FONASC-MG DIVULGA – “O QUE A VALE ANDA APRONTANDO?”

Texto: Divulgação
Data: 26/10/2016

SERRA do GANDARELA: O QUE A VALE ANDA APRONTANDO?

A Vale S.A. tem estado “silenciosa”, mas são muitos os sinais de que a empresa está se movimentando de todas as formas para tentar conseguir o licenciamento da mina Apolo na Serra do Gandarela, contra oque lutamos há nove (9) anos. Os motivos desta luta são bem conhecidos: a relevância socioambiental dos inúmeros atributos naturais desse lugar sua importância para a qualidade de vida, a segurança hídrica e o abastecimento presente e futuro de água para o município de Belo Horizonte e vários outros de seu entorno.

No dia 17 de setembro, a Vale deu um curso de formação a todos os professores das redes municipal e estadual de Rio Acima, na sede da empresa na mina de Águas Claras. Anteriormente, a “educação ambiental” da empresa foi realizada com todos os alunos dos ensinos Fundamental e Médio de Rio Acima. As “linhas de convencimento” visam ramminimizar a percepção dos impactos da atividade de mineração e superestimar sua importância, sem reconhecer seu passivo ambiental no Quadrilátero Ferrífero-Aquífero, ampliado com o rompimento da barragem do Fundão, da Samarco, da qual a Vale é dona de metade. Em relação ao Parque Nacional da Serra do Gandarela, disseram, por exemplo, que ele não teria sido criado (em outubro de 2014) se não fosse a Vale, que a empresa contribuiu muito na sua formação e que a Unidade de Conservação só vai ter estrutura se houver a mineração, porque a atividade é essencial.

Mas a grande questão é: para quem é essencial minerar a Serra do Gandarela? Para os chineses, que comprariam todo seu minério? Para os acionistas da empresa mineradora? Para a bolsa de valores? Certamente não é essencial para a população e municípios que seriam atingidos pelo empreendimento, para o meio ambiente e as águas que seriam impactados e para as gerações futuras que não teriam mais a Serra do Gandarela.

A verdade que todos nós sabemos é que o interesse da Vale S.A. é responsável não só pelo atraso na criação do Parque Nacional (que poderia ter acontecido em 2011) como pela redução significativa dos seus limites, que deixaram de fora precisamente a parte da serra onde a empresa quer implantar a Mina Apolo, e onde estão as áreas de recarga e aquíferos fundamentais para a região. Provavelmente, também é responsável pela não criação de uma Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) complementar ao Parque Nacional (Parna), nas regiões do Baú e Piacó, pedida por comunidades do município de Santa Bárbara, para manter em seus modos de vida sustentáveis e compatíveis com a preservação, porque a Vale também quer minerar estas áreas.

No momento de crescente escassez hídrica que vivemos em Minas Gerais e muito especialmente nas bacias dos rios das Velhas e Paraopeba (São Francisco) e do rio Piracicaba (rio Doce), faz algum sentido destruir a última serra intacta do Quadrilátero Ferrífero-Aquífero? Desproteger e degradar águas superficiais e subterrâneas de qualidade, essenciais para milhões de pessoas das regiões metropolitanas de Belo Horizonte e do Vale do Aço? Promovera destruição irreversível e definitiva dos últimos grandes aquíferos intactos e com condições de abastecer, com qualidade, regiões vitais do Estado? É justo condenar cidades como Rio Acima, que, com suas dezenas de cachoeiras e outros atrativos guardam enorme potencial de desenvolvimento econômico pelo turismo, ao triste destino de cidades como Congonhas, Mariana ou Itabira, que se tornaram reféns da mineração, cujos impactos se tornaram conhecidos por todos? Vamos permitir que o restante preservado do vetor Sul da RMBH seja destruído pela mineração?!

Ao longo do último ano a Vale vem realizando novas pesquisas na Serra do Gandarela, provavelmente para elaborar novo Estudo de Impacto Ambiental, visando o licenciamento da(s) mina(s) que almeja lavrar nesta região. Em fevereiro, a empresa derrubou casas na região de Água Limpa (Rio Acima), sem qualquer mandado judicial; em março derrubou as traves de um campinho de futebol que era usado pela mesma comunidade há 30 anos, e as derrubou novamente em agosto, revoltando os moradores.

E mais: logo depois da criação do Parque Nacional, em 2014, foi realizada uma reunião da Diretoria do Conselho de Administração da Vale na cidade de Kuala Lumpur, na Malásia, só para incorporar à empresa mais um direito minerário ao sul da pretendida Mina Apolo e totalmente dentro do Parque Nacional!

O que está por trás deste jogo, no mínimo suspeito, da Vale? O que será que a mineradora anda aprontando nos bastidores dos governos estadual e federal, Senado, Câmara de Deputados, instituições como os ministérios de Meio Ambiente e de Minas e Energia, em Prefeituras e Câmaras Municipais?

Precisamos estar muito atentos!

A SERRA do GANDARELA NÃO PODE SER MINERADA!

15de outubro de 2016

Movimento pela Preservação da Serra do Gandarela (email: movimentogandarela@gmail.com)

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