{"id":10119,"date":"2014-03-07T05:03:19","date_gmt":"2014-03-07T05:03:19","guid":{"rendered":"http:\/\/fonasc-cbh.org.br\/?p=10119"},"modified":"2014-03-07T05:03:30","modified_gmt":"2014-03-07T05:03:30","slug":"fonasc-pe-suape-promessas-nao-cumpridas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/?p=10119","title":{"rendered":"FONASC PE Suape: promessas n\u00e3o cumpridas"},"content":{"rendered":"<p>Suape: promessas n\u00e3o cumpridas (1)<\/p>\n<p>Heitor Scalambrini Costa<\/p>\n<p>Professor da Universidade Federal de Pernambuco e <\/p>\n<p>Coordenador geral do F\u00f3rum Suape Espa\u00e7o Socioambiental<\/p>\n<p>Promessas s\u00e3o compromissos assumidos por quem as faz. Seus ouvintes, em princ\u00edpio, acreditam que ser\u00e3o cumpridas. Na pol\u00edtica, lamentavelmente, n\u00e3o \u00e9 assim. Faz parte de nossa cultura prometer algo que muitas vezes, sabe-se de antem\u00e3o, n\u00e3o ser\u00e1 cumprido. Mesmo assim se promete.<\/p>\n<p>Em Pernambuco, de onde se \u201cfala para o mundo\u201d, se propagandeia que aqui nasceu a \u201cnova pol\u00edtica\u201d. Que em nada difere da \u201cantiga\u201d praticada desde sempre. Todavia os marqueteiros batem nesta tecla, tentando arregimentar votos para o governador, pr\u00e9-candidato na disputa presidencial.<\/p>\n<p>Aqui se promete muito mais. E se cumpre menos ainda (ser\u00e1 esta a \u201cnova pol\u00edtica\u201d?). Vejamos o caso emblem\u00e1tico do Complexo Industrial Portu\u00e1rio de Suape, para alguns a reden\u00e7\u00e3o de Pernambuco, qui\u00e7\u00e1 do Nordeste e do Brasil. <\/p>\n<p>No modelo adotado busca-se atrair refinarias, estaleiros, termoel\u00e9tricas e petroqu\u00edmicas \u2013 empresas que est\u00e3o no topo das que mais agridem o meio ambiente. Acontece que o territ\u00f3rio do Complexo era habitado, h\u00e1 mais de meio s\u00e9culo, por mais de 15 mil fam\u00edlias nativas, todas dependentes da agricultura familiar e da pesca. Para se livrar desses posseiros indesejados, se iniciou um processo de expuls\u00e3o com s\u00e9rios impactos socioambientais. E \u00e9 a\u00ed que come\u00e7am as promessas, tanto para os moradores como para a sociedade pernambucana, visando justificar a insanidade da brutalidade que se cometia, contra o meio ambiente e contra os moradores da regi\u00e3o. Algumas dessas promessas s\u00e3o citadas a seguir.<\/p>\n<p>Em 2006 foi lan\u00e7ado o projeto do territ\u00f3rio Estrat\u00e9gico de Suape, integrado pelos munic\u00edpios do Cabo de Santo Agostinho, Ipojuca, Jaboat\u00e3o dos Guararapes, Escada, Moreno, Ribeir\u00e3o e Sirinha\u00e9m. O objetivo seria planejar o desenvolvimento desse territ\u00f3rio e evitar os impactos negativos da chegada dos grandes empreendimentos \u00e0 Suape. Assim, se promoveria a ocupa\u00e7\u00e3o ordenada do territ\u00f3rio de Suape, evitando-se danos sociais e ambientais. Transcorridos oito anos, o programa n\u00e3o passou da fase de planejamento e os problemas que poderia prevenir acabaram acontecendo, pois os empreendimentos chegaram e as a\u00e7\u00f5es prometidas n\u00e3o. Ademais, as demandas sociais se multiplicam, como habita\u00e7\u00e3o, saneamento, mobilidade, sa\u00fade, seguran\u00e7a e meio ambiente. O que houve neste per\u00edodo foi unicamente o aumento das expuls\u00f5es de milhares de pessoas que habitavam a regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Outro projeto de grande repercuss\u00e3o na m\u00eddia pernambucana foi o lan\u00e7amento do programa Suape Sustent\u00e1vel, em junho