIST\u00c9RIO P\u00daBLICO DO ESTADO DE MATO GROSSO<\/strong>, por conseguinte: &#8230; <strong>2.1.4.<\/strong> <strong>DETERMINO ainda que o ESTADO DE MATO GROSSO suspenda<\/strong> imediatamente a an\u00e1lise\/aprova\u00e7\u00e3o de processos de licenciamento ambiental e da emiss\u00e3o de outorgas referentes a novos aproveitamentos hidrel\u00e9tricos de qualquer porte (PCH\/UHE), notadamente daqueles que ainda n\u00e3o est\u00e3o em opera\u00e7\u00e3o comercial, em toda a bacia do Rio Cuiab\u00e1, at\u00e9 que se estabele\u00e7a estudo detalhado junto \u00e0 ANA (Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas) sobre o tema. <strong>2.1.5. FIXO multa de R$ 150.000,00 (cento e cinquenta mil reais)<\/strong> por dia de descumprimento da presente ordem judicial. <strong>2.2. INTIMEM-SE<\/strong> as partes a respeito da presente decis\u00e3o. Ap\u00f3s, remetam-se os autos ao CEJUSC Ambiental para os fins determinados no Id. 57422799. <strong>2.3. CUMPRA-SE<\/strong>, com urg\u00eancia, expedindo-se o necess\u00e1rio. Cuiab\u00e1-MT, data registrada no sistema. (assinado digitalmente) <strong>Rodrigo Roberto Curvo Juiz de Direito<\/strong>.\u201d<\/em><\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>Na sequ\u00eancia, ainda no \u00e2mbito do Processo n\u00b0 1010861-87.2021.8.11.0041, em 27 de outubro de 2021, foi realizada audi\u00eancia por videoconfer\u00eancia promovida pelo Poder Judici\u00e1rio do Estado de Mato Grosso (N\u00facleo Permanente de M\u00e9todos Consensuais de Conflitos, Centro Judici\u00e1rio de Solu\u00e7\u00e3o de Conflitos e Cidadania Ambiental de Cuiab\u00e1) intitulada TERMO DE SESS\u00c3O DE CONCILIA\u00c7\u00c3O, conduzida pela Mediadora Judicial Jaqueline Bag\u00e3o Schoffen, que contou com a presen\u00e7a do requerente (Minist\u00e9rio P\u00fablico do Estado de Mato Grosso, Dr. Daniel Balan Zappia &#8211; Promotor de Justi\u00e7a), do requerido (Procurador do Estado de Mato Grosso Dr. Ticiano Massuda), da empresa Maturati Participa\u00e7\u00f5es S\/A (Dr. Humberto da Silva Maizman &#8211; Advogado e Jos\u00e9 Augusto Machado &#8211; Engenheiro Civil), empresa interessada na obten\u00e7\u00e3o das Declara\u00e7\u00f5es de Reserva de Disponibilidade H\u00eddrica &#8211; DRDHs (DRDHs a serem emitidas em favor da ANEEL), para as 06 PCHs no rio Cuiab\u00e1 (Perud\u00e1, Angatu I, Angatu II, Iratamb\u00e9 I, Iratamb\u00e9 II e Guapira II), Luciano Joia da Silva (Secretaria de Estado de Assist\u00eancia Social e Cidadania de Mato Grosso &#8211; SETASC-MT), Zenildo Pinto de Castro Filho (Secretaria de Estado de Infraestrutura e Log\u00edstica de Mato Grosso &#8211; SINFRA-MT) e Alex Marega (Secret\u00e1rio Adjunto da Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso &#8211; SEMA-MT).<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme o Termo da Sess\u00e3o de Concilia\u00e7\u00e3o, <em>\u201cno curso da sess\u00e3o foi dada a palavra aos t\u00e9cnicos indicados por cada uma das partes, os quais discorreram e trouxeram informa\u00e7\u00f5es sobre o objeto da demanda, em especial sobre as quest\u00f5es envolvendo a instala\u00e7\u00e3o de PCHs.