Navegando em todos os artigos INTERNACIONAL

INTERNACIONAL – TIRAR MUITA ÁGUA DE POÇO PODE CAUSAR TERREMOTO

Postado Postado por INTERNACIONAL, NOTÍCIAS     Comments Sem comentários
ago
1

INTERNACIONAL – TIRAR MUITA ÁGUA DE POÇO PODE CAUSAR TERREMOTO

Mar da Galiléia
Mar da Galiléia

Texto: da Revista Superinteressante
Data: 01/08/2019

Quando falta água na superfície, a solução mais prática é retirá-la do subsolo. Mas uma pesquisa publicada no Geophysical Research Letters demonstrou que pode não ser uma boa ideia — principalmente para cidades construídas em cima ou perto de falhas geológicas. Um estudo indica que bombear água do lençol freático em demasia pode causar terremotos.

Uma série de tremores foram registrados em setembro de 2013 e julho de 2018 nos arredores do Mar da Galileia, famoso por ter sido o local onde, segundo a narrativa bíblica, Jesus teria caminhado sobre as águas. É o maior lago de Israel, localizado no nordeste do país. Abaixo dele há um grande sistema de falhas que se estende por toda a região do Mar Morto e acomoda o movimento das placas tectônicas africana e arábica.

Há décadas o lago tem sido uma das principais fontes de água doce de Israel. Mas, de uns tempos para cá, a população aumentou e as chuvas diminuíram. Isso fez o nível das águas baixar consideravelmente. Então as autoridades locais passaram a sugerir, nos anos 90, que a população bombeasse água de poços subterrâneos em vez de usar a da superfície. Os geólogos se perguntaram se poderia haver alguma relação entre o fenômeno e os tremores.

A equipe reuniu uma série de informações sobre os terremotos (datas, locais, profundidade e magnitude) e comparou com medidas regulares do aquífero da região. Constatou que, nas duas ocasiões, os tremores foram precedidos por quedas acentuadas no nível da água no subsolo — entre 2007 e 2013, e de 2016 a 2018. Foram tremores fracos, entre 3 e 4 graus, mas serviram para deixar os especialistas em alerta.

Historicamente, as falhas do Mar Morto já provocaram sismos fortíssimos, tendo atingido magnitude de 7 a 8 e vitimado cerca de 230 mil pessoas no ano 1138. Em 1927, um tremor de magnitude 6,25 matou quase 300 pessoas. E o grande problema é que um terremoto costuma puxar o outro. Quando a rocha quebra, pode chacoalhar numa reação em cadeia.

Os pesquisadores descobriram que extrair muita água do lençol freático reduz a carga gravitacional que mantém os dois lados da falha no lugar — deixando-a mais “frouxa”. Antes deste estudo, os cientistas ainda não haviam prestado muita atenção no fenômeno. Já sabiam que fazer o contrário, injetar água nos aquíferos, pode criar terremotos. A água penetra nos poros das rochas, aumenta a pressão e lubrifica as falhas.

Assim elas escorregam e se chocam com maior facilidade. Esse processo é utilizado para quebrar as camadas de rocha e extrair petróleo ou gás natural. Outras regiões do planeta também devem ficar atentas com os resultados da pesquisa, e quem sabe até pegar mais leve na extração de água dos aquíferos. Nos últimos anos, tam crescido a dependência dos poços na Califórnia — e a tão temida falha de San Andreas fica ali do lado.

INTERNACIONAL – CIENTISTAS DESCOBREM ÁGUA DOCE DEBAIXO DO OCEANO ATLÂNTICO

Postado Postado por Destaques, INTERNACIONAL, NOTÍCIAS     Comments Sem comentários
jun
27

INTERNACIONAL – A gigantesca reserva de água doce escondida debaixo do Oceano Atlântico

Texto: Redação BBC News Mundo
Data: 27/06/2019
OceanoDireito de imagem GETTY – Especialistas acreditam que reservatórios do tipo são abundantes, mas pouco se sabe sobre seus volumes e sua distribuição no planeta

O fundo do Oceano Atlântico esconde um tesouro muito mais valioso do que qualquer navio pirata: água doce.

Embora soe estranho, um grupo de geólogos da Universidade de Columbia, em Nova York, afirma que na costa nordeste dos Estados Unidos há quase 3 mil quilômetros cúbicos de água doce presa em sedimentos porosos sob a água salgada do mar.

A descoberta, embora surpreendente, era algo do qual já se suspeitava. Especialistas acreditam que esses tipos de depósito de água doce são abundantes, mas muito pouco se sabe sobre seus volumes e sua distribuição no planeta.

Os cientistas acreditam que este aquífero é o maior já encontrado. Eles o avaliam como “gigantesco”.

Segundo seus cálculos, a reserva vai da costa do estado de Massachusetts até New Jersey e abrange cerca de 350 km da costa do Atlântico nessa região dos Estados Unidos.

Se a reserva estivesse na superfície, formaria um lago de cerca de 40 mil km2.

Imagem mostra o mar, com o sol se pondo, ao fundoDireito de imagem GETTY – A “água fóssil” pode estar sob o mar desde a Era do Gelo

Como a reserva foi encontrada?

Para detectar a reserva d’água, os pesquisadores usaram ondas eletromagnéticas.

Uma pista que eles já tinham é que, nos anos 70, algumas companhias petroleiras que perfuravam a costa não extraíam petróleo, mas sim água doce. Os pesquisadores, no entanto, não sabiam se eram apenas depósitos isolados ou algo muito maior.

Agora, para conhecer a área em detalhes, eles lançaram sondas a partir de um barco para medir o campo eletromagnético nas profundezas.

A água salgada é melhor condutora de ondas eletromagnéticas do que a água doce, então, pelo tipo de sinais de baixa condutância que receberam, eles puderam concluir que havia água doce lá embaixo.

Eles também concluíram que os depósitos são mais ou menos contínuos, estendendo-se da linha da costa até cerca de 130 km mar adentro. Em sua maioria, eles estão entre 180 metros e 360 ​​metros abaixo do fundo do oceano.

Imagem mostra embarcação usada por pesquisadores
Direito de imagemKEY PERRY – Os pesquisadores usaram ondas eletromagnéticas para mapear a rede de água

Como a água chegou lá?

Os geólogos acreditam que a água doce pode ter se armazenado ali de duas maneiras.

Por um lado, acredita-se que no final da Idade do Gelo, grandes quantidades de água doce acabaram presas em sedimentos rochosos, algo que os especialistas chamam de “água fóssil”.

