{"id":12216,"date":"2015-03-11T23:35:50","date_gmt":"2015-03-11T23:35:50","guid":{"rendered":"http:\/\/fonasc-cbh.org.br\/?p=12216"},"modified":"2015-03-11T23:45:01","modified_gmt":"2015-03-11T23:45:01","slug":"fonasc-pernambuco-publica-artigo-racionamento-de-agua-incompetencia-e-o-arco-metropolitano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/?p=12216","title":{"rendered":"FONASC PERNAMBUCO-ARTIGO &#8211; Racionamento de \u00e1gua, incompet\u00eancia e o Arco Metropolitano"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p id=\"yui_3_16_0_1_1426116155009_2269\" align=\"center\"><strong id=\"yui_3_16_0_1_1426116155009_2268\">Racionamento de \u00e1gua, incompet\u00eancia e o Arco Metropolitano<\/strong><\/p>\n<p id=\"yui_3_16_0_1_1426116155009_2266\" align=\"right\">Heitor Scalambrini Costa<\/p>\n<p id=\"yui_3_16_0_1_1426116155009_2270\" align=\"right\">Professor da Universidade Federal de Pernambuco<\/p>\n<p>O Brasil det\u00e9m, sozinho, 16% do total das reservas de \u00e1gua doce do planeta. Possui em seu territ\u00f3rio o maior rio e o segundo maioraqu\u00edfero subterr\u00e2neo do mundo. Al\u00e9m de apresentar \u00edndices recordes de chuva.Mesmo assim suas maiores cidades sofrem racionamento, pois o Brasil n\u00e3o usa nem 1% do seu potencial de \u00e1gua doce e as grandes metr\u00f3poles enfrentam colapso no abastecimento deste bem t\u00e3o precioso.<\/p>\n<p id=\"yui_3_16_0_1_1426116155009_2277\">A explica\u00e7\u00e3o \u00e9 uma s\u00f3: o mau gerenciamento dos recursos h\u00eddricos pelo poder p\u00fablico \u2013 em todas as esferas de atua\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 prote\u00e7\u00e3o das nascentes, que sofrem com o desmatamento, e nem dos reservat\u00f3rios naturais. Os rios est\u00e3o degradados; os \u00edndices de perda de \u00e1guanas empresas s\u00e3o assustadores;h\u00e1 um desperd\u00edcio muito grande por parte da popula\u00e7\u00e3o, e na agricultura, onde ocorre mais de 70% do consumo, ainda se utiliza tecnologias do s\u00e9culo passado \u2013 tudo contribui para o desperd\u00edcio de \u00e1gua eo consumo excessivo de energia.<\/p>\n<p>Obviamente a mercantiliza\u00e7\u00e3o da \u00e1gua tem provocado situa\u00e7\u00f5es surrealistas. As empresas de \u00e1gua v\u00e3o muito bem do ponto de vista financeiro, todavia a popula\u00e7\u00e3o acaba sofrendo as consequ\u00eancias de pol\u00edticas voltadas a satisfazer os interesses dos acionistas (geralmente minorit\u00e1rios nas companhias), \u00e1vidos por dividendos crescentes.<\/p>\n<p>Vejamos o caso da Compesa \u2013 Companhia Pernambucana de Saneamento \u2013 que se ocupa com acesso \u00e0 \u00e1gua e com o esgotamento sanit\u00e1rio em praticamente todos os munic\u00edpios do Estado de Pernambuco.<\/p>\n<p>Criada em 29 de julho de 1971, pela lei estadual n<sup>o<\/sup>\u00a06307,\u00e9 uma empresa de economia mistade direito privado, vinculada ao Governo do Estado de Pernambuco por meio da Secretaria de Recursos H\u00eddricos e Energ\u00e9ticos. Temcomo acionista majorit\u00e1rio o pr\u00f3prio Governo do Estado, que det\u00e9m pouco menos de 80% das a\u00e7\u00f5es da companhia.<\/p>\n<p>O desempenho financeiro da Compesa \u00e9 \u201ccantado em verso e prosa\u201d pelos seus gestores. Apresentando faturamento crescente nos \u00faltimos anos, hoje, mais de 1 bilh\u00e3o de reais anuais. Al\u00e9m de lucro l\u00edquido em torno de 100 milh\u00f5es de reais, praticamente quatro vezes os resultados obtidos em 2010.<\/p>\n<p>Mesmo com estes resultados financeiros, e os investimentos crescentes que passaram deR$ 35 milh\u00f5es em 2010 para R$ 735 milh\u00f5es em 2013, o n\u00edvel de atendimento a popula\u00e7\u00e3o \u00e9 sofr\u00edvel. H\u00e1 d\u00e9cadas, Recife e sua regi\u00e3o metropolitana sofrem com o desabastecimento\/racionamento de \u00e1gua,e com um saneamento deplor\u00e1vel, justificando os altos \u00edndices de doen\u00e7as em sua popula\u00e7\u00e3o, transmitidas em grande parte pela falta de esgotamento sanit\u00e1rio.<\/p>\n<p>Um exemplo da m\u00e1 gest\u00e3o diz respeito ao \u00edndice de perdas.Enquanto a m\u00e9dia nacional de desperd\u00edcio de \u00e1gua tratada, devido \u00e0s perdas por vazamento, \u00e9 de 35% (muito superior \u00e0 m\u00e9dia de pa\u00edses europeus e o Jap\u00e3o, que \u00e9 inferior a 5%), em Recife as perdas chegam a mais de 50%.