{"id":18024,"date":"2017-08-02T17:45:07","date_gmt":"2017-08-02T17:45:07","guid":{"rendered":"http:\/\/fonasc-cbh.org.br\/?p=18024"},"modified":"2017-08-03T12:45:51","modified_gmt":"2017-08-03T12:45:51","slug":"fonasc-cbh-divulga-artigo-agua-e-agronegocio-uma-relacao-a-ser-mais-bem-examinada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/?p=18024","title":{"rendered":"FONASC.CBH DIVULGA ARTIGO &#8211; \u00c1gua e agroneg\u00f3cio: uma rela\u00e7\u00e3o a ser mais bem examinada"},"content":{"rendered":"<p><strong>FONASC.CBH DIVULGA ARTIGO &#8211; \u00c1gua e agroneg\u00f3cio: uma rela\u00e7\u00e3o a ser mais bem examinada<\/strong><\/p>\n<p>Quando se analisa o aumento no volume das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras de soja, carne e a\u00e7\u00facar e, consequentemente, constata-se o aumento do volume de \u00e1gua embutido nessa produ\u00e7\u00e3o, conclui-se que \u00e9 necess\u00e1rio pensar sobre os poss\u00edveis impactos ambientais que a exporta\u00e7\u00e3o de produtos prim\u00e1rios e semimanufaturados pode estar tendo sobre nossos recursos h\u00eddricos<\/p>\n<p><em><strong>Texto<\/strong>: <a href=\"http:\/\/diplomatique.org.br\/agua-e-agronegocio-uma-relacao-a-ser-mais-bem-examinada\/\">Do Portal Le Monde Diplomatique Brasil\u00a0<\/a><br \/>\n<strong>Data:<\/strong> 02\/08\/2017<\/em><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/?attachment_id=18025\" rel=\"attachment wp-att-18025\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-18025\" title=\"agronegociocadeiaprodutiva\" src=\"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/wp-content\/uploads\/agronegociocadeiaprodutiva.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/wp-content\/uploads\/agronegociocadeiaprodutiva.jpg 640w, https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/wp-content\/uploads\/agronegociocadeiaprodutiva-300x187.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>Cr\u00e9dito da Imagem: Bernardo Fran\u00e7a<\/em><br \/>\nAs cadeias produtivas da agricultura e das agroind\u00fastrias t\u00eam cada vez mais impactado os recursos naturais em nosso pa\u00eds. Recentemente a \u00e1gua tem se tornado objeto de aten\u00e7\u00e3o por conta de diferentes impactos e disputas (muitas vezes n\u00e3o expl\u00edcitas) relacionadas com a mercantiliza\u00e7\u00e3o das \u00e1guas doces, que envolve a manuten\u00e7\u00e3o dos ecossistemas, a agricultura de alimentos e de exporta\u00e7\u00e3o, o setor urbano e industrial e a necessidade de garantir a seguran\u00e7a h\u00eddrica da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Pelo menos quatro fatores merecem ser destacados por terem contribu\u00eddo para esse quadro atual de avan\u00e7o do agroneg\u00f3cio1 sobre a \u00e1gua superficial e subterr\u00e2nea: (i) a crise da produ\u00e7\u00e3o de prote\u00edna animal, em raz\u00e3o da doen\u00e7a da vaca louca na Europa e nos Estados Unidos; (ii) a urbaniza\u00e7\u00e3o e a mudan\u00e7a de h\u00e1bitos alimentares em pa\u00edses do Oriente M\u00e9dio e da \u00c1sia (com destaque para a China); (iii) a eleva\u00e7\u00e3o da demanda mundial de soja e etanol; (iv) a necessidade de o Brasil obter moedas internacionais para fazer frente aos custos das importa\u00e7\u00f5es e pagamento da conta servi\u00e7os.