Mas pesquisas recentes mostram que os reservatórios provavelmente também se alimentam de chuva e de corpos de água que se infiltram através dos sedimentos na terra e alcançam o mar.

Ela pode ser consumida?

Os pesquisadores dizem que, de maneira geral, a água do aquífero é mais doce perto da costa e mais salgada à medida que entra no mar. Isso pode significar que, com o passar do tempo, os dois tipos de água vão se misturando.

Imagem mostra água de torneira caindo em mãos de pessoas negrasDireito de imagemGETTY
Image captionOs aquíferos submarinos poderiam abastacer regiões áridas do planeta

A água doce terrestre geralmente contém sal em quantidades inferiores a uma parte por mil. Esta é a mesma quantia que encontraram na reserva aquática perto da costa. Em seus limites externos, o aquífero alcança 15 partes por mil. Em comparação, a água do mar normalmente tem 35 partes por mil.

Segundo explica o geofísico Kerry Key, co-autor do estudo, para usar água das partes mais distantes do aquífero seria preciso dessalinizá-la para a maioria de sua utilização, mas, em todo caso, o custo seria menor do que processar água do mar.

O estudo de Key sugere que essas reservas poderiam ser encontradas em muitas outras partes do mundo, e poderiam fornecer água potável a lugares áridos que precisam urgentemente dela.

“Provavelmente não tenhamos que fazer isso nesta região”, disse Key em um comunicado. “Mas se pudermos demonstrar que existem grandes aquíferos em outras regiões, isso poderia representar um recurso adiconal em lugares como o sul da Califórnia, a Austrália ou a África.”

FONASC INTERNACIONAL – Resistência aos antibióticos é uma ameaça tão grande quanto a mudança climática – chefe médico

Postado Postado por Destaques, INTERNACIONAL, NOTÍCIAS     Comments Sem comentários
mai
30

 

Resistência aos antibióticos é uma ameaça tão grande quanto a mudança climática – chefe médico

Este artigo tem mais de 1 mês

Dame Sally Davies pede uma campanha ao estilo da Rebelde de Extinção para aumentar a conscientização

Correspondente do meio ambiente

Ações
1,923

 

Pílulas azuis e brancas

 

 Davies disse que os esforços para combater o problema da resistência a antibióticos devem ser coordenados em nível global. Foto: Alamy

 

Protestos contra a mudança climática devem ser estendidos à outra grande ameaça que a humanidade enfrenta, segundo o diretor médico da Inglaterra, que diz que é necessária uma campanha de estilo Rebelião da Extinção para evitar que pessoas com antibióticos se tornem ineficazes diante do uso excessivo e da falta de regulamentação.

ameaça da resistência aos antibióticos é tão grande quanto a da mudança climática, disse Dame Sally Davies, e deve receber tanta atenção dos políticos e do público.

“Seria bom se os ativistas reconhecessem a importância disso”, disse ela. “Isso está acontecendo devagar e as pessoas se ajustam onde estamos, mas isso é o equivalente [perigo] ao clima extremo.”

Davies disse que os esforços para combater o problema de doenças comuns se tornando intratáveis ​​por medicamentos antibióticos devem ser coordenados em nível mundial, da mesma forma que o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, órgão criado em 1988 para combater o aquecimento global.

O IPCC alertou no ano passado que a mudança climática levaria a um desastre dentro de 12 anos se ações urgentes não fossem tomadas para reverter o crescimento das emissões de gases de efeito estufa. Davies disse que as conseqüências da resistência aos antibióticos representam pelo menos uma ameaça tão grande para o futuro da humanidade, e no mesmo prazo, mas poucos esforços foram feitos para lidar com a questão.

“Não há apetite entre as empresas farmacêuticas para desenvolver novos medicamentos”, disse ela. “Há uma falha sistêmica. Precisamos de algo semelhante ao IPCC ”.

Ela listou uma série de problemas que o mundo permitiu construir, desde o uso excessivo de antibióticos e a falta de restrições à prescrição de medicamentos fortes, até o uso desenfreado das drogas em animais , inclusive pelos agricultores para “promoção do crescimento”, como o drogas podem fazer com que os animais ganhem peso mais rapidamente. Tal uso foi banido na Europa e nos EUA, mas é comum em outros lugares, e mesmo na UE e nos EUA, o uso de antibióticos fortes, críticos para a saúde humana, ainda é permitido em animais, apesar dos pareceres científicos em contrário.

Davies disse que ela teve que ser persuadida a considerar qualquer uso de antibióticos em animais como ético, dado o potencial de uso excessivo, levando ao aumento da resistência bacteriana. “Eu acho que agora eles podem ser usados ​​em animais doentes, eu fui convencido”, disse ela. Mas ela ainda está preocupada com o fato de que os antibióticos são amplamente usados ​​em excesso na agricultura e que esse é um dos maiores fatores por trás do crescente problema da resistência. Globalmente, de longe, a maioria do uso de antibióticos é para animais.

A piscicultura também é uma grande preocupação, disse Davies, já que o uso de antibióticos tem sido negligenciado na indústria. Poucas áreas de cultivo estão livres de preocupação – ela observou que os antibióticos podem ser usados ​​na pulverização de frutas cítricas nos EUA, o que ela considera um sério perigo.

Davies deixará seu cargo no final deste ano, portanto não terá mais o papel do governo quando acordos pós-Brexit com os EUA provavelmente serão assinados. Mas ela deixou claro que continuaria a falar contra acordos que ela via como enfraquecendo as proteções do Reino Unido ao uso de antibióticos. Os EUA têm regras diferentes para a UE sobre o uso de antibióticos em animais e plantas.

Um relatório de referência publicado na segunda-feira pelo Grupo de Coordenação Interinstitucional sobre Resistência Antimicrobiana da ONU (IACG) recomendou que sejam implementadas regras mais fortes em todo o mundo para evitar o uso excessivo de tais medicamentos nas fazendas e nas pessoas.

Haileyesus Getahun, diretor da IACG, disse que a ameaça da resistência antimicrobiana é “um tsunami silencioso”. Ele disse que o público ainda não estava ciente do problema, mas que ainda poderia ser resolvido se as pessoas fossem educadas sobre os perigos. “Estamos chamando as pessoas para se unirem”, disse ele. “Nós ainda não vemos os efeitos disso, mas o que está por vir será uma catástrofe.”

