{"id":12814,"date":"2015-05-15T18:37:31","date_gmt":"2015-05-15T18:37:31","guid":{"rendered":"http:\/\/fonasc-cbh.org.br\/?p=12814"},"modified":"2015-05-15T18:37:31","modified_gmt":"2015-05-15T18:37:31","slug":"fonasc-divulga-mapeamento-dos-conflitos-ambientais-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/?p=12814","title":{"rendered":"FONASC DIVULGA &#8211; MAPEAMENTO DOS CONFLITOS AMBIENTAIS NO BRASIL"},"content":{"rendered":"<div id=\"yiv7697405346yui_3_16_0_1_1431706056297_25735\">\n<div id=\"yiv7697405346yui_3_16_0_1_1431706056297_25734\">\n<div id=\"yiv7697405346yui_3_16_0_1_1431706056297_25733\">\n<div id=\"yiv7697405346yui_3_16_0_1_1431706056297_25732\">\n<div id=\"yui_3_16_0_1_1431712370085_11767\">\n<div id=\"yui_3_16_0_1_1431712370085_11766\">\n<h2 id=\"yui_3_16_0_1_1431712370085_11765\">O mapeamento dos conflitos ambientais no Brasil<\/h2>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<div id=\"yiv7697405346texto-aumenta\">\n<div id=\"yiv7697405346yui_3_16_0_1_1431706056297_25731\">\n<div id=\"yui_3_16_0_1_1431712370085_11769\">\u201cOs invent\u00e1rios e mapas de injusti\u00e7as ambientais s\u00e3o instrumentos de luta contra a injusti\u00e7a e o racismo, tiram da invisibilidade a popula\u00e7\u00e3o cuja pr\u00f3pria <strong><span style=\"font-size: medium;\">vida est\u00e1 amea\u00e7ada\u201d<\/span><\/strong>. O coment\u00e1rio \u00e9 de\u00a0<strong>Joan Martinez-Alier<\/strong>, economista ecol\u00f3gico professor da Universidade Aut\u00f4noma de Barcelona, em artigo publicado pela\u00a0<strong id=\"yui_3_16_0_1_1431712370085_11775\">CartaCapital<\/strong>, 27-11-2013.<\/div>\n<div id=\"yui_3_16_0_1_1431712370085_11770\"><strong>Eis o artigo.<\/strong><\/div>\n<div id=\"yui_3_16_0_1_1431712370085_11776\">No dia 22 de dezembro de 2013, completam-se 25 anos do assassinato de<strong>\u00a0Chico Mendes<\/strong>\u00a0(1944-1988), morto em<strong>Xapuri<\/strong>, no estado do Acre, por defender a Amaz\u00f4nia contra o desmatamento.\u00a0<strong>Chico Mendes<\/strong>\u00a0era um seringueiro, e foi um sindicalista que defendia os seringueiros contra os poderosos fazendeiros que queimavam a floresta. Ele havia aprendido a ler, ainda menino, com um velho comunista que vivia escondido nessa fronteira entre o Brasil e a Bol\u00edvia, um sobrevivente da\u00a0<strong>Coluna Prestes<\/strong>.<\/div>\n<div id=\"yui_3_16_0_1_1431712370085_11771\">Desde ent\u00e3o, longe de diminuir, os conflitos decorrentes do desmatamento e da expans\u00e3o da fronteira agropecu\u00e1ria continuam crescendo por toda a Amaz\u00f4nia. Repetidas vezes, s\u00e3o produzidas mortes por causa dessa expans\u00e3o. Mas tamb\u00e9m h\u00e1 outros conflitos que decorrem de injusti\u00e7as ambientais, al\u00e9m do desmatamento e da fronteira agropecu\u00e1ria, como pela expans\u00e3o da minera\u00e7\u00e3o, por infraestrutura (estradas, grandes usinas) e por contamina\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos.<\/div>\n<div id=\"yui_3_16_0_1_1431712370085_11773\">J\u00e1 faz dez anos que se formou no Brasil uma\u00a0<strong>Rede de Justi\u00e7a Ambiental.<\/strong>\u00a0Os ativistas receberam a visita de<strong>\u00a0Robert Bullard<\/strong>, que nos Estados Unidos levava d\u00e9cadas de luta contra o &#8220;racismo ambiental&#8221;, quer dizer, lutando contra a contamina\u00e7\u00e3o em bairros onde vive gente de cor e gente pobre. Isso deu impulso para a\u00a0<strong id=\"yui_3_16_0_1_1431712370085_11772\">Rede Brasileira de Justi\u00e7a Ambiental<\/strong>. Para dar mais visibilidade a tantos casos de injusti\u00e7as e conflitos abertos, ocorreram v\u00e1rias tentativas, em n\u00edvel estadual (como Rio de Janeiro e Minas Gerais) de fazer um invent\u00e1rio e mapear tais conflitos.