<\/p>\n<p>Com a justificativa de aumentar a base de investimentos e de permitir maiores investimentos, tentativas de privatiza\u00e7\u00e3o pelos governos estaduais j\u00e1 ocorreram. Foram recha\u00e7adas pela popula\u00e7\u00e3o depois do exemplo desastroso ocorrido ap\u00f3s a privatiza\u00e7\u00e3o da Companhia Energ\u00e9tica de Pernambuco, a Celpe, em 2000.<\/p>\n<p>Iniciamos 2015, e mais uma vez os problemas de fornecimento de \u00e1gua em Pernambuco se tornam cr\u00edticos, como se j\u00e1 n\u00e3o fossem. A chamadacrise h\u00eddrica atinge em cheio a capital pernambucana e sua regi\u00e3o metropolitana, sem obviamente levar em conta o problema cr\u00f4nico que convive os munic\u00edpios do agreste e do ser\u00e3o. Diante de reservat\u00f3rios com pouca armazenagem de \u00e1gua, o governo estadual finalmente acorda para o problema.<\/p>\n<p>A primeira atitude dos gestores, diante da pr\u00f3pria incompet\u00eancia,foi culpar S\u00e3o Pedro pela escassez das chuvas. Como o Santo n\u00e3o pode se defender, fica f\u00e1cil estatransfer\u00eancia de responsabilidade. A segunda atitude, para mostrar servi\u00e7o, foi apontar solu\u00e7\u00f5es imediatistas, como a constru\u00e7\u00e3o de novas barragens e a transposi\u00e7\u00e3o de \u00e1guas, demonstrando sua incapacidade no planejamento de a\u00e7\u00f5es preventivas e mesmo corretivas, que com certeza minimizariam em muito os sacrif\u00edcios impostos \u00e0popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O que fica evidente com a trag\u00e9dia que se abate sobre mais de 110 munic\u00edpios pernambucanos (2\/3 do total), inclu\u00eddos os da regi\u00e3o metropolitana, tem origem no descaso e na falta de responsabilidade socioambiental daqueles que que ocupam cargos de governo.<\/p>\n<p>No caso especificoda regi\u00e3o metropolitana do Recife, o \u00fanico reservat\u00f3rio no Litoral Norte que alimenta a Regi\u00e3o Metropolitana do Recife \u00e9 a barragem de Botafogo, que atualmente conta com menos de 15% de sua capacidade. Mesmo sendo uma \u00e1rea de prote\u00e7\u00e3o ambiental, protegida por lei, o entorno da barragem vem sendodesmatadoh\u00e1 anos, com a cumplicidade dos \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos. Agora se verifica que, mesmo para precipita\u00e7\u00f5es consideradas normais na regi\u00e3o, o n\u00edvel de \u00e1gua do reservat\u00f3rio j\u00e1 n\u00e3o se recupera como antes.<\/p>\n<p>Uma das medidas a m\u00e9dio prazo, das mais sensatas neste caso, seria o reflorestamento e a prote\u00e7\u00e3o do entorno da barragem e das nascentes que alimentam o sistema Botafogo. Ao inv\u00e9s disso lemos nos jornais a sanha economicista na discuss\u00e3o do trajeto do Arco Metropolitano.Sem d\u00favida um empreendimento inconteste diante do caos urbano existente hoje nesta regi\u00e3o, e que ir\u00e1 minimizar o trafego na BR 101 e no grande Recife.<\/p>\n<p>Alguns gestores ligados a interesses econ\u00f4micos prop\u00f5em um trajeto para o Arco Metropolitano que ir\u00e1 cortar justamente as nascentes que alimentam o Sistema Botafogo, fazendo com que a rodovia passe pr\u00f3ximo \u00e0 barragem, aumentando assim a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria e a ocupa\u00e7\u00e3o do solo.<\/p>\n<p id=\"yui_3_16_0_1_1426116155009_2283\">Existe em tudo isso um desejo impl\u00edcito dos gestores de plant\u00e3o em tornar a vida dos cidad\u00e3os cada vez mais dif\u00edcil e insuport\u00e1vel. Contra isso a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o \u00e9 a mobiliza\u00e7\u00e3o e a press\u00e3o popular, que ao longo da hist\u00f3ria da humanidade tem se mostrado o \u00fanico caminho da transforma\u00e7\u00e3o. \u00c9 como se diz, \u201cunidos, venceremos!\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Racionamento de \u00e1gua, incompet\u00eancia e o Arco Metropolitano Heitor Scalambrini Costa Professor da Universidade Federal de Pernambuco O Brasil&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/12216"}],"collection":[{"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=12216"}],"version-history":[{"count":11,"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/12216\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12224,"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/12216\/revisions\/12224"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=12216"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=12216"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=12216"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}