O relatório pede que o uso de antibióticos como promotores de crescimento em animais de produção seja abolido globalmente e que os antibióticos mais fortes sejam reservados para uso humano. Os autores também pediram às empresas farmacêuticas que “priorizem o bem público em detrimento do lucro”, porque a falha de mercado que significa desenvolver novos medicamentos, embora seja de enorme benefício público, não faz com que as empresas ganhem mais dinheiro.

Outra questão crítica é o saneamento, porque a falta de água potável e o bom saneamento que afligem mais de 2 bilhões da população mundial está alimentando o aumento da resistência aos antibióticos que se espalha rapidamente pelo mundo, inclusive para os países ricos.

O relatório constatou que a falta de ação urgente resultaria em 24 milhões de pessoas sendo forçadas à pobreza extrema até 2030, e levaria a 10 milhões de mortes por ano até 2050.

Conforme a crise aumenta …

… Em nosso mundo natural, nos recusamos a nos afastar da catástrofe climática e da extinção de espécies. Para o The Guardian, reportar sobre o meio ambiente é uma prioridade. Nós damos aos relatórios sobre clima, natureza e poluição o destaque que merecem, histórias que muitas vezes não são noticiadas por outros na mídia. Neste momento crucial para nossa espécie e nosso planeta, estamos determinados a informar os leitores sobre ameaças, conseqüências e soluções baseadas em fatos científicos, não em preconceitos políticos ou interesses comerciais. Mas precisamos do seu apoio para ampliar nossa cobertura, para viajar para as linhas de frente remotas da mudança e para cobrir as conferências vitais que afetam a todos nós.

Mais pessoas estão lendo e apoiando nossos relatórios investigativos independentes do que nunca. E, ao contrário de muitas organizações de notícias, escolhemos uma abordagem que nos permite manter nosso jornalismo acessível a todos, independentemente de onde morem ou do que podem pagar.

O Guardião é editorialmente independente, o que significa que estabelecemos nossa própria agenda. Nosso jornalismo é livre de preconceitos comerciais e não é influenciado por donos de bilionários, políticos ou acionistas. Ninguém edita nosso editor. Ninguém orienta nossa opinião. Isso é importante, pois nos permite dar voz aos menos ouvidos, desafiar os poderosos e responsabilizá-los. É o que nos diferencia de tantos outros na mídia, no momento em que a reportagem factual e honesta é crítica.

Todas as contribuições que recebemos de leitores como você, grandes ou pequenos, vão diretamente para o financiamento de nosso jornalismo. Esse suporte nos permite continuar trabalhando como nós – mas devemos mantê-lo e desenvolvê-lo a cada ano que vem. Apoie o The Guardian a partir de $ 1 – e leva apenas um minuto. 

INTERNACIONAL – MINERAÇÃO DE AREIA ESTÁ ACABANDO COM OS DELTAS E LITORAIS DO MUNDO

Postado Postado por Destaques, INTERNACIONAL, NOTÍCIAS     Comments Sem comentários
mai
9

INTERNACIONAL – MINERAÇÃO DE AREIA ESTÁ ACABANDO COM OS DELTAS E LITORAIS DO MUNDO

Texto: Divulgação
Data: 09/05/2019

A mineração de areia está minando os deltas e litorais do mundo, prejudicando o meio ambiente e prejudicando a subsistência do Camboja à Colômbia, uma vez que a regulação do governo não consegue acompanhar o aumento da demanda, alertou a ONU.

A demanda global por areia e cascalho, usada extensivamente na construção, é de cerca de 50 bilhões de toneladas ou uma média de 18 kg por pessoa por dia, de acordo com um relatório publicado pelo Programa Ambiental da ONU (UNEP).

A extração em rios e praias aumentou a poluição e as inundações, reduziu os níveis de água subterrânea, afetou a vida marinha.

 Leia o artigo original aqui

 

INTERNACIONAL – BEBER ÁGUA DA TORNEIRA NA CALIFÓRNIA PODE AUMENTAR RISCO DE CÂNCER

Postado Postado por Destaques, INTERNACIONAL, NOTÍCIAS     Comments Sem comentários
mai
8
INTERNACIONAL – BEBER ÁGUA DA TORNEIRA NA CALIFÓRNIA PODE AUMENTAR RISCO DE CÂNCER
Texto: Divulgação
Data: 08/05/2019
Pesquisadores do Environmental Working Group , uma ONG sem fins lucrativos, estudaram os impactos combinados de contaminantes na saúde encontrados em 2.737 sistemas comunitários de água em toda a Califórnia e calcularam que o consumo prolongado da água contaminada poderia causar quase 15.500 novos casos de câncer.

INTERNACIONAL – CAMARÕES CONTAMINADOS COM COCAÍNA INTRIGAM CIENTISTAS

Postado Postado por Destaques, INTERNACIONAL, NOTÍCIAS     Comments Sem comentários
mai
8

INTERNACIONAL – CAMARÕES CONTAMINADOS COM COCAÍNA INTRIGAM CIENTISTAS

Texto: Divulgação
Data: 08/05/2019

Pesquisadores da Inglaterra afirmaram em um periódico científico que “pela primeira vez, encontraram um conjunto diversificado de produtos químicos, incluindo drogas ilícitas e pesticidas na vida selvagem do Reino Unido”. E que a cocaína estava presente em todas as amostras.

De acordo com o principal autor do estudo, os compostos mais frequentemente detectados nas amostras foram drogas ilícitas – incluindo cocaína -, cetamina e um pesticida proibido, o fenuron.

Leia o artigo original aqui

NASA DETECTA EVAPORAÇÃO DE ÁGUA DA SUPERFÍCIE LUNAR APÓS IMPACTO DE METEOROIDES

Postado Postado por Destaques, INTERNACIONAL, NOTÍCIAS     Comments Sem comentários
abr
16

NASA DETECTA EVAPORAÇÃO DE ÁGUA DA SUPERFÍCIE LUNAR APÓS IMPACTO DE METEOROIDES

Texto: Do Portal Canal Tech
Data: 16/04/2019

Já era previsto que impactos de meteoroides poderiam liberar água da superfície da Lua, transformando-a em vapor rumo à fina atmosfera do nosso satélite natural. Contudo, até então esse fenômeno não havia sido observado diretamente, coisa que acabou de acontecer com a sonda LADEE (Lunar Atmosphere and Dust Environment Explorer) da NASA.