<\/div>\n<div id=\"yui_3_16_0_1_1431712370085_11774\">Esses esfor\u00e7os culminaram na\u00a0<a href=\"http:\/\/www.conflitoambiental.icict.fiocruz.br\/\" rel=\"nofollow\" target=\"_blank\">publica\u00e7\u00e3o online<\/a>\u00a0de um invent\u00e1rio e um mapa geral dos conflitos ambientais no Brasil, e tamb\u00e9m em um livro, lan\u00e7ado em novembro de 2013, compilado por<strong>\u00a0Marcelo Firpo Porto, Tania Pacheco<\/strong>\u00a0e<strong>\u00a0Jean Pierre Leroy<\/strong>\u00a0com o t\u00edtulo\u00a0<strong>Injusti\u00e7a ambiental e sa\u00fade no Brasil: O mapa de conflitos<\/strong>. Trata-se de um trabalho pioneiro no mundo, com 400 casos inventariados, cada qual com uma descri\u00e7\u00e3o de dois ou tr\u00eas p\u00e1ginas que incluem suas caracter\u00edsticas principais. Por exemplo: se \u00e9 um conflito por minera\u00e7\u00e3o ou por petr\u00f3leo, por res\u00edduos nucleares, por grilagem de terra, por asbesto ou por amianto? Quais s\u00e3o os principais atores envolvidos? Quais foram os resultados?<\/div>\n<div>Na\u00a0<strong>Col\u00f4mbia<\/strong>\u00a0j\u00e1 existe um mapa parecido (em colabora\u00e7\u00e3o com o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/%20http:\/www.ejolt.org\/\" rel=\"nofollow\" target=\"_blank\">projeto\u00a0<strong>EJOLT<\/strong><\/a>), mas com apenas 70 casos. O mesmo na Turquia, e tamb\u00e9m no M\u00e9xico, h\u00e1 diversas iniciativas nesse sentido. O\u00a0<a href=\"http:\/\/www.conflictosmineros.net\/\" rel=\"nofollow\" target=\"_blank\">Observatorio de Conflictos Mineros de Am\u00e9rica latina (OCMAL<\/a>) \u00e9 uma rede que publica invent\u00e1rios e mapas. O tema est\u00e1 crescendo tanto na pr\u00e1tica e na pesquisa acad\u00eamica que se anuncia e se prepara um primeiro\u00a0<strong>Congresso Latino-americano de Conflitos Ambientais<\/strong>, a ser realizado na Universidad Nacional General Sarmiento, em\u00a0<strong>Buenos Aires<\/strong>, em outubro de 2014. N\u00e3o para resolver os conflitos em benef\u00edcio das empresas, mas para estud\u00e1-los, para difundi-los, e para dar-lhes um sentido hist\u00f3rico.<\/div>\n<div id=\"yui_3_16_0_1_1431712370085_11778\"><span style=\"color: #1a1a1a;\">Qual \u00e9 ent\u00e3o o prop\u00f3sito destes invent\u00e1rios e mapas, al\u00e9m do avan\u00e7o cient\u00edfico da <\/span><strong><span style=\"color: #ff9900; font-size: medium;\">ecologia pol\u00edtica<\/span><\/strong><span style=\"color: #1a1a1a;\">? Trata-se de mostrar as causas estruturais de tantos e tantos conflitos, ou seja, como nascem do aumento do\u00a0 metabolismo da economia mundial e da exporta\u00e7\u00e3o crescente de mat\u00e9rias primas&#8230; N\u00e3o s\u00e3o casos\u00a0<\/span><strong>NIMBY<\/strong><span style=\"color: #1a1a1a;\">\u00a0(not in my backyard, &#8220;n\u00e3o no meu quintal&#8221;), mas sintomas do grande movimento mundial por justi\u00e7a ambiental. Por exemplo, no Brasil surgiu um movimento que se chama<\/span><a href=\"http:\/\/www.justicanostrilhos.org\/\" rel=\"nofollow\" target=\"_blank\">\u00a0Justi\u00e7a nos Trilhos<\/a><span style=\"color: #1a1a1a;\">, em protesto contra os acidentes nas vias f\u00e9rreas que transportam mat\u00e9rias primas aos portos de exporta\u00e7\u00e3o, pelo impacto da grande minera\u00e7\u00e3o em\u00a0<\/span><strong>Caraj\u00e1s<\/strong><span style=\"color: #1a1a1a;\">\u00a0e a\u00a0<\/span><strong>Estrada de Ferro Caraj\u00e1s<\/strong><span id=\"yui_3_16_0_1_1431712370085_11777\" style=\"color: #1a1a1a;\">, com impacto principalmente no\u00a0<\/span><strong>Maranh\u00e3o<\/strong><span style=\"color: #1a1a1a;\">,\u00a0<\/span><strong>Par\u00e1<\/strong><span style=\"color: #1a1a1a;\">\u00a0e\u00a0<\/span><strong>Tocantins<\/strong><span style=\"color: #1a1a1a;\">. H\u00e1 protestos semelhantes em outros lugares do mundo. Ainda no Brasil, existe o\u00a0<\/span><a href=\"http:\/\/www.mabnacional.org.br\/\" rel=\"nofollow\" target=\"_blank\">Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB<\/a><span style=\"color: #1a1a1a;\">), que s\u00e3o afetados por represas e usinas, o mesmo que acontece no M\u00e9xico com o\u00a0<\/span><a href=\"http:\/\/www.mapder.lunasexta.org\/\" rel=\"nofollow\" target=\"_blank\">MAPDER<\/a><a href=\"http:\/\/www.mapder.lunasexta.org\/\" rel=\"nofollow\" target=\"_blank\">.<\/a><\/div>\n<div>Trata-se de dar visibilidade \u00e0s popula\u00e7\u00f5es afetadas, de colocar na mesa as suas demandas, suas estrat\u00e9gias de resist\u00eancia e as alternativas que pleiteiam.<\/div>\n<div id=\"yui_3_16_0_1_1431712370085_11779\">Em muitos conflitos aparecem incertezas cient\u00edficas (qu\u00e3o prejudicial pode ser o uso de cianeto na minera\u00e7\u00e3o de ouro a c\u00e9u aberto?) Como o\u00a0<strong>glifosato<\/strong>\u00a0utilizado no cultivo de soja transg\u00eanica afeta \u00e0s popula\u00e7\u00f5es?), e por isso o debate deve ser aberto para as popula\u00e7\u00f5es locais pobres que conhecem melhor do que as distantes autoridades sanit\u00e1rias oficiais o que est\u00e1 acontecendo. Os conhecimentos adquiridos em um caso de conflito servem tamb\u00e9m para outros casos.<\/div>\n<div>O objetivo n\u00e3o \u00e9 simplesmente oferecer uma lista de impactos ou de riscos ambientais que afetam distintos grupos locais de popula\u00e7\u00e3o (camponeses, ind\u00edgenas, quilombolas&#8230;) mas, al\u00e9m disso, ver tais popula\u00e7\u00f5es como portadoras de direitos, que suas vozes sejam ouvidas (seus relatos orais, muitas vezes tamb\u00e9m com v\u00eddeos), vozes silenciadas pelas empresas, pelo Estado, pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o, vozes que clamam por justi\u00e7a social e ambiental.<\/div>\n<div id=\"yiv7697405346yui_3_16_0_1_1431706056297_25730\">Os invent\u00e1rios e mapas de injusti\u00e7as ambientais s\u00e3o instrumentos de luta contra a injusti\u00e7a e o racismo, tiram da invisibilidade a popula\u00e7\u00e3o cuja pr\u00f3pria vida est\u00e1 amea\u00e7ada. O mapa, dizem os pesquisadores brasileiros, n\u00e3o \u00e9 apenas uma tribuna, um alto-falante, mas serve tamb\u00e9m, de certa maneira, como um escudo protetor. Claro, na medida em que isso seja poss\u00edvel no contexto permeado de viol\u00eancia contra os mais pobres.<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><a id=\"yiv7697405346yui_3_16_0_1_1431706056297_25742\" href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/526121-o-mapeamento-dos-conflitos-ambientais-no-brasil\" rel=\"nofollow\" target=\"_blank\">http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/526121-o-mapeamento-dos-conflitos-ambientais-no-brasil<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mapeamento dos conflitos ambientais no Brasil \u201cOs invent\u00e1rios e mapas de injusti\u00e7as ambientais s\u00e3o instrumentos de luta contra a&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/12814"}],"collection":[{"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=12814"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/12814\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12816,"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/12814\/revisions\/12816"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=12814"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=12814"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=12814"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}