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FONASC DF- INTERNACIONAL DIVULGA – solicitação de manifestação de Organizações Brasileiras sobre consulta pública do governo britânico para uma lei de combate ao “desmatamento importado”

FONASC DF- INTERNACIONAL DIVULGA – Manifestação de Organizações Brasileiras: consulta pública do governo britânico para uma lei de combate ao “desmatamento importado”

 

Estamos divulgando pedido divulgado pelo Frederico Machado -WWF-Brazil Zero Deforestation and Conversion manager -fredericomachado@wwf.org.br | 55 61 99173-8237-WWF-Brasil | wwf.org.br ,referente  solicitação de apoio da WWF para as respostas que serão enviadas à embaixada britânica no Brasil e aos ministérios relevantes do governo do Reino Unido, quanto a implementação de uma legislação para combater o “desmatamento importado”, através do acompanhamento (due diligence) de operações comerciais conduzidas entre empresas britânicas e supridores que as abastecem com commodities produzidas no Brasil e em outros países.

Adesões serão recebidas até 05 de outubro, informações detalhadas abaixo disponibilizadas polo ObswrvTÓRIO fLORESTl .

O governo do Reino Unido deseja implementar uma legislação para combater o “desmatamento importado”, através do acompanhamento (due diligence) de operações comerciais conduzidas entre empresas britânicas e supridores que as abastecem com commodities produzidas no Brasil e em outros países. Com intuito de conhecer a opinião de diferentes atores, em distintos países, o governo britânico abriu uma consulta pública sobre esta legislação de due diligence, que tem prazo para contribuições até o dia 5 de outubro – informações detalhadas no arquivo em anexo, assim como nas orientações abaixo enviadas pela Global Witness a diferentes instituições brasileiras.

Observamos sérios riscos de ineficiência nesta proposta de legislação, mas também vimos oportunidades para ajudar a melhorar. O momento crítico para nos manifestar é agora, durante este processo de consulta pública.

Assim, através deste e-mail, fazemos o convite para assinarem conosco um conjunto de respostas a questões centrais trazidas nesta consulta pública (anexo). Este documento será enviado à embaixada britânica no Brasil, assim como a ministérios relevantes do governo do Reino Unido, e poderá ser usado publicamente com intuito de aprimorar pontos chave desta proposta de legislação. Aos interessados em apoiar, por favor, confirmem sua adesão/assinatura até o dia 5 de outubro (segunda-feira), ao meio-dia.

Quanto maior o número de manifestações de instituições brasileiras, maiores serão as chances de aprimorar a proposta atual do governo britânico. Assim, além do convite para o suporte a estas respostas, caso tenham disponibilidade, recomendamos também o preenchimento individual da consulta pública no site oficial – mais detalhes também na mensagem abaixo.

 

Att, Fred

 

ORIENTAÇÕES ENVIADAS PELA GLOBAL WITNESS E PARCEIROS A ORGANIZAÇÕES BRASILEIRAS:

OPORTUNIDADE DE DAR A SUA OPINIÃO SOBRE UMA FUTURA LEI PARA COMBATER A DESFLORESTAÇÃO IMPORTADA!!! Qualquer indivíduo, organização ou empresa pode participar – então, por favor, faça-o.

O governo do Reino Unido lançou uma consulta de 5 semanas sobre uma proposta de criação de uma futura lei que proibiria a utilização de produtos ligados ao desmatamento ilegal. O formato é muito semelhante ao de uma pesquisa e o prazo para apresentação da proposta é às 23:59, hora de Londres, do dia 5 de outubro.

Pode fazer uma apresentação e encontrar informações em inglês sobre a proposta aqui: https://consult.defra.gov.uk/eu/due-diligence-on-forest-risk-commodities/

 

Como fazer parte da consulta. 

·       O prazo para a apresentação de propostas é 5 de outubro.

·       Fomos informados de que, para influenciar este processo, precisamos do maior número possível de propostas. As ONG do Reino Unido estão exortando  todos – onde quer que se encontrem – a participar.

·       Infelizmente, o governo só processará as propostas feitas em inglês.

·       Como contexto, a ONG Forest Coalition traduziu o resumo da consulta e as perguntas para português, espanhol, francês e indonésio. Pode encontrá-las aqui.

·       Pode enviar a sua proposta online. Também pode apresentá-la por e-mail: Due.Diligence@defra.gov.uk

·       Se a falta de acesso à tradução em inglês o impedir de apresentar uma proposta, informe-nos até 28 de setembro. Não sabemos se podemos recorrer a traduções, mas podemos tentar.

·       Se puder ajudar com as traduções, por favor informe-nos.

 

Webinars e briefings online

·       Os membros da ONG Forest Coalition estão realizando webinars online em vários idiomas sobre as consultas no Reino Unido e na UE.