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Ademais, est\u00e1 acostado ao Termo da Sess\u00e3o de Concilia\u00e7\u00e3o Correspond\u00eancia endere\u00e7ada \u00e0 Procuradoria Geral do Estado de Mato Grosso, Subprocuradoria de Defesa do Meio Ambiente, ao Senhor Procurador Dr. Ticiano Juliano Massuda, que trata de resposta \u00e0 solicita\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Estado de Mato Grosso, realizada pelo Sr. Promotor de Justi\u00e7a, Dr. Daniel Balan Zappia, que solicita esclarecimentos <em>\u201cse \u00e9 ou n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel sobre o influxo do PRH Paraguai (11\/2020), a emiss\u00e3o de licenciamento de novos aproveitamentos hidrel\u00e9tricos de qualquer porte (PCH\/UHE), notadamente daqueles que ainda n\u00e3o est\u00e3o em opera\u00e7\u00e3o comercial em toda a bacia do rio Cuiab\u00e1, objeto da a\u00e7\u00e3o.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Em seu \u00faltimo par\u00e1grafo, a Correspond\u00eancia destaca:<em> \u201cNesse sentido, a SEMA em conformidade com o estudo <strong>n\u00e3o vislumbra<\/strong> a possibilidade de aprovar empreendimentos que promovam a interrup\u00e7\u00e3o dos processos migrat\u00f3rios dos peixes, em detrimento a prote\u00e7\u00e3o do meio ambiente, seja ele na bacia do rio Cuiab\u00e1, ou em outros rios da bacia do Alto Paraguai que estejam localizados na ZONA VERMELHA, conforme classifica\u00e7\u00e3o dos estudos.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>XI &#8211; ESCOPO DO CONTE\u00daDO NORMATIVO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Passados quase 04 anos de sua aprova\u00e7\u00e3o pela Resolu\u00e7\u00e3o CNRH n\u00b0 196, de 08 de mar\u00e7o de 2018, fica evidente a necessidade de atualiza\u00e7\u00e3o do PRH Paraguai, de forma a cumprir seus ciclos de implementa\u00e7\u00e3o, tendo como objetivos que se pretende atingir via edi\u00e7\u00e3o de nova Resolu\u00e7\u00e3o do CNRH, denominada \u201cAprova a atualiza\u00e7\u00e3o do Plano de Recursos H\u00eddricos da Regi\u00e3o Hidrogr\u00e1fica do Paraguai e d\u00e1 outras provid\u00eancias\u201d, o escopo a seguir relacionado:<\/p>\n\n\n\n<ul><li>os resultados do \u201cEstudos de avalia\u00e7\u00e3o da implanta\u00e7\u00e3o de empreendimentos hidrel\u00e9tricos na Regi\u00e3o Hidrogr\u00e1fica do Paraguai\u201d;<\/li><li>os resultados da Nota T\u00e9cnica Conjunta n\u00b0 3\/2020\/SPR\/SRE referentes \u00e0 \u201cAn\u00e1lise integrada dos efeitos da implanta\u00e7\u00e3o de AHEs na RH Paraguai;<\/li><li>a avalia\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es de curto prazo (2018-2021) estabelecidas no Plano de A\u00e7\u00f5es at\u00e9 o momento n\u00e3o executadas;<\/li><li>a necessidade de elabora\u00e7\u00e3o do detalhamento do Plano de A\u00e7\u00f5es para as diferentes Unidades de Planejamento e Gest\u00e3o &#8211; UPGs da RH Paraguai em fun\u00e7\u00e3o de suas especificidades;<\/li><li>o desenvolvimento de estudos sobre o enquadramento de corpos h\u00eddricos;<\/li><li>as perspectivas do Projeto GEF Paraguai via ANA;<\/li><li>a considera\u00e7\u00e3o de eventuais novos elementos abordados durante as reuni\u00f5es das Salas de Crise e Acompanhamento do Pantanal;<\/li><li>a exist\u00eancia de 07 Comit\u00eas de Bacia Hidrogr\u00e1fica na RH Paraguai (Mato Grosso: Comit\u00eas Sepotuba, Caba\u00e7al, S\u00e3o Louren\u00e7o, Jauru, Margem