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Ciências, Movimentos Sociais e Políticas Públicas:
evidências, repertórios e negacionismo.

Trabalho apresentado como requisito de conclusão de disciplina de Doutorado “FLS 5857Problemas de Filosofia das Ciências Sociais”. dr. Fernando Haddad – FFLCH USP. 2021.

Cada período histórico nos mostrou seu propósito de mudança ganhando formas etéreas em nossa sociedade, e o pensamento sociológico não teve como objetivo caracterizar e definir os métodos aplicados ao estudo dos fatos sociais. O conceituado pensamento de toda a obra de Spencer se conservou absorvido no tempo, mas o problema metodológico não ocupa lugar de destaque; pois a Introdução à Ciência Social, cujo título poderia dar essa ilusão, destina-se a demonstrar as dificuldades e a possibilidade da sociologia, não a expor os procedimentos que ela deve utilizar. Stuart Mill, ocupou-se longamente da questão; mas não passou sob o crivo da dialética que tinha sido comentada por Comte, sem acrescentar nada de verdadeiramente pessoal. Um capítulo do Curso de filosofia positiva é praticamente o único estudo original e importante que temos sobre o assunto (Emoción y Sentimiento – Planeta, 2019).
…não somos Seres racionais, somos Seres emocionais que razoam…
Daniel López Roseti

RESUMO
Desafiar os limites imediatos e controlar as emoções do ritmo e comportamento do Ser Humano, forçar o possível, superar os marcos, é a necessidade de modificar os ambientes existentes num mundo que está em evolução com câmbios constantes e a passos acelerados, reconhecendo os sentidos mais profundos daquilo que nos torna seres participantes ativos nesta sociedade, não é uma tarefa fácil.
Este tema de mudanças comportamentais, individual ou coletiva, certamente, será longo no passar do tempo; sem poder prever futuro, muito menos na estabilidade emocional que o Ser Humano terá. Os saberes, são muito amplos, se referenciam a uma grande variabilidade de acontecimentos, perguntando-nos, se tem limites; pelo instante; a ciência se movimenta, pois, nada é proibido no entorno do conhecimento. Porém, este desenvolvimento comportamental do
Ser Humano, sempre é marcado por um interesse (Reeves, 2006: 36, 37). Estamos enfrentando uma revolução diária, uma cegueira ética de conflitos sociais e lutando com a voraz indústria da mídia, que faz o papel de porta voz do capital financeiro, sobre o autoconhecimento e tudo o que significa mercado. Os médios de comunicação hegemônicos não são divergentes de opiniões são uma mídia aliada do capital financeiro fazendo seu papel de difundir notícias acomodadas a um sistema econômico dento do espaço do mercado como jamais visto; mudanças profundas que transformam não apenas o que fazemos, mas também o que somos. O estado emocional precisa ser cuidado, pois ele não é um produto, nascemos com todos os pilares de sustentação cerebral, mas é o ambiente que programa essa interação com o meio em que vivemos, para o bem ou para o mal.

Nascemos iguais, mas diferentes, mamíferos complexos. Desta forma, é fundamental nos perguntar e reconhecer que é isso que nos torna humanos, quais são as estruturas que nos sustentam como espécie e nos fazem mudar de ideia de nossas áreas do que entendíamos como princípios de ética e justiça, menos individualistas e gregárias no marco de um ideal de política de bem-estar social. A mente, do ser humano, não é uma coisa, é um sistema de quem não se
tem controle e precisa ser trabalhado.


Neste contexto, a capacidade de pensar criticamente, de observar e refletir, de poder tomar decisões que levem em consideração as suas consequências a curto e longo prazo seriam competências essenciais, bem como a possibilidade de adequar nossa conduta a cenários de mudança num mundo em plena evolução. Empatia, inteligência coletiva, resiliência, cooperação, solidariedade, propósito, bemestar, emoções, criatividade, autorregulação, compreensão; são princípios sociais usados como ferramentas de razão e emoção, subjetividades, que podem ajudar a entender ou não um caminho até aqui a ser enfrentado como grande desafio coletivo do século XXI, e nos autoentendendo, nos fortalecendo, para que juntos ser melhores Seres Humanos a cada dia. Desta forma, o pensar, agir e conhecer, determinam, uma possível orientação que não está somente no espaço humano e sim, também, nos espaços da economia, da política e do meio que nos rodeia. O ilimitado é uma característica das modernidades de cada época produzidas pelo próprio Ser Humano.

PALAVRAS CHAVES: Processo Evolutivo, Democracia e Desenvolvimento, estruturas sociais, arranjos institucionais, movimento social e política pública, pluralismo, controle de emoções.
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SUMÁRIO
CONFLITOS COMPORTAMENTAIS ENTRE ATORES SOCIAIS
PARTICIPATIVOS
.