Encontre mais informações aqui:

FERN: espanhol (28 de setembro, 16:00–18:00 CEST(hora exata a confirmar), inglês (28 de setembro, 11:00–12:30 CEST)

Os webinars anteriores foram realizados em português e francês. Pode pedir as notas para: alexandra@fern.org

Agência de Investigação Ambiental (EIA): indonésio (25 de setembro) (3-5pm/15.00-17.00 Jakarta)

 

Ajude-nos a criar um registo público das propostas apresentadas

As propostas apresentadas ao governo podem não ser todas tornadas públicas. A sociedade civil do Reino Unido está  pedindo a todos os que estão  apresentando propostas que forneçam uma cópia à ONG Forest Coalition, para que sejam colocadas numa página web para garantir que tenha  um registo público de todas as recomendações ou preocupações manifestadas. Por favor, encaminhe ou envie uma cópia da sua proposta ou das respostas para shawkes@globalwitness.org (ou outro membro da ONG Forest Coalition) e garantiremos que esta será publicada no site.

 

Existe alguma orientação?  

·       Todas as ONG e grupos da sociedade civil são incentivados a compartilhar os seus pontos de vista sobre as propostas.

·       Se precisar de ajuda/aconselhamento, a Global Witness criou uma ferramenta de e-mail, com as nossas respostas sugeridas. Você pode acessá-lo aqui (para organizações) ou aqui (o público em geral). Você pode ler as respostas sugeridas aqui.

·       Também escrevemos um blog com algumas reações iniciais em inglês (também em portuguêsespanhol e francês). Também compartilharemos as atualizações através das nossas redes sociais @GlobalWitness.

·       Se estiver envolvido em atividades de advocacia com empresas, outros grupos prepararam algumas respostas recomendadas para usar com as mesmas.

·       Estão também em curso trabalhos para enviar uma carta conjunta aos principais ministros do Reino Unido para garantir que a instituições financeiras  não seja excluído de uma futura lei no Reino Unido. Em breve solicitaremos a assinatura das ONGs e das instituições financeiras.

 

Algum contexto 

·       A consulta foi adiada por muitas semanas, portanto, está longe de ser certo que o governo se irá comprometer com uma nova lei. Pensamos ser importante encontrar um equilíbrio entre suscitar preocupações e as melhorias necessárias, embora seja claro que uma lei é necessária e bem-vinda.

·       Acreditamos que dois fatores importantes que influenciam o governo são: 1) O Reino Unido está organizando a  COP 26 “Climate Talks” e o governo está decidindo se esta poderia ser uma questão em que poderia demonstrar liderança; e 2) Um grande projeto  legislativo intitulado Lei do Ambiente está atualmente sendo debatido no parlamento. Um requisito de duo diligência  (due diligence) pode assumir a forma de uma emenda==== a esta legislação. Quando estas oportunidades passarem, acreditamos que o apoio a uma legislação possa diminuir.

Frederico Machado

Guardião da Estratégia de Desmatamento e Conversão Zero

WWF-Brazil Zero Deforestation and Conversion manager
fredericomachado@wwf.org.br | 55 61 99173-8237

WWF-Brasil | wwf.org.br

 

FONASC-CBH APRESENTA SUPLENTE PARA COMPOR NOVA FORMAÇÃO DO GAP PARAGUAI

O FONASC-CBH, representado pela Doutora Debora Calheiros, da atual Câmara Técnica de Planejamento e Articulação (CTPA) do CNRH (Conselho Nacional de Recursos Hídricos), que é responsável pelo acompanhamento e avaliação do PRH Paraguai e do GAP Paraguai, apresentou na reunião do GT Paraguai Rafael Bento, representante de Povos e Comunidades Tradicionais da RH Paraguai, membro do Quilombo Vão Grande, em Barra do Bugres – MT, para exercer a vaga de suplente do FONASC na nova formação do GT GAP Paraguai.

Na reunião, realizada por videoconferência em Cuiabá pela plataforma Microsoft Team, foi debatida a nova composição do GAP Paraguai, com apenas 10 membros, depois do Decreto Presidencial que mudou a composição dos órgãos colegiados. Entre as pautas estavam: Abertura e informes; Aprovação da Ata da última reunião; Proposta de Resolução que institui Grupo de Trabalho no âmbito da Câmara Técnica de Planejamento e Articulação sobre o Plano de Recursos Hídricos da Bacia Hidrográfica do Paraguai;  Proposta de Moção que recomenda a aprovação do Plano Nacional de Saneamento Básico – Plansab Revisado, em atendimento ao Decreto n. 7.217/2010, art. 62; Documento Base para o Processo de Elaboração do Plano Nacional de Recursos Hídricos 2021-2040;  Metas do PNRH para 2016-2020, sob responsabilidade da CTPA: definir diretrizes para o monitoramento e avaliação da implementação dos planos de recursos hídricos; Definir diretrizes para a abordagem do tema das mudanças climáticas nos planos de recursos hídricos; Agenda de trabalho do CTPA  para 2020; Encaminhamentos e informes gerais.

