Texto: FONASC.CBH MG

Data: /05/2022

Em 31 de Janeiro de 2022, o FONASC.CBH protocolou junto ao MDR (Ministério de Desenvolvimento Regional) uma proposta de minuta de resolução intitulada como: “Aprova a atualização do Plano de Recursos Hídricos da Região Hidrográfica do Paraguai-PRH Paraguai e dá outras providências”. Veja o documento abaixo na íntegra:

OficioFONASC_CNRH_FINAL-07022022-a-assinado.pdf-aBaixar

*O FONASC.CBH faz parte do CNRH na representação da sociedade civil.

*Veja mais sobre a atuação do FONASC.CBH no CNRH em: http://fonasc-cbh.org.br/?s=CNRH

Após mobilização de expressivos setores sociais e comunidades da Bacia do Rio Cuiabá – MT , no último dia quatro (04/05), foi aprovada na Assembleia Legislativa do Estado do Mato Grosso a lei que proíbe a construção de usinas hidrelétricas em toda extensão do Rio Cuiabá. 

Em carta assinada por mais de cem entidades, incluindo o FONASC.CBH, foi feita a solicitação de sanção à lei em questão (Lei 957/2019) ao governador do Estado do Mato Grosso, Mauro Mendes. Nela, é salientado que a construção de usinas hidrelétricas afetaria expressivamente a biodiversidade do rio, afligindo, assim, as populações ribeirinhas, o turismo e outras comunidades locais que dependem de atividades envolvidas ao Rio Cuiabá. Veja o documento completo abaixo e participe dessa mobilização contra essa pressão para a destruição do Rio Cuiabá:

Sanciona-Mauro-Mendes-finalBaixar

*Veja mais sobre a atuação do FONASC.CBH em defesa dos rios e contra PCHs: https://fonasc-cbh.org.br/?s=pchs

* Veja, também, sobre a atuação do FONASC.CBH na Bacia do Cuiabá: https://fonasc-cbh.org.br/?s=CUIAB%C3%81

Paticipe também dessa mobilização

No dia 20 de abril deste ano, o FONASC.CBH tomou posse na representação da sociedade civil no CBH Cuiabá ME, a partir da aprovação da Comissão Julgadora do processo eleitoral de composição dos representantes do Comitê. Veja o documento completo:

ResultadoBaixar

*Veja mais sobre a atuação do FONASC.CBH na Bacia do Cuiabá: https://fonasc-cbh.org.br/?s=CUIAB%C3%81

imagem retirada das redes sociais

Pantanal mais uma vez corre perigo!

Os deputados do Mato Grosso aprovaram recentemente o Projeto de Lei que proíbe a construção de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH) no Rio Cuiabá. Pequenas apenas no nome, pois os impactos para o Pantanal são enormes!

Foi uma vitória importante, pois essas PCHs representam um risco enorme para a biodiversidade e as populações tradicionais que moram na planície.

Porém, há um risco de que o Governador @mauromendesoficial VETE esse projeto. É crucial que esse projeto de lei seja SANCIONADO pelo Governador.

Compartilhe esse post e marque o @mauromendesoficial para mostrarmos a importância deste projeto ser aprovado!

Contamos com a ajuda de TODOS! Compartilhe!

AprovaMauroMendes

Texto: FONASC.CBH-MG

Data: 09/05/2022

No dia 01/05/2022, o FONASC.CBH encaminhou ofício ao Conselho Estadual de Recursos Hídricos do Mato Grosso propondo a integração dos planos operativos em elaboração, em execução ou a executar referentes aos afluentes do Rio Paraguai no MT com o plano operativo integrante do plano de bacia federal do Rio Paraguai, sendo esse aprovado pelo CNRH (Conselho Nacional de Recursos Hídricos).

Levando em consideração o contexto atual de vulnerabilidade hídrica e ambiental do Rio Paraguai, assim como a integração deste e seus afluentes, surge a necessidade da minuta de proposta de resolução do ofício elaborada pelo FONASC.CBH, que visa a efetivação dos instrumentos de gestão dos corpos d’água na região e o início de ações que auxiliem a implementação do Comitê de Bacia Hidrográfica do Rio Paraguai, em prol do desenvolvimento sustentável e compatível com a realidade social e econômica regional – como impostos nos resultados esperados do ofício em questão (Página 3).

