{"id":14847,"date":"2015-12-10T17:51:08","date_gmt":"2015-12-10T17:51:08","guid":{"rendered":"http:\/\/fonasc-cbh.org.br\/?p=14847"},"modified":"2015-12-10T17:51:08","modified_gmt":"2015-12-10T17:51:08","slug":"fonasc-divulga-artigo-o-preco-da-agua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/?p=14847","title":{"rendered":"FONASC DIVULGA ARTIGO &#8211; O PRE\u00c7O DA \u00c1GUA"},"content":{"rendered":"<div id=\"yui_3_16_0_1_1449766696314_44292\">\n<h1 id=\"yui_3_16_0_1_1449766696314_44333\">O pre\u00e7o da \u00e1gua<\/h1>\n<div id=\"yui_3_16_0_1_1449766696314_44290\"><\/div>\n<div>Ag\u00eancia P\u00fablica<\/div>\n<div><\/div>\n<div id=\"yui_3_16_0_1_1449766696314_44295\">\n<p id=\"yui_3_16_0_1_1449766696314_44294\">Por\u00a0<a href=\"http:\/\/apublica.us8.list-manage.com\/track\/click?u=47bdda836f3b890e13c9f416d&amp;id=6491c240bb&amp;e=7f0258cd6a\" rel=\"nofollow\" target=\"_blank\">Sarah Fernandes<\/a><\/p>\n<p id=\"yui_3_16_0_1_1449766696314_44296\">A \u00e1gua, t\u00e3o central na cultura amaz\u00f4nica, tem se transformado em um bem caro e at\u00e9 mesmo perigoso em S\u00e3o Jo\u00e3o do Araguaia, S\u00e3o Geraldo do Araguaia e Xinguara, no sudeste do [Estado do] Par\u00e1. O l\u00edquido que chega \u00e0s torneiras das casas est\u00e1 sob a responsabilidade da Odebrecht Ambiental, que det\u00e9m as concess\u00f5es do servi\u00e7o de abastecimento, nas tr\u00eas cidades e em outros sete munic\u00edpios paraenses. Moradores de baixa renda, que precisam do Bolsa Fam\u00edlia para sobreviverem, t\u00eam sentido dificuldade para pagarem as contas todo m\u00eas. Tamb\u00e9m existem reclama\u00e7\u00f5es de que a empresa usa cloro em excesso no tratamento, o que traz mal-estar para as crian\u00e7as.<\/p>\n<p id=\"yui_3_16_0_1_1449766696314_44339\">Alguns pais enfrentam o dilema entre deixarem as contas em dia ou manterem a fam\u00edlia, o que pode resultar em cortes at\u00e9 na alimenta\u00e7\u00e3o. H\u00e1 moradores que viram a fatura alcan\u00e7ar metade do or\u00e7amento, chegando a valores pr\u00f3ximos de R$ 200. Nos tr\u00eas munic\u00edpios, 4.107 pessoas vivem com at\u00e9 um quarto do sal\u00e1rio m\u00ednimo por m\u00eas (o equivalente a R$ 197), segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). A sa\u00edda \u00e9 gerenciar a economia dom\u00e9stica, em uma eterna corda bamba, que onera, sobretudo, as crian\u00e7as.<\/p>\n<p id=\"yui_3_16_0_1_1449766696314_44340\">Muitos recorrem a fontes alternativas de \u00e1gua, como po\u00e7os artesianos e rios da regi\u00e3o, que podem estar contaminados. Isto exp\u00f5e as crian\u00e7as ao risco de terem diarreia e doen\u00e7as, como febre tifoide, hepatite A e parasitoses. &#8220;A tarifa da \u00e1gua aperta demais o or\u00e7amento. Muitas vezes, tive que deixar de comprar coisas para as meninas, como comida ou material de escola. Houve meses em que tive que pedir dinheiro para a minha sogra, para colocar comida na mesa\u201d, afirma a dona de casa Ana Carolina Dias Palone, de Xinguara, que tem duas filhas, de cinco e sete anos. &#8220;Muitas vezes, tenho que deixar uma conta pendente para o pr\u00f3ximo m\u00eas, para dar tempo de sobrar um dinheirinho e conseguir comprar o que elas precisam comer\u201d.<\/p>\n<p>Os valores das tarifas de \u00e1gua foram definidos pelas prefeituras e pelas empresas, nos contratos de concess\u00e3o. Os moradores, principais afetados pela mudan\u00e7a, tiveram oportunidades restritas de participarem da defini\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os. &#8220;N\u00e3o h\u00e1, no Par\u00e1, uma ag\u00eancia reguladora que discuta com a Prefeitura e com a popula\u00e7\u00e3o os valores. Eu, daqui, tenho que garantir que a minha empresa continue funcionando. Somos uma companhia privada e visamos ao lucro. N\u00e3o adianta ser hip\u00f3crita\u201d, diz uma das engenheiras da empresa, que teve a identidade preservada.<\/p>\n<p id=\"yui_3_16_0_1_1449766696314_44297\">Cada munic\u00edpio atendido pela Odebrecht Ambiental possui obriga\u00e7\u00f5es espec\u00edficas, descritas no respectivo plano de \u00e1gua e esgoto. &#8220;A regi\u00e3o amaz\u00f4nica tem min\u00e9rio, terra, \u00e1gua. Tudo isto. As empresas v\u00eam com a inten\u00e7\u00e3o de se apropriarem da \u00e1gua e do bem p\u00fablico. A l\u00f3gica da Odebrecht \u00e9 mercantilizar a \u00e1gua, torn\u00e1-la mercadoria\u201d, afirma Cristiano Medina, integrante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). A empresa ressalta, via assessoria de imprensa, que, pelo modelo de concess\u00e3o adotado nos munic\u00edpios paraenses, assume a opera\u00e7\u00e3o sob supervis\u00e3o da Prefeitura e deve assegurar investimentos e presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os. Ap\u00f3s 30 anos, as benfeitorias implantadas ficar\u00e3o com os munic\u00edpios.