CIDADANIA HÍDRICA – INGRID LEITE

 INSTITUTO GAIA & FONASC

*Ingrid Leite

Há anos nós, do Instituto Gaia, desenvolvemos atividades em parceria com o FONASC, atuando nas mais diferentes esferas de gestão e proteção de recursos hídricos, tema tratado com preocupação mesmo antes quando não muitos nem imaginavam que em pleno Pantanal poderia faltar água. Isso mesmo! Escassez de água nas torneiras de muitas famílias já é realidade em municípios e assentamentos da região do Pantanal Mato-grossense.

Em 2018 o Instituto Gaia, entidade da qual faço parte, completa 20 anos de atuação. Nasceu e cresceu em Cáceres-MT, conhecida como a Princesinha do Rio Paraguai no meio do Pantanal Mato-grossense, a maior área úmida doce do Planeta. Desde sua fundação o nosso principal objetivo é  preservar o Pantanal, suas águas, sua biodiversidade, bem como a cultura dos povos e comunidades tradicionais que aqui sempre viveram, pessoas que sabem conviver com o ciclo das águas, cheias que inundam  quilômetros de florestas formando lagos e corixos,  abrigando um grande volume de água que lentamente vai escorrendo até chegar ao Rio Paraguai. Esse processo de seca/cheia, abriga uma infinidade de plantas e animais de infinita beleza, que atualmente corre um sério risco.

Poder contar com FONASC como parceiro em defesa do Pantanal fortalece nossas ações e renova nossas convicções. Uma dessas ações conjuntas que vale mencionar tem sido o incessante trabalho da pesquisadora e ativista do FONASC Débora Calheiros, presente no Comitê Nacional de Zonas Úmidas (CNZU), representando as demandas e estudos sobre as áreas úmidas. Débora está em constante diálogo com o Instituto Gaia e comunidades tradicionais no Pantanal, fazendo um trabalho de ponta a ponta, porque é capaz de reconhecer e perceber a sensibilidade e fragilidade desse bioma, propondo a proteção desses espaços que reconhecem na forma da lei, que garanta a sobrevivência do Pantanal. Sim, falamos em debate de base porque o FONASC e Instituto Gaia atuam junto às comunidades quando necessário. Em março de 2018, durante a 8ª edição do Fórum Alternativo Mundial das Águas (FAMA), fomos em caravana para o evento. Chamamos de caravana popular das Águas de Mato Grosso, porque reunimos pescadores, ribeirinhos, assentados rurais do Pantanal, indígenas, estudantes da UNEMAT e UFMT e fomos juntos a jornada do FAMA mostrar que firmemente exigimos que a gestão da água em Mato Grosso seja de fato múltipla, porque vivemos nessas áreas e não pretendemos nos mudar. Construímos no percurso e durante o evento então a Carta popular das Águas de Mato Grosso, reunindo águas, saberes e desejos dos biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal. A partir de relatos, o documento denuncia o que está acontecendo nos três biomas e o quanto isso tem afetado a vida nesses territórios. A carta também repudia o atual modelo econômico excludente, reafirma a resistência na luta pela água. Mais recentemente participamos da oficina A política nacional de recursos hídricos (CNRH) e suas ferramentas de implementação, ministrada por João Clímaco, coordenador do FONASC Nacional para a sociedade civil, nos comitês de bacias hidrográficas no Estado. A experiência foi gratificante pois praticamos durante dois dias possibilidades para fortalecer a atuação da sociedade civil nesses espaços.

São esses momentos que unem Instituto Gaia e FONASC, cumprindo nossas missões, trazendo à luz, o debate daqueles que não são ouvidos, tampouco consultados, seguimos fomentando os comitês de bacia hidrográficas mais participativo, defendendo e exigindo respeito ao cumprimento das leis que garantam a sobrevivência de todos que durante séculos vivem no Pantanal, por meio da participação popular na gestão da água. Para coroar acreditamos no informativo FONASC, um espaço onde nossas ações são visibilizadas e fortalecidas por isso convidamos aos leitores a uma passagem por universo que não aparece na mídia comum para que todos entedam e conheçam nosso trabalho e se juntem a nós, boa leitura a todos.

* Ingrid Leite é Bióloga, técnica em projetos, membro do Instituto Gaia desde 2003.

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