Há outras problemáticas, como a demora para consolidação dos instrumentos de gestão dos recursos hídricos que são estabelecidos dentro da política nacional e estadual de recursos hídricos da RH(região hidrográfica) do Paraguai. As informações supracitadas podem ser conferidas no documento anexo à reportagem.

A expectativa que o CEHIDRO não obstrua as proposta do FONASC.CBH de interesse da sociedade civil.

PLANO-OPERATIVO-CEHIDROBaixar

Texto: FONASC.CBH-MG

As pequenas centrais hidrelétricas (PCH’s) causam um grande impacto socioambiental onde são instaladas, afetando a biodiversidade do rio e, dessa forma, desequilibrando a cadeia alimentar. A iniciativa do setor elétrico em instalar 6 PCH’s ao longo da região hidrográfica do Rio Cuiabá causaria fechamento de trechos do rio para a pesca artesanal, o que inviabilizaria essa atividade econômica, responsável pelo sustento de 7000 famílias, segundo o jornal A Gazeta.

O projeto de lei que proíbe a ação de instalações de seis PCH’s ao longo de seis quilômetros do Rio Cuiabá, de autoria Wilson Santos (PSD) foi aprovada na Assembleia Legislativa, na quarta-feira da semana passada (4). Segue abaixo como votaram os congressistas:

Durante as prévias deliberações sobre a aprovação da construção desses empreendimentos, o FONASC-CBH esteve presente – representado pela pesquisadora da Embrapa Pantanal Débora Calheiros e a bióloga Luciana Ferraz – em defesa à conservação da biodiversidade do Rio Cuiabá e à preservação da pesca local. Em fala na audiência pública sobre o impacto das PCH’s no Rio Cuiabá ocorrida no dia 28/06/2021, Luciana Ferraz salientou que as PCH’s afetariam os serviços de produção, regulação e suporte cultural que subsidiam a bacia do Rio Cuiabá que dependem dos recursos desse rio. 

O FONASC.CBH também assinou uma série de documentos em defesa da conservação do Rio Cuiabá como pode ser visto na íntegra no documento logo abaixo.

MANIFESTO-DOS-PESCADORES-E-PESCADORAS-PROFISSIONAISBaixar

A aprovação do projeto de lei do deputado Wilson Santos (PSD), na Assembleia Legislativa do Mato Grosso (ALMT) representa uma vitória para a causa socioambientalista ao garantir a proteção do Rio Cuiabá, do pantanal e das populações ribeirinhas ao seu redor.

No entanto, os riscos ainda persistem pois o projeto de lei (PL) segue para a sanção ou veto de Mauro Mendes (União Brasil), atual governador do estado, que desde de 2021 vem se mostrado contrário e declarou que a PL é absurda. De forma análoga, há na Justiça ações questionando a legalidade do veto feito em Assembleias Legislativas contra obras de infraestruturas da área de energia pelo Brasil a fora.

Veja mais notícias sobre a atuação do FONASC.CBH contra as PCH’s:

http://fonasc-cbh.org.br/?s=pch

FONASC MT APOIA E DIVULGA ARTIGO: “Pantanal port licence would threaten the world’s
largest tropical wetland”

Publicação em março da Dra. Débora na revista Nature, pesquisadora do FONASC, sobre os riscos da navegação no tramo norte do Rio Paraguai. Estas são algumas das contribuições do FONASC na luta contra a Hidrovia.

Marcondes G. Coelho-Junior1,2 ✉,
Luisa M. Diele-Viegas  3,
Debora F. Calheiros4, Eduardo C. Silva Neto1
,Philip M. Fearnside5
and Lucas Ferrante  6

To the Editor — Brazil’s Pantanal is recognized as a Natural World Heritage Site and as a Wetland of International
Importance by the Ramsar Convention (Fig. 1). Brazil’s 1988 Constitution recognizes the Pantanal as ‘national patrimony’, making any proposal that threatens the integrity of this biome unconstitutional. Nevertheless, on 26
January 2022 the Environmental Council of Mato Grosso State (CONSEMA) approved the ‘preliminary licence’ (the key first step in the licensing process) for a port to export soybeans that would be transported through the Pantanal on barges travelling on a waterway created by dredging the Paraguay River.

