{"id":22363,"date":"2020-05-29T20:23:38","date_gmt":"2020-05-29T20:23:38","guid":{"rendered":"http:\/\/fonasc-cbh.org.br\/?p=22363"},"modified":"2021-01-13T05:25:53","modified_gmt":"2021-01-13T05:25:53","slug":"a-medicina-e-o-rio-das-velhas-como-um-projeto-criado-por-medicos-passou-a-cuidar-das-aguas-para-melhorar-a-saude-na-bacia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/?p=22363","title":{"rendered":"A Medicina e o Rio das Velhas: como um projeto criado por m\u00e9dicos passou a cuidar das \u00e1guas para melhorar a sa\u00fade na bacia"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/wp-content\/uploads\/DJI_0054-Lassance_Fernando-Piancastelli_CBHVelhasTantoExpresso_10-05-2018.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-22364\" title=\"DJI_0054-Lassance_Fernando-Piancastelli_CBHVelhasTantoExpresso_10-05-2018\" src=\"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/wp-content\/uploads\/DJI_0054-Lassance_Fernando-Piancastelli_CBHVelhasTantoExpresso_10-05-2018-300x224.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"224\" srcset=\"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/wp-content\/uploads\/DJI_0054-Lassance_Fernando-Piancastelli_CBHVelhasTantoExpresso_10-05-2018-300x224.jpg 300w, https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/wp-content\/uploads\/DJI_0054-Lassance_Fernando-Piancastelli_CBHVelhasTantoExpresso_10-05-2018.jpg 1000w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>A sa\u00fade humana est\u00e1 diretamente ligada a qualidade do ambiente em que vivemos. O ar polu\u00eddo, por exemplo, causa problemas respirat\u00f3rios e se as nascentes dos rios estiverem contaminadas o risco de doen\u00e7a aumenta assustadoramente. Essa rela\u00e7\u00e3o entre os cuidados com a natureza e sa\u00fade foi o que motivou um grupo de m\u00e9dicos de Belo Horizonte a criarem o Projeto Manuelz\u00e3o, que tem o objetivo de cuidar das \u00e1guas para melhorar a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o na bacia do Rio das Velhas.<\/em><\/p>\n<p>O projeto monitora a qualidade da \u00e1gua da bacia e conscientiza a popula\u00e7\u00e3o sobre a import\u00e2ncia de cuidar das \u00e1guas, mostrando que sa\u00fade n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o m\u00e9dica, mas tamb\u00e9m ambiental. O Manuelz\u00e3o \u00e9 um programa de extens\u00e3o da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) que concilia o trabalho cient\u00edfico com a mobiliza\u00e7\u00e3o social de empresas, governos e sociedade civil.<\/p>\n<p>O nome \u00e9 uma homenagem ao vaqueiro Manoel Nardi, imortalizado como Manuelz\u00e3o, na obra de Jo\u00e3o Guimar\u00e3es Rosa. Ao longo da vida, o vaqueiro conviveu com a vida sofrida do sertanejo e assistiu tamb\u00e9m a agonia lenta dos peixes e do pr\u00f3prio Rio das Velhas.<\/p>\n<p>Hist\u00f3ria<\/p>\n<p>Em 1997, na cidade de Belo Horizonte, o professor da Faculdade de Medicina da UFMG, Apolo Heringer Lisboa, idealizador do projeto, convidou os professores Ant\u00f4nio Leite Radicchi (falecido em 2017) e Marcus Vin\u00edcius Polignano para colocarem o Manuelz\u00e3o em pr\u00e1tica sob o mote da volta do peixe ao Rio das Velhas. A partir da experi\u00eancia do Internato Rural (pr\u00e1tica que leva alunos para cidades do interior, onde aprendem a rela\u00e7\u00e3o entre medicina e sociedade, por meio da participa\u00e7\u00e3o direta no SUS e nos movimentos sociais) eles perceberam que de nada adiantava falar de sa\u00fade coletiva sem prestar aten\u00e7\u00e3o no meio em que as pessoas viviam.