RESUMO
INTRODUÇÃO,
I. EVIDÊNCIAS,
II. REPERTORIOS,
III. NEGACIONISMO.
IV. CONCLUSÃO
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CONFLITOS COMPORTAMENTAIS ENTRE ATORES SOCIAIS
PARTICIPATIVOS
INTRODUÇÃO
As sociedades inseridas num meio ambiente desordenado e complexo, realizam
constantemente câmbios nos contextos das políticas públicas dos diferentes períodos
históricos nos obrigando a ter a plasticidade suficiente na formulação das perguntas e
obtermos as respostas adequadas para a manutenção do sistema social equilibrado.
Dito isto, é essencial nos reconhecermos como espécie humana, para dar-nos conta de
quem somos, de onde viemos e para onde vamos, de nossas qualidades, de nossas
potencialidades e, também, de nossos limites. Estes contextos políticos, sejam eles de
diferentes tipos, impõem barreiras ao sistema nervoso, que precisa viver e administrar
as mudanças comportamentais que se autorregulam para se adaptar às manifestações
que com todas as forças nos colocam frente a frente com a nossa própria
vulnerabilidade. Como por exemplo nos movimentos de participação nas políticas
públicas, em segmentos sociais diferentes onde o interesse aflora como conceito muito
forte. Nosso sistema nervoso interfere no ambiente cada vez que o indivíduo se sente
ameaçado; órgãos do corpo, ativam suas autodefesas diante desta situação de estresse
ligada ao tronco cerebral e orquestrada por outros sistemas permitindo a liberdade de
tomar decisões.

As crises políticas socioeconômicas se manifestam na sociedade com
decorrências diferentes e influem diretamente no comportamento de inúmeras pessoas,
de forma individual ou que fazem parte de grupos sociais. A nossa capacidade de
adaptação, de resiliência, é conhecida na redução dos efeitos das adversidades; mas
também podem ter o efeito oposto a capacidade de adaptação, ou seja, elevar a tensões
a formas excessivas e sustentadas, que perpassam os laços sociais, fazendo com que o
indivíduo se torne individualista, egoísta e atenda interesses não coletivos. Assim,
trazendo para o contexto atual, é preciso pensar novamente em nós mesmos, a partir
de onde, buscaremos desenvolver um espírito coletivo robusto que possa enfrentar as
consequências desta crise, e se preparar para as futuras. Sair fortalecido é um enorme
desafio, porque se trata de enfrentar as consequências físicas, psicológicas,
econômicas, sociais e outras, ao mesmo tempo que nos reconheçamos como gente.
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A política que foi instaurada depois do golpe de Estado de 2016 e o advento da
pandemia (2019) foram crise e fatos que colocaram o diálogo presencial num plano de
fragilidade, i) as relações de poder de atores bem definidos do mercado econômico
aumentou; ii) o processo de convivência entre atores de diferentes segmentos ficou
inibido de expressões reivindicativas, de gestos e olhares, nos obrigando e exigindo
ações rápidas para fazer frente: aos desmontes de coletivos organizados, a interrupção
de canais de diálogo e as novas rotinas cotidianas. Novas formas de relacionamento
com o outro sem o medo da desumanização virtual, foram desafios que tanto
aproximaram como separaram.
• Talvez, a vida menos complicada, ao nosso olhar de hoje, de nossos
antepassados, tenha permitido que os grupos sociais, fossem mais felizes do
que as sociedades atuais; justamente porque souberam privilegiar a
importância do mundo menos individual, mais emocional, mais coletivo
Muitas vezes tentamos racionalizar as questões emocionais, para explicar as
questões afetivas a partir da razão. Errado. as emoções são apenas isso,
emoções; eles podem ser compreendidos, mas não necessariamente
racionalizadas. São funções distintas, próprias, autônomas, com entidade
exclusiva. Elas estão intimamente misturadas e intercaladas com a razão, como
finos fios de um pano de seda. Mas jamais poderiam ser estudadas a partir da
razão como única ferramenta de análise. (ROSETTI, LOPEZ – “Emoção e
Sentimentos” – 2017, pag 18:36 28).

I. EVIDÊNCIA
Os caminhos de conduta humana são traçados pelo sistema nervoso já desenhados
desde nosso nascimento dentro de uma forma de vida social e cultural. Este
aprendizado adquirido do passado influencia na contemporaneidade, o que demonstra
a necessidade de o conhecimento na área biológica, compondo a interpretação da ação
sociocultural. Assim, caminhamos a passos longos na direção de grandes câmbios
comportamentais, muito mais categóricos que os já vividos em outras etapas da
história, transformando, não somente o que fazemos, como, também, o que somos.
Seria muito fácil dizer que a conduta comportamental do ser humano, depende
somente de um fato social. Nossa mente é extremamente complexa; aprofundar um
parágrafo, como linha geral, pode-se dizer que cada vez que o sistema cerebral se
desenvolve evolutivamente ele acrescenta um degrau. É como se fosse um novo nível
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evolutivo de nosso sistema nervoso incorporando novas funções que, de alguma forma,
atuam e modulam as funções anteriores, não significando que as anteriores sejam
menos importantes, mas simplesmente mais antigas e, portanto, são tão necessárias
como os degraus superiores. Desta forma, o contexto deve ser entendido de forma
multidisciplinar nas áreas científicas da filosofia, antropologia, ciências sociais, das
redes virtuais, comunicação social, da área biológica entre outras. Analisando
culturalmente as ciências mencionadas anteriormente, se cria um arcabouço de valores
que determinam fronteiras nos grupos humanos; criando sistemas de normas
comportamentais impostas individualmente, influenciando na formação social.
Este panorama não deve nos desanimar, mas nos encorajar a pensar nas mudanças
urgentes que precisamos nos processos de convivência de pessoas e comunidades. Por
exemplo, conhecimentos e memórias prodigiosas darão lugar a novas competências,
pois hoje, como nunca na história, adaptação à informação estão mais disponíveis e
acessíveis. Os debates do futuro, para os quais devemo-nos preparar,sem mais demora,
valorizarão a nossa resiliência e a nossa capacidade de adaptação às formas mutáveis
juntamente com as capacidades que nos fazem seres humanos. O que a tecnologia não
pode e dificilmente é capaz de alcançar, no momento, é substituir realidades e
simultaneamente, atuar em diferentes cenários. Uma dessas habilidades é a de pensar,
nos diferenciando de qualquer outra espécie existente, conhecida até o momento, no
planeta terra… Desta forma, a capacidade de resolver problemas complexos, ou seja,
encontrar novas respostas para situações difíceis, é desafio insubstituível do Ser
Humano que deverá ter criatividade como ação necessária e obrigatória.
Nesta conjuntura, o tema se desenvolve a partir das divergências individuais e
coletivas nos diferentes segmentos sociais que participam nas arenas do conflito
participativo; propondo estudar, como preocupação central, as mudanças
comportamentais destes atores heterogêneos, enfrentando as premissas das ciências
sociais na representação de interesses participativos, que emergiram de um novo
contexto de democracia.
Mas o cenário da ciência nos mostra que nosso cérebro é um órgão que
potencializa a vida social, onde as habilidades emocionais e sociais são de extrema
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importância para a sobrevivência e para o bem-estar, não podendo ser substituídas por
máquinas, que por lógica não constam de imaginação para achar o sentir do outro.
Este trabalho não responsabiliza a sociologia, somente revela, o pouco que se
realizou em caracterizar e definir métodos a serem aplicados ao estudo dos problemas
na sociedade, demonstrando dificuldades dessa ciência sem relatar os procedimentos
utilizados nas atitudes individuais e coletivas comportamentais.