<\/p>\n<p id=\"yui_3_16_0_1_1449766696314_44341\">Empresas p\u00fablicas e privadas de saneamento t\u00eam as mesmas obriga\u00e7\u00f5es, previstas nos planos diretores das cidades onde atuam. &#8220;A diferen\u00e7a principal \u00e9 que as empresas privadas veem na \u00e1gua uma forma de obterem lucro, enquanto as estatais t\u00eam o objetivo de desenvolverem a regi\u00e3o e prestarem um servi\u00e7o de sa\u00fade. Assim, uma empresa estatal pode reduzir as tarifas ou subsidiar regi\u00f5es pobres, sem aumentar os pre\u00e7os para as outras pessoas. J\u00e1 a empresa privada ter\u00e1 que cobrar mais caro de algu\u00e9m, para garantir seu lucro\u201d, exemplifica o diretor regional do Sindicato dos Urbanit\u00e1rios do Par\u00e1, Ot\u00e1vio Barbosa.<\/p>\n<p id=\"yui_3_16_0_1_1449766696314_44342\">\u2018Compro comida ou pago \u00e1gua?\u2019<\/p>\n<p id=\"yui_3_16_0_1_1449766696314_44298\">A not\u00edcia da chegada de duas pessoas de S\u00e3o Paulo correu depressa na zona rural do pequeno munic\u00edpio de S\u00e3o Jo\u00e3o do Araguaia. Fam\u00edlias inteiras sa\u00edam de suas casas de madeira, ultrapassavam o quintal de terra batida e esperavam junto \u00e0s cercas de madeira ou arame farpado, em um modelo de constru\u00e7\u00e3o quase padronizado no local. Nas m\u00e3os, tinham as contas de \u00e1gua dos \u00faltimos meses, anexas aos avisos de corte do abastecimento. No rosto, uma clara esperan\u00e7a de resolver o problema que tira o sono \u2013 e sustento \u2013 de crian\u00e7as e adultos da cidade: o valor a ser pago pela \u00e1gua.<\/p>\n<p id=\"yui_3_16_0_1_1449766696314_44299\">&#8220;N\u00e3o\u2026 N\u00f3s n\u00e3o somos da Odebrecht. Eu sou rep\u00f3rter e ele \u00e9 fot\u00f3grafo\u201d. A apresenta\u00e7\u00e3o decepcionava aqueles que aguardavam uma resposta para o problema. Nas pequenas resid\u00eancias, com banheiros inacabados, repletas de crian\u00e7as e com sustento vindo basicamente do Bolsa Fam\u00edlia, os valores das contas de \u00e1gua atingem parte significativa do or\u00e7amento familiar. &#8220;Minha conta vem por volta de R$ 18, porque nunca ultrapassei a primeira faixa de consumo. O valor pode parecer baixo, mas, para mim, que sustento a casa com R$ 200, \u00e9 muito. A gente acaba tendo que tirar dinheiro do Bolsa Fam\u00edlia para pagar a \u00e1gua, e este era um dinheiro que deveria ser para a comida das crian\u00e7as\u201d, conta a dona de casa Ednalda Moreira Gomes, que vive com o marido e dois filhos, de 10 e 13 anos.<\/p>\n<p id=\"yui_3_16_0_1_1449766696314_44343\">Desempregado, o trabalhador rural Jos\u00e9 Reis recebeu, em setembro, uma conta de \u00e1gua de R$ 48,03, para um consumo de 26 metros c\u00fabicos. Ele mora em uma casa de tr\u00eas c\u00f4modos, sem banheiro, com a esposa e mais tr\u00eas filhas. &#8220;Antes, n\u00f3s n\u00e3o pag\u00e1vamos nada pela \u00e1gua. Agora, come\u00e7amos a pagar e nem fomos consultados sobre o pre\u00e7o que pagar\u00edamos. Ficou caro. Muitas vezes, tiro dinheiro da merenda das minhas meninas para dar conta desse gasto\u201d, lamenta. Ele aguarda uma vistoria da empresa para verificar a exist\u00eancia de vazamentos. &#8220;Est\u00e1 muito pesado para a gente, que vive desempregado. Estou sem pagar porque n\u00e3o tenho condi\u00e7\u00f5es. O dinheiro que recebemos do Bolsa Fam\u00edlia vai todo para a comida e o material escolar. Eu n\u00e3o posso mexer nisso\u201d.<\/p>\n<table id=\"yui_3_16_0_1_1449766696314_44348\" width=\"473\">\n<tbody id=\"yui_3_16_0_1_1449766696314_44347\">\n<tr id=\"yui_3_16_0_1_1449766696314_44346\">\n<td id=\"yui_3_16_0_1_1449766696314_44345\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" id=\"yui_3_16_0_1_1449766696314_44344\" title=\"apublica\" src=\"http:\/\/www.adital.com.br\/arquivos2\/2015\/11\/2015_11_preco_agua_apublica1.jpg\" alt=\"apublica\" width=\"469\" height=\"242\" align=\"middle\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>&#8220;O dinheiro que recebemos do Bolsa Fam\u00edlia vai todo para comida. Eu n\u00e3o posso mexer nisso\u201d, lamenta o trabalhador rural desempregado, Jos\u00e9 Reis. Foto: Danilo Ramos\/Ag\u00eancia P\u00fablica\/Instituto Alana<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p id=\"yui_3_16_0_1_1449766696314_44300\">A renda da fam\u00edlia da dona de casa Marines Cardoso de Oliveira