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FONASC DIVUlGA – ARTIGO “Governo poderia privatizar Aquífero Guarani como sugerem mensagens nas redes?”

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mar
14

Governo poderia privatizar Aquífero Guarani como sugerem mensagens nas redes?

Evanildo da Silveira
De São Paulo para a BBC Brasil
  • Represa do Broa, Itirapina, SP
Image captionAquífero Guarani se espalha por oito Estados brasileiros e quatro países da América do Sul | Foto: Rubens Chiri/ Governo de São Paulo

 

 

Textos que falam sobre um suposto “discreto encontro entre o presidente Michel Temer e o presidente da Nestlé, Paul Bulcke” que teriam “acelerado as negociações para a concessão a multinacionais para explorar o Aquífero Guarani” voltaram a circular pelas redes sociais em fevereiro deste ano, mas existem, pelo menos, desde 2016.

O Sistema Aquífero Guarani (SAG) é uma das duas maiores reservas subterrâneas de água do Brasil e uma das maiores do mundo, com 1,2 milhão de quilômetros quadrados de extensão em quatro países: Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. Dessa área, 840 mil quilômetros quadrados ficam no território nacional.

Segundo especialistas, o reservatório pode ter um volume de até 40 mil quilômetros cúbicos de água entre suas rochas, manancial equivalente a 16 bilhões de piscinas olímpicas ou 100 anos de fluxo cumulativo do rio Paraná.

O maior deles, no entanto, é o Sistema Aquífero Grande Amazônia (Saga), com reservas estimadas em 162 mil quilômetros cúbicos. De acordo com pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA), isso seria o suficiente para abastecer a população atual do mundo, 7 bilhões de pessoas, por 250 anos, considerando um consumo individual médio de 150 litros de água por dia e uma expectativa de vida de 60 anos.

Essas reservas não são, como se poderia imaginar, rios ou lagos subterrâneos. São como espécies de esponjas gigantes, com a água ocupando os interstícios das rochas, como poros, fissuras ou rachaduras.

Em linguagem mais técnica, um aquífero é definido como uma unidade geológica saturada pela água, constituída de rocha ou sedimento,suficientemente permeável para permitir sua extração de forma econômica e por meio de métodos convencionais.

Mas o governo brasileiro poderia, de fato, privatizá-los?

Negativas do governo

Questionada pela BBC Brasil, a Secretaria Especial de Comunicação (Secom), ligada à Secretaria Geral da Presidência da República, afirma que, ao contrário do que dizem os textos nas redes sociais, não houve reunião entre Temer e o executivo belga Paul Bulcke, atual presidente da Nestlé, durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, no final do mês de janeiro.

Mapa

Image captionO maior aquífero brasileiro é o Sistema Aquífero Grande Amazônia (Saga), com reservas estimadas em 162 mil quilômetros cúbicos

“Houve um jantar promovido pelo Fórum Econômico Mundial em que os dois estavam presentes”, diz a nota.

Ainda de acordo com a Secom, “não há no Governo qualquer discussão em torno desse assunto (a possível privatização do Aquífero Guarani)”. A assessoria de imprensa da Casa Civil da Presidência da República reforça a negativa: “Não há nada a respeito disso em análise pela Casa Civil”.

De qualquer forma, não seria fácil levar a ideia adiante, segundo pesquisadores. “Não existe qualquer possibilidade de privatização dos mananciais subterrâneos ou dos recursos hídricos brasileiros se for seguida a legislação vigente”, diz o professor e pesquisador Rodrigo Lilla Manzione, da Faculdade de Ciências e Engenharia da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

“Segundo a Constituição Federal e a Lei 9.433/97 (Lei das águas), as águas são de domínio público, o que não permite qualquer direito de propriedade sobre elas.”

Além disso, do ponto de vista jurídico, lembra Manzione, as águas subterrâneas estão sob o domínio dos Estados que as abrigam. Ou seja, cada Estado da federação pode ter uma legislação específica para elas e o Governo Federal não pode interferir.