<\/p>\n<p>Essa foi a semente do Manuelz\u00e3o, que conjuga mobiliza\u00e7\u00e3o social, ativismo ambiental, cuidados com a sa\u00fade e fortalecimento da hist\u00f3ria local. O eixo principal \u00e9 a revitaliza\u00e7\u00e3o do Rio das Velhas, que banha a capital mineira e des\u00e1gua no Rio S\u00e3o Francisco, e a volta dos peixes ao curso d\u2019\u00e1gua. Desde ent\u00e3o, o Manuelz\u00e3o vem ganhando for\u00e7a e a participa\u00e7\u00e3o de alunos de outros cursos como comunica\u00e7\u00e3o social e biologia.<\/p>\n<p>O atual coordenador do Projeto Manuelz\u00e3o e tamb\u00e9m presidente do Comit\u00ea da Bacia Hidrogr\u00e1fica do Rio das Velhas (CBH Rio das Velhas), Marcus Vin\u00edcius Polignano, esclarece como foi escolhido o foco de atua\u00e7\u00e3o do Manuelz\u00e3o. \u201cA bacia hidrogr\u00e1fica permite uma an\u00e1lise sist\u00eamica e integrada dos problemas e necessidades de interven\u00e7\u00f5es. A bacia permite integrar natureza e hist\u00f3ria, ambiente e rela\u00e7\u00f5es sociais, delimitando uma \u00e1rea e possibilitando que um complexo sistema social seja referenciado na biodiversidade dos corpos d\u2019\u00e1gua da bacia\u201d.<\/p>\n<p>Polignano acrescenta que a op\u00e7\u00e3o por trabalhar com uma bacia hidrogr\u00e1fica veio do fato de que ela representa uma unidade de diagn\u00f3stico, de planejamento, de organiza\u00e7\u00e3o, de a\u00e7\u00e3o e de avalia\u00e7\u00e3o de resultados. \u201cO modelo de sociedade contempor\u00e2nea gerou a degrada\u00e7\u00e3o das \u00e1guas das bacias hidrogr\u00e1ficas e a agonia dos nossos rios. \u00c9 fundamental atuar na mudan\u00e7a do modelo produtivo e da mentalidade cultural para que possamos revitalizar os cursos d\u2019\u00e1gua\u201d, esclareceu.<\/p>\n<p>Nascido com um car\u00e1ter interdisciplinar e interinstitucional, as propostas do Projeto Manuelz\u00e3o se definem com um objetivo comum que \u00e9 a preserva\u00e7\u00e3o da vida com toda sua biodiversidade, representada simbolicamente pela volta dos peixes ao Rio das Velhas. Trata-se de um projeto da UFMG que busca a transdisciplinaridade como forma de entendimento da realidade e de resposta para a sociedade da complexidade socioambiental que o mundo atual vive.<\/p>\n<p>O professor da Faculdade de Medicina da UFMG, Tarc\u00edsio M\u00e1rcio Magalh\u00e3es Pinheiro, integra o Manuelz\u00e3o desde 2000. \u201cJunto com o saber acad\u00eamico trabalhamos no Manuelz\u00e3o com o saber popular. Medicina n\u00e3o envolve apenas doen\u00e7a, mas sa\u00fade tamb\u00e9m, e o Projeto Manuelz\u00e3o tem um olhar ampliado atuando sobre o bem estar f\u00edsico, mental, social e agora o espiritual\u201d, disse.<\/p>\n<p>Tarc\u00edsio Pinheiro esclarece que com as discuss\u00f5es sobre sa\u00fade, meio ambiente e cidadania, o projeto coloca a quest\u00e3o do homem no centro do debate ambiental. \u201cAo adotar o peixe como bioindicador da qualidade das \u00e1guas do espa\u00e7o territorial natural que \u00e9 a bacia hidrogr\u00e1fica, o projeto define sua vis\u00e3o de que as condi\u00e7\u00f5es da bacia refletem as a\u00e7\u00f5es do homem no espa\u00e7o e esta afeta a sa\u00fade dos peixes. Por outro lado, lutamos pela constru\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas que considerem o ambiente como fator importante para a sa\u00fade e qualidade de vida da popula\u00e7\u00e3o,como, por exemplo, a melhoria do saneamento b\u00e1sico\u201d.<\/p>\n<p>Biomonitoramento<\/p>\n<p>Como \u00e1gua \u00e9 vida, o Projeto Manuelz\u00e3o come\u00e7ou a elaborar o biomonitoramento da bacia do Rio das Velhas com o objetivo de mostrar a qualidade da \u00e1gua. \u201cO biomonitoramento nos permite avaliar se houve melhora ou piora na qualidade da \u00e1gua e com isso mobilizamos a sociedade e o poder p\u00fablico no sentido de realizar a\u00e7\u00f5es de revitaliza\u00e7\u00e3o no Rio das Velhas. E, para esse monitoramento, o projeto vem utilizando o indicador biol\u00f3gico peixe\u201d, afirmou Polignano.