tamb\u00e9m vem do Bolsa Fam\u00edlia, que paga R$ 35 por crian\u00e7a, at\u00e9 o teto de R$ 175 \u2013 R$ 33 a menos do que o valor da conta de \u00e1gua de junho, de R$ 208,87, por 62 metros c\u00fabicos. &#8220;\u00c0s vezes, \u00e9 preciso escolher: comprar comida para as crian\u00e7as ou pagar a \u00e1gua\u201d, explica. Ela vive em uma casa de um c\u00f4modo, com um banheiro inacabado, com o marido e nove filhos, tr\u00eas deles com defici\u00eancia mental. &#8220;O Bolsa Fam\u00edlia s\u00f3 d\u00e1 para comprar comida para os meninos e, vez ou outra, algo para eles vestirem\u201d, diz. Com a conta atrasada, seu maior medo \u00e9 ter o servi\u00e7o cortado e precisar recorrer \u00e0 \u00e1gua de um pequeno lago pr\u00f3ximo \u00e0 sua casa, usado pelo gado de criadores da regi\u00e3o. &#8220;J\u00e1 me deram o aviso que, se eu n\u00e3o pagar, v\u00e3o cortar minha \u00e1gua. Como vou fazer?\u201d, questiona.<\/p>\n<p id=\"yui_3_16_0_1_1449766696314_44301\">A hist\u00f3ria se repete de casa em casa, entre pelo menos 100 pessoas, que vivem no bairro Vila Jos\u00e9 Martins Ferreira, na zona rural de S\u00e3o Jo\u00e3o do Araguaia. Quem n\u00e3o consegue bancar o pre\u00e7o da \u00e1gua recorre a fontes alternativas, e pouco seguras, como os rios da bacia amaz\u00f4nica e po\u00e7os artesianos \u2013 onde, muitas vezes, a \u00e1gua, mal armazenada e sem tratamento, oferece riscos, pela presen\u00e7a de micro-organismos nocivos \u00e0 sa\u00fade. As crian\u00e7as acabam sendo as mais contaminadas por doen\u00e7as bacterianas e verminoses, como confirmam funcion\u00e1rios da sa\u00fade p\u00fablica da regi\u00e3o. Apesar da percep\u00e7\u00e3o dos trabalhadores do setor, a Secretaria Estadual de Sa\u00fade do Par\u00e1 n\u00e3o contabiliza o n\u00famero de crian\u00e7as que apresentam os principais sintomas \u2013 diarreia e v\u00f4mito \u2013 pois os problemas n\u00e3o s\u00e3o de notifica\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria ao Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n<p id=\"yui_3_16_0_1_1449766696314_44302\">A servente de escola Raimunda Carvalho dos Santos vive em tr\u00eas c\u00f4modos com o marido e tr\u00eas filhos, com apenas um sal\u00e1rio m\u00ednimo. &#8220;Tem que tirar dos meninos, n\u00e3o tem jeito\u201d, diz. Na conta de julho, o valor era de R$ 168 por 55 metros c\u00fabicos. &#8220;A renda \u00e9 pouca. Ent\u00e3o, para pagar a \u00e1gua, n\u00f3s temos que tirar da alimenta\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as e do material da escola. Como eu vou pagar se n\u00e3o fizer assim?\u201d, lamenta, olhando para o ch\u00e3o, quase envergonhada. &#8220;Se cortarem, vou ter que pegar \u00e1gua no po\u00e7o do vizinho, para dar para as crian\u00e7as. Mas ela n\u00e3o \u00e9 boa. Fico entre a cruz e a espada\u201d.<\/p>\n<table width=\"455\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"apublica\" src=\"http:\/\/www.adital.com.br\/arquivos2\/2015\/11\/2015_11_preco_agua_apublica2.jpg\" alt=\"apublica\" width=\"451\" height=\"674\" align=\"middle\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>&#8220;A l\u00f3gica da Odebrecht \u00e9 mercantilizar a \u00e1gua\u201d, diz Cristiano Medina, do MAB. Foto: Danilo Ramos\/Ag\u00eancia P\u00fablica\/Instituto Alana<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p id=\"yui_3_16_0_1_1449766696314_44304\">O valor da tarifa m\u00e9dia por metro c\u00fabico, em S\u00e3o Jo\u00e3o do Araguaia, \u00e9 de R$ 2,22. Todo o lucro da Odebrecht Ambiental vem da tarifa cobrada dos usu\u00e1rios. A\u00a0Ag\u00eancia P\u00fablica\u00a0solicitou o valor m\u00e9dio recebido pela empresa por m\u00eas, por\u00e9m a informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi fornecida. Em S\u00e3o Jo\u00e3o do Araguaia, S\u00e3o Geraldo do Araguaia e Xinguara, os contratos n\u00e3o preveem a tarifa social. Ela \u00e9 aplicada por decis\u00e3o da empresa. Podem ter acesso ao benef\u00edcio clientes da categoria residencial, com casas enquadradas no padr\u00e3o baixo de constru\u00e7\u00e3o (\u00e1rea constru\u00edda de at\u00e9 100 metros quadrados, sem forro, com apenas um banheiro ou instala\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias) e que tenham renda familiar igual ou inferior a um sal\u00e1rio m\u00ednimo e meio. Apesar de muitos dos entrevistados se enquadrarem nesse perfil, nenhum deles era contemplado com o benef\u00edcio.