II. REPERTORIOS
Os movimentos sociais, heterogêneos, constituídos por modelos de interação com
base em identidades compartilhadas, organizados através de comunidades no campo
participativo em prol de colaborar com a construção de políticas públicas,
desempenham os espaços de mudanças institucionalizadas de estrutura de Estado,
mediando a relação Governo/Sociedade. A problemática teórica tem como pano de
fundo a equidade da água bruta (recursos hídricos) como recurso natural de bem
fundamental a vida; nos espaços de debate entre distintos segmentos (sociedade civil,
poder público, sistema de produção) se conflituam pelo acesso e distribuição,
conceitos onde na maioria dos casos afloram práticas de crise democrática com o tema,
ameaçado por manipulações de interesses individuais na busca ou manutenção do
poder de poucos.
Em geral, por dados levantados sobre o tema em foros nacionais e internacionais,
estes atores usuários da água bruta, pertencentes a diferentes “nichos”1
culturais,
padecem dos mesmos males advindos da falta de apropriação dentro dos espaços de
debates reivindicativos, ficando como: i) indicadores de reivindicações conflitivas e
falhas políticas no funcionamento do Estado Democrático de Direito, não sempre
atendidas (Touraine, 1973; Crozier & Friedberg, 1977; Reynaud, 1979, 1980), ii)
quando chamados para compor decisões de interesse em prol da manutenção de poder,
sabendo que esses interesses são atrelados a quem tem mais poder de força (poderes
produtivo/politico).
1
“Nichos” associado a cultura – O ser humano é cultura, sociedade é animal.
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O modelo conceitual deste trabalho, deverá pesquisar nas vias causais que se
relacionam as mudanças comportamentais, de pensamento e ideias de atores, produto
de variada razões de processos mentais, no contexto de mudanças culturais,
questionadas no civismo democrático da teoria evolucionária convencional, colocando
ênfase na capacidade dos organismos de modificar as fontes de seleção natural em seu
ambiente de arranjos institucionais o que, aparentemente, ampliaria a dinâmica
evolutiva no aparecimento de processos multidisciplinares.
Os seres humanos têm limitações, amarras produto de nossa própria natureza, a
nossa situação no contexto social, percebida muito antes de nosso primeiro
pensamento aparecer; mas nossa inteligência permite adaptações a uma variedade
imensa de situações, sem saber de tudo. Porém, não somos autorizados a fazer tudo;
assim, nossa supervivência depende de um bom funcionamento de políticas públicas e
de nossas organizações sociais em harmonia e dando limites no contexto do meio
ambiente que nos encontramos, Igualmente, esses limites comportamentais, ficam
restritos a uma simples concepção do campo de produção e consumismo, sem
considerar um horizonte da análise científica do conhecimento, no que, esses limites
passam a ser culturais, políticos, econômicos e morais, constituindo-se em aspectos de
repertorio de crescimento, resultado da limitação da modernidade levando-nos a uma
queda irreversível.
Os recursos do meio ambiente, são bens comuns, podendo ser usados de forma
extrativista limitada; mas a capacidade argumentativa da economia moderna, estimula
em seu interesse com argumentos contrários impedindo o uso coletivo modificando o
ecossistema terrestre, entrando num processo chamado de “Era Antropocena”.
…o homem é uma potência telúrica capaz de interferir nos grandes ciclos
planetários (Testart, Sinai e Bourgain, 2010, pag 37).
Assim, a natureza compelida a converter-se em uma máquina de absorção dos
excessos do Ser Humano.
Grupos sociais de acadêmicos, pensadores, investigadores e outros segmentos, se
esforçam em investigar, como é possível que diante de tantas advertências sobre
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evidências, comprovadas, de depredação ambiental, vivemos, hoje, o desastre de
mudanças climáticas.
O desenvolvimento, mesmo diante de repetidos avisos e previsões sobre a vida na
terra, há sido devastador ao ponto de teorias econômicas se sobrepor a qualquer teoria
de razão, bom senso e planejamento; caminhando para uma catástrofe. O sonho de
crescimento infinito do capitalismo e de economias políticas desmedidas cria essa
sociedade de consumo que carrega consigo um potencial destrutivo.
…a quem somente teriam direito uma nova raça humana…((Gors, 1977,
pag.13).