Meteoroides são fragmentos de objetos espaciais que possuem dimensões significativamente menores do que um asteroide, mas significativamente maiores do que uma molécula, não se encaixando, portanto, nem na classificação de meteoros, nem de poeira interestelar. E pesquisadores da NASA relataram a observação de correntes de meteoroides atingindo a Lua, o que fez com que a água fosse liberada no formato de vapor para a atmosfera, sendo liberada para o espaço em seguida.

A sonda LADEE orbitou a Lua para estudar a estrutura e composição de sua fina atmosfera, e os cientistas descobriram que quando uma partícula de detrito de cometa, por exemplo, atinge a Lua, ela se vaporiza com o impacto, criando uma onda de choque no solo lunar. Essa onda de choque é capaz de romper a camada superior seca do solo, liberando moléculas de água da camada hidratada logo abaixo, com a LADEE então identificando essas moléculas de água quando elas entram na atmosfera lunar.

 

A descoberta foi publicada na revista Nature Geosciences, e o estudo ajudará a ciência a entender a história da água lunar, melhorando não somente nossa compreensão do passado geológico da Lua, como também sua evolução, mirando nas futuras operações de longo prazo na Lua e na exploração humana do espaço profundo, que poderá contar com recursos naturais lunares para tal.

“Na maior parte do tempo, a Lua não tem quantidades significativas de água em sua atmosfera, mas quando a Lua passa por uma dessas correntes de meteoros, vapor suficiente é ejetado e nós conseguimos detectá-lo; quando o evento acaba, a água vai embora”, explica Richard Elphic, cientista da NASA que trabalha no projeto da LADEE.

Para liberar água, os meteoroides precisam penetrar pelo menos 8 centímetros abaixo da superfície seca, onde há uma fina camada de transição para a camada hidratada, local este em que as moléculas de água se prendem ao regolito. A partir das medições de água na exosfera, os pesquisadores concluíram que a camada hidratada da Lua tem uma concentração de água de cerca de 200 a 500 partes por milhão — concentração muito mais seca do que o solo mais seco existente na Terra. Para obter pouco mais de 470 ml de água, seria necessário processar mais de uma tonelada de regolito.Mas como o material da superfície da Lua é “fofo”, até mesmo um meteoroide de 5 milímetros é capaz de penetrar o suficiente para liberar uma nuvem de vapor. E quando uma torrente de meteoroides faz “chover” na Lua, a água liberada atinge a exosfera e se espalha por ali — cerca de ⅔ desse vapor acabam escapando para o espaço, com o restante pousando de volta na superfície lunar.

 


Infográfico mostra o ciclo de água lunar com base nas observações da LADEE (Imagem: NASA)

 

Fonte: NASA

INTERNACIONAL – FALTA DE ÁGUA E SANEAMENTO DEIXA MILHÕES DE VIDAS EM RISCO NO MUNDO, DIZ OMS

Postado Postado por Destaques, INTERNACIONAL, NOTÍCIAS     Comments Sem comentários
abr
3

 

INTERNACIONAL -  FALTA DE ÁGUA E SANEAMENTO DEIXA MILHÕES DE VIDAS EM RISCO NO MUNDO, DIZ OMS

Texto: Portal ONUBr

Data: 03/04/2019

Mais de 2 bilhões de pessoas enfrentam riscos graves à saúde porque serviços básicos de água não estão disponíveis em um em cada quatro hospitais no mundo, afirmaram as Nações Unidas nesta quarta-feira (3), em apelo para países fazerem mais para prevenir a transmissão de doenças infecciosas evitáveis.

Em primeira avaliação sobre o assunto, o relatório Higiene, Saneamento e Água em Instalações de Assistência de Saúde, da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), também mostra que um em cada cinco centros de assistência de saúde não possui banheiro ou latrina. O problema afeta ao menos 1,5 bilhão de pessoas, o que provavelmente reflete uma falta de instalações em comunidades como um todo.

Criança lava o rosto no Sudão do Sul (2018). Foto: UNICEF/Meyer

Criança lava o rosto no Sudão do Sul (2018). Foto: UNICEF/Meyer

Mais de 2 bilhões de pessoas enfrentam riscos graves à saúde porque serviços básicos de água não estão disponíveis em um em cada quatro hospitais no mundo, afirmaram as Nações Unidas nesta quarta-feira (3), em apelo para países fazerem mais para prevenir a transmissão de doenças infecciosas evitáveis.

Em primeira avaliação sobre o assunto, o relatório Higiene, Saneamento e Água em Instalações de Assistência de Saúde, da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), também mostra que um em cada cinco centros de assistência de saúde não possui banheiro ou latrina. O problema afeta ao menos 1,5 bilhão de pessoas, o que provavelmente reflete uma falta de instalações em comunidades como um todo.

“A principal coisa que é preciso fazer é lavar as mãos, independentemente do que for”, disse Bruce Gordon, coordenador do trabalho da OMS sobre água e saneamento. “Não é uma questão de doença diarreica, é uma questão de qualquer infecção oportunista que pode viver na pele ou entrar em machucados ou no corpo e provocar sepse. Precisamos quebrar a transmissão com a lavagem das mãos”.

Populações dos países pobres são mais vulneráveis, à medida que os serviços básicos de água estão disponíveis apenas em pouco mais da metade de todas as instalações de saúde nos Países Menos Desenvolvidos (LDCs, na sigla em inglês), de acordo com o estudo da OMS e do UNICEF.

O déficit de serviços de água nesses países é significativo especialmente para mães e recém-nascidos. Estima-se que um em cada cinco nascimentos aconteça nos 47 países mais pobres do mundo. Isso significa que, a cada ano, 17 milhões de mulheres nestes países dão à luz em centros de saúde com suprimentos inadequados de água, saneamento e higiene.

Desigualdades perigosas dentro de países

O relatório também revela desigualdades dentro de países. Comunidades em áreas rurais têm menos chances de ter instalações decentes de assistência de saúde, em comparação com pessoas que vivem em cidades, disse Tom Slaymaker, especialista sênior do UNICEF para estatísticas e monitoramento de Água, Saneamento e Higiene.

“Pessoas estão dependendo de centros de saúde sem qualquer tipo de banheiro”, disse. “Pessoas doentes deixam muitos patógenos em suas fezes e, sem banheiros, funcionários e pacientes – incluindo mães e bebês – estão em maior risco de doenças causadas e propagadas por dejetos humanos”.

Enquanto um a cada dez hospitais no mundo não tem banheiro, o número cresce para um a cada cinco para centros de saúde menores, disse Slaymaker.