<\/p>\n<p id=\"yui_3_16_0_1_1449766696314_44305\">&#8220;Percebemos que muitas das contas v\u00eam com um consumo muito alto de \u00e1gua. A empresa faz verifica\u00e7\u00e3o de vazamentos quando os moradores reclamam, mas n\u00e3o h\u00e1 um controle mais rigoroso sobre poss\u00edveis desperd\u00edcios. Mesmo nos casos de vazamentos e das fam\u00edlias de baixa renda, n\u00e3o conseguimos negociar um valor menor para a conta\u201d, afirma o vereador Benisvaldo Bento da Silva (Partido do Movimento Democr\u00e1tico Brasileiro \u2013 PMDB), que vem organizando os moradores e conduzindo reuni\u00f5es com a Odebrecht Ambiental.<\/p>\n<p>Na mira da Lava Jato<\/p>\n<p>A empreiteira Odebrecht, membro do grupo da Odebrecht Ambiental, \u00e9 uma das empresas investigadas na Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato. Em julho deste ano, comprovantes de dep\u00f3sitos banc\u00e1rios encaminhados pela Procuradoria da Su\u00ed\u00e7a a integrantes da For\u00e7a Tarefa da Pol\u00edcia Federal comprovaram transfer\u00eancias entre contas pertencentes \u00e0 Odebrecht e ex-diretores da Petrobras. No mesmo m\u00eas, o juiz S\u00e9rgio Moro, respons\u00e1vel pelos inqu\u00e9ritos, aceitou a den\u00fancia do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal contra o presidente da empresa, Marcelo Odebrecht, e mais quatro executivos. Ele se tornou r\u00e9u, sob acusa\u00e7\u00e3o de corrup\u00e7\u00e3o, lavagem de dinheiro e organiza\u00e7\u00e3o criminosa, e segue preso em Curitiba, desde 19 de junho.<\/p>\n<p id=\"yui_3_16_0_1_1449766696314_44306\">Em 20 de outubro, a defesa do empres\u00e1rio entrou com novo pedido de habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF), pelo qual ele pedia &#8220;socorro\u201d, em tom inflamado. O ministro Teori Zavascki, relator dos processos da Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato no STF, negou o pedido de liberdade, por entender que a pris\u00e3o preventiva \u00e9 necess\u00e1ria, uma vez que o executivo teria orientado supostas atividades criminosas de outros r\u00e9us e que, supostamente, atuou para evitar o levantamento de provas. No dia 26 de outubro, advogados da empresa entraram com recurso no Tribunal Penal da Su\u00ed\u00e7a, para tentar evitar que extratos banc\u00e1rios em contas no pa\u00eds europeu sejam remetidos oficialmente ao Minist\u00e9rio P\u00fablico do Brasil.<\/p>\n<p>\u00c1gua para quem?<\/p>\n<p>A empresa tocantinense Hidro Forte Administra\u00e7\u00e3o e Opera\u00e7\u00e3o Ltda venceu a concorr\u00eancia, seguindo o crit\u00e9rio principal de oferecer o menor valor de tarifa. Tr\u00eas meses depois de assumir a concess\u00e3o, a empresa foi comprada pela Odebrecht Ambiental, em setembro do ano passado. A possibilidade de mudar a empresa prestadora do servi\u00e7o n\u00e3o estava prevista no edital, como manda a Lei de Licita\u00e7\u00f5es (8.666\/93). &#8220;Neste caso, para ser legal, a possibilidade deve estar descrita no contrato de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o\u201d, explica Fl\u00e1vio Guberman, advogado especialista em Direito Administrativo e Societ\u00e1rio. N\u00e3o foi poss\u00edvel obter o contrato, pois o secret\u00e1rio de Administra\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Jo\u00e3o do Araguaia, Emiliano Soares, n\u00e3o respondeu \u00e0 reportagem.<\/p>\n<p id=\"yui_3_16_0_1_1449766696314_44307\">O prefeito afirmou que a administra\u00e7\u00e3o municipal &#8220;possui toda a documenta\u00e7\u00e3o\u201d. &#8220;N\u00f3s optamos por ter uma \u00e1gua de qualidade porque as \u00e1guas est\u00e3o muito polu\u00eddas. A Odebrecht tem conhecimento, tem mais recurso e uma trajet\u00f3ria em saneamento b\u00e1sico. Preferimos migrar\u201d, disse. A empresa informou, pela assessoria de imprensa, que, desde que assumiu o servi\u00e7o, reformou a Esta\u00e7\u00e3o de Tratamento de \u00c1gua e regularizou as redes de distribui\u00e7\u00e3o e as liga\u00e7\u00f5es domiciliares, al\u00e9m de eliminar liga\u00e7\u00f5es clandestinas e fazer a clorifica\u00e7\u00e3o da \u00e1gua. O teor de cloro atinge o m\u00e1ximo permitido pela Portaria 2.914\/11, do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, de 2 miligramas por litro.<\/p>\n<p>&#8220;De repente, fomos surpreendidos pelos contratos com a Odebrecht. N\u00e3o pudemos fazer audi\u00eancia p\u00fablica nem consultar a popula\u00e7\u00e3o sobre essa mudan\u00e7a. Quando o servi\u00e7o era p\u00fablico, a Prefeitura n\u00e3o cobrava e a \u00e1gua do rio era distribu\u00edda para a popula\u00e7\u00e3o por um sistema municipal. A Odebrecht n\u00e3o faz ainda o tratamento completo da \u00e1gua, mas j\u00e1 cobra caro\u201d, reclama o vereador Benisvaldo. &#8220;Passaram-se tr\u00eas meses e a conta que chega nas casas das fam\u00edlias fica entre R$ 150 e R$ 300. Tem pessoas que n\u00e3o t\u00eam renda nenhuma e t\u00eam que pagar isso\u201d.