<\/p>\n<p>A doen\u00e7a da vaca louca, no final dos anos 1990, que dizimou boa parte do rebanho bovino principalmente na Europa, foi resultado da adi\u00e7\u00e3o, na ra\u00e7\u00e3o, de uma farinha composta por sangue e ossos de animais abatidos. A proibi\u00e7\u00e3o dessa pr\u00e1tica, somada \u00e0 falta de \u00e1reas para a cria\u00e7\u00e3o em pasto, elevou a importa\u00e7\u00e3o de soja, com o consequente aumento dos custos de produ\u00e7\u00e3o, o que desencadeou a transfer\u00eancia da produ\u00e7\u00e3o de bovinos para fora do continente. Essas foram as principais causas do aumento da produ\u00e7\u00e3o de soja e bovinos no Brasil.<\/p>\n<p>Para que se tenha uma ideia do peso desse setor em nossa balan\u00e7a comercial, em 2016 a exporta\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas animais (carne bovina, su\u00edna e aves) representou 20% do total das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras (mais de US$ 14 bilh\u00f5es), ficando a soja com 5,8% (US$ 4,04 bilh\u00f5es) do total das exporta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A Revolu\u00e7\u00e3o Verde,2 dispondo de vultosos financiamentos internacionais, vendeu a ideia de que o problema da seguran\u00e7a alimentar seria resolvido pela simples ado\u00e7\u00e3o de um pacote de tecnologias. Ela permitiu a intensifica\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o para atender \u00e0 demanda do abastecimento do mercado interno e permitiu exportar commodities da agropecu\u00e1ria. Contudo, em v\u00e1rios pa\u00edses isso trouxe consequ\u00eancias ambientais tr\u00e1gicas, esgotando e contaminando os recursos h\u00eddricos com agrot\u00f3xicos.<\/p>\n<p>O caso da Ar\u00e1bia Saudita \u00e9 emblem\u00e1tico. No intento de se tornar um grande exportador de trigo, o pa\u00eds esgotou um importante aqu\u00edfero que proveu seguran\u00e7a h\u00eddrica para sua popula\u00e7\u00e3o durante mil\u00eanios. Entre 1987 e 2015, o pa\u00eds entrou numa viagem sem retorno, chegou a ser o sexto maior exportador mundial de trigo e em 2016 n\u00e3o plantou um p\u00e9 de trigo. Como resultado, elevou ainda mais sua depend\u00eancia da importa\u00e7\u00e3o de alimentos e iniciou a dessaliniza\u00e7\u00e3o da \u00e1gua do mar para garantir o consumo humano. Outro caso \u00e9 o sistema de irriga\u00e7\u00e3o da am\u00eandoa e do pistache adotado na Calif\u00f3rnia, com n\u00edveis de desperd\u00edcio sem precedentes, levando ao afundamento (subsid\u00eancia) dos terrenos.<\/p>\n<p>A ind\u00fastria alimentar vem promovendo eros\u00e3o gen\u00e9tica e uniformiza\u00e7\u00e3o do padr\u00e3o alimentar mundial com um custo energ\u00e9tico, h\u00eddrico e ambiental elevado. A base desse sistema, a montante, \u00e9 a ind\u00fastria petrol\u00edfera, que controla o setor produtor de agrot\u00f3xicos, adubos e sementes, e, a jusante, a ind\u00fastria alimentar, que tenta impor um padr\u00e3o alimentar de tipo europeu e norte-americano para todo o globo. Cada vez mais o que se come nas grandes cidades ao redor do mundo \u00e9 a mesma base alimentar. Esse sistema produtivo \u00e9 respons\u00e1vel pela perda de 30% de todos os alimentos que se produz, conforme dados da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Alimenta\u00e7\u00e3o e Agricultura (FAO).<\/p>\n<p>Essa uniformiza\u00e7\u00e3o da alimenta\u00e7\u00e3o e da produ\u00e7\u00e3o em pa\u00edses tropicais desloca, marginaliza e mina a base alimentar local. Um bom exemplo vem da China, com a introdu\u00e7\u00e3o da carne bovina na dieta. Esse pa\u00eds tamb\u00e9m deslocou parte de sua produ\u00e7\u00e3o e abastecimento de prote\u00ednas animal (frango, su\u00ednos e bovinos) e vegetal (soja) para a \u00c1frica e a Am\u00e9rica do Sul. O mesmo ocorreu com a carne de frango nos pa\u00edses \u00e1rabes. Mais recentemente, na \u00c1sia, os recorrentes surtos de gripe avi\u00e1ria aumentaram a importa\u00e7\u00e3o de carne de frango.