Para mudar essa situação e tornar os aquíferos passíveis de privatização seriam necessárias mudanças na Constituição, por meio de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC). O pesquisador da Unesp acha difícil que isso ocorra. “O sistema brasileiro é avançado e maduro o suficiente de forma a não permitir eventuais retrocessos na gestão dos recursos hídricos”, opina.

O geólogo Ricardo Hirata, do Instituto de Geociências e vice-diretor do Centro de Pesquisas de Águas Subterrâneas (Cepas), ambos da  Universidade de São Paulo (USP), diz que hoje muitas cidades utilizam, há anos, aquíferos como mananciais exclusivos ou como fonte complementar de abastecimento público, e seria difícil reverter isso.

A própria extensão dos aquíferos brasileiros seria outro obstáculo. “Qualquer empresa que o adquirisse teria que ter um sistema de vigilância em todo o território do manancial para garantir que ele não fosse usado por terceiros”, explica.

Possibilidade de abastecimento

Segundo o Mapa das Áreas Aflorantes dos Aquíferos e Sistemas Aquíferos do Brasil, elaborado pela Agência Nacional de Águas (ANA), existem 182 aquíferos distribuídos pelo território nacional, inclusive no Nordeste, região periodicamente assolada pela seca.

Afloramento do Aquífero Guarani

Image captionAquíferos são como esponjas gigantes em que a água ocupa os insterstícios das rochas; em algumas partes, há afloramento | Foto: Rodrigo Sanches Rodrigues

O Aquífero Guarani, o mais conhecido no Brasil, se estende por oito estados brasileiros (Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), além de Paraguai (58.500 km²), Uruguai (58.500 km²) e Argentina (255.000 km²). Sua espessura média é de 250 metros, podendo variar de 50 a 600 metros, e ele tem profundidade que chega a ser superior a 1 mil metros em alguns trechos.

Isso o torna um reservatório com potencial para abastecer grandes cidades por vários anos. Parte desse manancial já vem sendo usado. Um estudo da Organização dos Estados Americanos (OEA), sob supervisão do Banco Mundial e com verbas do Fundo de Meio Ambiente das Nações Unidas (GEF), durante o período de 2003 a 2009 mapeou, de forma regional, a extração e os usos das águas subterrâneas do SAG.

De acordo com o levantamento, cerca de 1,04 km3 de água é extraído por ano, sendo 94% no Brasil, dos quais 50% no Estado de São Paulo, seguidos pelo Rio Grande do Sul (14%), Paraná (14%), Mato Grosso do Sul (12%). Do restante, 3% são usados pelo Uruguai, 2% pelo Paraguai e 1% pela Argentina.

“Algo como 80% do total extraído é utilizado para o abastecimento público, 15% para indústria e 5% para turismo (estâncias hidrotermais)”, diz Ricardo Hirata. “Mas tem se intensificado também o uso da água na agricultura, para irrigação, e em empreendimentos agroindustriais nos últimos anos.”

Riscos da exploração

Nem toda água do SAG pode ser utilizada, e são necessários cuidados para que ela não seja poluída ou esgotada. Segundo Manzione, a extração e uso de seu manancial dependem de estudos caso a caso. “Esse aquífero possuí características distintas, dependendo das configurações geológicas locais e regionais, variando de Estado para Estado, de país para país.”

De acordo com ele, existem porções aflorantes do SAG e outras confinadas, com comportamentos completamente distintos do ponto de vista hidrogeológico.

“Áreas de afloramento (exposição da rocha na superfície da terra) são mais vulneráveis à poluição e demandam um monitoramento contínuo da qualidade e quantidade de suas águas”, diz. “Por isso, ao se adotar essa água como fonte de abastecimento é necessário um estudo prévio da qualidade dela, pois existem locais com possibilidade de contaminação natural, em virtude do material rochoso com o qual ela está em contato.”

Hirata também diz que é importante distinguir zonas com diferentes características para a extração e uso do líquido. “O SAG tem 10% de sua área em condição não confinada, onde as águas são jovens e há recarga direta pela chuva”, explica.