“Participar desse programa nacional de recursos hídricos do pantanal, para mim é importante por questão de informação, [...]  , então tem várias ações que estamos fazendo, parcerias com o comitê Popular do Rio Paraguai e direto com o comitê popular do Rio Jauquara, parceria com a Escola de Militância, com a Escola de Ativismo para estar reforçando a luta em defesa dos nossos rios, [...]”, explica Bento. “[...] quanto mais gente tiver lutando para defender nossas águas do Pantanal, isso é muito bom, estamos ai juntos para reforçar a nossa luta, aprendendo, conhecendo e ensinando as outras pessoas, porque a nossa comunidade é difícil para chegar, então quanto mais conhecimento as pessoas tiverem acaba sendo melhor.”, reforça em seu depoimento.

A reunião teve como participantes, a Nova Composição do GAP, representares do Poder Público Federal, do Poder Público Estadual, setores usuários, e Sociedade Civil, sendo aberta ao Público.

 

FONASC.CBH – FONASC.CBH APOIA A CARTA DE DECLARAÇÃO DE SIMPÓSIO MUNDIAL DA ÁGUA

O Simpósio Mundial da Água “Somos Água, Somos Um”, organizado por movimentos sociais e ambientais, liderado pela plataforma “Tribute Earth”, por meio de uma Declaração de Apoio, deu voz a uma série de pedidos de nível internacional, intersetorial e interinstitucional: a Defesa do Direito Mundial a Água, a Lei Mundial da Água, a Declaração do Ano Mundial da Água 2021 e a Criação do Movimento Mundial da Água.

Este último tem como estratégia conjunta para garantir o acesso e a proteção dos ecossistemas hídricos, tendo como objetivo deixar um eixo norteador de uma nova era para a humanidade em nível global.

O simpósio se baseou em alguns Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis (ODS) das Nações Unidas: ODS 1 – Fim da Pobreza; ODS 3 – Saúde e bem-estar; ODS 5 – Igualdade de Gênero; ODS 6 – Água limpa e saneamento; ODS 10 – Redução de desigualdades; ODS 11 – Cidades e comunidades sustentáveis; ODS 13 – Ação Climática; ODS 14 – Vida Subaquática, ODS 15 – Vida dos ecossistemas terrestres; ODS 17 – Alianças para a cooperação e os direitos ambientais reconhecidos pelas Cartas Magníficas de todos os países.

De acordo com a Declaração, a maioria das pessoas já tratam com normalidade as adversidades enfrentadas pela contaminação, acesso e destruição dos recursos hídricos.

Para ter acesso ao documento, clique abaixo.

Declaratoria del Derecho Mundial al Agua.

O Fórum Nacional da Sociedade Civil nos Comitês de Bacias Hidrográficas (FONASC. CBH) se manifestou com seu apoio. E considera a água como um bem natural, a qual todos têm direito, que pode ser acessada conforme os princípios do desenvolvimento sustentável, para a garantia da qualidade das gerações futuras e a vida e fundamentalmente preservando seu valor social.

BANCO DE DADOS MAPEIA CARACTERÍSTICAS DE RIOS E BACIAS

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BANCO DE DADOS MAPEIA CARACTERÍSTICAS DE RIOS E BACIAS 

Texto: do Portal Canal Ambiental
Data: 17/12/2019

Dois pesquisadores e amigos de extremos opostos da Terra criaram o primeiro atlas mundial de alta resolução espacial que mapeia as características ambientais de todos os rios e bacias hidrográficas do mundo.

HydroATLAS foi co-desenvolvido pelo Dr. Bernhard Lehner e sua equipe do Departamento de Geografia da Universidade McGill, no Canadá, e o Dr. Simon Linke, da Universidade Griffith, na Austrália.

“Este projeto, que durou mais de 5 anos, não seria possível sem o apoio crítico de vários estudantes de graduação e pós-graduação da Universidade McGill, nove dos quais são coautores deste estudo”, destacou o professor Bernhard Lehner. “Eles contribuíram para esse banco de dados como parte de sua própria pesquisa ou como assistentes de pesquisa, compilando e analisando grandes quantidades de dados digitais globais. ”

O desenvolvimento também foi auxiliado pela Dra. Michele Thieme, do WWF (World Wildlife Fund), colaboradora de longa data dos pesquisadores – que frequentemente aplica a ciência para ajudar projetos de conservação em áreas remotas, como a Bacia do Congo ou o Butão.

O HydroATLAS auxilia pesquisadores e profissionais – como agências ou órgãos nacionais como a ONU – a resolver lacunas nos métodos de proteção de rios ou bacias hidrográficas e a entender o impacto humano nos ecossistemas de água doce.

O banco de dados HydroATLAS é um compêndio padronizado que reúne mais de 50 variáveis ​​ambientais, representando mais de 280 atributos individuais em um único recurso que permite a análise detalhada dos fatores que impulsionam a hidrologia e a ecologia dos rios e suas bacias hidrográficas.

O Dr. Simon Linke disse que o HytdroATLAS oferece a não especialistas a oportunidade de explorar informações sobre rios e suas bacias hidrográficas em um único banco de dados centralizado. “Isso pode ajudar, por exemplo, a entender onde estão as lacunas na proteção dos rios ou quais são as características das bacias hidrográficas que são particularmente ameaçadas pela atividade humana”, disse o pesquisador.