<\/p>\n<p>Basicamente o Projeto Manuelz\u00e3o tem tentado revitalizar as \u00e1guas da bacia, principalmente das regi\u00f5es degradadas. \u201cCom os resultados do biomonitoramento demos in\u00edcio a uma luta pelo saneamento na bacia, o que nos levou a um aumento das popula\u00e7\u00f5es atendidas pelo tratamento de \u00e1gua e esgoto, que resulta em menos lan\u00e7amento de polui\u00e7\u00e3o nos cursos d\u2019\u00e1gua. As instala\u00e7\u00f5es das ETEs [Esta\u00e7\u00f5es de Tratamento de Esgoto] Arrudas e On\u00e7a na RMBH foram marcos temporais nas avalia\u00e7\u00f5es ambientais utilizando os peixes como bioindicadores\u201d, explicou Polignano.<\/p>\n<p>Meta 2010 e 2014<\/p>\n<p>No ano de 2005, o Projeto Manuelz\u00e3o e o Governo do Estado de Minas Gerais assumiram o compromisso de revitalizar a Bacia do Rio das Velhas at\u00e9 o ano de 2014, surgindo assim, as Metas 2010-2014: navegar, pescar e nadar no Rio das Velhas. O objetivo era despoluir a regi\u00e3o mais degradada da bacia, que vai da foz do Rio Itabirito at\u00e9 o encontro com o Ribeir\u00e3o Jequitib\u00e1. A Meta, respaldada pelo Plano Diretor do CBH Rio das Velhas, aprovado em 2004, definiu estrat\u00e9gias, a\u00e7\u00f5es de saneamento e a recupera\u00e7\u00e3o ambiental, visando alcan\u00e7ar a melhoria das \u00e1guas e a volta dos peixes ao rio.<\/p>\n<p>Com as Metas 2010 e 2014 os resultados foram significativos, principalmente na regi\u00e3o do Baixo e do M\u00e9dio Rio das Velhas. Essas \u00e1reas, beneficiadas pelas interven\u00e7\u00f5es na RMBH, apresentaram melhorias significativas na qualidade das suas \u00e1guas.<\/p>\n<p>Infelizmente, os avan\u00e7os n\u00e3o foram suficientes para que o objetivo de nadar nas \u00e1guas do Rio das Velhas na Grande BH fosse concretizado, em fun\u00e7\u00e3o do alto \u00edndice de coliformes fecais na regi\u00e3o. Apesar desse ponto negativo do balan\u00e7o, foram positivos os avan\u00e7os na pol\u00edtica de saneamento b\u00e1sico na bacia, o que tem possibilitado a volta dos peixes ao rio e a diminui\u00e7\u00e3o na ocorr\u00eancia de mortandades.<\/p>\n<p>O futuro<\/p>\n<p>O Rio das Velhas est\u00e1 tentando refazer a sua hist\u00f3ria. Assim como o Projeto Manuelz\u00e3o, o CBH Rio das Velhas tamb\u00e9m luta pela revitaliza\u00e7\u00e3o da bacia, desde 1998, ano de sua cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Constru\u00edmos a Meta 2010-2014, e, mais recentemente, o projeto Revitaliza Rio das Velhas. \u201cJ\u00e1 conseguimos vit\u00f3rias importantes, como o tratamento de 70% dos esgotos de Belo Horizonte e constru\u00e7\u00e3o de Esta\u00e7\u00f5es de Tratamento de Esgoto (ETEs). Os peixes voltaram para mais perto de BH, mas a qualidade das \u00e1guas ainda \u00e9 ruim e n\u00e3o permite nadar\u201d, afirmou Marcus Vin\u00edcius Polignano.<\/p>\n<p>J\u00e1 para o professor Tarc\u00edsio M\u00e1rcio Magalh\u00e3es Pinheiro, os Comit\u00eas de Bacia trazem importantes conquistas no cen\u00e1rio de revitaliza\u00e7\u00e3o. \u201cOs CBHs trouxeram importantes avan\u00e7os na crise ambiental e temos conseguido progresso na revitaliza\u00e7\u00e3o das bacias, principalmente no Rio das Velhas. Vivemos a pandemia do Coronav\u00edrus que tem nos mostrado que precisamos rever as nossas a\u00e7\u00f5es. O momento atual n\u00e3o \u00e9 simples, mas abre possibilidade para refletir sobre nossas cren\u00e7as e pensar em alternativas para quando tudo voltar ao normal\u201d.<\/p>\n<p>FONTE: <a href=\"https:\/\/cbhvelhas.org.br\/noticias-internas\/a-medicina-e-o-rio-das-velhas-como-um-projeto-criado-por-medicos-passou-a-cuidar-das-aguas-para-melhorar-a-saude-na-bacia\/\">CBH RIO DAS VELHAS\u00a0<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A sa\u00fade humana est\u00e1 diretamente ligada a qualidade do ambiente em que vivemos. 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