de 2011. A proposta original era para desenvolver uma gest\u00e3o integrada do Territ\u00f3rio de Suape, com a participa\u00e7\u00e3o das administra\u00e7\u00f5es estadual e municipal, das empresas e universidades. O que se viu foi a continuidade do que j\u00e1 vinha sendo feito. Frustra\u00e7\u00e3o para quem esperava um m\u00ednimo de planejamento naquele territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>Na lista dessas a\u00e7\u00f5es estava a constru\u00e7\u00e3o da agrovila Nova Tatuoca, prometida em 2007 aos moradores que foram expulsos para dar abrigo ao polo naval. Os ilh\u00e9us foram expulsos e nada de novas moradias. Novas promessas foram feitas e as primeiras unidades seriam entregues em dezembro de 2012, sendo a vila totalmente entregue at\u00e9 mar\u00e7o de 2013. Nada! Agora \u00e9 dito na imprensa que um conjunto de 73 casas, cada uma com menos de 40 m2, ser\u00e1 entregue antes que o governador deixe o cargo para concorrer \u00e0 presid\u00eancia da Rep\u00fablica. Todavia, denuncias apontam que al\u00e9m da fragilidade e precariedades destas constru\u00e7\u00f5es, n\u00e3o haver\u00e1 saneamento b\u00e1sico, e os dejetos das casas ser\u00e3o despejados diretamente no mangue.<\/p>\n<p>Na \u00e1rea ambiental o desastre \u00e9 calamitoso. A Assembleia Legislativa de Pernambuco autorizou diversos projetos de desmatamento. O mais devastador, contido na Lei n\u00ba 1.496, de 27 de abril de 2010, autorizou a supress\u00e3o de vegeta\u00e7\u00e3o permanente, correspondente a uma \u00e1rea de 17 ha de Mata Atl\u00e2ntica, 508 ha de mangue e 166 ha de restinga. At\u00e9 hoje os moradores procuram os locais que Suape diz que reflorestou, propagandeando ter \u201czerado\u201d o d\u00e9ficit ambiental naquele territ\u00f3rio. Tamb\u00e9m se arrasta h\u00e1 anos a constru\u00e7\u00e3o do Centro de Tecnologia Ambiental (CTA), outra promessa dos gestores do Complexo de Suape.<\/p>\n<p>S\u00f3 mais uma, dentre tantas promessas n\u00e3o cumpridas, a relacionada \u00e0 reforma da Esta\u00e7\u00e3o de trem de Massangana e \u00e0 chegada do VLT (Ve\u00edculo Leve sobre Trilhos) at\u00e9 o complexo de Suape, que permanece no limbo, sem data para in\u00edcio nem para conclus\u00e3o.<\/p>\n<p>Bem, as promessas dos administradores de Suape e do governo do Estado ao longo dos anos mostram que faz\u00ea-las rende frutos, pois os que prometem s\u00e3o bem vistos e acabam sendo \u201cpremiados\u201d com novas posi\u00e7\u00f5es no governo do Estado (seria essa a \u201cnova pol\u00edtica\u201d?).<\/p>\n<p>E enquanto nada do prometido acontece, \u201ccorre solta\u201d a propaganda com verbas p\u00fablicas em Pernambuco. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Suape: promessas n\u00e3o cumpridas (1) Heitor Scalambrini Costa Professor da Universidade Federal de Pernambuco e Coordenador geral do F\u00f3rum Suape&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10119"}],"collection":[{"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=10119"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10119\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10121,"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10119\/revisions\/10121"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=10119"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=10119"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fonasc-cbh.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=10119"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}