Esquerda do Rio Cuiab\u00e1 e Alto Paraguai Superior; e Mato Grosso do Sul: Comit\u00ea Miranda) de forma que haja integra\u00e7\u00e3o, apropria\u00e7\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o pelos Comit\u00eas do PRH Paraguai;<\/li><li>a necessidade de instala\u00e7\u00e3o do CBH RH Paraguai de forma integrada e coordenada aos demais Comit\u00eas existentes, visto sua ineg\u00e1vel relev\u00e2ncia;<\/li><li>a necessidade dos Conselhos Estaduais de Recursos H\u00eddricos de Mato Grosso (CEHIDRO) e Mato Grosso do Sul (CERH) tamb\u00e9m aprovarem o PRH Paraguai, al\u00e9m do relevante papel exercido pelo Conselho Estadual de Pesca de Mato Grosso &#8211; CEPESCA.<\/li><li>A necessidade da Agenda Regulat\u00f3ria da ANA em 2022 ora em elabora\u00e7\u00e3o , contemple o Zoneamento e demais vari\u00e1veis que interfere na gest\u00e3o dos recursos h\u00eddricos. &nbsp;&nbsp;<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>Por oportuno, a atualiza\u00e7\u00e3o do PRH Paraguai est\u00e1 prevista na Resolu\u00e7\u00e3o CNRH n\u00b0 196\/2018, a saber: <em>\u201cArt 2\u00b0 par\u00e1grafo 2\u00b0 O GAP poder\u00e1 submeter ao CNRH atualiza\u00e7\u00e3o do PRH Paraguai \u00e0 luz de novas demandas e conhecimentos advindos do processo de implementa\u00e7\u00e3o, sem preju\u00edzo das demandas origin\u00e1rias das inst\u00e2ncias do pr\u00f3prio CNRH\u201d<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>O processo de atualiza\u00e7\u00e3o do PRH Paraguai deve, por \u00f3bvio, ser capitaneado pelo novo arranjo institucional estabelecido durante a \u201cOficina para definir a estrat\u00e9gia de acompanhamento do Plano de Recursos H\u00eddricos da Regi\u00e3o Hidrogr\u00e1fica do Paraguai\u201d da CTPA\/CNRH, arranjo este doravante sob a atribui\u00e7\u00e3o da ANA e dos \u00d3rg\u00e3os Gestores de Recursos H\u00eddricos de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, os quais devem formalizar Grupo de Monitoramento que acompanhar\u00e1 o andamento da implementa\u00e7\u00e3o do PRH Paraguai (termo de coopera\u00e7\u00e3o, resolu\u00e7\u00e3o conjunta, ou outro instrumento que se mostre vi\u00e1vel).<\/p>\n\n\n\n<p>Sob a condu\u00e7\u00e3o e metodologia estabelecidas pelo Grupo de Monitoramento (ANA, SEMA-MT e IMASUL-MS), tal processo de atualiza\u00e7\u00e3o deve ocorrer em conson\u00e2ncia com a Resolu\u00e7\u00e3o CNRH n\u00ba 145, de 12 de dezembro de 2012, que estabelece diretrizes para a elabora\u00e7\u00e3o de Planos de Recursos H\u00eddricos de Bacias Hidrogr\u00e1ficas e d\u00e1 outras providencias, com destaque para as seguintes disposi\u00e7\u00f5es:<\/p>\n\n\n\n<ul><li>\u201c<em>Art 6 \u00ba \u00a7 1\u00ba A participa\u00e7\u00e3o da sociedade em cada etapa de elabora\u00e7\u00e3o dar-se-\u00e1 por meio de consultas p\u00fablicas, encontros t\u00e9cnicos, oficinas de trabalho ou por quaisquer outros meios de comunica\u00e7\u00e3o, inclusive virtuais, que possibilitem a discuss\u00e3o das alternativas de solu\u00e7\u00e3o dos problemas, fortalecendo a intera\u00e7\u00e3o entre a equipe t\u00e9cnica, usu\u00e1rios de \u00e1gua, \u00f3rg\u00e3os de governo e sociedade civil, de forma a contribuir com o Plano de Recursos H\u00eddricos;<\/em><\/li><li><em>\u00a7 2\u00ba Estrat\u00e9gias de Educa\u00e7\u00e3o Ambiental, Comunica\u00e7\u00e3o e Mobiliza\u00e7\u00e3o Social ser\u00e3o tamb\u00e9m empregadas nas etapas respectivas, de forma a contribuir com o Plano de Recursos H\u00eddricos\u201d.