Um estudo detalhando o compêndio HydroATLAS foi publicado na revista científica Nature Scientific Data.

O banco de dados coleta informações hidroambientais descritivas para todas as bacias hidrográficas e rios ao redor do mundo e oferece dados sobre:

  • Hidrologia (por exemplo, descarga, escoamento superficial, inundação de áreas úmidas, profundidade do lençol freático)
  • Fisiografia (por exemplo, elevação, declive, relevo)
  • Clima (por exemplo, temperatura, precipitação, evapotranspiração, neve, aridez)
  • Cobertura e uso da terra (por exemplo, ecorregiões, tipos de florestas, vegetação natural, classes de áreas úmidas, tipos de habitat)
  • Solos e geologia (por exemplo, conteúdo de argila, silte e areia, carbono orgânico, classes geológicas)
  • Influências antropogênicas (por exemplo, população, pegada humana, densidades das estradas).

“A beleza do HydroATLAS é que o usuário não precisa de nenhum conhecimento especial em mapeamento por computador, mas pode clicar em um rio ou área e as informações serão extraídas do banco de dados e estarão prontamente disponíveis. Os usuários também podem calcular facilmente o clima a montante, o solo e outras variáveis ​​que contribuem para o caráter de um rio ou bacia hidrográfica”, acrescentou o Dr. Linke.

O Dr. Bernhard Lehner disse que o HydroATLAS é um “recurso incrivelmente detalhado”, com dados ambientais anexados a mais de 8 milhões de segmentos de rios e 1 milhão de captações em todo o mundo.

“Já construímos os mapas mais detalhados de rios e bacias hidrográficas em todo o mundo em projetos anteriores, que exigiram mais de uma década de interpretação de informações de sensoriamento remoto e desenvolvimento de algoritmos de computador. Através da colaboração com o professor Linke, conseguimos adicionar uma ampla gama de dados ambientais de muitas outras fontes, construindo o mais detalhado e abrangente sistema global de informações sobre rios e captações atualmente disponível. ”

Os pesquisadores esperam que o HydroATLAS seja especialmente útil para aplicações de órgãos intergovernamentais, como o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, o WorldBank ou a União Internacional para Conservação da Natureza.

Acesse o HydroATLAS.

Acesse o artigo científico completo (em inglês).

Acesse a notícia completa na página da Universidade McGill (em inglês).

Fonte: Katherine Gombay, Universidade McGill. Imagem: Divulgação.

INTERNACIONAL – BOLHAS DE METANO FAZEM O ÁRTICO “FERVER”

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INTERNACIONAL – BOLHAS DE METANO FAZEM O ÁRTICO “FERVER”

Bolhas de metano

Bolhas de metano

Texto: do Portal ClimaInfo
Data: 11/10/2019

Um grupo de 80 cientistas, em viagem pela Sibéria para investigar os efeitos do degelo do permafrost do Ártico Oriental, fez uma observação surpreendente: o mar parecia estar fervendo. A assombrosa visão era causada por bolhas de metano provenientes do fundo do mar. Os pesquisadores disseram que a concentração de metano no Mar da Sibéria Oriental é entre seis e sete vezes maior do que a média global.

O grupo atribui este aumento de metano ao descongelamento do permafrost que tem afetado partes da Sibéria à medida em que sobem as temperaturas na região.

Veja a matéria completa no site do

INTERNACIONAL – A BATERIA DO SEU CELULAR PODE ESTAR DEIXANDO PESSOAS SEM ÁGUA NO ATACAMA

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INTERNACIONAL – A BATERIA DO SEU CELULAR PODE ESTAR DEIXANDO PESSOAS SEM ÁGUA NO ATACAMA

Texto: da BBC Brasil
Data: 26/08/2019

Sara Plaza morou a vida toda em uma comunidade ao lado do Salar do Atacama

 Sara Plaza morou a vida toda em uma comunidade ao lado do Salar do Atacama
Por força do hábito, Sara Plaza sorri ao posar para a foto, mas quando fala sobre o que aconteceu com a terra ao redor de sua casa, as lágrimas começam a escorrer pelo seu rosto.

“Havia lagoas lindas lá embaixo, com centenas de flamingos”, diz ela. “Quando eles abriam as asas, você via as penas pretas e cor de rosa. Agora está tudo seco, e as aves foram embora.”

Peine, o vilarejo empoeirado onde ela mora no norte do Chile, está localizado em uma colina perto do Salar do Atacama, um salar de 3 mil quilômetros quadrados no deserto mais seco do planeta, próximo às gigantescas montanhas dos Andes.
“Era tão verde, agora é só um chão duro e rachado. Não podemos mais criar lhamas”, lamenta.

Sara diz que a mineração de lítio no Atacama está reduzindo a água doce dos aquíferos da região – camadas de rochas porosas abaixo do solo que atuam como reservatórios de água.