III. NEGACIONISMO
Por definição, o termo “negacionismo” pode ser aplicado em várias instâncias e
situações definidas: a negação de evidências muito claras que, no campo de conflito, onde
grupos consolidados aproveitam para manipular resultados e busca de consenso. O
esforço para viver em sociedade depende i) do nosso cérebro que processa as informações
ii) e da política do momento, gerando respostas criativas a problemas coletivos com base
a conhecimentos e evidências sólidas, evitando a criação de narrativas fantasiosas. O
campo de fusão entre o cérebro e a política, usado, em muitas oportunidades, para a
introdução e ou difusão de ideias, há iniciado um processo de mudança; porém, ainda
muito embrionário. Assim, se mostra um desafiante debate na arena da cognição social,
suficiente para perceber, de maneira ampla, experiências, conhecimento e ideias
diferentes das quais podem gerar ideias inovadoras ou criativas com o intuito de contribuir
para uma sapiência útil para a vida social.
O ponto de equilíbrio seria, que na discussão de diferentes temas, se defendam os
fatos com argumentos técnicos políticos, o que traria resultados favoráveis no âmbito
social para todas as classes sociais.
No passar das décadas, a literatura se revelou nas agendas de efetividade das
instituições civis e de líderes de conselhos gestores, aferindo, de maneira geral, efeitos
da representação e participação destas instâncias sobre variáveis de qualidade das
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políticas públicas (Avritzer, 2010; Pires, 2011). Nunca saíram das generalidades sobre
a natureza das sociedades, sobre as relações do reino social e do reino biológico no
andar geral do processo. Spencer dizia que o problema não ocupa nenhum lugar
Spencer não teve outro objetivo senão mostrar como a lei da evolução universal
se aplica às sociedades, ele só reafirmou o que Comte havia cogitado na ruptura
com Durkeim, num capítulo do Curso de filosofia positiva, sendo o único
estudo original e importante que possuímos sobre o assunto.
O título deste trabalho, deverá ser orientação para designar esse fenômeno de
mudanças de ideias e comportamentos que, a partir do Ser Humano se dá no interior
da sociedade; assim, todos os acontecimentos humanos são sociais (GEERTZ, Clifford
2012). As funções de todo indivíduo, incluindo raciocínio e interesse, fazem parte da
sociedade que tem todo o interesse em que assim funcione regularmente, entrando em
seu domínio a multidisciplinariedade, inclusive a biologia e até a psicologia.