Instalações do governo também fornecem um nível menor de assistência do que clínicas e hospitais particulares. O relatório mostra que há um grande fracasso em alcançar as diferentes necessidades sanitárias para homens e mulheres – sejam eles pacientes ou profissionais médicos.

Em apelo para que mais países invistam em serviços de água e saneamento, Gordon, coordenador da OMS, disse que compromisso político é essencial.

“Sabemos que Água, Saneamento e Higiene geralmente precisam de fortes financiamentos públicos através de impostos, sim, há um grande movimento para conseguir fundos privados… mas se quisermos realmente alcançar os mais vulneráveis, aqueles que têm poucos recursos, gastos públicos e impostos precisam ser uma grande parte da equação”.

O impacto destrutivo do ciclone tropical Idai no sul da África há três semanas exacerbou a falta de infraestruturas básicas em muitos países da região, explicou Slaymaker, acrescentando que o UNICEF está “fortemente envolvido” na resposta em Moçambique.

“Obviamente neste tipo de situação e demanda por serviços de assistência de saúde é ainda maior, mas a capacidade de fornecê-los é intensamente comprometida”, explicou Slaymaker. Um dos objetivos do relatório, segundo ele, é recomendar como construir estas instalações, “para que sejam capazes de manter serviços de saúde funcionando no futuro, no contexto de desastres como os que vimos”.

Além de dar um panorama geral da situação de água e saneamento na assistência à saúde, relatórios futuros irão monitorar progresso, em linha com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

INTERNACIONAL – NO DISASTER IS NATURAL

Postado Postado por Destaques, INTERNACIONAL, NOTÍCIAS     Comments Sem comentários
fev
13

INTERNACIONAL – NO DISASTER IS NATURAL

Coordenador Nacional do Fonasc.CBH, João Clímaco conversou com o Portal Transformation e a reportagem você confere na íntegra abaixo.

Text: JASON VON MEDING, DJAIR SERGIO DE FREITAS JUNIOR, and MAÍRA IRIGARAY 5 February 2019
Should the Brumadinho dam collapse be framed as corporate incompetence or a crime against people and nature?

Aftermath of the Brumadinho dam collapse, January 26 2019. Credit: Wikimedia/Youtube. CC BY 3.0.

The latest environmental and human catastrophe involving Brazilian mining giant Vale occurred on the 25th January 2019 when a mine-tailings dam in Minas Gerais state ruptured. Mining waste and sludge engulfed the town of Brumadinho, with over a hundred people confirmed dead and more than 200 missing.

This catastrophe comes in the wake of the collapse of the Fundão tailings dam near Mariana in November 2015. Despite allegedly knowing of the potential for the dam to collapse in advance, Vale declined to act, leading to the worst environmental disaster in Brazilian history.

These are shocking events, but without concerted action they will surely happen again. Brazil faces an uphill battle to navigate the issues inherent in an aging network of dams, many of which are at risk of collapse.

Brazil is at crossroads. The recently elected President Jair Bolsonaro has made no apology for his brazenly anti-environmental approach, aimed squarely at the expansion of agribusiness and the exploitation of primary commodities – this in a country filled with expensive and poorly constructed infrastructure projects, permeated by human rights and environmental violations and with little or no oversight.

Despite some environmentally-friendly rhetoric, progress was slow under the previous administrations of Michel Temer, Dilma Rousseff and Lula. Deforestation continued, mining and agriculture expanded and more dams were built. Only a national and global campaign of pressure prevented Temer from abolishing the Renca forest reserve in 2017.

Rising income inequality and declining social indicators are high on the agenda of the Brazilian public. Public discontent with this situation was undoubtedly a factor in Bolsonaro’s election. For some, the environmental cost of development is not a priority. Inequalities and injustices within society create risk. Structural problems intersect with development failures and corporate negligence.

But despite efforts to assign blame, the reality is that arresting a few Vale employees will not address the root causes of the problem. Though technical negligence may have played a part, there are much more systemic issues at play. No disaster is ‘natural’ – so could the Brumadinho dam collapse more accurately be framed as a crime against nature and humanity?

Last week in Davos, President Bolsonaro spoke about Brazil’s status as a world leader on environmental protection, but the images of a tsunami of mud and toxic mining tailings engulfing Brumadinho made his words ring hollow. His administration has a lot in common with the Trump White House, which has also been criticised for its attitude towards environmental concerns. Some argue that a religious ideology of “dominionism” underpins the environmental position that many conservatives adhere to – the idea that human beings have the right to exploit the earth and all other life-forms.

But as John Trudell, a Native American (Santee Lakota) leader said in 1980, “we must go beyond the arrogance of human rights. We must go beyond the arrogance of civil rights. We must step into the reality of natural rights because the natural world has a right to existence. We are only a small part of it. There can be no trade-off.” As a global society we are facing an earth system breakdown that requires a deep cultural shift designed to re-imagine our relationship to the planet. How will this shift happen?

The failures of top-down action.

In Brazil, a culture of collusion between governmental and corporate actors makes meaningful top-down change a slow and painful process.

The collective failure of private and public stakeholders to mitigate the risks of environmental catastrophe is not exclusive to the present government. Legislation to protect the environment has long been under threat in Brazil, as the economy has slumped in recent years. President Michel Temer previously sanctioned the creation of the National Mining Agency while vetoing the creation of 130 positions dedicated to overseeing the activities of mining companies, ostensibly to avoid an increase in state spending.

The environmental licensing process in Brazil is seen by many business interests as an obstacle to ‘progress.’ Legislation is progressive and robust on paper, but once a political decision is made about a project there is minimal enforcement. According to the 1988 constitution of Brazil, the State has an obligation to protect local communities and workers who face excessive daily risks. The problems with the Brumadinho dam were well known but neither Vale nor the State’s environmental agency took any action.

Dam collapses are the tip of the iceberg in a global web of corporate dominance within governing structures that openly prefer profit above all else. Priority is given to investors, corporations and special interest groups to the detriment of human and environmental wellbeing. Climate treaties are trampled. Human rights are violated and the State is complicit.

João Clímaco, general coordinator of FONASC (the National Forum of Civil Society on Hydrographic Basin Committees) lamented this crisis of governance, telling us that it is “an established model that is totally unrelated to the Brazilian reality, the rights of the people…a model that privileges the concentrated power of big capital to the detriment of society and the weakening of democratic institutions.”

When the Vale Company was privatized by former president Fernando Henrique Cardoso, it sold for a little more than $3 billion Brazilian reais. Twenty years on, profits have soared by over 1,700%, with the National Development Bank providing public funds to guarantee further business expansion.