“Nesses locais a exploração sustentável depende da recarga. Estima-se que seja possível retirar algo como 20 a 30 km3 por ano em toda a sua extensão aflorante ou próxima ao afloramento.”

Alter do Chão

Image captionSistema Aquífero Grande Amazônia é extensão do aquífero Alter do Chão | Foto: Cristino Martins/Agência Pará

Em sua porção confinada sob as rochas de basalto, no entanto, as águas são muito antigas, com mais de 10 mil anos. Nesse caso, diz-se que esse aquífero tem águas fósseis e a exploração é do tipo mineração. Ou seja, se retira um volume que não é renovado.

“Essa retirada é de apenas 2.130 km³ para todo o aquífero confinado. Em resumo, o SAG tem um imenso potencial ainda pouco explorado, mas que, devido às características de confinamento, requer cuidado, pois é um recurso limitado e sujeito a superexploração, sobretudo em áreas onde há grande densidade de poços.”

Sem a recarga pela chuva ou com a retirada excessiva de água, o manancial pode se esgotar. Manzione dá um exemplo concreto. “Em Ribeirão Preto, o crescimento da cidade foi maior do que a capacidade das águas subterrâneas se renovarem, levando a rebaixamentos sistemáticos nos últimos 40 anos, mesmo estando em uma área onde existe recarga”, conta.

“São necessárias ações de gestão por parte dos órgãos responsáveis para procurar equalizar a situação, pois o município não dispõe de recursos hídricos superficiais suficientes para auxiliar no abastecimento.”

Descoberta em outros países

O Sistema Aquífero Grande Amazônia (Saga), por sua vez, é uma extensão de um aquífero já conhecido, chamado Alter do Chão, que tinha um volume estimado de 86 mil quilômetros cúbicos. Há pouco mais de 10 anos, pesquisadores da UFPA e da Universidade Federal Ceará (UFC) começaram a estudá-lo mais detalhadamente e, para sua surpresa, descobriram que ele tem quase o dobro desse volume.

As pesquisas revelaram ainda que o sistema se estende por mais de 1.800 km desde o Peru e a Colômbia, entrando pelo Acre, no Brasil, e indo até a ilha de Marajó, com uma largura que varia de 250 a 500 km e uma espessura que vai de 1.200 a 7.000 metros.

Na verdade, o Saga integra um sistema hidrogeológico que abrange as bacias sedimentares do Acre, Solimões, Amazonas e Marajó, com uma superfície total de 1,3 milhão de quilômetros quadrados. Mas esse aquífero é ainda menos explorado que o Guarani.

 

INTERNACIONAL – ‘ESTADO DE GUERRA’: CIDADE DO CABO PODE FICAR SEM ABASTECIMENTO DE ÁGUA

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fev
20

‘ESTADO DE GUERRA’: CIDADE DO CABO PODE FICAR SEM ABASTECIMENTO DE ÁGUA
Os quatro milhões de residentes da Cidade do Cabo, na África do Sul, já estão alarmados com o aviso: o abastecimento de água está perigosamente perto de acabar por causa da seca que atinge a região há três anos

Falta água em Cidade do Cabo

Falta água em Cidade do Cabo

Texto: do Portal Gazeta do Povo
Data: 20/02/2018

Mais parece nome de filme de Hollywood: o “Dia Zero” chega à Cidade do Cabo no mês de abril. Estejam todos avisados.

O governo adverte que a ameaça vai superar qualquer coisa que uma cidade grande já tenha enfrentado desde a Segunda Guerra Mundial ou dos ataques de 11 de setembro. Negociações já estão em curso com a polícia da África do Sul porque “o policiamento normal será completamente inadequado”. Os habitantes, cada vez mais nervosos, sussurram entre si, preocupados com o caos iminente.

A razão para o alarme é simples: o abastecimento de água da cidade está perigosamente perto de acabar.

Se os níveis de água continuarem caindo, a Cidade do Cabo deve declarar o Dia Zero em menos de três meses. Torneiras em residências e empresas serão desligadas até que a chuva venha. Os quatro milhões de residentes da cidade terão que fazer fila para receber água racionada em 200 pontos de coleta.