• Tal desafio representa um avanço no campo em questão, sobretudo no
que concerne ao esforço de diagnosticar o impacto das instâncias
participativas para além da análise de casos individuais, e de enfrentar os
desafios metodológicos decorrentes desta iniciativa (Gurza Lavalle,
2011; Rodrigues, 2017). Os avanços e mudanças mostraram, na prática,
que os projetos, em que as políticas são alvos irrefutáveis, merecem
constante acompanhamento, mobilização, sensibilização e perspectivas
de controle nos segmentos envolvidos. Com intuito de diminuir carências
na estrutura democráticas, desigualdades, falta de controle na
comunicação, deliberação e falta de decisão (BEAUVAIS; WARREN,
2019; WARREN, 2017) a ciência participativa, definiu-se para entender
os feitos. hegemônicos da teoria e da prática, se problematizando a
alternância do conflito no debate participativo (mecanismos de inovação
democrática). Nesse contexto, a seleção de atores representantes dentro
das instituições sociais, depende de critérios e interesses, não mostrando
fórmula certa para critérios de seleção melhores em si. A construção, que
marca este período de mobilização social, de uma cultura participativa,
que admite, reivindica e valoriza a participação direta e o controle social
por parte de atores interessados nas políticas públicas: i) depois do golpe
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de Estado (2016) ao governo do Partido dos Trabalhadores, eleito
democraticamente e juntamente com o momento pandêmico desde
dezembro 2019, onde a sociedade civil organizada mostra uma total
apatia na participação; ii) o problema que transita sobre cada ator
participativo, está, historicamente, condicionado pelo desenvolvimento
das forças produtivas das relações de mercado com maior legitimidade
em postos de decisão, se tornando enunciadores legítimos o que dá
elementos para que se constitua o interesse e consequentemente o
conflito entre atores institucionalizados, beneficiados ou não pela
estrutura que intimida indivíduos mais vulneráveis. Desta forma podem
ser lembrados três postulados básicos: a) a estrutura criada para a
participação institucionalizada não é dada e não é “neutra” igual para
todos; b) o poder é uma característica fundamental e irrefutável de todas
as relações sociais; c) a estrutura de participação institucionalizada tem
uma lógica de seduzir na participação, sabendo que constrangimento e
sedução, não tem o mesmo efeito para todos; o que intimida alguns, pode
potencializar a atuação de outros.
Os estudos explicativos do conflito participativo, entre atores sociais e suas
mutações de ideias numa sociedade fundada sobre a integração ao sistema social, ainda
são parte de lacunas de desconhecimento bem significativas. Nesta linha de
pensamento, a sociedade é concebida como um todo unificada e seus cidadãos, ligados
por relações de interdependência, tendo por função reforçar a coesão do conjunto que
durante o contraditório da participação atuam como sinais situacionais do Estado
Democrático de Direito. Naturalmente as regras de uma sociedade, não agradam a
maioria em seu funcionamento; assim, os conflitos participativos nas relações do ser
humano transcorrem sempre que existe uma hierarquia, os papéis sociais são
diferenciados entre classes sociais e principalmente onde a distribuição do poder é
desigual. As agendas participativas ultrapassaram fronteiras, por um lado invadindo
direitos, pelo outro se acentuando, não apenas no sentido de reivindicações, mas
também em termos de recuperação e disputa no estreitamento de espaços do executivo
com notadas experiências autoritárias, desigualdades e diferentes formas de
segregação, discriminação, negação de direitos e concentrados desmonte institucionais
de organizações sociais. O que preocupa, desde 2016, que, além das investidas em
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acabar com direitos e políticas públicas, a intenção declarada de quem hoje nos
governa, é também eliminar os sujeitos políticos que fazem essas lutas. Observa-se a
complexidade do debate teórico do conflito participativo diante de interesses
socioeconômicos e ambientais, a partir das quais vem-se tratando temas como crise e
reconfiguração da representação; multiplicando-se teorias normativas, pós-modernas,
da sociedade, e de campos científicos, que consequentemente também vivem
mudanças, mostrando claramente a politização dos temas com claro interesse na
manutenção de poder como equívoco do funcionamento democrático. Sem
representatividade, legitimidade, participação da base e planejamento participativo
autossustentado, a participação, aproxima-se da farsa ou da incompetência (DEMO,
2001, p. 45). Nas relações participativas não significa que em todas as situações não
há concordância de interesses, em um momento dado, pode-se dar, que a nãocoincidência dos interesses é suficiente para surgir uma reação determinada. De aí, a
importância de considerar os aspectos da manifestação na definição do conflito
participativo. Isto da luz sobre a evolução dos hominídeos, sobre a evolução da cultura
e sobre o altruísmo e a cooperação. A cultura não soluciona todos os problemas, mas
no caso aumenta a capacidade dos seres humanos de modificar as fontes de seleção
natural em seus ambientes a ponto de essa capacidade levantar algumas novas questões
sobre os processos de adaptação humana. Essa relação entre evolução genética e
cultura levanta duas questões causais, a) diz respeito à extensão em que as culturas
humanas contemporâneas são restringidas ou direcionadas por nossa herança evolutiva
biológica; b) se preocupa se a evolução genética dos infinitos nichos animais foi
influenciada culturalmente.

IV. CONCLUSÃO
Este trabalho admite que as sociedades sempre viveram seus problemas
existenciais; porém, jamais na história se deu tanta atenção ao conceito de melhorar
mudanças comportamentais nos arranjos institucionais, definindo o Ser Humano numa
relação muito próxima, dentro de um marco conceitual capitalista em beneficio
individual.
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Sendo este o conceitual teórico, a externalidade do cálculo econômico e a
inexistente evolução humana, se demonstra a influência dos valores econômicos sobre os
conflitos existentes em todos os segmentos sociais.
Charles Darwin (1809 – 1882) propôs a teoria da evolução biológica por
seleção natural, as espécies mudam ao longo do tempo, dando origem a novas
espécies que compartilham um ancestral comum.
O debate proporcionado por este trabalho, do multidisciplinar das ciências com
a biologia, contribui para a indagação de como estão se desenvolvendo as novas formas
comportamentais do Ser Humano, grupalmente ou individualmente, no meio físico
presencial ou diante das tecnologias digitais. Como gerir novas políticas públicas e
governar as sociedades de uma maneira mais humana se os padrões das atividades
humanas são perceptíveis por meio da análise cultual e comportamental dentro da
linguagem do ser humano?
A abordagem multidisciplinar, nos mostra às grandes questões existenciais,
definidas de diversas forma, uma reflexão sobre as formas diretas e simples de
expressão – tal qual elas se apresentam – sem buscar artifícios de acomodação
susceptíveis de infinidade de combinações que nunca são iguais a si mesmas se
multiplicando em infinidade de figuras diferentes.