<\/em><\/li><\/ul>\n\n\n\n<p><strong>XII &#8211; IMPACTOS E CONSEQU\u00caNCIAS ESPERADOS E SETORES AFETADOS PELA APROVA\u00c7\u00c3O DA MAT\u00c9RIA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Tanto os \u201cEstudos de avalia\u00e7\u00e3o dos efeitos da implanta\u00e7\u00e3o de empreendimentos hidrel\u00e9tricos na RH Paraguai\u201d desenvolvidos pela FEA\/ANA, quanto a Nota T\u00e9cnica Conjunta n\u00b0 3\/2020\/SPR\/SRE \u201cEstudos de avalia\u00e7\u00e3o dos efeitos da implanta\u00e7\u00e3o de empreendimentos hidrel\u00e9tricos na RH Paraguai\u201d (Nota T\u00e9cnica integrante deste Of\u00edcio), j\u00e1 apresentaram os impactos positivos e negativos da implanta\u00e7\u00e3o de empreendimentos hidrel\u00e9tricos na RH Paraguai, incluindo a classifica\u00e7\u00e3o dos aproveitamentos hidrel\u00e9tricos em \u00e1reas n\u00e3o estrat\u00e9gicas e em \u00e1reas com conflito regional e\/ou local, seja em rios de dom\u00ednio da Uni\u00e3o, seja em rios de dom\u00ednio dos Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir da considera\u00e7\u00e3o dos fundamentos, objetivos e diretrizes gerais de a\u00e7\u00e3o da Pol\u00edtica Nacional de Recursos H\u00eddricos, a atualiza\u00e7\u00e3o do PRH Paraguai, considerando seus ciclos de implementa\u00e7\u00e3o, certamente trar\u00e1 impactos e consequ\u00eancias extremamente relevantes e positivas e propiciar\u00e1 a tomada de decis\u00f5es rumo \u00e0 sustentabilidade h\u00eddrica da RH Paraguai sob uma vis\u00e3o integrada dos seus recursos h\u00eddricos, fortalecendo a atua\u00e7\u00e3o cont\u00ednua e articulada dos diversos atores envolvidos, permitindo-lhes gerir os recursos h\u00eddricos de forma efetiva, garantindo o seu uso m\u00faltiplo, racional e sustent\u00e1vel, em benef\u00edcio das gera\u00e7\u00f5es presentes e futuras.<\/p>\n\n\n\n<p>A aprova\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria tamb\u00e9m promover\u00e1 a integra\u00e7\u00e3o dos instrumentos de gest\u00e3o de recursos h\u00eddricos na RH Paraguai, notadamente via a elabora\u00e7\u00e3o do Plano Integrado de Recursos H\u00eddricos &#8211; PIRH e o detalhamento dos Planos de A\u00e7\u00f5es de Recursos H\u00eddricos para cada Unidade de Planejamento e Gest\u00e3o da Regi\u00e3o Hidrogr\u00e1fica Paraguai &#8211; PARHs.<\/p>\n\n\n\n<p>A atualiza\u00e7\u00e3o do PRH Paraguai proporcionar\u00e1, ainda, a cria\u00e7\u00e3o e a instala\u00e7\u00e3o do Comit\u00ea da RH Paraguai de forma articulada, integrada e coordenada com os 07 Comit\u00eas de Bacia hoje existentes na regi\u00e3o e com os demais atores da gest\u00e3o de recursos h\u00eddricos (empreendedores p\u00fablicos e privados, federa\u00e7\u00f5es de pescadores profissionais e aquicultores, setor energ\u00e9tico, col\u00f4nias de pescadores, associa\u00e7\u00f5es de empresas regionais de turismo, prestadores de servi\u00e7os p\u00fablicos de saneamento, prefeituras municipais, , povos e comunidades tradicionais, popula\u00e7\u00e3o que pratica a pesca difusa e setor agropecu\u00e1rio, entre outros setores, al\u00e9m da sociedade em geral).