“Quando o Dia Zero chegar, será preciso chamar o exército”, disse Phaldie Ranqueste, que estava carregando sua caminhonete branca com grandes recipientes de água em uma nascente natural, onde as pessoas esperaram em uma fila longa e ansiosa.

Isso não deveria ter acontecido com a Cidade do Cabo, conhecida por suas políticas ambientais, incluindo a gestão cuidadosa da água em uma região cada vez mais árida.

Mudança climática – Mas depois de uma seca de três anos, considerada a pior em mais de um século, autoridades sul-africanas dizem que a metrópole corre agora o sério risco de se tornar uma das poucas do mundo a não ter água canalizada para residências e a maioria das empresas.

Hospitais, escolas e outras instituições vitais ainda terão água, dizem as autoridades, mas a escala do desligamento será severa.

Os problemas aqui representam um dos grandes perigos da mudança climática: o crescente risco de grandes secas recorrentes. Na África, um continente particularmente vulnerável aos efeitos das alterações do clima, esses problemas servem como um aviso inequívoco para outros governos, que normalmente não têm os recursos dessa cidade e fizeram pouco para se adaptar.

Por enquanto, os líderes políticos locais falam em união para “derrotar o Dia Zero”. Como os níveis de água nas represas que abastecem a cidade continuam a cair, a prefeitura luta para terminar as usinas de dessalinização e aumentar a produção de água subterrânea. A partir de fevereiro, os moradores vão enfrentar multas mais severas se excederem seu novo limite diário, que agora diminuiu de 87 litros por pessoa/dia para até 50 litros.

Passado ‘verde’ – Apenas dois anos atrás, a situação não poderia ser mais diferente: em 2014, as represas estavam completamente cheias, depois de anos de muita chuva. No ano seguinte, o C40, um grupo de cidades focado nas alterações climáticas em todo o mundo, premiou a Cidade do Cabo por sua “implementação adaptativa” da gestão de água.

Ela foi descrita como uma das principais cidades “verdes” do mundo, e a Aliança Democrática, o partido da oposição que a administra desde 2006, tinha orgulho de sua ênfase em sustentabilidade e meio ambiente.

Os elogios reconheciam o êxito inegável da cidade na conservação da água. Embora a população tivesse aumentado em 30 por cento desde o início dos anos 2000, o consumo global permanecia constante. Muitos dos recém-chegados se estabeleceram nas áreas pobres da cidade, que consomem menos e de fato ajudaram a derrubar o volume de uso per capita.

Abastecimento – Porém, as medidas de conservação – como o conserto de vazamentos e canos velhos, a instalação de medidores e o ajuste de tarifas – tiveram um efeito poderoso. Talvez poderoso demais. A cidade poupa tanta água que a busca por novas fontes cessou.

Durante anos, a Cidade do Cabo foi avisada que precisava aumentar e diversificar seu abastecimento. Quase toda sua água ainda vem de seis represas dependentes das chuvas, situação de risco em uma região árida com um clima que está mudando. As represas, que estavam cheias a apenas alguns anos atrás, agora estão com cerca de 26 por cento da capacidade, dizem as autoridades.

A cidade está ficando mais quente nos últimos anos, e um pouco mais seca durante o último século, de acordo com Piotr Wolski, hidrólogo na Universidade da Cidade do Cabo que mediu a precipitação média desde o início do século XX até o presente.

Os modelos climáticos mostram que a cidade está destinada a encarar um futuro mais seco, com chuvas se tornando mais imprevisíveis nas próximas décadas.

“Os anos mais secos deverão ser mais secos do que já foram, e os mais úmidos não serão tão úmidos assim”, disse Wolski.

Em 2007, o Departamento de Questões Hídricas da África do Sul alertou que a cidade precisava considerar o aumento de seu suprimento com águas subterrâneas, dessalinização e outras fontes, citando o efeito em potencial da mudança climática.

Mike Muller, que já foi diretor do departamento, entre 1997 e 2005, disse que a estratégia de conservação de água, sem a busca por novas fontes, foi uma “das principais geradoras dos problemas da Cidade do Cabo”.