In the 1990s the stretch of this river that passes through the Pantanal (the Tramo Norte) was dredged, and barges carried soy from Cáceres to Corumbá (in barges smaller than those considered to be economically viable today), but this was halted by a judicial order in 2000. After this, only boats for tourism and local commercial trade navigate on this stretch of the river. Some dredging has continued on a modest scale to remove the yearly accumulation of sediments and allow passage of boats, and in 2017 and 2018 the amount of sediment removed increased substantially.

In 2021, the National Department of Transportation Infrastructure (DNIT) signed a contract to greatly increase the amount of sediment dredged from the Tramo Norte2 . The plan is to transform the Tramo Norte into a large-scale navigation channel, requiring dredging at 17 sites to deepen and widen the channel3
. This is the most fragile stretch of the Paraguay River and flanks three protected areas for biodiversity (Guirá State Park,
Taiamã Ecological Station and Pantanal Mato-Grossense National Park, the final two being Ramsar sites), as well as one
Indigenous Land (Guató) and several communities of traditional Pantanal residents (pantaneiros). The dredging
lowers the water table, with effects throughout the Pantanal wetlands — in addition to the impacts of barge traffic. The
proposed plan presents a weak analysis, ignores climate change scenarios that foresee severe drought seasons, and neglects socio-environmental impacts5
.
Although the waterway plan3 remains unapproved, on 25 January 2022 the Public Ministry of Mato Grosso issued a document pointing out that approving the proposed port as a free-standing project serves to avoid consideration of the massive impacts of the waterway plan. The licence for the port was approved on 26 January 2022 despite its Invironmental impact assessment (EIA) having more than 100 inconsistencies violating a National Committee of Wetlands (CNZU) Recommendation (no. 10/2018) and various legal requirements, as well as ignoring the objections raised at the Environmental Council meeting by researchers, environmental agencies and nongovernmental organizations. Traditional peoples’ groups have denounced both the lack of consultation as established
in Convention 169 of the International Labour Organization (to which Brazil is a signatory), and the EIA having omitted the presence of traditional peoples in the area surrounding the port
.
Other bills currently advancing towards approval would increase the threat of the wider Pantanal waterway project. Bill
3/2022 in the Mato Grosso state legislature would allow licensing-free soy planting in the Pantanal. This would verturn
Recommendation no. 11/2018 of the CNZU, which prohibits the cultivation of soybeans in the Pantanal. Bills advancing in the National Congress would dismantle federal environmental licensing12, thus removing any barriers to the full complex of soy infrastructure threatening the Pantanal.

The Pantanal is already suffering severe environmental impacts: it has lost 68% of its water area since 1985 (ref. 13) and it is still recovering from the unprecedented fires of 2020 — almost 1/3 of its area was burned (including areas in almost all Indigenous Lands and protected areas14), killing an estimated 17 million vertebrates.

Proposed interventions on the river would potentially change flood pulses,profoundly altering the ecosystem of this
large wetland, which has a role in global climate regulation as a carbon sink. The intervention is also expected to disrupt the livelihoods of traditional peoples and to jeopardize the income that local residents earn from wildlife tourism and fishing5,9,17.
The destruction of Pantanal is neither profitable nor positive in any aspect.
Fig. 1 | Pantanal biome landscape. The Pantanal is a tropical wetland that covers three South American
countries (Brazil, Paraguay and Bolivia). Credit: Heideger Nascimento
Nature Ecology & Evolution | www.nature.com/natecolevol
correspondence
The Mato Grosso state government should reverse its decision to approve the port and ensure that decision-making is based on scientific advice, bridging the gap between science and policy for conserving this hotspot for biodiversity and ecosystem services. Decisions that threaten the Pantanal also threaten Brazil’s international reputation in environmental matters and invite boycotts of Brazilian soy by importing countries.


Marcondes G. Coelho-Junior1,2 ✉,
Luisa M. Diele-Viegas  3,
Debora F. Calheiros4, Eduardo C. Silva Neto1,
Philip M. Fearnside5 and Lucas Ferrante  6
1
Federal Rural University of Rio de Janeiro
(UFRRJ), Seropédica, Brazil. 2
Network in Ecological
Economics, Commons Governance, and Climate
Justice, York University, Toronto, Ontario, Canada.
3
Federal University of Alagoas (UFAL), Maceió,
Brazil. 4
Brazilian Agricultural Research Corporation
(Embrapa Pantanal), Corumbá, Brazil. 5
National
Institute for Research in Amazonia (INPA), Manaus,
Brazil. 6
Ecology Graduate Program, National
Institute for Research in the Amazon (INPA),
Manaus, Brazil.
✉e-mail: marcondescoelho22@gmail.com
Published: xx xx xxxx
https://doi.org/10.1038/s41559-022-01724-z
References