<\/p>\n<p id=\"yui_3_16_0_1_1449766696314_44308\">A tarifa m\u00ednima cobrada em S\u00e3o Jo\u00e3o do Araguaia \u00e9 de R$ 18,28, para um consumo de zero a 12 metros c\u00fabicos, o equivalente a R$ 1,52 por metro c\u00fabico. O valor aumenta de acordo com o consumo, chegando a R$ 5,73 por metro c\u00fabico, para as resid\u00eancias que usam mais de 50 metros c\u00fabicos. Na cidade de S\u00e3o Paulo, por exemplo, o pre\u00e7o \u00e9 de R$ 20,62 para um consumo de zero a 10 metros c\u00fabicos, sendo que, pela op\u00e7\u00e3o da tarifa social, voltada para as fam\u00edlias de baixa renda, o valor cai para R$ 7, nessa faixa de consumo. No munic\u00edpio paraense, \u00e9 de R$ 12. Apesar disso, 30,41% das fam\u00edlias de S\u00e3o Jo\u00e3o do Araguaia vivem com at\u00e9 um quarto do sal\u00e1rio m\u00ednimo por m\u00eas, contra apenas 2,88% em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p id=\"yui_3_16_0_1_1449766696314_44309\">O Par\u00e1 \u2013 onde muitos munic\u00edpios ainda mant\u00eam sistemas p\u00fablicos de distribui\u00e7\u00e3o de \u00e1gua \u2013 tem a segunda tarifa m\u00e9dia mais barata do pa\u00eds: R$ 1,64 por metro c\u00fabico, atr\u00e1s apenas do Maranh\u00e3o (R$ 1,62), segundo o Diagn\u00f3stico dos Servi\u00e7os de \u00c1gua e Esgoto de 2013, do Minist\u00e9rio das Cidades. O estado com a tarifa mais alta \u00e9 o Rio Grande do Sul (R$ 4,18), seguido pelo Amazonas (R$ 3,75) e pelo Distrito Federal (R$ 3,73).<\/p>\n<p>Cidade alagada<\/p>\n<p>O projeto ter\u00e1 duas eclusas e um lago de 3.055 quil\u00f4metros quadrados. Ser\u00e3o inundados 1.115 quil\u00f4metros quadrados de terras de seis munic\u00edpios do Par\u00e1 (Marab\u00e1, S\u00e3o Jo\u00e3o do Araguaia, Bom Jesus do Tocantins, Brejo Grande do Araguaia, Nova Ipixuna, Palestina do Par\u00e1), tr\u00eas do Tocantins (Anan\u00e1s, Esperantina e Araguatins) e dois no Maranh\u00e3o (S\u00e3o Pedro da \u00c1gua Branca e Santa Helena). A obra tem custo previsto de R$ 12 bilh\u00f5es e ter\u00e1 capacidade de produ\u00e7\u00e3o de 2.160 megawatts.<\/p>\n<p>A Odebrecht n\u00e3o respondeu aos questionamentos da reportagem sobre por que investir em saneamento, em uma cidade que ser\u00e1 alagada, por considerar uma informa\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica para a empresa. &#8220;Por quest\u00f5es estrat\u00e9gicas, a Odebrecht Ambiental n\u00e3o fornece esses dados\u201d, disse a assessoria de imprensa.<\/p>\n<p>&#8220;Isso passa por controle do territ\u00f3rio, mercantiliza\u00e7\u00e3o dos recursos naturais e controle dos rios\u201d, acredita Cristiano Medina, do MAB. &#8220;S\u00e3o as mesmas empresas que disputam e administram tudo aqui. A Amaz\u00f4nia tem uma reserva vantajosa mineral, energ\u00e9tica e de \u00e1gua, e as empresas chegam aqui para controlarem esses recursos\u201d.<\/p>\n<p>\u00c1gua mineral<\/p>\n<p>Apesar de Xinguara ser a cidade mais desenvolvida entre as visitadas \u2013 \u00fanica com \u00cdndice de Desenvolvimento Humano m\u00e9dio (0,659) \u2013, o distrito de Rio Vermelho, popularmente conhecido como Gog\u00f3 da On\u00e7a, \u00e9 composto por algumas poucas casas de madeira, que se espalham na beira da estrada. &#8220;M\u00e3e, m\u00e3e, o retratista pode tirar retrato de eu mais o papagaio?\u201d, pergunta, muito alegre, a pequena Rafaela Dias Palone, de sete anos, enquanto corre para dentro de casa. M\u00e3e da menina, Ana Carolina Dias Palone estava atarefada, cuidando da filha mais nova, de cinco anos, que h\u00e1 uma semana sofria com fortes dores no est\u00f4mago e nos rins. O motivo, segundo o diagn\u00f3stico m\u00e9dico, era o cloro na \u00e1gua. &#8220;O m\u00e9dico perguntou se eu dou \u00e1gua da rua para ela e, quando confirmei, ele disse tinha certeza que era isso, porque j\u00e1 tinha outros casos. Desde ent\u00e3o, estamos comprando \u00e1gua mineral, mas \u00e9 muito caro\u201d, conta a dona de casa.