<\/p>\n\n\n\n<p>Em suma, a aprova\u00e7\u00e3o da Resolu\u00e7\u00e3o CNRH &nbsp;aqui proposta fortalecer\u00e1 sobremaneira a intera\u00e7\u00e3o participativa entre os diversos atores, p\u00fablicos e privados, de modo a conferir sustentabilidade e perman\u00eancia \u00e0 gest\u00e3o de recursos h\u00eddricos, aportando um controle mais efetivo e consistente sobre as rela\u00e7\u00f5es entre causas e efeitos dos impactos ambientais e mau uso dos recursos, oportunizando a defini\u00e7\u00e3o de objetivos e metas associadas a vari\u00e1veis e indicadores de resultados para o conjunto da RH Paraguai.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>XIII &#8211; PROPOSTA DE RESOLU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Com base em todos os elementos do presente of\u00edcio, apresentamos a proposta de Resolu\u00e7\u00e3o do CNRH:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>RESOLU\u00c7\u00c2O CONSELHO NACIONAL DE RECURSOS H\u00cdDRICOS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;<em>Aprova a atualiza\u00e7\u00e3o e revis\u00e3o do Plano de Recursos H\u00eddricos da Regi\u00e3o Hidrogr\u00e1fica do Paraguai e d\u00e1 outras provid\u00eancias<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O <strong>CONSELHO NACIONAL DE RECURSOS H\u00cdDRICOS-CNRH<\/strong>, no uso das compet\u00eancias que lhe s\u00e3o conferidas pelas Leis nos 9.433, de 8 de janeiro de 1997, e 9.984, de 17 de julho de 2000, e tendo em vista o disposto em seu Regimento Interno, anexo \u00e0 Portaria MMA no 437, de 8 de novembro de 2013;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Considerando o Art. 225 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988 que determina o Pantanal Mato-Grossense como Patrim\u00f4nio Nacional com obrigatoriedade de que sua utiliza\u00e7\u00e3o far-se-\u00e1, na forma da lei, dentro de condi\u00e7\u00f5es que assegurem a preserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Considerando as recomenda\u00e7\u00f5es do Comit\u00ea Nacional de Zonas \u00damidas pertinentes \u00e0 Regi\u00e3o do PRH Paraguai, em especial a Recomenda\u00e7\u00e3o CNZU no.10\/2018, reafirmada na reuni\u00e3o de 02 de fevereiro de 2022;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Considerando que o Plano Nacional de Recursos H\u00eddricos \u2013 PNRH 2006-2020, aprovado pela Resolu\u00e7\u00e3o CNRH n\u00b0 58\/2006, estabeleceu em seu Componente Desenvolvimento da Gest\u00e3o Integrada dos Recursos H\u00eddricos &#8211; GIRH o Programa III (Desenvolvimento e Implementa\u00e7\u00e3o dos Instrumentos de Gest\u00e3o de Recursos H\u00eddricos), o qual, por sua vez, definiu dentre os seus subprogramas o Subprograma Planos de Recursos H\u00eddricos e Enquadramento dos Corpos d\u2019\u00c1gua em Classes de Uso. Ademais, o Componente de Programas Regionais de Recursos H\u00eddricos contemplou o Programa XI (Conserva\u00e7\u00e3o de \u00c1guas no Pantanal, em Especial suas \u00c1reas \u00damidas), sendo que a Resolu\u00e7\u00e3o CNRH n\u00b0 99\/2009 aprovou o detalhamento dos Programas VIII, X, XI e XII do PNRH;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Considerando o Plano de Recursos H\u00eddricos da Regi\u00e3o Hidrogr\u00e1fica do Paraguai (PRH Paraguai) foi