“A natureza não está particularmente disposta a cooperar. Haverá secas severas e quem não estiver preparado para isso vai sofrer”, acrescentou.

Ian Neilson, o vice-prefeito, disse que novos suprimentos de água são parte dos planos da cidade, mas “não dava para prever que seriam necessários tão cedo”.

Outras cidades enfrentam uma grave escassez. Milhões de brasileiros passaram por racionamento por causa de secas prolongadas. Brasília, a capital, declarou estado de emergência há um ano. Especialistas dizem que a falta de água no Brasil se deve à mudança climática, à rápida expansão da agricultura, à infraestrutura ruim e ao planejamento ineficaz.

Responsabilidade política – Aqui na Cidade do Cabo, ela intensificou as divisões políticas, especialmente porque grande parte da responsabilidade pela construção de infraestrutura de água é do governo central, liderado pelo Congresso Nacional Africano.

“O governo nacional fez corpo mole”, disse David Olivier, que estuda a mudança climática na Universidade do Instituto de Mudança Global de Witwatersrand.

O governo federal controla o fornecimento de água da Cidade do Cabo, de outros municípios e do setor agrícola da província, incluindo a grande indústria do vinho, a leste da cidade. Nos primeiros dois anos da seca, dizem os especialistas, as autoridades não conseguiram limitar o abastecimento de água dos agricultores, intensificando o problema.

Mas a prefeitura também cometeu erros: no ano passado, em vez de se concentrar no que estava mais ao alcance, como acessar aquíferos locais, a administração preferiu construir unidades temporárias de dessalinização, segundo Kevin Winter, especialista em água do Instituto da Água do Futuro, da Universidade da Cidade do Cabo.

“A construção de módulos de dessalinização leva muito tempo, de três a cinco anos, e a um custo considerável. E fica ainda mais caro construí-las durante uma crise”, afirmou ele.

Neilson, o vice-prefeito, reconheceu que “perdemos tempo”. “A cidade exige agora uma mudança drástica”, disse ele.

Ela está intensificando seus esforços para reduzir o consumo. Com a água e o tempo se esgotando, Neilson disse estar consciente de que é preciso assustar as pessoas para que mudem seu comportamento, mas sem levá-las ao pânico, e acrescentou: “Acho que ainda não descobrimos como fazer isso”.

Estoque de água – Até agora, apenas 55 por cento dos residentes atingiram a meta de 87 litros por dia.

Com a aproximação do Dia Zero, algumas pessoas estavam estocando a água recolhida em duas nascentes naturais na cidade; outras estavam comprando caixas d’água extras.

Em Constantia, um subúrbio de condomínios fechados com grandes casas com piscinas, alguns moradores estavam instalando tanques de água no quintal.

Em uma delas, Leigh De Decker e Mark Bleloch disseram que haviam reduzido o uso da água pública a 20 litros por dia – costumava ser de 500 litros diários antes da seca. Eles agora têm dois tanques de dez mil litros de água de poço tratada e estavam esperando a entrega de dois tanques adicionais.

Ambos preveem que devem zerar o consumo da água fornecida pela cidade várias semanas antes do Dia Zero, e estimam que vão gastar algo em torno de US$4.200 para se tornar completamente autossuficientes.

“Isso permite que você mantenha seu estilo de vida sem utilizar os recursos de que outras pessoas precisam”, disse De Decker.

INTERNACIONAL – UNA PERICIA DEL GOBIERNO CONFIRMÓ QUE UNA MINERA CHILENA CONTAMINÓ EL LADO ARGENTINO DE LA CORDILLERA

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set
13

Internacional – Una pericia del Gobierno confirmó que una minera chilena contaminó el lado argentino de la cordillera

Texto: Divulgação
Data: 13/09/2017

El estudio encontró que la concentración de metales pesados en una laguna cercana es hasta 71 mil veces superior a lo recomendado

El estudio encontró que la concentración de metales pesados en una laguna cercana es hasta 71 mil veces superior a lo recomendado

Una pericia encargada por la Justicia al Ministerio de Ambiente y Desarrollo Sustentable confirmó que la empresa chilena Antofagasta Minerals contaminó San Juan, a la altura del departamento de Calingasta. El estudio encontró que la concentración de metales pesados en una laguna cercana a la mina Los Pelambres es hasta 71 mil veces superior a lo recomendado. Y que nueve de las diez muestras de roca que se tomaron pueden desencadenar un proceso capaz de generar daños irreversibles en el medio ambiente.