  1. Conselho Estadual de Meio Ambiente do Estado de Mato Grosso
  1. epartamento Nacional de Infraestrutura de Transportes –
    DNIT. DNIT inicia serviço de dragagem no Rio Paraguai, https://
    bit.ly/3sx94Qf (Departamento Nacional de Infraestrutura de
    Transportes, Brasília, DF, Brazil, 2021).
  2. Universidade Federal do Paraná – UFPR. Relatório do
    Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental da Hidrovia
    do Rio Paraguai, https://itti.org.br/relatorios-tecnicos/ (Instituto
    Tecnológico de Transportes e Infraestrutura, Universidade
    Federal do Paraná, Curitiba, Paraná, Brazil, 2015).
  3. Hamilton, S. K. Regul. Rivers 15, 289–299 (1999).
  4. Sousa Junior, W. C., Gonçalves, D. A., Ribeiro, T. C. L. & Scur,
    M. C. Nova Hidrovia Paraguai-Paraná: Uma Análise Abrangente,
    https://bit.ly/34rQDEL (Wetlands International and Mupan,
    Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Brazil, 2019).
  5. Scaloppe, L. A. E. Posicionamento público do Ministério Público
    do Estado de Mato Grosso ao pleno do Conselho Estadual de Meio
    Ambiente (Consema) e à sociedade. (Ministério Público do Estado
    de Mato Grosso, Cuiabá, Mato Grosso, Brazil, 2022).
  6. Secretaria Estadual do Meio Ambiente do Estado de Mato Grosso.
    Parecer Técnico N.º 152841 / CLEIA / SUIMIS / 2021, https://bit.
    ly/3oFz22S (Secretaria Estadual do Meio Ambiente, Cuiabá, Mato
    Grosso, Brazil, 2021).
  7. Ministério do Meio Ambiente, Comitê Nacional de Zonas
    Úmidas. Recomendação CNZU n. 10, de 22 de Janeiro de 2018,
    https://bit.ly/3oGeSpl (Ministério do Meio Ambiente, Brasília,
    DF, Brazil, 2018).
  8. Coll, L. Porto Recebe Licença Prévia para Operar no Pantanal
    e Pode Trazer mais Impactos à Região, https://bit.ly/3oIfvif
    (Le Monde Diplomatique Brasil, 2022).
  9. Lideranças Partidárias. Projeto de lei nº 3/2022, https://bit.
    ly/34rQFMT (Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso,
    Cuiabá, Mato Grosso, Brazil, 2022).
  10. Ministério do Meio Ambiente, Comitê Nacional de Zonas
    Úmidas. Recomendação CNZU n. 11, de 22 de Janeiro de 2018,
    https://bit.ly/3oGeSpl (Ministério do Meio Ambiente, Brasília,
    DF, Brazil, 2018).
  11. Ruaro, R., Ferrante, L. & Fearnside, P. M. Science 372,
    1049–1050 (2021).
  12. MapBiomas. A Dinâmica da Superfície de Água do Território
    Brasileiro, https://mapbiomas.org (MapBiomas, 2021).
  13. Libonati, R., DaCamara, C. C., Peres, L. F., Sander de Carvalho, L.
    A. & Garcia, L. C. Nature 588, 217–219 (2020).
  14. Tomas, W. M. et al. Sci. Rep. 11, 23547 (2021).
  15. Mitsch, W. J. et al. Landsc. Ecol 28, 583–597 (2013).
  16. Gottgens, J. F. et al. Bioscience 51, 301–308 (2001).
    Author contributions
    All authors have read and agreed to the published this version of the Correspondence.
    Competing interests
    The authors declare no competing interests.

o

BAIXE O ARQUIVO EM PDF em https://drive.google.com/file/d/1EwqC92p77Bmf25bzZfXzhnCXKZxk7m_s/view?usp=sharingF

Há 4 anos, comemorando com a coordenação do FONASC a aprovação no CNRH – Conselho Nacional de Recursos Hídricos da resolução CNRH no. 196/2018 do Plano de Recursos Hídricos da Região Hidrográfica do Paraguai🌎

http://fonasc-cbh.org.br/wp-content/uploads/foto-celebracao-rio-paraguai.jpg

Esta resolução foi um fato importante no contexto das lutas para gartantia dos usos multiplos da bacia , extremamente pressionada pelo Setor Energético que pretende instalar mais de 100 PCHs impactando seus usos . Ela de base legal para desenvolvimento de estudos técnicos científicos que fundamentaram elementos para tomada de decisão relativas as outorgas e não permissões de empreendimentos em algumas áreas e regiões delimitadas onde não pode ser instalados empreendimentos hidroenergéticos.