<\/p>\n<p>Esses sistemas de alta produtividade, intensivos no consumo de recursos naturais, s\u00e3o grandes demandadores de recursos h\u00eddricos, sejam eles superficiais ou subterr\u00e2neos. Essa forma de fazer agricultura, juntamente com o processo de urbaniza\u00e7\u00e3o3 da popula\u00e7\u00e3o, aumenta as batalhas pelo acesso, controle e consumo de \u00e1gua, gerando disputas inexistentes at\u00e9 ent\u00e3o.<\/p>\n<p>Para ter uma ideia, enquanto desde 1950 a popula\u00e7\u00e3o mundial triplicou, a demanda por \u00e1gua cresceu seis vezes. No Canad\u00e1, entre 1972 e 1991, a popula\u00e7\u00e3o cresceu 3%, e o consumo de \u00e1gua, 80%, segundo a ONU. Na Alemanha, um cidad\u00e3o consome nove vezes mais \u00e1gua que um da \u00cdndia, ou seja, o bem-estar nas sociedades de consumo desenvolvidas est\u00e1 associado \u00e0 eleva\u00e7\u00e3o do consumo de \u00e1gua e \u00e0 disputa pela \u00e1gua entre os usos tradicionais e os novos usos.<\/p>\n<p>No Brasil, esse avan\u00e7o da produ\u00e7\u00e3o e da exporta\u00e7\u00e3o de produtos prim\u00e1rios ou semimanufaturados promoveu o deslocamento e a substitui\u00e7\u00e3o de antigas lavouras e de pastagens pela soja, o milho, a cana-de-a\u00e7\u00facar e o algod\u00e3o, avan\u00e7ando sobre as \u00e1reas do cerrado e empurrando o gado em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 floresta amaz\u00f4nica, juntamente com o cultivo de soja.<\/p>\n<p>Nessa conjuntura de aumento da demanda internacional por commodities agr\u00edcolas e obten\u00e7\u00e3o de moeda internacional, no segundo governo FHC foi retomado um conjunto de pol\u00edticas para elevar os volumes de produ\u00e7\u00e3o por meio do fomento \u00e0 produ\u00e7\u00e3o, da moderniza\u00e7\u00e3o de parte do setor da agricultura familiar via cr\u00e9dito subsidiado, da renova\u00e7\u00e3o do parque de m\u00e1quinas e implementos, da assist\u00eancia t\u00e9cnica e do apoio \u00e0 comercializa\u00e7\u00e3o e \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o. Essa pol\u00edtica teve sua continuidade nos governos Lula e Dilma.<\/p>\n<p>Assim, nos \u00faltimos dezenove anos, tivemos o fortalecimento econ\u00f4mico e pol\u00edtico do setor ruralista de tal forma que se convenceram diferentes segmentos da sociedade de que a finalidade do agroneg\u00f3cio \u00e9 o bem de todos. Com isso, conseguiu-se o apoio de parte da esquerda na mudan\u00e7a promovida no C\u00f3digo Florestal. Esse setor, ap\u00f3s o golpe de 2016, apresentou um<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>FONASC.CBH DIVULGA ARTIGO &#8211; \u00c1gua e agroneg\u00f3cio: uma rela\u00e7\u00e3o a ser mais bem examinada Quando se analisa o aumento no&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18024"}],"collection":[{"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=18024"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18024\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18033,"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18024\/revisions\/18033"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=18024"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=18024"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=18024"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}