{"id":10343,"date":"2014-05-16T19:30:45","date_gmt":"2014-05-16T19:30:45","guid":{"rendered":"http:\/\/fonasc-cbh.org.br\/?p=10343"},"modified":"2017-09-11T17:56:49","modified_gmt":"2017-09-11T17:56:49","slug":"rio-paraguai-fonasc-assina-e-apoia-mocao-da-vi-oficina-de-avaliacao-do-estado-de-conservacao-de-peixes-continentais-das-ecorregioes-dos-rios-paraguai-e-uruguai","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/?p=10343","title":{"rendered":"RIO PARAGUAI Fonasc assina e apoia Mo\u00e7\u00e3o da VI Oficina de Avalia\u00e7\u00e3o do Estado de Conserva\u00e7\u00e3o de Peixes Continentais das Ecorregi\u00f5es dos rios Paraguai e Uruguai"},"content":{"rendered":"<p><strong>Mo\u00e7\u00e3o da VI Oficina de Avalia\u00e7\u00e3o do Estado de Conserva\u00e7\u00e3o de Peixes Continentais das Ecorregi\u00f5es dos rios Paraguai e Uruguai<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" title=\"PANTANAL\" src=\"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/wp-content\/uploads\/pantanal11.jpg\" alt=\"MOCAO \" width=\"585\" height=\"390\" \/><br \/>\nOs participantes da VI Oficina de Avalia\u00e7\u00e3o do Estado de Conserva\u00e7\u00e3o de Peixes Continentais das Ecorregi\u00f5es dos rios Paraguai e Uruguai e da VI Oficina de Avalia\u00e7\u00e3o do Estado de Conserva\u00e7\u00e3o de Peixes Continentais Amaz\u00f4nicos, reunidos de 5 a 9 de maio de 2014 na Acadebio &#8211; ICMBio, em Iper\u00f3, SP, v\u00eam manifestar, em unanimidade, a sua preocupa\u00e7\u00e3o com rela\u00e7\u00e3o aos efeitos nocivos sobre a ictiofauna, o ecossistema e as atividades socioecon\u00f4micas realizadas no Pantanal, que podem advir do conjunto de 38 empreendimentos hidrel\u00e9tricos j\u00e1 instalados, somados aos 90 projetos previstos (UHEs, PCHs, CGHs) para implanta\u00e7\u00e3o na parte alta da Bacia do Alto rio Paraguai nos Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.<br \/>\nA regi\u00e3o \u00e9 reconhecida pela abund\u00e2ncia e diversidade de peixes e de vida selvagem, pela riqueza da flora e de tipos de ambientes, compondo paisagens singulares, que conferem um extraordin\u00e1rio potencial tur\u00edstico ao Pantanal. O homem da regi\u00e3o se adaptou ao ambiente, desenvolvendo uma express\u00e3o cultural pr\u00f3pria e compat\u00edvel com a conserva\u00e7\u00e3o do ambiente. Em fun\u00e7\u00e3o dessas caracter\u00edsticas, o Pantanal \u00e9 considerado como regi\u00e3o de grande relev\u00e2ncia ecol\u00f3gica e socioecon\u00f4mica, declarado como Patrim\u00f4nio Nacional pela Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988 e como Patrim\u00f4nio Natural da Humanidade e Reserva da Biosfera pela UNESCO em 2000, incluindo tamb\u00e9m s\u00edtios da Conven\u00e7\u00e3o de Ramsar da qual o Brasil \u00e9 signat\u00e1rio desde 1996.