Atualmente, esses estudos e esses normativos tem sido combatidos de maneira incisiva pelos empreendedores do MT com a complascencia do Governo do Estado que só não licenciaram ainda devido a permanente vigilia e mobilização das entidades e movimentos parceiros da Bacia e por causa dos efeitos jurí, dicos desses estudos que estão fundamentando decisões judiciais para suspenção dos processos de licenciamento desses empreendimentos.

veja mais sobre as atividades do fonasc histórico nesses temas

FONASC DF APOIA PARTICIPA CONVOCA para O Ato em defesa da Terra e contra o pacote da destruição

CONVOCATÓRIA

Ato em defesa da Terra e contra o pacote da destruição


A democracia, os direitos humanos, o meio ambiente e a saúde da população brasileira, entre diversas outras agendas, estão sob ataque incessante desde que Jair Bolsonaro assumiu a Presidência da República. Hoje o Brasil é um país mais
pobre, mais violento e mais desigual, cujo governo atenta contra a vida dos cidadãos e contra o patrimônio socioambiental do país.

Todos os indicadores são de trágico retrocesso: desmatamento, emissões de gases de efeito estufa, perda da sociobiodiversidade, grilagem de terra, degradação de áreas protegidas, invasões a territórios indígenas e quilombolas, envenenamento dos alimentos, violência e criminalização contra populações tradicionais e camponesas, especialmente mulheres e negros. A Amazônia e outros biomas nacionais estão sendo destruídos. Tudo isso decorre dos atos e dos discursos de Bolsonaro e de seus apoiadores. Mas esse quadro pode não apenas piorar, como se eternizar, caso o Congresso Nacional resolva se aliar definitivamente ao presidente em sua cruzada contra o país e o planeta.

O Parlamento se prepara para votar nos próximos dias o Pacote da Destruição, um conjunto de projetos de lei que irão legalizar o crime ambiental e transformar a devastação e o esbulho do patrimônio público em direito adquirido. Entre os vários

O Parlamento se prepara para votar nos próximos dias o Pacote da Destruição, um conjunto de projetos de lei que irão legalizar o crime ambiental e transformar a devastação e o esbulho do patrimônio público em direito adquirido. Entre os vários desastres que poderão ser aprovados estão a anistia permanente ao roubo de terras públicas, o fim do licenciamento ambiental, a liberação irrestrita de agrotóxicos e a oficialização do saque às terras indígenas. Veja a descrição detalhada dos projetos aqui.

Cada um desses projetos retira dos brasileiros um pedaço de seu futuro. Para premiar um punhado de criminosos, eles condenam os ecossistemas, os assentamentos rurais, os indígenas e os quilombolas. Ampliam o abismo da desigualdade. Mergulham nossa economia no atraso e no descrédito externo e tornam o Brasil um risco climático global.

É diante deste cenário de crise e urgência que os movimentos abaixoassinados e dezenas de artistas brasileiros convocam uma ampla manifestação no dia 9 de março de 2022, a partir das 15h, em frente ao Congresso Nacional, pela Terra, pela vida e em defesa do meio ambiente.

Exigimos que os projetos de lei que afetam negativamente o ambiente, o clima e os direitos humanos não sejam aprovados. Os parlamentares, e em especial o
presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, devem garantir que nenhuma propo

Exigimos que os projetos de lei que afetam negativamente o ambiente, o clima e os direitos humanos não sejam aprovados. Os parlamentares, e em especial o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, devem garantir que nenhuma proposta seja colocada em votação até que esteja alinhada com o que diz a ciência, com as demandas e necessidades das populações tradicionais e do campo e à luz da emergência climática que vivemos.
Assinam (lista provisória, em processo de coleta de adesões):

