Nesta terça-feira, dia 14, no auditório da CPRM, durante 89ª Reunião da Câmara Técnica de Águas Subterrâneas – CTAS, o geógrafo e representante do Fonasc no CBH do Rio das Velhas, Rodrigo Lemos, fez uma palestra sobre a Perspectiva e Possibilidades da Explotação de Águas Subterrâneas para Abastecimento Humano na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Esse debate no âmbito da CTAS, foi uma provocação do Fonasc para falar sobre o cenário de conflito no uso da água e da importância de preservação dos aquíferos em Minas Gerais.

Durante sua apresentação, Rodrigo demonstrou, através de dados, a total dependência do sistema de abastecimento ser oriundo das águas superficiais e também que as áreas para usos urbanos e de interesses econômicos da mineração representam (e são) o cenário de conflito que ameaçam a seguridade hídrica da região. Ele pontuou que a problemática de uso urbanos é a geração do carreamento de poluição difusa, principalmente o lançamento de esgoto in natura nos cursos d’água.  Já o uso para mineração, destaque para problemas como o rebaixamento do nível de água que pode alterar a vazão de nascentes e carrear sedimentos para os cursos d´água e também o de acidentes ambientais que podem comprometer a qualidade da água que abastece a Região Metropolitana de BH. Para exemplificar estes riscos, o geógrafo citou dois acidentes recentes que ocorreram na região de Itabirito e que por pouco não atingiu o sistema de captação de água do Rio das Velhas, o que poderia deixar 40% do abastecimento de água comprometido em BH.

Em intervenção, o conselheiro Wilson da CNA, disse que a apresentação é uma reflexão para os fóruns de ocupação em áreas preservadas. “Precisamos expandir as discussões. E isso deve ser debatido em fóruns”, disse. Já a representante da ANA, disse que muito importante se conhecer a área geológica da Bacia, “pois ela é muito complexa”.

“A mensagem que queremos expor é que o conflito pelo uso da água transcende o que é quantitativo. O comitê do Rio das Velhas está na luta, mas precisamos ver essa questão da água como prioridade”, disse Rodrigo.
Apesar de ter apenas 15 minutos para sua apresentação, o representante do Fonasc foi bem objetivo e apresentou como soluções alternativas o uso das águas subterrâneas para o abastecimento e a seguridade hídrica da região Metropolitana de BH.

Ele enfatizou a atuação do Fonasc como órgão que luta pelos interesses da sociedade civil e que através de discussões junto com os demais segmentos organizados da sociedade está propondo uma monção no âmbito do Comitê do Rio das Velhas a ser encaminhado ao CBH São Francisco, Conselho Estadual de Recursos Hídricos de MG e o CNRH sobre a importância das águas subterrâneas no Alto do Rio das Velhas e, em especial, a import/anciã da preservação da UTE Águas do Gandarela.