O Salar do Atacama cobre uma área de 3 mil quilômetros quadrados

 O Salar do Atacama cobre uma área de 3 mil quilômetros quadrados
Demanda triplicou

O lítio, metal macio de coloração branco-prateada, é usado na fabricação de baterias para smartphones, laptops e carros elétricos.

A demanda disparou nos últimos anos – a produção global triplicou desde 2005, chegando a 85 mil toneladas em 2018, segundo o Serviço Geológico dos EUA.

O Chile é o segundo maior produtor mundial de lítio depois da Austrália. O país registrou uma produção de 16 mil toneladas no ano passado, concentrada apenas no Atacama, avaliada em US$ 949 milhões. Um aumento de 38% em relação a 2017.

Atualmente, existem apenas duas empresas de mineração de lítio na região – a americana Albemarle e a chilena SQM.

Embaixo do salar há um enorme reservatório subterrâneo natural de água salgada que contém sais de lítio dissolvidos.

Para extrair o lítio, os mineiros bombeiam a salmoura até a superfície e deixam evaporar ao Sol, resultando no carbonato de lítio – os dois principais importadores globais são a China (24%) e o Japão (22%). Esse sal pode então ser transformado em lítio metálico.

As empresas Albemarle e SQM bombeiam a salmoura do subsolo para extrair lítio

 As empresas Albemarle e SQM bombeiam a salmoura do subsolo para extrair lítio
Extração de água doce

Embora haja preocupações contínuas sobre o impacto que a extração de água salgada está causando no ecossistema mais amplo – incluindo as denúncias de que as lagoas de água salgada dos flamingos estão secando -, a questão mais urgente para Sara e outros moradores da região é que as empresas de mineração também estão acessando reservas de água doce.

Eles precisam da água doce para limpar as máquinas e tubulações, e também para fabricar potássio – produto derivado da salmoura -, que é usado como fertilizante.

Em meio aos tufos de grama amarelados que costumavam ser usados para pastagem, Sarah – que monitora o fornecimento de água para sua comunidade indígena – aponta para uma pequena estação de bombeamento, que coleta água doce subterrânea e a transporta para minas de lítio.

Cerca de 40 quilômetros ao norte, Jorge Cruz cultiva milho e alfafa em um pequeno lote de terra na vila de Camar, outra comunidade indígena perto do salar.

Ele diz que, se as empresas de mineração continuarem a usar água doce no ritmo atual, sua aldeia não sobreviverá.

“As aves se foram, não podemos mais criar animais”, diz ele. “Está ficando cada vez mais difícil plantar. Se piorar, teremos que emigrar”.

Diego Hernandez, presidente da Sonami, sociedade de mineração chilena, afirma que a quantidade de água doce usada pelas empresas de lítio é insignificante. Mas ele concorda que todos os níveis de água devem ser melhor monitorados pelas autoridades.

Jorge Cruz diz que não pode mais criar animais pela falta de água doce

 Jorge Cruz diz que não pode mais criar animais pela falta de água doce
“O governo não tem um modelo hidrológico de todo o aquífero”, diz ele. “Deve ser capaz de tomar decisões fundamentadas com base em dados técnicos. Mas no Chile temos mais regras e leis do que dinheiro para fazer com que isso aconteça.”

Tanto a Albemarle quanto a SQM realizam seu próprio monitoramento da água subterrânea.

“Temos as ferramentas mais avançadas do setor para monitorar a saúde do Salar do Atacama”, diz Eric Norris, presidente da Albemarle.

Segundo ele, todas as medições da empresa estão disponíveis para a análise de autoridades e comunidades locais. E os engenheiros da empresa estão trabalhando em novas tecnologias para produzir uma quantidade maior de lítio usando menos água, uma vez que estão cientes da necessidade de gerenciar a região de forma sustentável.

O Chile exporta quase US$ 1 bilhão em lítio por ano

 O Chile exporta quase US$ 1 bilhão em lítio por ano
“Estamos muito empenhados em proteger esse ecossistema”, diz ele.

Ambas as empresas possuem cotas para a quantidade de água que podem extrair por ano. No entanto, as duas companhias já sugeriram algumas vezes que a outra está violando esses limites.

A Albemarle diz que está autorizada a bombear 442 litros por segundo de salmoura, e 23,5 litros por segundo de água doce.

Alejandro Bucher, vice-presidente de meio ambiente da SQM, afirma que a sua empresa também está comprometida em conduzir a atividade de maneira sustentável.

Mas, segundo ele, os ecossistemas do Atacama são extremamente dinâmicos e apresentam variações importantes de um ano para o outro.

Bucher acrescenta que os analistas não devem interpretar essas variações como mudanças permanentes no ambiente local.

“Nosso monitoramento ambiental de longo prazo, que é avaliado regularmente pelas autoridades ambientais, mostra que os ecossistemas estão intactos, incluindo áreas de vegetação, lagoas e populações de flamingos”, diz ele.

Sara diz que as duas empresas de mineração usam bombas como esta para ter acesso à água doce

 Sara diz que as duas empresas de mineração usam bombas como esta para ter acesso à água doce
Mais água saindo do que entrando

Mas alguns órgãos do governo estão expressando preocupação incluindo a agência estatal de desenvolvimento, Corfo.