aprovado por meio da Resolu\u00e7\u00e3o CNRH No. 196, de 08 de mar\u00e7o de 2018, tendo como objetivo principal a \u201cGest\u00e3o de recursos h\u00eddricos no Pantanal e a elabora\u00e7\u00e3o do Plano de Bacia Hidrogr\u00e1fica do Rio Paraguai\u201d;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Considerando a proposta de instala\u00e7\u00e3o de mais 133 empreendimentos hidrel\u00e9tricos, al\u00e9m dos 47 j\u00e1 em opera\u00e7\u00e3o, promovendo a fragmenta\u00e7\u00e3o dos rios na Regi\u00e3o Hidrogr\u00e1fica do Paraguai;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Considerando o uso e ocupa\u00e7\u00e3o do solo nas regi\u00f5es de planalto e seu impacto, em especial, sobre o Pantanal;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Considerando o Plano de A\u00e7\u00f5es do PRH Paraguai, em especial o Componente C5 &#8211; Programa para a Avalia\u00e7\u00e3o dos Efeitos da Implanta\u00e7\u00e3o de Empreendimentos Hidrel\u00e9tricos na RH Paraguai;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Considerando o contrato ANA\/Funda\u00e7\u00e3o Eliseu Alves e os estudos cient\u00edficos resultantes, para embasar a tomada de decis\u00e3o frente ao planejamento de novos empreendimentos hidrel\u00e9tricos na RH Paraguai;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Considerando a Nota T\u00e9cnica Conjunta n\u00ba 3\/2020\/SPR\/SER, que tratou da An\u00e1lise integrada dos efeitos da implanta\u00e7\u00e3o de aproveitamento hidrel\u00e9tricos &#8211; AHEs na RH Paraguai, que apresenta o zoneamento de AHEs pass\u00edveis e n\u00e3o pass\u00edveis de serem outorgados;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Considerando que na Agenda Regulat\u00f3ria ANA (2020 \u2013 2021) Resolu\u00e7\u00e3o ANA N\u00ba 105, DE 18 de outubro de 2021\/Documento n\u00ba 02500.048036\/2021-00, h\u00e1 previs\u00e3o de estabelecimento do Zoneamento da Regi\u00e3o Hidrogr\u00e1fica do Paraguai para fins de implanta\u00e7\u00e3o de aproveitamentos hidrel\u00e9tricos.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Considerando que o CNRH \u00e9 o \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel pela decis\u00e3o da elabora\u00e7\u00e3o de Planos de Bacias Hidrogr\u00e1ficas conforme os termos do artigo 5\u00ba da Resolu\u00e7\u00e3o CNRH n\u00ba 145, de 2012, resolve:<\/p>\n\n\n\n<p>Art.1\u00ba Os resultados dos \u201cEstudos de avalia\u00e7\u00e3o dos efeitos da implanta\u00e7\u00e3o de empreendimentos hidrel\u00e9tricos na Regi\u00e3o Hidrogr\u00e1fica do Paraguai\u201d e da <a>Nota T\u00e9cnica Conjunta n\u00b0 3 SPR\/SRE\/2020 \u201cAn\u00e1lise integrada dos efeitos da implanta\u00e7\u00e3o de aproveitamento hidrel\u00e9tricos &#8211; AHEs na RH-Paraguai\u201d <\/a>ser\u00e3o adotados pelos \u00f3rg\u00e3os gestores de recursos h\u00eddricos federal e estaduais, sendo ainda amplamente divulgados para a sociedade, a contar da data de publica\u00e7\u00e3o desta Resolu\u00e7\u00e3o;<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 2\u00ba O mapa s\u00edntese resultante dos estudos cient\u00edficos sistematizados na Nota T\u00e9cnica Conjunta n\u00b0 3 SPR\/SRE\/2020<a href=\"#_ftn1\">[1]<\/a> \u201cAn\u00e1lise integrada dos efeitos da implanta\u00e7\u00e3o de aproveitamento