<br \/>\nNa Bacia do Alto Paraguai as chuvas se concentram no ver\u00e3o e extravasam para a plan\u00edcie do Pantanal, mantendo grandes \u00e1reas inundadas por longos per\u00edodos durante a cheia, que retornam ao leito dos rios na vazante. Esse \u00e9 o &#8220;pulso anual de inunda\u00e7\u00e3o&#8221;, o principal fen\u00f4meno natural do Pantanal, que condiciona a riqueza, abund\u00e2ncia e distribui\u00e7\u00e3o dos peixes, da fauna e flora e as atividades humanas na regi\u00e3o.<br \/>\nNa plan\u00edcie do Pantanal ocorrem mais de 270 esp\u00e9cies de peixes, que desempenham um papel fundamental no ecossistema e s\u00e3o utilizados pela pesca nas modalidades profissional-artesanal, amadora e de subsist\u00eancia. As esp\u00e9cies mais visadas pela pesca s\u00e3o os peixes de &#8220;piracema&#8221;, cujo ciclo de vida depende diretamente do pulso de inunda\u00e7\u00e3o e da livre movimenta\u00e7\u00e3o entre a plan\u00edcie e o planalto. A ictiofauna inclui ainda um n\u00famero expressivo de esp\u00e9cies adaptadas \u00e0s regi\u00f5es de planalto, onde h\u00e1 maior ocorr\u00eancia de endemismos.<br \/>\nOs empreendimentos hidrel\u00e9tricos propostos para a bacia t\u00eam o potencial de alterar o ciclo hidrol\u00f3gico do Pantanal em qualidade e quantidade, afetando, consequentemente, os peixes, a fauna e a flora da regi\u00e3o e, por conseguinte suas atividades socioecon\u00f4micas. Estes efeitos poder\u00e3o ocorrer no local, a montante e a jusante dos empreendimentos, tanto de forma imediata, como serem percept\u00edveis somente a m\u00e9dio e longo prazos.<br \/>\nOs impactos negativos incluem preju\u00edzos ao tr\u00e2nsito livre dos peixes migradores entre suas \u00e1reas de desova, crescimento e alimenta\u00e7\u00e3o. Com os represamentos, ocorrem altera\u00e7\u00f5es a montante das barragens pela transforma\u00e7\u00e3o repentina de um rio em um lago, alterando os padr\u00f5es f\u00edsicos e qu\u00edmicos da \u00e1gua e a distribui\u00e7\u00e3o de organismos. Desse modo, os represamentos levam a altera\u00e7\u00e3o na composi\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies, com elevada prolifera\u00e7\u00e3o de algumas e redu\u00e7\u00e3o ou extin\u00e7\u00e3o de outras. No trecho abaixo da barragem, os impactos se mostram ainda mais relevantes, pois os reservat\u00f3rios promovem a redistribui\u00e7\u00e3o das vaz\u00f5es, elevando o n\u00edvel m\u00ednimo do rio durante a seca e reduzindo durante a cheia, diminuindo a conex\u00e3o do rio com os ambientes aqu\u00e1ticos marginais, comprometendo os processos de reprodu\u00e7\u00e3o, alimenta\u00e7\u00e3o, recrutamento, produ\u00e7\u00e3o e a biodiversidade como um todo.<br \/>\nAs altera\u00e7\u00f5es na composi\u00e7\u00e3o e abund\u00e2ncia da ictiofauna afetam as cadeias alimentares da plan\u00edcie e, sobretudo, as esp\u00e9cies diretamente dependentes destes recursos como as comunidades de aves aqu\u00e1ticas, r\u00e9pteis e mam\u00edferos, interferindo consequentemente em atividades socioecon\u00f4micas como o turismo. Mudan\u00e7as na abund\u00e2ncia e diversidade da ictiofauna t\u00eam efeitos diretos e geralmente negativos sobre a pesca. Dependendo da magnitude, podem ocorrer fortes implica\u00e7\u00f5es sociais e econ\u00f4micas devido ao menor rendimento da pesca em peso e qualidade do pescado.