Esta forma de relacionamento não transparente, dentro dos grupos participativos,
encontra constantes confirmações de difusão no mundo do discurso público, na política
e até na capacidade de razoar, incidindo nas bases da informação e convivência civil.
A informação sempre esteve na vanguarda das mudanças sociais de todas as
épocas, elucidando a intimidade das mudanças comportamentais do ser humano;
dividido entre sentimentos e razão; emoções como algo antigo, automático, como um
sistema processado, com suas múltiplas manifestações de solidariedade, interesse, fé,
culpa, inveja etc.
Na escola, aprendemos múltiplas disciplinas, desde física e aritmética até
geografia. Mas ninguém nos ensinou esse grande negócio inacabado: a detecção e o
gerenciamento de emoções. Nossa educação sentimental é muito pobre, e é por isso
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que passamos nossas vidas ‘ruminando’, tentando nos conectar com nossos
sentimentos mais íntimos e tentando, às vezes em vão, saber o que realmente
queremos. E o que os outros querem em relação a nós.
Mostramos, neste trabalho, que nosso cérebro moderno é um coração à antiga;
que não somos seres racionais…somos seres emocionais que razonam (Roseti, 2019).
A derivação de todas essas conclusões essenciais, solidamente argumentadas,
perduram por muito tempo em nossas cabeças quando fechamos este trabalho.
O Ser Humano costuma ser definido como um animal racional, deixando de lado
as emoções entre suas qualidades distintivas e essenciais. Ao longo da história, o
pensamento racional e a emoção foram considerados dois processos mentais separados
e geralmente opostos: a emoção exerceu um efeito negativo sobre o raciocínio e,
portanto, deve ser evitada se alguém quiser pensar com clareza. Mas hoje podemos
refletir sobre as emoções e nos perguntar: elas não têm utilidade para o conhecimento?
Para que servem as emoções? É algo além do nosso controle ?
O estudo científico moderno das emoções só foi possível quando elas foram
colocadas em um nível equilibrado e complementar a outros processos cognitivos.
Deste ponto de vista, representa o marcador mais básico, automático e rápido para
guiar a abordagem do que gostamos e longe do perigo, da dor ou da frustração. Por
isso, são considerados detectores da relevância dos estímulos e eventos em termos de
seu significado para o indivíduo.
As emoções são episódios de mudanças afetivas complexas nas diferentes
circunstâncias da vida. Essas reações complexas integram vários componentes, como
ativação neurofisiológica e sentimento subjetivo interno. Podemos reconsiderá-los,
então, como uma forma alternativa de processamento de informações ao pensamento
consciente mais elaborado que orienta, entre outras áreas, o aprendizado e a tomada
de decisões em circunstâncias rápidas. Longe de ser um esboço desleixado,
desorganizado e espúrio das decisões nacionais, o sistema emocional é um instrumento
adaptativo sem o qual nos seria impossível resolver situações que eximem as
capacidades de análise lógico-racional, seja pela falta de mais detalhamento
informações ou pela velocidade das circunstâncias para as quais a decisão racional
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pode se tornar muito lenta. Emoção e cognição não são sistemas separados, muito
menos opostos, uma vez que podem ser atingidos em conjunto.
Uma questão que ainda precisa ser respondida é se, além do que foi dito, as
emoções continuam a ser um elemento incontrolável do comportamento. A influência
das pessoas sobre isso ocorre em diferentes aspectos, como as emoções que temos,
quando ou como as vivenciamos e expressamos. As emoções podem ser bastante
automáticas e fixas em seu padrão de disparo (quando a mesma emoção ocorre
regularmente na frente do mesmo estímulo) ou podem resultar de um processo
cognitivo mais elaborado. As pessoas são capazes de operar nossas emoções, mesmo
que não seja em seus resultados. Em muitos casos, não podemos inibir seu disparo,
mas podemos tentar torcer seu curso para escondê-los ou atenuá-los, uma vez que as
emoções constroem um processo dinâmico no andamento. As emoções não nos
obrigam, na maioria dos casos, a agir de uma maneira específica, mas tornam mais
provável um tipo de resposta. Com certo esforço ou preparação, é possível bloquear
ou mudar o comportamento favorecido pela emoção desencadeada. Pelo contrário, ao
reconhecermos as circunstâncias que desencadearam certas emoções negativas,
podemos aprender a evitar os contextos de situações que estão associadas a essas
emoções, de forma a reduzir a probabilidade do seu aparecimento e assim regular o
episódio emocional de seu início, origem. Essa transformação cognitiva da experiência
emocional, é chamada de “reavaliação” e consiste na seleção de um significado
específico para a situação que desencadeia uma emoção. Trata-se, nem mais nem
menos, de mudar a forma como nos sentimos, de mudar a forma como pensamos.
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    WEBER, Max. The city. 1. ed. [S.l.]: Free Press, 1958.
    WHORF, Benjamin Lee. Language, Thought, and Reality:: Selected Writings of
    Benjamin Lee Whorf . 2. ed. [S.l.]: MIT Press, 2012.
    WILSON, David Sloan; WILSON, Edward O.. Rethinking the theoretical
    foundation of sociobiology. The Quarterly Reviewof Biology, Chicago, v. 82, n.
    4, p. 327-349, dez./2007