El tema fue puesto en agenda tras una investigación de Infobae publicada en junio del año pasado. Todo comenzó cuando en 2004 el gobierno chileno autorizó que la poderosa Antofagasta Minerals instalara la escombrera Cerro Amarillo al norte de Los Pelambres, la séptima mina de cobre más grande del mundo. La empresa arrojó allí todos los desechos de su producción entre 2007 y 2012. Un año antes la firma se percató que la mitad de ese “megabasurero” minero está del lado argentino de la frontera. Son 52 hectáreas, algo así como 70 canchas de River Plate, en las que están alojadas 20 millones de toneladas de rocas supuestamente estériles, pero potencialmente contaminantes.

En el gobierno argentino conocen la existencia de la escombrera al menos desde 2014, aunque el tema se mantuvo en las sombras. Este medio publicó hace unos meses, a partir de un pedido de acceso a la información pública, un estudio realizado ese año por el Servicio Geológico Minero Argentino (Segemar), que al igual que la pericia que ahora se conoció también halló niveles altos de metales pesados en una laguna y un arroyo ubicados en el valle del río de la Carnicería, que alimenta al río San Juan.

Habrá que ver cómo repercute este nuevo estudio en las relaciones bilaterales con Chile. Está probado a partir de una serie de mails publicados por la prensa del país vecino que el gobierno trasandino ayudó a la empresa a liberarse de culpa y cargo. En concreto, el Ministerio de Minería que conduce Aurora Williams, una ex empleada de Antofagasta Minerals, participó de una maniobra para hacer pasar un estudio del laboratorio privado SGS, que trabaja para la minera, por una pericia oficial que arrojaba que no había indicios de contaminación. Hubo también otras gestiones de dudosos fines.

 

La pericia

El nuevo análisis del gobierno argentino al que Infobae accedió confirmó lo que otros estudios ya habían detectado: que “la presencia de la Escombrera Cerro Amarillo constituye una fuente cierta de dispersión de sustancias contaminantes” y que es “una fuente de generación de Drenaje Ácido de Roca y metales pesados con potencial de generar un daño ambiental”.

Lo primero que advirtieron los expertos del Ministerio de Ambiente es que la escombrera no está aislada. No hay ninguna obra para contener el flujo de sus aguas. Es un tema fundamental, ya que mientras los ambientalistas reclaman su remoción, Antofagasta Minerals se había comprometido a realizar un trabajo de aislamiento que, según la pericia, no parecería haber comenzado.

Con respecto a las lagunas que están alrededor de la escombrera, la pericia detectó que “una porción sustancial de la superficie de las lagunas se encuentra directamente ocluida por la escombrera, lo cual supone una afectación directa del 53% de la superficie original de las lagunas”. En otras palabras, desaparecieron la mitad de los cuerpos de agua por acción directa de la minera chilena. Esa superficie podía ascender al 94% por la influencia de los ciclos hidrológicos.

Con respecto a la calidad de las aguas que descienden de la escombrera y desembocan en el Río de la Carnicería “se observó una afectación con metales pesados significativa en el punto de muestreo más cercano a la escombrera”.

En las lagunas más próximas a la escombrera se detectaron “altas concentraciones de sulfatos, lo que constituye un indicador de un posible proceso de acidificación” que también “se observa en las variaciones de pH de los distintos cuerpos de agua de la zona”. Asimismo, se encontraron de manera significativa nitratos y nitritos que provienen de los explosivos utilizados por la mina.

