NO ARTIGO “QUEM PODE FALAR PELAS ÁGUAS?”, JOÃO LUCAS EXPÕE A QUESTÃO DA EXCLUSÃO DE GRUPOS DA SOCIEDADE NOS DEBATES SOBRE AS ÁGUAS

Quem pode falar pelas águas?

 

A inclusão e a participação da sociedade civil em espaços para discussão sobre gestão hídrica é uma conquista parcial e uma luta constante do FONASC.CBH, mas a quem damos voz?

 

Já é sabido que a presença em debates de interesses públicos é majoritariamente masculina de uma determinada faixa etária (35- 55 anos), porém, entende-se que a água é um elemento integrador e, por isso, não deve haver exclusão de grupos com outros perfis. Mulheres, crianças, adolescentes, jovens e idosos têm sua participação constantemente invisibilizada e suas falas desmerecidas. Isso se dá pela presunção daqueles que detém a atenção dos colegiados e fóruns de que os outros grupos não dispõem de capacidade e conhecimento necessário para participar dos mesmos debates que eles.

 

Aqui, gostaríamos de evidenciar a participação do público Infanto-juvenil nesses espaços que deveriam estimular a presença dos jovens para que os mesmos obtenham experiência e desenvolvam suas habilidades técnicas, entre outras, a fim de dar continuidade aos debates no caminho natural da vida.

 

O termo jovem é utilizado pelos detentores dos discursos numa tentativa de imprimir vigor e vivacidade em suas vontades e ações, mas ao mesmo tempo, os jovens são vistos por esses como imaturos e emocionados despreparados para contribuírem na luta em defesa do nosso bem mais precioso: a água. Entretanto vemos que a juventude de hoje é quem irá gerir os recursos hídricos e tantos outros assuntos num futuro não-tão-distante. Para isso é preciso capacitá-los e oportunizar o acesso dos mesmos aos comitês, fóruns, conselhos, etc.

 

Tão importante quanto isso, é dar um voto de confiança para cada jovem que se qualifica nessa área, mas tem sua competência posta em dúvida. Apesar das “pedras no caminho” a juventude da água tem se mostrado uma força competente e imbatível galgando seus objetivos, pensando no bem coletivo e se articulando a nível nacional. A exemplo temos o próprio Comitê Infanto Juvenil da Bacia Hidrográfica do Rio Jeniparana (CIJBHRJ) que já acumula prêmios e reconhecimento ao passo em que compartilha experiências com toda a pirâmide etária de todos os cantos do Brasil.

 

O CIJBHRJ, através do FONASC.CBH, dá a crianças, a partir de 11 anos de idade, a oportunidade de conhecer a gestão de recursos hídricos, o funcionamento de um CBH e a versatilidade da educação ambiental. O trabalho é tão sensato e frutífero que foi reconhecido por duas vezes como a melhor experiência nacional de educação ambiental em gestão de recursos hídricos.

 

Outro resultado plausível é o ingresso de jovens oriundos do Comitê em colegiados como o Conselho Municipal de Meio Ambiente de São José de Ribamar e o Fórum Maranhense de Mudanças Climáticas. Além disso, a juventude, na pessoa do jovem João Lucas, recentemente colaborou de forma expressiva na elaboração dos documentos apresentados à Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Naturais do estado do Maranhão para a criação do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Turiaçu.

 

Com esse exemplo mais que bem-sucedido, reconhecemos a necessidade de incluir o público Infanto-juvenil, assim como outros grupos, nas discussões por reconhecer o seu potencial na soma de experiências e ideias.

 

João Lucas de Araújo Oliveira

Técnico em Meio Ambiente/Membro do Comitê Infanto-Juvenil da Bacia hidrográfica do Rio Jeniparana.

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