From the outset, the company has underestimated risk in its operations and shown contempt for human life and the environment. Consider the location of the building where the workers were lodged in the latest disaster, immediately below the tailings dam and the first building to be buried by toxic sludge. This is not an isolated incident. Several years before the Mariana disaster, Vale won the dubious “Nobel Award of Shame” in 2012 when it was voted the world’s worst company.

Neither the government nor Vale have learned from their past mistakes; nor do they appear willing to do so. Despite attempts to create special commissions on mining and increase oversight, the influence of the mining lobby in politics is intense. For example, 46 of the 53 federal deputies elected in Minas Gerais in 2014 were backed by industry money.

The promise of bottom-up action.

Moving forward, a framework for protecting the environment and promoting human and non-human wellbeing is already established in the Brazilian constitution and (to a lesser extent) in the legislative arena. But it will take people power to move beyond ‘unenforceable laws’ towards real action. There is no time to wait for those in power to make the necessary technological and legislative decisions.

Grassroots action is urgent and is already underway. In January 2019, for example, 46 environmental, human rights, labor and civil society organizations signed a statement committing them to “speak out against hateful rhetoric and acts of violence, intimidation or persecution” against the communities and civil society advocates that Bolsonaro has branded as ‘enemies’ or ‘terrorists.’

But expanded activism won’t be enough without a deeper re-evaluation of human relationships with natural systems. As people grow weary of a global socio-economic system that thrives on the myths of scarcity and competition, we must make and tell better stories about our relationship with nature and create new narratives to bind our communities and the natural world together.

As a recent article in the Journal of Peasant Studies argues, we need an “environmentalism cognizant of the dialectic between expanded capitalist accumulation at a global scale and environmental dispossession.” The fight for this kind of environmentalism continues in every corner of the world. Environmental disasters are an affront to our collective efforts to survive and thrive. We must depart from the trajectory defined by a status quo that actively creates more disaster risks.

This would represent a complete shift in worldview and a transformation of conscience. Human beings have the capacity to fulfil a duty towards future generations: unlike any other time in history, it is (technically) possible to supply energy, food and water to all. But clearly the problem is not a technical one. It is one that requires re-orienting our socio-economic values.

It is only through love, compassion, solidarity and urgent action that we have the potential, not only to survive but to become stronger, both with each other and within the web of life that connects us to nature. In fact, we are not separate from nature; we are nature itself.

That has been the cosmovision of indigenous peoples all around the world. But it has taken us far too many calamities to learn that we cannot eat or breathe money. Capitalism only serves itself, and we need a system that serves people and protects the planet. Otherwise, there won’t be any future left.

_____________________

About the authors

 Jason von Meding is a researcher, educator and author in disaster studies, currently on faculty at the University of Florida. He tweets @vonmeding. Djair Sergio de Freitas Junior is a PhD candidate in Environmental Sciences at UNEMAT, Brazil and a Visiting Research Scholar at the University of Florida. Maíra Irigaray is a Human Rights and Environmental Lawyer, an Indigenous Rights Activist and a PhD candidate at the University of Florida.

INTERNACIONAL – AS LIÇÕES PARA SOBREVIVER À SECA VIAJAM DO BRASIL À ÁFRICA

Postado Postado por Destaques, INTERNACIONAL, NOTÍCIAS     Comments Sem comentários
dez
19
INTERNACIONAL – AS LIÇÕES PARA SOBREVIVER À SECA VIAJAM DO BRASIL À ÁFRICA

Inspirada em projeto brasileiro, Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura constrói cisternas em países africanos e começa a mudar a realidade local

Texto: de Marina Rossi do El País
Data: 19/12/2018

Desenhando com o dedo indicador no chão de areia fofa e alaranjada, o agricultor brasileiro Sueldo Vicente de Moraes tentava explicar como funciona o sistema de tecnologia simples construído em sua comunidade para reutilizar água, em Mossoró, no Rio Grande do Norte. Ao redor dele, os olhos atentos de agricultores e algumas autoridades da comunidade rural de Tiamméne Pass, a cerca de 260 quilômetros de Dacar, capital do Senegal, prestavam atenção na explicação. “As minhocas consomem os resíduos nesta parte da decomposição”, apontava Moraes. “No final do processo, a água chega limpa para irrigar as plantas”, finalizou o brasileiro de 46 anos a uma dezena de senegaleses sentados no pé de uma estrutura imensa, usada para captar e bombear água do solo para as famílias locais.

A alguns quilômetros dali, na pequena aldeia de Ndiana Peulh, essa tecnologia de captação de água não existia. Mas a ausência dela hoje fez surgir outra forma de abastecimento. Sem rede elétrica e tampouco água encanada, os casebres de taipa com teto de sapé ficaram ainda menores depois que a grande cisterna, ainda branquinha, fora instalada. Construída em março deste ano, o reservatório é um dos 19 que existem hoje no país africano e faz parte da etapa piloto do projeto intitulado Um Milhão de Cisternas para o Sahel. Financiada pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), em parceria com o governo italiano, a iniciativa é totalmente inspirada no projeto brasileiro de mesmo nome, desenvolvido no início dos anos 2000 no semiárido e que ganhou reconhecimento internacional.

A inspiração na versão brasileira da iniciativa não foi só devido ao seu êxito. O Sahel, faixa que vai de leste a oeste do continente africano, entre o deserto do Saara e a savana do Sudão, é uma área com clima parecido com o do semiárido brasileiro, embora algumas regiões sejam ainda mais secas que no Brasil. Por causa das suas similaridades, nesta etapa do projeto, 18 agricultores e agricultoras brasileiros foram visitar algumas comunidades senegalesas onde os reservatórios foram construídos para trocar experiências como a de Sueldo Moraes, numa espécie de intercâmbio. “O mundo aprendeu muito com vocês”, afirmou Coumba Sow, coordenadora do time de resiliência para a África Ocidental da FAO. “Eu até poderia falar aos agricultores daqui do Senegal sobre a importância desse projeto, mas é ainda melhor quando os próprios atores dessa transformação falam sobre ela”.