hidrel\u00e9tricos &#8211; AHEs na RH Paraguai\u201d ser\u00e1 considerado como zoneamento das \u00e1reas sujeitas a restri\u00e7\u00e3o de uso para aproveitamento hidrel\u00e9trico, com vistas \u00e0 prote\u00e7\u00e3o dos recursos h\u00eddricos, atendendo ao conte\u00fado m\u00ednimo exigido para um Plano de Recursos H\u00eddricos, como tomada de decis\u00e3o para solucionar os conflitos entre os usos preexistentes (pesca profissional-artesanal, turismo de pesca e pesca difusa) e a gera\u00e7\u00e3o hidrel\u00e9trica, como \u00e1reas estrat\u00e9gicas (VERMELHO &#8211; com conflito regional ou local com o uso preexistente da \u00e1gua) e n\u00e3o estrat\u00e9gicas (VERDE &#8211; ou sem impacto significativo sobre os estoques pesqueiros), bem como das sem defini\u00e7\u00e3o (CINZA &#8211; \u00e1reas que necessitam de mais estudos para serem classificadas), que resultou no zoneamento para a RH Paraguai (Figura 28 \u2013 abaixo e sintetizado na tabela 12, da referida Nota T\u00e9cnica);.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 3\u00b0 O Plano de Recursos H\u00eddricos da regi\u00e3o hidrogr\u00e1fica do Paraguai \u2013 PRH dever\u00e1 ser revisto e atualizado considerando o segundo ciclo de implementa\u00e7\u00e3o 2023 \u2013 2026:<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 1\u00b0 <a>Na revis\u00e3o do PRH Paraguai <\/a>dever\u00e3o ser avaliadas e consideradas as a\u00e7\u00f5es de curto, m\u00e9dio e longo prazos, constantes do Plano de A\u00e7\u00f5es atual e o seu grau de implementa\u00e7\u00e3o no primeiro ciclo (2018 \u2013 2022), al\u00e9m da considera\u00e7\u00e3o e articula\u00e7\u00e3o com iniciativas e projetos, ora em curso na RH Paraguai relacionados a recursos h\u00eddricos, especificamente o projeto GEF Paraguai;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 2\u00ba A revis\u00e3o e atualiza\u00e7\u00e3o do PRH Paraguai ser\u00e1 constitu\u00edda pelo Plano Integrado de Recursos H\u00eddricos da Regi\u00e3o Hidrogr\u00e1fica Paraguai &#8211; PIRH e pelo Plano de A\u00e7\u00f5es de Recursos H\u00eddricos para cada Unidade de Planejamento e Gest\u00e3o da Regi\u00e3o Hidrogr\u00e1fica Paraguai \u2013 PARHs, considerando suas especificidades e de forma coerente e integrada ao PIRH Paraguai;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 3\u00ba Na revis\u00e3o do PRH Paraguai dever\u00e3o ser realizados os estudos complementares nas \u00e1reas sem defini\u00e7\u00e3o (CINZA &#8211; \u00e1reas que necessitam de mais estudos para serem classificadas \u2013 figura acima) com rela\u00e7\u00e3o aos conflitos regional ou local com os usos preexistentes da \u00e1gua, visando complementar o zoneamento das \u00e1reas sujeitas a restri\u00e7\u00e3o de uso para aproveitamento hidrel\u00e9trico na RH Paraguai;<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 3\u00b0 Todas as provid\u00eancias necess\u00e1rias \u00e0 atualiza\u00e7\u00e3o do PRH Paraguai ser\u00e3o conduzidas pelo Grupo de Monitoramento constitu\u00eddo pela ANA, IMASUL-MS e SEMA-MT;<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 4\u00b0 Os Comit\u00eas de Bacias existentes na Regi\u00e3o Hidrogr\u00e1fica Paraguai dever\u00e3o acompanhar e participar da atualiza\u00e7\u00e3o e revis\u00e3o do PIRH Paraguai e