<\/p>\n<table id=\"yui_3_16_0_1_1449766696314_44353\" width=\"428\">\n<tbody id=\"yui_3_16_0_1_1449766696314_44352\">\n<tr id=\"yui_3_16_0_1_1449766696314_44351\">\n<td id=\"yui_3_16_0_1_1449766696314_44350\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" id=\"yui_3_16_0_1_1449766696314_44349\" title=\"apublica\" src=\"http:\/\/www.adital.com.br\/arquivos2\/2015\/11\/2015_11_preco_agua_apublica3.jpg\" alt=\"apublica\" width=\"424\" height=\"635\" align=\"middle\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Crian\u00e7a de cinco anos sofre com fortes dores no est\u00f4mago e nos rins pelo cloro na \u00e1gua, segundo diagn\u00f3stico m\u00e9dico. Foto: Danilo Ramos\/Ag\u00eancia P\u00fablica\/Instituto Alana<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p id=\"yui_3_16_0_1_1449766696314_44310\">Uma dosagem excessiva de cloro para consumo humano pode levar, por exemplo, \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o da flora intestinal e a problemas estomacais, segundo o especialista em qu\u00edmica ambiental e tratamento de \u00e1gua, Jorge Antonio Barros de Macedo. &#8220;Al\u00e9m disso, se a \u00e1gua n\u00e3o for filtrada, antes de receber o cloro, o contato de alguns tipos da subst\u00e2ncia com mat\u00e9ria org\u00e2nica pode resultar na forma\u00e7\u00e3o de subst\u00e2ncias cancer\u00edgenas, chamados trialometanos\u201d, diz.<\/p>\n<p>Uma das enfermeiras que trabalham diariamente no posto de sa\u00fade do distrito \u2013 e que n\u00e3o quis se identificar \u2013 confirmou que muitas crian\u00e7as adoecem devido ao cloro usado na \u00e1gua. Ela reconhece, contudo, que houve uma diminui\u00e7\u00e3o do problema desde o come\u00e7o do ano. &#8220;As pessoas adoeciam mais, porque os n\u00edveis de cloro eram muito altos. Para ter uma ideia, a faxineira nem estava usando \u00e1gua sanit\u00e1ria para lavar os len\u00e7\u00f3is do posto\u201d, conta. &#8220;Depois de muita reclama\u00e7\u00e3o, melhorou, mas as pessoas mais sens\u00edveis, sobretudo as crian\u00e7as, ainda sentem dores de est\u00f4mago, diarreia e v\u00f4mito. Algumas tamb\u00e9m chegam com irrita\u00e7\u00f5es na pele, porque tomaram banho com \u00e1gua com cloro forte\u201d.<\/p>\n<p id=\"yui_3_16_0_1_1449766696314_44373\">Nem a Secretaria de Sa\u00fade Estadual do Par\u00e1 nem a de Xinguara contabilizam os casos de adoecimento em fun\u00e7\u00e3o da \u00e1gua ou do cloro, segundo a secret\u00e1ria adjunta de Sa\u00fade de Xinguara, Maria da Gl\u00f3ria Barbosa. O levantamento fica por conta da observa\u00e7\u00e3o dos funcion\u00e1rios da sa\u00fade. &#8220;Aqui, temos pelo menos tr\u00eas casos de diarreia em crian\u00e7as, por semana. A maior parte \u00e9 devido \u00e0 contamina\u00e7\u00e3o por gi\u00e1rdia, que \u00e9 um protozo\u00e1rio transmitido pela \u00e1gua que n\u00e3o \u00e9 tratada adequadamente. N\u00f3s sabemos que muitos munic\u00edpios do Estado s\u00e3o carentes na quest\u00e3o do tratamento de \u00e1gua e enfrentamos esse desafio no nosso dia a dia\u201d, conta a enfermeira-chefe de um dos postos de sa\u00fade do Munic\u00edpio, Ecilene Fera.<\/p>\n<table id=\"yui_3_16_0_1_1449766696314_44358\" width=\"458\">\n<tbody id=\"yui_3_16_0_1_1449766696314_44357\">\n<tr id=\"yui_3_16_0_1_1449766696314_44356\">\n<td id=\"yui_3_16_0_1_1449766696314_44355\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" id=\"yui_3_16_0_1_1449766696314_44354\" title=\"apublica\" src=\"http:\/\/www.adital.com.br\/arquivos2\/2015\/11\/2015_11_preco_agua_apublica4.jpg\" alt=\"apublica\" width=\"454\" height=\"680\" align=\"middle\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>De acordo com a secret\u00e1ria adjunta de Sa\u00fade de Xinguara, Maria da Gl\u00f3ria Barbosa, o munic\u00edpio n\u00e3o contabiliza os casos de adoecimento em fun\u00e7\u00e3o da \u00e1gua ou do cloro. Foto: Danilo Ramos\/Ag\u00eancia P\u00fablica\/Instituto Alana<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>A Odebrecht Ambiental disse que &#8220;obedece a todos os padr\u00f5es de tratamento de \u00e1gua, em atendimento ao preconizado pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade\u201d, e que realiza monitoramentos constantes da qualidade da \u00e1gua, por meio de exames laboratoriais. &#8220;O teor de cloro estabelecido pela legisla\u00e7\u00e3o deve ficar entre 0,2 e 2 miligramas por litro, sendo que utilizamos o valor de 0,9 miligrama por litro\u201d, informou.<\/p>\n<p id=\"yui_3_16_0_1_1449766696314_44311\">A Prefeitura, no entanto, n\u00e3o tem realizado sua an\u00e1lise da \u00e1gua para checar os dados coletados pela empresa. Esse acompanhamento deveria ser feito mensalmente, por meio de amostras colhidas em diferentes locais da cidade, enviadas, depois, para um laborat\u00f3rio central, no Munic\u00edpio de Concei\u00e7\u00e3o do Araguaia. &#8220;A \u00faltima coleta foi realizada em maio e n\u00e3o tivemos acesso aos resultados ainda. Est\u00e1 parada por causa de uma licita\u00e7\u00e3o para compra de materiais\u201d, explica o coordenador do sistema de monitoramento na prefeitura, Marconi Ribeiro.