<br \/>\nAl\u00e9m dos efeitos potenciais decorrentes dos empreendimentos energ\u00e9ticos, a conserva\u00e7\u00e3o da ictiofauna e o rendimento da pesca encontram-se sob a amea\u00e7a de outros fatores relacionados \u00e0s formas atuais de uso e ocupa\u00e7\u00e3o da Bacia do Alto Paraguai. Estes fatores s\u00e3o oriundos principalmente das \u00e1reas de Planalto com repercuss\u00e3o na plan\u00edcie pantaneira a jusante, destacando-se: eros\u00e3o dos solos e assoreamento dos rios; contamina\u00e7\u00e3o das \u00e1guas por pesticidas, decorrente de atividades agropecu\u00e1rias; desenvolvimento urbano com aumento da descarga de dejetos dom\u00e9sticos e industriais e remo\u00e7\u00e3o de matas ciliares; introdu\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies ex\u00f3ticas; minera\u00e7\u00e3o, transforma\u00e7\u00e3o da paisagem e contamina\u00e7\u00e3o ambiental por merc\u00fario; aumento do tr\u00e1fego de grandes comboios de barca\u00e7as, que causam desmoronamento dos diques marginais e das matas ciliares nas manobras.<br \/>\nPortanto, considerando que o potencial de gera\u00e7\u00e3o de energia hidrel\u00e9trica da Bacia do Alto Paraguai \u00e9 de apenas 1,2% em rela\u00e7\u00e3o ao potencial nacional, e considerando o conjunto dos efeitos negativos sobre a ictiofauna, o ecossistema e as atividades socioecon\u00f4micas realizadas no Pantanal, recomendamos veementemente a n\u00e3o instala\u00e7\u00e3o dos projetos energ\u00e9ticos previstos, considerando, ainda, o grande potencial de impactos sin\u00e9rgicos e cumulativos que poder\u00e3o advir da implanta\u00e7\u00e3o conjunta destes empreendimentos sobre a natureza e a sociedade nesta bacia hidrogr\u00e1fica.<br \/>\nIper\u00f3, SP, 09 de maio de 2014<br \/>\nPARTICIPANTES DA OFICINA<br \/>\nNomes dos participantes Institui\u00e7\u00e3o E-mail<br \/>\nAkemi Shibuya<br \/>\nIB\/USP<br \/>\nakemi_shibuya@yahoo.com.br<br \/>\nAlberto Akama<br \/>\nMuseu Goeldi\/PA<br \/>\naakama@gmail.com<br \/>\nAline Ramos dos Santos<br \/>\nCEPAM\/ICMBio<br \/>\nharpialine@yahoo.com.br<br \/>\nAuryc\u00e9ia Guimar\u00e3es da Costa<br \/>\nUFPA<br \/>\nauryceia@gmail.com<br \/>\nAgostinho Carlos Catella<br \/>\nEMBRAPA Pantanal<br \/>\nagostinho.catella@embrapa.br<br \/>\nB\u00e1rbara Borges Calegari<br \/>\nPUC\/RS<br \/>\nbarbara.calegari@gmail.com<br \/>\nBeatriz Kawamura Rodrigues<br \/>\nCEPTA\/ICMBio<br \/>\nbeatrizkr@gmail.com<br \/>\nCarla Natacha Marcolino Polaz<br \/>\nCEPTA\/ICMBio<br \/>\ncarla.polaz@icmbio.gov.br<br \/>\nCarla Simone Pavanelli<br \/>\nNUPELIA\/UEM<br \/>\ncarlasp@nupelia.uem.br<br \/>\nCarlos Augusto Assump\u00e7\u00e3o de Figueiredo<br \/>\nUNIRIO\/RJ<br \/>\ncarlos.figueiredo@gmail.com<br \/>\nCarlos Eduardo Guidorizzi de Carvalho<br \/>\nCOABIO\/ICMBio<br \/>\ncarlos-eduardo.carvalho@icmbio.gov.br<br \/>\nDouglas Aviz Bastos<br \/>\nINPA<br \/>\navizdoug@gmail.com<br \/>\nFabio Vieira<br \/>\nPesquisador independente<br \/>\nriodocemg@gmail.com<br \/>\nFernando Gertum Becker<br \/>\nUFRGS<br \/>\nfgbecker@ufrgs.br<br \/>\nFernando Rocchette dos Santos<br \/>\nCEPTA\/ICMBio<br \/>\nfernando.santos@icmbio.gov.br<br \/>\nFernando Rog\u00e9rio Carvalho<br \/>\nUNESP\/SJRP<br \/>\nfrcarvalho2004@yahoo.com.br<br \/>\nIlana Fichberg<br \/>\nUNIFESP<br \/>\nilanafic@ib.usp.br, ilanafic@gmail.com<br \/>\nIzaias M\u00e9dice Fernandes<br \/>\nUFMT\/MT<br \/>\nbiomedice@gmail.com<br \/>\nJansen Alfredo Sampaio Zuanon<br \/>\nINPA<br \/>\njzuanon3@gmail.com<br \/>\nJos\u00e9 Lu\u00eds Olivan Birindelli<br \/>\nUEL\/PR<br \/>\njosebirindelli@yahoo.com<br \/>\nLeandro Villa Verde da Silva<br \/>\nUFRJ\/RJ<br \/>\nelffobr@yahoo.com.br, lvvsilva@gmail.com<br \/>\nLeonarde Gon\u00e7alves Tedeschi<br \/>\nCOABIO\/ICMBio<br \/>\npsomophis@gmail.com<br \/>\nLucia Helena Rapp Py-Daniel<br \/>\nINPA<br \/>\nlucia.rapp@gmail.com<br \/>\nLuisa Maria Sarmento Soares<br \/>\nMuseu Mello Leit\u00e3o\/ES<br \/>\nluisa@nossosriachos.net<br \/>\nLuiz Fernando Caserta Tencatt<br \/>\nUEM\/PR<br \/>\nluiztencatt@hotmail.com<br \/>\nLuiz Fernando Duboc da Silva<br \/>\nUFES\/ES<br \/>\nlfduboc@uol.com.br<br \/>\nLuiz Roberto Malabarba<br \/>\nUFRGS\/RS<br \/>\nmalabarb@ufrgs.br<br \/>\nMarcelo Bassols Raseira<br \/>\nCEPAM\/ICMBio<br \/>\nmraseira@gmail.com<br \/>\nMarcelo Ribeiro de Britto<br \/>\nMNRJ\/UFRJ<br \/>\nmrbritto2002@yahoo.com.br<br \/>\nMarco Aur\u00e9lio Azevedo<br \/>\nFZB\/RS<br \/>\nmarco-azevedo@fzb.rs.gov.br<br \/>\nMariana Bissoli de Moraes<br \/>\nCEPTA\/ICMBio<br \/>\nmaribissol@gmail.com<br \/>\nOsmar Angelo Cantelmo<br \/>\nCEPTA\/ICMBio<br \/>\nosmar.cantelmo@icmbio.gov.br<br \/>\nOt\u00e1vio Froehlich<br \/>\nUFMS\/MS<br \/>\notaviofr@gmail.com<br \/>\nPedro Luiz Migliari<br \/>\nCEPTA\/ICMBio<br \/>\npedro.migliari@icmbio.gov.br<br \/>\nRafaela Nascimento Vicentini<br \/>\nCEPAM\/ICMBio<br \/>\nrafaela.vicentini@icmbio.gov.br<br \/>\nRoberto Esser dos Reis<br \/>\nPUC\/RS<br \/>\nreis@pucrs.br<br \/>\nRonaldo Fernando Martins Pinheiro<br \/>\nMuseu Mello Leit\u00e3o\/ES<br \/>\npinheiro.martins@gmail.com<br \/>\nRonnayana Rayla dos Santos Rodrigues Silva<br \/>\nCEPAM\/ICMBio<br \/>\nr.raylasilva@gmail.com<br \/>\nVera Elen do Nascimento<br \/>\nCEPTA\/ICMBio<br \/>\nvera_ellen_freitas@yahoo.com.br<br \/>\nVinicius de Ara\u00fajo Bertaco<br \/>\nFZB\/RS<br \/>\nvbertaco@gmail.com<br \/>\nWolmar Benjamin Wosiacki<br \/>\nMuseu Goeldi\/PA<br \/>\nwolmar@museu-goeldi.br<br \/>\nYzel Rondon S\u00faarez<br \/>\nUFMS\/MS<br \/>\nyzelrondonsuarez@gmail.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mo\u00e7\u00e3o da VI Oficina de Avalia\u00e7\u00e3o do Estado de Conserva\u00e7\u00e3o de Peixes Continentais das Ecorregi\u00f5es dos rios Paraguai e 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