  1. A Rede Irerê de Proteção à Ciência compreende o acesso à Ciência como um Direito Humano fundamental, assegurando aos povos o direito de usufruir do progresso científico e seus benefícios. Para isso, a Rede Irerê entende que a promoção da livre expressão científica e da proteção de pesquisadores, cientistas e demais trabalhadores do campo científico é tarefa fundamental,
    especialmente em tempos de aprofundamento de governos totalitários e arbitrários.
  2. No entanto, faz-se necessário afirmar que a liberdade científica não pode ser confundida com irresponsabilidade e até mesmo negacionismo científico. Especialmente, quando este se coloca de forma interessada junto aos grandes grupos políticos e econômicos, dispostos a atacar os direitos humanos, ambientais e de saúde da população.
  3. Como bem demonstrado no recente artigo científico “O risco de falsas controvérsias para as políticas ambientais brasileiras”(https://doi.org/10.1016/j.biocon.2021.109447), a fabricação artificial de dúvidas sobre aquilo que já se apresenta como certeza científica, consiste numa tática
    conhecida e bem documentada das grandes corporações multinacionais e de grupos conservadores para imporem narrativas ideológicas para manter seus lucros às custas do interesse coletivo e da proteção à saúde e ao meio ambiente.
  4. Provas do negacionismo científico e os danos promovidos à população podem ser revisitados ao longo da história, e foram usados para justificar a escravidão, a submissão da mulher, dos povos indígenas, a criminalização dos pobres, a negação dos efeitos nocivos do tabaco, do amianto, de agrotóxicos já proibidos em diversos países, e até mesmo da eficácia de vacinas contra Covid-19.
  5. O caso Evaristo Miranda desnuda, por sua vez, essa prática negacionista e a submissão, omissão e conivência ao poder econômico e político em uma das maiores empresas de pesquisa pública agropecuária do mundo!
  6. Inegável reconhecer que o negacionismo científico tem duas faces na Embrapa: de um lado da moeda, ela promove a distorção dos fatos científicos por tais grupos alinhados ideologicamente ao poderio econômico conservador do setor (foi assim no debate cientifico sobre os transgênicos, código florestal, agrotóxicos…) e, por lado, busca promover uma verdadeira perseguição
    aos cientistas divergentes, que apontam os impactos negativos deste modelo agropecuário atrasado, predador, baseado na exploração de recursos naturais sem qualquer critério técnico como no caso dos níveis alarmantes de desmatamento no país, em especial na Amazônia, queimadas, uso de agrotóxicos, mau uso do solo e água, etc.
  7. Importante destacar ainda que, no lado “b” da Embrapa, há dezenas, e provavelmente centenas, de pesquisadores e pesquisadoras que se sentem preteridos, isolados, desprestigiados, desmotivados, perseguidos, adoecidos e até mesmo sumariamente demitidos, por não se alinharem ao
    negacionismo científico, intensificado nos últimos anos com o amparo do atual governo. São vítimas de uma violência científica, administrativa e ideológica quase invisível, dissimulada e ignorada por muitos, mas hoje conhecida na literatura como whistleblowing científico (http://www.cesteh.ensp.fiocruz.br/noticias/manifesto-emdefesa-dos-cientistas-que-alertam-sobre-os-perigos-dos-Agrotoxicos; https://www.ohchr.org/EN/Issues/Environment/SRToxicsandhumanrights/Pages/rig
    ht-to-science.aspx )
  8. Assim, ao contrário da postura adotada pela Anvisa ou pelo INPE, por exemplo, o negacionismo científico na Embrapa precisa ser compreendido como uma política institucional perpetrada pelo seu próprio quadro diretivo, uma vez que o sr. Evaristo Miranda, mesmo após esta denúncia humilhante, ainda permanece no cargo de Assessor do Presidente da empresa…
    1. Desta forma o combate a essa violência institucional contra à ciência deve ser feita de maneira estrutural, com o apoio da ciência e dos órgãos de controle de vigilância e das leis trabalhistas, de probidade administrativa, e na esfera criminal dos direitos humanos e ambiental.
    2. Rede Irerê de proteção à Ciência finaliza a presente nota solidarizando-se com todos os trabalhadores e trabalhadoras da Embrapa, seus pesquisadores e pesquisadoras, e cobra a apuração profunda da fabricação de falsas controvérsias científicas na empresa e a perseguição àqueles cientistas que optaram por cumprir seu papel em defesa dos interesses da sociedade.
      Brasília, 08 de fevereiro de 2022

veja o link do documento : http://fonasc-cbh.org.br/wp-content/uploads/Nota-Evaristo-Miranda_Final.pdf