<\/p>\n<p id=\"yui_3_16_0_1_1449766696314_44359\">Devido ao cloro e ao valor elevado da conta (m\u00ednimo de R$ 27,80, para quem consome de zero a 10 metros c\u00fabicos, e uma m\u00e9dia de R$ 3,32 por metro c\u00fabico, considerando todas as faixas tarif\u00e1rias), algumas fam\u00edlias voltaram a recorrer \u00e0 \u00e1gua de po\u00e7os. &#8220;A \u00e1gua que a gente coleta tem coliformes fecais, sobretudo, a dos po\u00e7os, que, em geral, ficam perto das fossas. O saneamento b\u00e1sico e o esgoto s\u00e3o ruins. Por isso, mesmo nas fam\u00edlias de baixa renda, o pessoal acaba tendo que consumir gal\u00f5es de \u00e1gua mineral\u201d, diz Ribeiro.<\/p>\n<p id=\"yui_3_16_0_1_1449766696314_44312\">Em Xinguara, a \u00e1gua que chega \u00e0s casas pelo sistema de distribui\u00e7\u00e3o operado pela Odebrecht Ambiental vem de uma barragem feita em um pequeno c\u00f3rrego. Apenas 30% da popula\u00e7\u00e3o do Munic\u00edpio tem acesso \u00e0 \u00e1gua tratada. A empresa est\u00e1 investindo na amplia\u00e7\u00e3o da barragem, que deve duplicar de tamanho e permitir uma capta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua tr\u00eas vezes maior do que a atual, al\u00e9m de aumentar a rede de distribui\u00e7\u00e3o para a cidade. &#8220;N\u00e3o temos mais atendimento porque o c\u00f3rrego \u00e9 pequeno. No per\u00edodo de estiagem, a qualidade dessa \u00e1gua fica muito ruim, com mat\u00e9ria org\u00e2nica, escura, e temos que usar muitos produtos qu\u00edmicos. Com um lago maior, de profundidade maior, a qualidade melhora\u201d, disse uma engenheira da Odebrecht. &#8220;Trabalhamos com uma meta desafiadora, porque atendemos a um percentual muito pequeno. At\u00e9 2017 temos que atingir 70% de atendimento\u201d.<\/p>\n<p id=\"yui_3_16_0_1_1449766696314_44313\">A \u00e1gua de qualidade tamb\u00e9m \u00e9 um problema a 200 quil\u00f4metros dali, no Munic\u00edpio de S\u00e3o Geraldo do Araguaia, que, juntamente com Xinguara, capta \u00e1gua de superf\u00edcie dos rios. Muitos moradores dizem que precisam comprar \u00e1gua mineral para beberem. Segundo eles, a \u00e1gua da rua tem qualidade ruim e tamb\u00e9m chega \u00e0s casas com cheiro forte de cloro ou suja, ainda com res\u00edduos de mat\u00e9ria org\u00e2nica. De acordo com a empresa, o teor de cloro utilizado na \u00e1gua do Munic\u00edpio tamb\u00e9m \u00e9 de 0,9 miligrama por litro. A Prefeitura de S\u00e3o Geraldo n\u00e3o realizou nenhuma avalia\u00e7\u00e3o da qualidade da \u00e1gua neste ano, por falta de equipamentos, como o reagente ou o coletor, segundo a Secretaria de Sa\u00fade do Munic\u00edpio. De acordo com o \u00f3rg\u00e3o, o teor de cloro no Munic\u00edpio variou entre 0,2 e 2 miligramas por litro, mas j\u00e1 chegou a 5 miligramas por litro.<\/p>\n<p id=\"yui_3_16_0_1_1449766696314_44360\">Os moradores do Munic\u00edpio pagam uma das contas de \u00e1gua mais caras da regi\u00e3o: R$ 31,10, para quem consome entre zero e 10 metros c\u00fabicos, e uma tarifa m\u00e9dia de R$ 3,73. Segundo a Odebrecht Ambiental, as diferen\u00e7as de valores nas tarifas dos munic\u00edpios &#8220;se devem \u00e0s especificidades presentes no equil\u00edbrio financeiro de cada uma dessas concess\u00f5es e obedecem a par\u00e2metros presentes nos contratos de concess\u00e3o com cada munic\u00edpio\u201d. Antes da Odebrecht assumir o sistema de \u00e1gua no Munic\u00edpio, a respons\u00e1vel era uma empresa de capital misto, chamada Companhia de Saneamento de S\u00e3o Geraldo do Araguaia (Cosanga). O primeiro contrato foi feito com uma empresa chamada Saneatins, que, posteriormente, foi adquirida pela Odebrecht Ambiental.<\/p>\n<table id=\"yui_3_16_0_1_1449766696314_44365\" width=\"473\">\n<tbody id=\"yui_3_16_0_1_1449766696314_44364\">\n<tr id=\"yui_3_16_0_1_1449766696314_44363\">\n<td id=\"yui_3_16_0_1_1449766696314_44362\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" id=\"yui_3_16_0_1_1449766696314_44361\" title=\"apublica\" src=\"http:\/\/www.adital.com.br\/arquivos2\/2015\/11\/2015_11_preco_agua_apublica5.jpg\" alt=\"apublica\" width=\"469\" height=\"242\" align=\"middle\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr id=\"yui_3_16_0_1_1449766696314_44368\">\n<td id=\"yui_3_16_0_1_1449766696314_44367\">Com o valor alto da conta de \u00e1gua em S\u00e3o Geraldo do Araguaia, popula\u00e7\u00e3o continua utilizando o rio para lavar lou\u00e7as e roupas. Foto: Danilo Ramos\/Ag\u00eancia P\u00fablica\/Instituto Alana<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p id=\"yui_3_16_0_1_1449766696314_44372\">Devido \u00e0s recorrentes queixas sobre a qualidade e o pre\u00e7o da \u00e1gua no Munic\u00edpio, o promotor de Justi\u00e7a de S\u00e3o Geraldo do Araguaia, Agenor de Andrade, organiza, desde agosto, quatro procedimentos jur\u00eddicos contra a Odebrecht Ambiental, de quatro diferentes regi\u00f5es da cidade. Tr\u00eas deles vieram com abaixo-assinados que reuniram 160, 110 e 70 assinaturas de moradores, reclamando de cheiro de esgoto na \u00e1gua, da cor barrenta ou do interrompimento constante da distribui\u00e7\u00e3o, sem aviso. &#8220;V\u00e1rias pessoas est\u00e3o passando mal, com diarreia, infec\u00e7\u00f5es por bact\u00e9rias, v\u00f4mitos e crises estomacais\u201d, diz o enunciado de um dos abaixo-assinados.<\/p>\n<p id=\"yui_3_16_0_1_1449766696314_44314\">&#8220;Os moradores me encaminharam uma garrafa com uma amostra da \u00e1gua que chega \u00e0 casa deles e ela veio, realmente, muito suja e barrenta. Por isso, vou convocar, junto \u00e0 C\u00e2mara Municipal, uma audi\u00eancia p\u00fablica, para ouvir os mun\u00edcipes e cobrar respostas da empresa\u201d, diz Andrade. &#8220;Colheremos informa\u00e7\u00f5es e instauraremos um procedimento administrativo para subsidiar uma eventual a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica contra a Odebrecht\u201d.<\/p>\n<p id=\"yui_3_16_0_1_1449766696314_44374\">Uma das alternativas que a popula\u00e7\u00e3o encontra para driblar a tarifa e os problemas na qualidade da \u00e1gua \u00e9 o rio, sem tratamento. Na pequena S\u00e3o Geraldo, com suas casas de madeira e ruas de terra, onde, al\u00e9m das pessoas, circulam tamb\u00e9m galinhas e porcos, tudo acontece nas margens dos Araguaia, entre a lavagem de roupa e a pescaria. &#8220;A \u00e1gua da rua vem suja ou cheia de cloro. Para tudo que preciso, uso o rio\u201d, reclama a pescadora Silva Moreira, que mora em uma casa onde s\u00f3 h\u00e1 uma torneira e um vaso sanit\u00e1rio, sem descarga.<\/p>\n<p id=\"yui_3_16_0_1_1449766696314_44321\">&#8220;\u00c0s vezes, a \u00e1gua vem muito suja, outras com bastante cloro. Chega a arder para beber\u201d, conta a dona de casa Rosa Maria. Foto: Danilo Ramos\/Ag\u00eancia P\u00fablica\/Instituto Alana<\/p>\n<p id=\"yui_3_16_0_1_1449766696314_44315\">&#8220;Uma vizinha contou que colocou a roupa de molho e, no dia seguinte, apareceu manchada, porque \u00e9 muito cloro\u201d, conta a dona de casa Rosa Maria, que tem uma filha de 10 anos e outra de nove meses. &#8220;\u00c0s vezes, a \u00e1gua vem muito suja, outras vezes com bastante cloro. Chega a arder para beber. Acabamos tendo que comprar \u00e1gua mineral para dar para a beb\u00ea, porque a da rua \u00e9 muito forte para ela. Mas, infelizmente, n\u00e3o temos dinheiro para as duas. O que vamos fazer?\u201d<\/p>\n<p id=\"yui_3_16_0_1_1449766696314_44319\"><em>Essa mat\u00e9ria \u00e9 resultado do concurso de microbolsas para reportagens investigativas sobre Crian\u00e7as e \u00c1gua promovido pelo projeto Prioridade Absoluta do\u00a0<a href=\"http:\/\/apublica.us8.list-manage.com\/track\/click?u=47bdda836f3b890e13c9f416d&amp;id=20139603ff&amp;e=7f0258cd6a\" rel=\"nofollow\" target=\"_blank\">Instituto Alana<\/a>\u00a0em parceria com a\u00a0Ag\u00eancia P\u00fablica.<\/em><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/apublica.us8.list-manage2.com\/track\/click?u=47bdda836f3b890e13c9f416d&amp;id=e870f3a347&amp;e=7f0258cd6a\" rel=\"nofollow\" target=\"_blank\">http:\/\/goo.gl\/hi9Mc8<\/a><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"yui_3_16_0_1_1449766696314_44317\">\n<h3 id=\"yui_3_16_0_1_1449766696314_44316\">Ag\u00eancia P\u00fablica<\/h3>\n<p>Ag\u00eancia de Reportagem e Jornalismo investigativo.<\/p>\n<div><a href=\"http:\/\/apublica.org\/\" rel=\"nofollow\" target=\"_blank\">http:\/\/apublica.org\/<\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O pre\u00e7o da \u00e1gua Ag\u00eancia P\u00fablica Por\u00a0Sarah Fernandes A \u00e1gua, t\u00e3o central na cultura amaz\u00f4nica, tem se transformado em um&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/14847"}],"collection":[{"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=14847"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/14847\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14849,"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/14847\/revisions\/14849"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=14847"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=14847"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=14847"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}