FONASC-CBH MG Atual vazão de 1.100 m³/s piora acesso à água e quadro de degradação ambiental

Monitoramento realizado em zona na região do alto sertão do Baixo São Francisco, confirma nova expansão de algas verdes sobre massa vegetal e de algas mortas em decomposição comprometendo ainda mais o acesso à água pelas populações difusas e apontando a desastrosa e impositiva gestão do Velho Chico

Enquanto há água estocada em quantidade em Sobradinho (ver quadro abaixo) e Itaparica com volume dentro do previsto, permanece o inconcebível regime de penúria (imposta pelo sistema de gestão, docilmente dominado pelo setor elétrico) em nome da “segurança hídrica” deles, donos das águas, ao preço do precário, cada vez pior acesso à água de beber pelas populações difusas ao longo do Baixo e da detonação do que resta do rio São Francisco.

Em pleno outono são confirmadas, como já alertado, as ocorrências de novas camadas de algas verdes que estão se expandindo sobre uma massa espessa (densa e fibrosa) de vários centímetros de algas anteriores, mortas, e vegetação aquática, igualmente defunta. Biomassa em decomposição que cumpre agora, junto ao material orgânico vindo de efluentes lançados e dos excrementos, do enorme número de cabeças de gado solto nas margens, o papel de nutriente para as novas florações de algas e macrófitas.

Na linha de transição entre o espelho d’água e a parte secada do leito do rio, a situação é ainda mais macabra, pois é o foi destinado, pelos gestores a serviço dos donos da água, para as populações que não contam com sistemas de captação e tratamento do líquido para seu cotidiano. Com as impensáveis e insuportáveis operações moduladas, com variações de vazão ao longo do dia e ainda menos água nos finais de semana e feriados (de fato, qual a razão lógica para que a população do Baixo, nos períodos de finais de semana e feriados, tenha mais água disponível?) a faixa de transição (repetindo sempre, sobre o leito do rio secado) é irrigada e fertilizada pela matéria das algas, plantas provocando um novo ecossistema de vegetação exótica extremamente agressiva, que invade a beira da água.

A remoção do material, em suas frentes de moradias, é um trabalho pesado, constante e insano. Pois a reprodução dos organismos é acelerada, podendo ser contabilizada em horas, levando à exaustão daquelas e daqueles que ainda insistem em manter o beiço do rio minimamente adequado para um banho e captação de água para beber.

Neste derradeiro caso, um detalhe relacionado ao chegar até a água para beber: quem tem uma embarcação e se dispõe (já que em seguida há o transporte dos vasos cheios para as residências, cada dia mais distantes da água), o caminho é a coleta no meio do rio, onde a fraca correnteza não tem força suficiente para liquefazer a suspensão verdosa das algas. É a melhor água a ser captada, se assim as pessoas quiserem. Um detalhe sem criticidade, parafraseando palavra apreciada em relatórios de monitoramento do quadro.

Com a ocupação do leito secado por essa nova mata, e sem correnteza, há a fixação do substrato, de sedimentos e, gradativamente, o leito do rio vai perdendo largura a caminho do pior. Trata-se de um consciente processo (da parte dos operadores do sistema) que também detona, além da paisagem que é assegurada para as pessoas, o direito do convívio com o rio, suas águas, e de mobilidade.

A beira d’água, antes local exuberante, com suas prainhas de areias limpas, boas de se ficar, hoje são pântanos medonhos que, de forma a calhar, perfeitamente encaixada nos objetivos de controle absoluto, sem qualquer resistência, vão desligando as pessoas do pouco que ainda resta de vínculo com o rio São Francisco.

Em meio a tanta destruição, o silêncio e ausências generalizados, da sociedade, dos municípios, estados e União, indicam que conflitos formais muito provavelmente não existirão. Mortos já são antes de surgirem.

Fonte: Info São Francisco

 

 

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