• Tal desafio representa um avanço no campo em questão, sobretudo no
que concerne ao esforço de diagnosticar o impacto das instâncias
participativas para além da análise de casos individuais, e de enfrentar os
desafios metodológicos decorrentes desta iniciativa (Gurza Lavalle,
2011; Rodrigues, 2017). Os avanços e mudanças mostraram, na prática,
que os projetos, em que as políticas são alvos irrefutáveis, merecem
constante acompanhamento, mobilização, sensibilização e perspectivas
de controle nos segmentos envolvidos. Com intuito de diminuir carências
na estrutura democráticas, desigualdades, falta de controle na
comunicação, deliberação e falta de decisão (BEAUVAIS; WARREN,
2019; WARREN, 2017) a ciência participativa, definiu-se para entender
os feitos. hegemônicos da teoria e da prática, se problematizando a
alternância do conflito no debate participativo (mecanismos de inovação
democrática). Nesse contexto, a seleção de atores representantes dentro
das instituições sociais, depende de critérios e interesses, não mostrando
fórmula certa para critérios de seleção melhores em si. A construção, que
marca este período de mobilização social, de uma cultura participativa,
que admite, reivindica e valoriza a participação direta e o controle social
por parte de atores interessados nas políticas públicas: i) depois do golpe
11
de Estado (2016) ao governo do Partido dos Trabalhadores, eleito
democraticamente e juntamente com o momento pandêmico desde
dezembro 2019, onde a sociedade civil organizada mostra uma total
apatia na participação; ii) o problema que transita sobre cada ator
participativo, está, historicamente, condicionado pelo desenvolvimento
das forças produtivas das relações de mercado com maior legitimidade
em postos de decisão, se tornando enunciadores legítimos o que dá
elementos para que se constitua o interesse e consequentemente o
conflito entre atores institucionalizados, beneficiados ou não pela
estrutura que intimida indivíduos mais vulneráveis. Desta forma podem
ser lembrados três postulados básicos: a) a estrutura criada para a
participação institucionalizada não é dada e não é “neutra” igual para
todos; b) o poder é uma característica fundamental e irrefutável de todas
as relações sociais; c) a estrutura de participação institucionalizada tem
uma lógica de seduzir na participação, sabendo que constrangimento e
sedução, não tem o mesmo efeito para todos; o que intimida alguns, pode
potencializar a atuação de outros.
Os estudos explicativos do conflito participativo, entre atores sociais e suas
mutações de ideias numa sociedade fundada sobre a integração ao sistema social, ainda
são parte de lacunas de desconhecimento bem significativas. Nesta linha de
pensamento, a sociedade é concebida como um todo unificada e seus cidadãos, ligados
por relações de interdependência, tendo por função reforçar a coesão do conjunto que
durante o contraditório da participação atuam como sinais situacionais do Estado
Democrático de Direito. Naturalmente as regras de uma sociedade, não agradam a
maioria em seu funcionamento; assim, os conflitos participativos nas relações do ser
humano transcorrem sempre que existe uma hierarquia, os papéis sociais são
diferenciados entre classes sociais e principalmente onde a distribuição do poder é
desigual. As agendas participativas ultrapassaram fronteiras, por um lado invadindo
direitos, pelo outro se acentuando, não apenas no sentido de reivindicações, mas
também em termos de recuperação e disputa no estreitamento de espaços do executivo
com notadas experiências autoritárias, desigualdades e diferentes formas de
segregação, discriminação, negação de direitos e concentrados desmonte institucionais
de organizações sociais. O que preocupa, desde 2016, que, além das investidas em
12
acabar com direitos e políticas públicas, a intenção declarada de quem hoje nos
governa, é também eliminar os sujeitos políticos que fazem essas lutas. Observa-se a
complexidade do debate teórico do conflito participativo diante de interesses
socioeconômicos e ambientais, a partir das quais vem-se tratando temas como crise e
reconfiguração da representação; multiplicando-se teorias normativas, pós-modernas,
da sociedade, e de campos científicos, que consequentemente também vivem
mudanças, mostrando claramente a politização dos temas com claro interesse na
manutenção de poder como equívoco do funcionamento democrático. Sem
representatividade, legitimidade, participação da base e planejamento participativo
autossustentado, a participação, aproxima-se da farsa ou da incompetência (DEMO,
2001, p. 45). Nas relações participativas não significa que em todas as situações não
há concordância de interesses, em um momento dado, pode-se dar, que a nãocoincidência dos interesses é suficiente para surgir uma reação determinada. De aí, a
importância de considerar os aspectos da manifestação na definição do conflito
participativo. Isto da luz sobre a evolução dos hominídeos, sobre a evolução da cultura
e sobre o altruísmo e a cooperação. A cultura não soluciona todos os problemas, mas
no caso aumenta a capacidade dos seres humanos de modificar as fontes de seleção
natural em seus ambientes a ponto de essa capacidade levantar algumas novas questões
sobre os processos de adaptação humana. Essa relação entre evolução genética e
cultura levanta duas questões causais, a) diz respeito à extensão em que as culturas
humanas contemporâneas são restringidas ou direcionadas por nossa herança evolutiva
biológica; b) se preocupa se a evolução genética dos infinitos nichos animais foi
influenciada culturalmente.
IV. CONCLUSÃO
Este trabalho admite que as sociedades sempre viveram seus problemas
existenciais; porém, jamais na história se deu tanta atenção ao conceito de melhorar
mudanças comportamentais nos arranjos institucionais, definindo o Ser Humano numa
relação muito próxima, dentro de um marco conceitual capitalista em beneficio
individual.
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Sendo este o conceitual teórico, a externalidade do cálculo econômico e a
inexistente evolução humana, se demonstra a influência dos valores econômicos sobre os
conflitos existentes em todos os segmentos sociais.
Charles Darwin (1809 – 1882) propôs a teoria da evolução biológica por
seleção natural, as espécies mudam ao longo do tempo, dando origem a novas
espécies que compartilham um ancestral comum.
O debate proporcionado por este trabalho, do multidisciplinar das ciências com
a biologia, contribui para a indagação de como estão se desenvolvendo as novas formas
comportamentais do Ser Humano, grupalmente ou individualmente, no meio físico
presencial ou diante das tecnologias digitais. Como gerir novas políticas públicas e
governar as sociedades de uma maneira mais humana se os padrões das atividades
humanas são perceptíveis por meio da análise cultual e comportamental dentro da
linguagem do ser humano?
A abordagem multidisciplinar, nos mostra às grandes questões existenciais,
definidas de diversas forma, uma reflexão sobre as formas diretas e simples de
expressão – tal qual elas se apresentam – sem buscar artifícios de acomodação
susceptíveis de infinidade de combinações que nunca são iguais a si mesmas se
multiplicando em infinidade de figuras diferentes.