Os agricultores brasileiros são pessoas simples no trato e cheias de conhecimento. Muitos deles nunca haviam saído sequer dos Estados onde vivem. Recolhem as sementes de melancia do prato do café da manhã do hotel para plantar no Brasil e pedem ao líder governamental, que ofereceu um jantar certa noite, para doar a comida que sobrou a uma das comunidades visitadas. Vieram dos dez Estados englobados pelo semiárido brasileiro – os nove do Nordeste e Minas Gerais -, por meio da Articulação do Semiárido (ASA), que é composta por mais de 3.000 entidades. Passaram sete dias viajando em um pequeno ônibus de 25 lugares pelo interior do Senegal, acompanhados pela reportagem do EL PAÍS, técnicos da ASA e um representante da FAO. Embora acostumados com a aridez e a vivência em locais quase sempre esquecidos pelo poder público, sentiram o calor, a secura e a realidade na pele. “Há 60 anos eu fui criado sem saber ler e nem escrever”, disse, emocionado, o senhor Carlos Soares de Menezes, 65, de Monte Alegre, em Sergipe, ao final de um dia inteiro percorrendo aldeias no interior do Senegal. “E ainda hoje tem gente assim. Isso é triste demais, achei que não existisse mais gente assim”, afirmou, após conhecer regiões onde não há escolas por perto. As crianças e especialmente as mulheres locais são analfabetas. “A gente reclama de barriga cheia no Brasil”, concluiu o senhor Sebastião Rodrigues Damasceno, 63, vindo do município alagoano de Santana do Ipanema.

Dahra, a 260 quilômetros de Dacar, um dos municípios onde há aldeias que receberam a cisterna, está quase na fronteira com o deserto do Saara. Chove, em média, 250ml por ano, menos da metade da média de 500ml registrada no semiárido brasileiro. O vento vindo do deserto faz a areia grudar na superfície da pele melada pelo suor provocado por um calor de quase 40 graus.

É uma cidade miserável, de pouco mais de 30.000 habitantes. O asfalto passa somente na via principal e o lixo nas ruas é parte da paisagem das vias de terra. Os animais – galinhas, principalmente, além de cabras e jumentos com as costelas à mostra – dividem o espaço com crianças vestidas com camisas de clubes de futebol europeu, que estão sempre com as duas mãos juntas, em forma de concha, pedindo algum dinheiro. De maneira geral, as únicas construções finalizadas são as mesquitas, que estão espalhadas por todo o país de maioria muçulmana, na mesma medida em que as igrejas evangélicas estão pelo Brasil. O cinza do reboco inacabado das casas de Dahra e o laranja de suas ruas de terra fazem contraste com as vestimentas das mulheres, que se cobrem de panos coloridos e estampados dos pés às cabeças.

O SAHEL

É uma faixa formada por municípios que estão em dez países da África, da costa oeste à leste: Burkina Faso, Chade, Gâmbia, Eritreia, Guiné Bissau, Mali, Mauritânia, Níger, Senegal e Sudão. Desses, Senegal, Níger e Gâmbia fazem parte do projeto piloto de construção de cisternas.

No sentido norte-sul, o Sahel fica entre o deserto do Saara a Savana do Sudão, constituindo uma zona de transição entre a aridez do deserto e as terras férteis da savana.

A quantidade de chuvas varia entre 150 e 300 milímetros por ano, dependendo do local, e 80% da população da região depende da agricultura para sobreviver.

São elas, inclusive, o público alvo do programa Um Milhão de Cisternas no Sahel – nome meramente ilustrativo, como membros da FAO explicaram, já que esse número não chega perto da demanda real de toda a região. O foco nas mulheres é por uma razão prática: culturalmente, são elas as responsáveis por buscar água para a família, num ato hercúleo que forma as históricas imagens de mulheres com baldes na cabeça, seja na África, seja no Brasil.

Antes da construção do reservatório, as mulheres da aldeia de Ndiana Peulh precisavam caminhar cinco quilômetros, dia sim, dia não, atrás de água. “Ficávamos muito cansadas”, disse uma delas, com voz baixa, no dialeto local, o pulaar, traduzido para o francês – a língua oficial do Senegal, embora a maioria fale wolof – e, em seguida, ao português. “A cisterna não só resolveu o problema da água, como também nos empoderou”, completou Elisângela Ribeiro de Aquino, 46, de Riacho dos Machados, em Minas Gerais. “Sabemos o que é andar com uma lata d’água na cabeça”.

O SEMIÁRIDO

É formado por mais de 1 milhão de quilômetros quadrados, englobando municípios dos nove Estados do Nordeste e uma parte de Minas Gerais. Tem cerca de 24 milhões de habitantes, entre a população rural e urbana.

Para um município ser considerado semiárido, é levada em conta a quantidade de chuva que cai ali, sua distribuição ao longo do ano, a evaporação e a aridez do solo. O Ceará é o único Estado que tem quase 100% dos seus municípios considerados semiáridos.

A estimativa da ASA é que as 1,3 milhão de cisternas construídas em todo o semiárido brasileiro atendam a cerca de 5 milhões de pessoas. Apesar da grande abrangência, calcula-se que ainda exista um déficit de 300.000 cisternas para consumo humano e 600.000 tecnologias de água para produção, como a construção de barragens e poços, para suprir a necessidade de água na região.

Nesse sentido, a aldeia Keur Bara Tambedou, na região da cidade de Kaolack, a 200 quilômetros de Dacar, já está um passo à frente. Ali, uma associação de agricultoras formada por 73 mulheres que trabalham na terra mostrava na prática o que significa esse nova força. Guilé Mané, de 39 anos, uma mulher alta e esbelta, que carregava o filho nas costas amarrado por um pano colorido, é a líder da associação e explicou à comitiva de brasileiros os impactos positivos causados pela cisterna. “Antes, o que produzíamos era praticamente usado para pagar a água. Agora com a cisterna, agradecemos a Deus”, disse. “A cisterna nos deixou mais unidas também”. Elas se dividem em pequenos grupos que se revezam entre o trabalho no campo e a venda dos alimentos produzidos. E garantem que o que ganham com a produção na terra fica somente para elas e não é dividido com os maridos, que podem se casar legalmente com até quatro mulheres ao mesmo tempo, segundo a legislação senegalesa.

Troca de sementes

Sobre um tapete colorido estendido no chão de terra, a agricultora brasileira Maria Silvanete Lermen, 43, do município pernambucano de Exú, descrevia o presente que trouxera do Nordeste do Brasil para as senegalesas. “Assim como muito do que temos no Brasil veio da África, trouxemos de volta algumas coisas para vocês”, dizia. “Esta batata doce já está brotando. Se plantar no inverno, nasce rapidinho. E a mamona, do fruto fazemos óleo para hidratar a pele, e plantada, ela serve para adubar a terra. Plantem longe dos animais, porque ela é venenosa”, explicava para as mulheres de Keur Bara Tambedou. O armazenamento de sementes, algo que não é praticado ali, é uma das formas de garantir a safra mesmo em momentos de seca, explicam os brasileiros. “O armazenamento das sementes nos deixam menos dependentes”, disse a mineira Elisângela de Aquino.