No ano passado, foi constatado que havia mais água doce e salmoura saindo do sistema por meio de bombeamento e evaporação do que entrando por meio da chuva e da neve.

Não foi possível determinar, no entanto, se a mineração de lítio ou cobre era especificamente responsável. As minas de cobre, a mais de 80 quilômetros de distância, estão acessando as mesmas fontes de água doce e canalizando para suas instalações.

Grupos locais gostariam que houvesse uma abordagem conjunta para gerenciar a água do Atacama, e querem que o governo garanta que as comunidades vizinhas tenham água doce suficiente para agricultura e consumo próprio.

“O [atual] nível de extração de água está causando danos reais ao ecossistema e às comunidades próximas”, afirma Gonzalo Pimentel, da Fundação Deserto do Atacama, instituição sem fins lucrativos que apoia comunidades locais.

Dizem que os flamingos, que fazem ninho na região, são cada vez menos comuns no salar

 Dizem que os flamingos, que fazem ninho na região, são cada vez menos comuns no salar
O que não vai acontecer, no entanto, é qualquer interrupção na mineração de lítio.

Várias empresas internacionais estão negociando a obtenção de licenças com o governo para se juntar à Albemarle e à SQM na extração.

O congressista pró-governo, Guillermo Ramirez, diz que, como um país dependente da mineração, há tempos o Chile precisa conciliar as necessidades de água da população com as demandas da indústria.

Ele afirma que o governo vai atuar sempre para garantir que as comunidades tenham água – que o essencial é a boa regulamentação do setor de mineração. No entanto, ele acredita que o potencial do lítio é valioso demais para ser ignorado.

Sara está com medo.

“Vamos ficar aqui sem água, sem animais, sem agricultura – sem nada.”

 

INTERNACIONAL – TIRAR MUITA ÁGUA DE POÇO PODE CAUSAR TERREMOTO

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INTERNACIONAL – TIRAR MUITA ÁGUA DE POÇO PODE CAUSAR TERREMOTO

Mar da Galiléia
Mar da Galiléia

Texto: da Revista Superinteressante
Data: 01/08/2019

Quando falta água na superfície, a solução mais prática é retirá-la do subsolo. Mas uma pesquisa publicada no Geophysical Research Letters demonstrou que pode não ser uma boa ideia — principalmente para cidades construídas em cima ou perto de falhas geológicas. Um estudo indica que bombear água do lençol freático em demasia pode causar terremotos.

Uma série de tremores foram registrados em setembro de 2013 e julho de 2018 nos arredores do Mar da Galileia, famoso por ter sido o local onde, segundo a narrativa bíblica, Jesus teria caminhado sobre as águas. É o maior lago de Israel, localizado no nordeste do país. Abaixo dele há um grande sistema de falhas que se estende por toda a região do Mar Morto e acomoda o movimento das placas tectônicas africana e arábica.

Há décadas o lago tem sido uma das principais fontes de água doce de Israel. Mas, de uns tempos para cá, a população aumentou e as chuvas diminuíram. Isso fez o nível das águas baixar consideravelmente. Então as autoridades locais passaram a sugerir, nos anos 90, que a população bombeasse água de poços subterrâneos em vez de usar a da superfície. Os geólogos se perguntaram se poderia haver alguma relação entre o fenômeno e os tremores.

A equipe reuniu uma série de informações sobre os terremotos (datas, locais, profundidade e magnitude) e comparou com medidas regulares do aquífero da região. Constatou que, nas duas ocasiões, os tremores foram precedidos por quedas acentuadas no nível da água no subsolo — entre 2007 e 2013, e de 2016 a 2018. Foram tremores fracos, entre 3 e 4 graus, mas serviram para deixar os especialistas em alerta.

Historicamente, as falhas do Mar Morto já provocaram sismos fortíssimos, tendo atingido magnitude de 7 a 8 e vitimado cerca de 230 mil pessoas no ano 1138. Em 1927, um tremor de magnitude 6,25 matou quase 300 pessoas. E o grande problema é que um terremoto costuma puxar o outro. Quando a rocha quebra, pode chacoalhar numa reação em cadeia.

Os pesquisadores descobriram que extrair muita água do lençol freático reduz a carga gravitacional que mantém os dois lados da falha no lugar — deixando-a mais “frouxa”. Antes deste estudo, os cientistas ainda não haviam prestado muita atenção no fenômeno. Já sabiam que fazer o contrário, injetar água nos aquíferos, pode criar terremotos. A água penetra nos poros das rochas, aumenta a pressão e lubrifica as falhas.

Assim elas escorregam e se chocam com maior facilidade. Esse processo é utilizado para quebrar as camadas de rocha e extrair petróleo ou gás natural. Outras regiões do planeta também devem ficar atentas com os resultados da pesquisa, e quem sabe até pegar mais leve na extração de água dos aquíferos. Nos últimos anos, tam crescido a dependência dos poços na Califórnia — e a tão temida falha de San Andreas fica ali do lado.