aprovar os respectivos PARHs;<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 5\u00b0 O Grupo de Monitoramento dever\u00e1 empreender a\u00e7\u00f5es a curto prazo no sentido de criar e instalar o Comit\u00ea da Regi\u00e3o Hidrogr\u00e1fica do Paraguai de forma integrada e coordenada aos Comit\u00eas de Bacia existentes, a contar da data de publica\u00e7\u00e3o desta Resolu\u00e7\u00e3o;<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 6\u00b0 A atualiza\u00e7\u00e3o e revis\u00f5es do PIRH Paraguai dever\u00e3o ser aprovadas pelo Conselho Nacional de Recursos H\u00eddricos e pelos Conselhos Estaduais de Recursos H\u00eddricos de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, enquanto o Comit\u00ea da Regi\u00e3o Hidrogr\u00e1fica do Paraguai n\u00e3o tiver sido instalado.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 18\u00ba Esta Resolu\u00e7\u00e3o entra em vigor na data de sua publica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Presidente do Conselho &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Secret\u00e1rio Executivo<\/p>\n\n\n\n<p><strong>XIV &#8211; CONCLUS\u00c3O<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No nosso entendimento, visto que o presente of\u00edcio apresentou todos os elementos constantes da Resolu\u00e7\u00e3o CNRH n\u00b0 215, de 30 de junho de 2020, vimos solicitar desse CNRH provid\u00eancias c\u00e9leres e encaminhamentos pertinentes ao assunto.<\/p>\n\n\n\n<p>Atenciosamente,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>Jo\u00e3o Cl\u00edmaco Soares de Mendon\u00e7a Filho<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>Membro 1\u00b0 Suplente do CNRH<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>F\u00f3rum Nacional da Sociedade Civil nos Comit\u00eas de Bacias Hidrogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>FONASC CBH<\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\">[1]<\/a> https:\/\/www.gov.br\/ana\/pt-br\/assuntos\/gestao-das-aguas\/planos-e-estudos-sobre-rec-hidricos\/plano-de-recursos-hidricos-rio-paraguai\/09-nt-3_2020_spr_sre.pdf<\/p>\n\n\n\n<p>[2} C\u00f3pia de requerimento em:https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1FaGPgZBhMyIJOQRTRgWBDwHnYrKPPHjS\/view?usp=sharing<\/p>\n\n\n\n<p>[3] Veja o protocolo em: https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1CoKnbmmd6b1BLLlZryYYF8To1WpCngLL\/view?usp=sharing<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>. FONASC-DF e FONASC MT : Protocolam proposta de Resolu\u00e7\u00e3o CNRH \u00e0 Secretaria-Executiva do Conselho Nacional de Recursos H\u00eddricos, com&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1,39,40,8],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25073"}],"collection":[{"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=25073"}],"version-history":[{"count":13,"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25073\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":25099,"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25073\/revisions\/25099"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=25073"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=25073"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=25073"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}