Esse conhecimento sobre o armazenamento de sementes, assim como a construção dos reservatórios, faz parte de um leque de ações contidas dentro da política desenvolvida para sobreviver à seca no Brasil. “A cisterna nunca chega sozinha a uma comunidade”, explica Cícero Félix dos Santos, da coordenação nacional da ASA. “Na verdade, ela é o último componente. Primeiro, existe um trabalho de conscientização, de sensibilização, formação de pedreiros para a construção… Isso tudo leva até um ano para ser finalizado”. Iniciada no final do ano 2000, ainda sob a gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a iniciativa da construção de cisternas partiu da sociedade civil organizada, que levou a proposta até Brasília. “Até então, as políticas desenvolvidas para o semiárido eram chamadas pelos governos de política de combate à seca”, diz Rafael Neves, coordenador do programa Um Milhão de Cisternas. “Mas não se combate a natureza. Se adapta à ela. Por isso, em uma região onde chove só de três a quatro meses, a principal estratégia [para sobreviver] é estocar água para beber, para plantar e guardar sementes nativas”.

O registro da primeira cisterna construída no Brasil partiu do pedreiro Manuel Apolônio de Carvalho, conhecido como Nel. Depois de passar uma temporada vivendo em São Paulo trabalhando na construção de piscinas, ele voltou à cidade de origem, no interior de Sergipe, com a ideia na cabeça: construir um reservatório para armazenar água para os tempos de estiagem. A partir da cisterna de Nel, entidades se organizaram e bateram na porta do ministro do Meio Ambiente na época, José Sarney Filho. A fase piloto foi implementada no último ano da gestão de FHC, em 2002, e virou política pública, sob o guarda-chuva do programa Fome Zero, na gestão do ex-presidente Lula. “Mas houve um trabalho de convencimento antes”, pondera Cícero dos Santos.

Cisterna em comunidade rural do Senegal, uma das primeiras da fase piloto do projeto.
Cisterna em comunidade rural do Senegal, uma das primeiras da fase piloto do projeto. M. R.

Passados alguns anos da construção das primeiras cisternas brasileiras, Santos lembra que a realidade do semiárido começou a se transformar. “A nossa conquista foi tirar a lata d’água da cabeça das mulheres”, diz. “Antes, o primeiro presente que uma criança ganhava, lá pelos cinco anos, era uma latinha dessas de tinta, para colocar na cabeça. Os meninos carregam no ombro, pendurada por um pau, porque os homens não têm tanto equilíbrio quanto as mulheres”, explica ele.

O ovo de Colombo

José Graziano, ex-ministro extraordinário de Segurança Alimentar e Combate à Fome do Governo Lula, foi quem encabeçou as ações do projeto brasileiro. Hoje, à frente da direção-geral da FAO, foi ele quem teve a ideia de levar as ações desenvolvidas no Brasil para a África. “Estive pela primeira vez no Senegal em 2013, e perguntei por que não havia cisternas lá”, disse, por telefone, de Roma, onde fica a sede da FAO. Ele conta que enfrentou dificuldades para convencer as autoridades sobre a viabilidade de sua ideia. “No início, houve uma certa descrença, assim como houve com o projeto um Milhão de Cisternas no Brasil”, diz. “As pessoas sempre pensam que a solução dos problemas imediatos depende de coisas sofisticadas e muito caras. Quando você aparece com uma solução simples e inovadora, é como Colombo, que pôs o ovo em pé”.

Mulher caminha com balde d'água na cabeça em Dahra, Senegal.
Mulher caminha com balde d’água na cabeça em Dahra, Senegal. M. R.

Coumba Sow, que trabalhava com Graziano em Roma na época, e hoje atua na FAO a partir de Dacar, era uma das “descrentes”. “Quando se falava no programa Fome Zero e na construção de um milhão de cisternas, parecia surreal”, lembra ela. “Mas fomos até o Brasil e vimos que era possível”. Hoje, as cerca de 1,3 milhão de cisternas fazem parte da paisagem quando se anda pelo semiárido brasileiro. E o projeto africano pretende, aos poucos, fazer o mesmo pela geografia do continente. Graziano explica que o objetivo para os próximos três anos é de levar reservatórios a 10.000 mulheres do Sahel. “A cisterna não é só a água potável, é a melhoria das condições de vida e da habitação. Esse é o conceito que levamos do Brasil para a África, com bons resultados”.

O efeito positivo da etapa piloto do projeto africano pretende sensibilizar investidores e o Governo para tornar a construção de cisternas uma política pública, assim como ocorreu no Brasil. Com 15,8 milhões de habitantes no Senegal, e mais da metade da população vivendo em áreas rurais, o programa terá de ser ainda mais ambicioso que a versão brasileira, além de levar em conta algumas adaptações. De maneira geral, o continente africano está algumas décadas atrás do Brasil em termos de desenvolvimento. Um exemplo é a falta de rede elétrica e o telhado de sapé nas casas da zona rural visitadas pela reportagem. Como o telhado é parte fundamental para a captação da água da chuva que será armazenada, foi preciso construir uma espécie de telhado grande de alumínio, de 60 metros quadrados, para captar a água. A chuva, cai somente ao longo de três meses no país, que é dividido em duas estações: quente e seca e quente e chuvosa, sendo essa entre julho e outubro.

Essa escassez de chuvas no Senegal é ainda maior que no Brasil. Ainda assim, a seca brasileira, tema praticamente esquecido pelos candidatos à presidência durante a eleição deste ano, é uma questão que não está totalmente sanada. Durante o pleito, o presidente eleito Jair Bolsonaro afirmou que pretendia importar a tecnologia de Israel para dessalinizar a água do mar e garantir a distribuição de água no Brasil. Mas para Cícero dos Santos, da ASA, a proposta mostra “desconhecimento” do presidente sobre a região. “Temos o semiárido mais populoso e chuvoso do planeta. Não falta água, faltam políticas públicas que garantam captação, distribuição e gestão das águas da chuva”, diz. “Isso sim resolve o problema da escassez”.

Categorias

blogs

Vídeo

RECENTES