INTERNACIONAL – CIENTISTAS DESCOBREM ÁGUA DOCE DEBAIXO DO OCEANO ATLÂNTICO

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INTERNACIONAL – A gigantesca reserva de água doce escondida debaixo do Oceano Atlântico

Texto: Redação BBC News Mundo
Data: 27/06/2019
OceanoDireito de imagem GETTY – Especialistas acreditam que reservatórios do tipo são abundantes, mas pouco se sabe sobre seus volumes e sua distribuição no planeta

O fundo do Oceano Atlântico esconde um tesouro muito mais valioso do que qualquer navio pirata: água doce.

Embora soe estranho, um grupo de geólogos da Universidade de Columbia, em Nova York, afirma que na costa nordeste dos Estados Unidos há quase 3 mil quilômetros cúbicos de água doce presa em sedimentos porosos sob a água salgada do mar.

A descoberta, embora surpreendente, era algo do qual já se suspeitava. Especialistas acreditam que esses tipos de depósito de água doce são abundantes, mas muito pouco se sabe sobre seus volumes e sua distribuição no planeta.

Os cientistas acreditam que este aquífero é o maior já encontrado. Eles o avaliam como “gigantesco”.

Segundo seus cálculos, a reserva vai da costa do estado de Massachusetts até New Jersey e abrange cerca de 350 km da costa do Atlântico nessa região dos Estados Unidos.

Se a reserva estivesse na superfície, formaria um lago de cerca de 40 mil km2.

Imagem mostra o mar, com o sol se pondo, ao fundoDireito de imagem GETTY – A “água fóssil” pode estar sob o mar desde a Era do Gelo

Como a reserva foi encontrada?

Para detectar a reserva d’água, os pesquisadores usaram ondas eletromagnéticas.

Uma pista que eles já tinham é que, nos anos 70, algumas companhias petroleiras que perfuravam a costa não extraíam petróleo, mas sim água doce. Os pesquisadores, no entanto, não sabiam se eram apenas depósitos isolados ou algo muito maior.

Agora, para conhecer a área em detalhes, eles lançaram sondas a partir de um barco para medir o campo eletromagnético nas profundezas.

A água salgada é melhor condutora de ondas eletromagnéticas do que a água doce, então, pelo tipo de sinais de baixa condutância que receberam, eles puderam concluir que havia água doce lá embaixo.

Eles também concluíram que os depósitos são mais ou menos contínuos, estendendo-se da linha da costa até cerca de 130 km mar adentro. Em sua maioria, eles estão entre 180 metros e 360 ​​metros abaixo do fundo do oceano.

Imagem mostra embarcação usada por pesquisadores
Direito de imagemKEY PERRY – Os pesquisadores usaram ondas eletromagnéticas para mapear a rede de água

Como a água chegou lá?

Os geólogos acreditam que a água doce pode ter se armazenado ali de duas maneiras.

Por um lado, acredita-se que no final da Idade do Gelo, grandes quantidades de água doce acabaram presas em sedimentos rochosos, algo que os especialistas chamam de “água fóssil”.

Mas pesquisas recentes mostram que os reservatórios provavelmente também se alimentam de chuva e de corpos de água que se infiltram através dos sedimentos na terra e alcançam o mar.

Ela pode ser consumida?

Os pesquisadores dizem que, de maneira geral, a água do aquífero é mais doce perto da costa e mais salgada à medida que entra no mar. Isso pode significar que, com o passar do tempo, os dois tipos de água vão se misturando.

Imagem mostra água de torneira caindo em mãos de pessoas negrasDireito de imagemGETTY
Image captionOs aquíferos submarinos poderiam abastacer regiões áridas do planeta

A água doce terrestre geralmente contém sal em quantidades inferiores a uma parte por mil. Esta é a mesma quantia que encontraram na reserva aquática perto da costa. Em seus limites externos, o aquífero alcança 15 partes por mil. Em comparação, a água do mar normalmente tem 35 partes por mil.

Segundo explica o geofísico Kerry Key, co-autor do estudo, para usar água das partes mais distantes do aquífero seria preciso dessalinizá-la para a maioria de sua utilização, mas, em todo caso, o custo seria menor do que processar água do mar.

O estudo de Key sugere que essas reservas poderiam ser encontradas em muitas outras partes do mundo, e poderiam fornecer água potável a lugares áridos que precisam urgentemente dela.

“Provavelmente não tenhamos que fazer isso nesta região”, disse Key em um comunicado. “Mas se pudermos demonstrar que existem grandes aquíferos em outras regiões, isso poderia representar um recurso adiconal em lugares como o sul da Califórnia, a Austrália ou a África.”