Esta forma de relacionamento não transparente, dentro dos grupos participativos,
encontra constantes confirmações de difusão no mundo do discurso público, na política
e até na capacidade de razoar, incidindo nas bases da informação e convivência civil.
A informação sempre esteve na vanguarda das mudanças sociais de todas as
épocas, elucidando a intimidade das mudanças comportamentais do ser humano;
dividido entre sentimentos e razão; emoções como algo antigo, automático, como um
sistema processado, com suas múltiplas manifestações de solidariedade, interesse, fé,
culpa, inveja etc.
Na escola, aprendemos múltiplas disciplinas, desde física e aritmética até
geografia. Mas ninguém nos ensinou esse grande negócio inacabado: a detecção e o
gerenciamento de emoções. Nossa educação sentimental é muito pobre, e é por isso
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que passamos nossas vidas ‘ruminando’, tentando nos conectar com nossos
sentimentos mais íntimos e tentando, às vezes em vão, saber o que realmente
queremos. E o que os outros querem em relação a nós.
Mostramos, neste trabalho, que nosso cérebro moderno é um coração à antiga;
que não somos seres racionais…somos seres emocionais que razonam (Roseti, 2019).
A derivação de todas essas conclusões essenciais, solidamente argumentadas,
perduram por muito tempo em nossas cabeças quando fechamos este trabalho.
O Ser Humano costuma ser definido como um animal racional, deixando de lado
as emoções entre suas qualidades distintivas e essenciais. Ao longo da história, o
pensamento racional e a emoção foram considerados dois processos mentais separados
e geralmente opostos: a emoção exerceu um efeito negativo sobre o raciocínio e,
portanto, deve ser evitada se alguém quiser pensar com clareza. Mas hoje podemos
refletir sobre as emoções e nos perguntar: elas não têm utilidade para o conhecimento?
Para que servem as emoções? É algo além do nosso controle ?
O estudo científico moderno das emoções só foi possível quando elas foram
colocadas em um nível equilibrado e complementar a outros processos cognitivos.
Deste ponto de vista, representa o marcador mais básico, automático e rápido para
guiar a abordagem do que gostamos e longe do perigo, da dor ou da frustração. Por
isso, são considerados detectores da relevância dos estímulos e eventos em termos de
seu significado para o indivíduo.
As emoções são episódios de mudanças afetivas complexas nas diferentes
circunstâncias da vida. Essas reações complexas integram vários componentes, como
ativação neurofisiológica e sentimento subjetivo interno. Podemos reconsiderá-los,
então, como uma forma alternativa de processamento de informações ao pensamento
consciente mais elaborado que orienta, entre outras áreas, o aprendizado e a tomada
de decisões em circunstâncias rápidas. Longe de ser um esboço desleixado,
desorganizado e espúrio das decisões nacionais, o sistema emocional é um instrumento
adaptativo sem o qual nos seria impossível resolver situações que eximem as
capacidades de análise lógico-racional, seja pela falta de mais detalhamento
informações ou pela velocidade das circunstâncias para as quais a decisão racional
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pode se tornar muito lenta. Emoção e cognição não são sistemas separados, muito
menos opostos, uma vez que podem ser atingidos em conjunto.
Uma questão que ainda precisa ser respondida é se, além do que foi dito, as
emoções continuam a ser um elemento incontrolável do comportamento. A influência
das pessoas sobre isso ocorre em diferentes aspectos, como as emoções que temos,
quando ou como as vivenciamos e expressamos. As emoções podem ser bastante
automáticas e fixas em seu padrão de disparo (quando a mesma emoção ocorre
regularmente na frente do mesmo estímulo) ou podem resultar de um processo
cognitivo mais elaborado. As pessoas são capazes de operar nossas emoções, mesmo
que não seja em seus resultados. Em muitos casos, não podemos inibir seu disparo,
mas podemos tentar torcer seu curso para escondê-los ou atenuá-los, uma vez que as
emoções constroem um processo dinâmico no andamento. As emoções não nos
obrigam, na maioria dos casos, a agir de uma maneira específica, mas tornam mais
provável um tipo de resposta. Com certo esforço ou preparação, é possível bloquear
ou mudar o comportamento favorecido pela emoção desencadeada. Pelo contrário, ao
reconhecermos as circunstâncias que desencadearam certas emoções negativas,
podemos aprender a evitar os contextos de situações que estão associadas a essas
emoções, de forma a reduzir a probabilidade do seu aparecimento e assim regular o
episódio emocional de seu início, origem. Essa transformação cognitiva da experiência
emocional, é chamada de “reavaliação” e consiste na seleção de um significado
específico para a situação que desencadeia uma emoção. Trata-se, nem mais nem
menos, de mudar a forma como nos sentimos, de mudar a forma como pensamos.
V. REFERÊNCIAS
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Límete – Latouche, Serge – AH, 2015;
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16
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    Editora Vozes, 1895. GEERTZ, Clifford. A Interpretação das Culturas. 1. ed.
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    KROEBER, A. L.. A Natureza da Cultura. 1. ed. [S.l.]: Edições 70, 1993.
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