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Resistência aos antibióticos é uma ameaça tão grande quanto a mudança climática – chefe médico

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Dame Sally Davies pede uma campanha ao estilo da Rebelde de Extinção para aumentar a conscientização

Correspondente do meio ambiente

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 Davies disse que os esforços para combater o problema da resistência a antibióticos devem ser coordenados em nível global. Foto: Alamy

 

Protestos contra a mudança climática devem ser estendidos à outra grande ameaça que a humanidade enfrenta, segundo o diretor médico da Inglaterra, que diz que é necessária uma campanha de estilo Rebelião da Extinção para evitar que pessoas com antibióticos se tornem ineficazes diante do uso excessivo e da falta de regulamentação.

ameaça da resistência aos antibióticos é tão grande quanto a da mudança climática, disse Dame Sally Davies, e deve receber tanta atenção dos políticos e do público.

“Seria bom se os ativistas reconhecessem a importância disso”, disse ela. “Isso está acontecendo devagar e as pessoas se ajustam onde estamos, mas isso é o equivalente [perigo] ao clima extremo.”

Davies disse que os esforços para combater o problema de doenças comuns se tornando intratáveis ​​por medicamentos antibióticos devem ser coordenados em nível mundial, da mesma forma que o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, órgão criado em 1988 para combater o aquecimento global.

O IPCC alertou no ano passado que a mudança climática levaria a um desastre dentro de 12 anos se ações urgentes não fossem tomadas para reverter o crescimento das emissões de gases de efeito estufa. Davies disse que as conseqüências da resistência aos antibióticos representam pelo menos uma ameaça tão grande para o futuro da humanidade, e no mesmo prazo, mas poucos esforços foram feitos para lidar com a questão.

“Não há apetite entre as empresas farmacêuticas para desenvolver novos medicamentos”, disse ela. “Há uma falha sistêmica. Precisamos de algo semelhante ao IPCC ”.

Ela listou uma série de problemas que o mundo permitiu construir, desde o uso excessivo de antibióticos e a falta de restrições à prescrição de medicamentos fortes, até o uso desenfreado das drogas em animais , inclusive pelos agricultores para “promoção do crescimento”, como o drogas podem fazer com que os animais ganhem peso mais rapidamente. Tal uso foi banido na Europa e nos EUA, mas é comum em outros lugares, e mesmo na UE e nos EUA, o uso de antibióticos fortes, críticos para a saúde humana, ainda é permitido em animais, apesar dos pareceres científicos em contrário.

Davies disse que ela teve que ser persuadida a considerar qualquer uso de antibióticos em animais como ético, dado o potencial de uso excessivo, levando ao aumento da resistência bacteriana. “Eu acho que agora eles podem ser usados ​​em animais doentes, eu fui convencido”, disse ela. Mas ela ainda está preocupada com o fato de que os antibióticos são amplamente usados ​​em excesso na agricultura e que esse é um dos maiores fatores por trás do crescente problema da resistência. Globalmente, de longe, a maioria do uso de antibióticos é para animais.

A piscicultura também é uma grande preocupação, disse Davies, já que o uso de antibióticos tem sido negligenciado na indústria. Poucas áreas de cultivo estão livres de preocupação – ela observou que os antibióticos podem ser usados ​​na pulverização de frutas cítricas nos EUA, o que ela considera um sério perigo.

Davies deixará seu cargo no final deste ano, portanto não terá mais o papel do governo quando acordos pós-Brexit com os EUA provavelmente serão assinados. Mas ela deixou claro que continuaria a falar contra acordos que ela via como enfraquecendo as proteções do Reino Unido ao uso de antibióticos. Os EUA têm regras diferentes para a UE sobre o uso de antibióticos em animais e plantas.

Um relatório de referência publicado na segunda-feira pelo Grupo de Coordenação Interinstitucional sobre Resistência Antimicrobiana da ONU (IACG) recomendou que sejam implementadas regras mais fortes em todo o mundo para evitar o uso excessivo de tais medicamentos nas fazendas e nas pessoas.

Haileyesus Getahun, diretor da IACG, disse que a ameaça da resistência antimicrobiana é “um tsunami silencioso”. Ele disse que o público ainda não estava ciente do problema, mas que ainda poderia ser resolvido se as pessoas fossem educadas sobre os perigos. “Estamos chamando as pessoas para se unirem”, disse ele. “Nós ainda não vemos os efeitos disso, mas o que está por vir será uma catástrofe.”

O relatório pede que o uso de antibióticos como promotores de crescimento em animais de produção seja abolido globalmente e que os antibióticos mais fortes sejam reservados para uso humano. Os autores também pediram às empresas farmacêuticas que “priorizem o bem público em detrimento do lucro”, porque a falha de mercado que significa desenvolver novos medicamentos, embora seja de enorme benefício público, não faz com que as empresas ganhem mais dinheiro.

Outra questão crítica é o saneamento, porque a falta de água potável e o bom saneamento que afligem mais de 2 bilhões da população mundial está alimentando o aumento da resistência aos antibióticos que se espalha rapidamente pelo mundo, inclusive para os países ricos.

O relatório constatou que a falta de ação urgente resultaria em 24 milhões de pessoas sendo forçadas à pobreza extrema até 2030, e levaria a 10 milhões de mortes por ano até 2050.

Conforme a crise aumenta …

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