Pero lo que más preocupa es que las concentraciones de metales pesados y otros elementos en esas lagunas “se ven incrementadas por la influencia directa de la escombrera” y “alcanzan valores que se encuentran hasta 71 mil veces por arriba de los niveles regulados” por el reglamento de la ley de residuos peligrosos.

Aquí hay que hacer una salvedad: los peritos subrayaron que no hay dudas de la relación causal entre las altas concentraciones de metales en la escombrera y en los cuerpos de agua aledaños, lo que queda claro, entre otras cosas, por los altos niveles de cobre, que es el mineral que se extrae de Los Pelambres. En la pequeña laguna LC04 hay 142.900 miligramos de cobre por litro, cuando el valor recomendado para la vida acuática es de 2 miligramos por litro. Los valores, a su vez, descienden a medida que el agua se aleja del botadero.

Pero la única preocupación no es por el cobre. En ese cuerpo de agua, la concentración del aluminio, por ejemplo, es 19 mil veces superior a la recomendada; en el caso del manganeso es 154 veces mayor. También es más de 100 veces superior la concentración total de metales pesados como el cadmio o el cinc.

La última cuestión que destacaron los especialistas tiene que ver con la capacidad de la escombrera de desarrollar Drenaje Ácido de Roca (DAR), que es un proceso que genera ácidos capaces de disolver metales y transportarlos a los cuerpos de agua. Puede perdurar por siglos si no es manejado adecuadamente y los daños que provoca pueden llegar a ser irreversibles. De las 10 muestras que se tomaron de la escombrera, nueve son capaces de generar DAR. “Existe un gran posibilidad de que estos metales lleguen a los suelos y a las napas generando contaminaciones”, fue la conclusión. (Infobae)

Texto escrito por Juan Parrilla no site Infobae

INTERNACIONAL – “COLOCAM A HUMANIDADE NO LIMITE” – OS RISCOS DAS CULTURAS GENETICAMENTE MODIFICADAS

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jul
14

INTERNACIONAL – “COLOCAM A HUMANIDADE NO LIMITE” - OS RISCOS DAS CULTURAS GENETICAMENTE MODIFICADAS

Texto: do Portal Instituto Humanitas Unisinos
Data: 14/07/2017

Shiva pressionou o tribunal civil internacional que julgou a Monsanto e a considerou culpada de ecocídio. Ela pediu ao Supremo Tribunal a suspensão da Soja Intacta RR2 da empresa Monsanto, pelos sérios riscos envolvidos.

 

 

Vandana Shiva pediu para ser considerada como amicus curiae para emitir opiniões sobre a soja da Monsanto.

“É um dia para lembrar que somos parte da Terra e que todos nós temos o dever de cuidar dela. Que dois séculos de desenvolvimento impulsionado por combustíveis fósseis estão colocando a humanidade no limite. E nós temos que mudar de rumo.”

Com esta decisão, a filósofa e ecofeminista indiana Vandana Shiva, ganhadora do Prêmio Nobel Alternativo de 1993, começou a carta reproduzida em todo o mundo a partir do Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado em 5 de junho. Mas o rumo de suas preocupações, cujo foco agora é os problemas ambientais que assolam o planeta, fica na Argentina.

Algumas semanas atrás, Shiva conseguiu que um documento judicial chegasse ao Supremo Tribunal, para participar no julgamento que a ONG Naturaleza de Derechos iniciou contra a empresa Monsanto e o Estado Nacional, tentando proibir a liberação e comercialização da soja transgênica RR2 em território argentino.

Tendo se tornado uma das principais referências mundiais dentro dos movimentos ambientais, Vandana Shiva foi uma das promotoras da criação do Tribunal Civil da Monsanto, que durante outubro de 2016 recebeu dezenas de testemunhos de todo o mundo sobre as implicações dos pesticidas e órgãos geneticamente modificados para a saúde e o ambiente e, em abril do ano passado, declarou a Monsanto culpada pelo crime de ecocídio no Tribunal Internacional de Haia.

Depois de sua visita à Argentina no ano passado, durante o Festival de Cinema Ambiental, realizado na cidade de Buenos Aires, Shiva vinculou-se a organizações socioambientais locais, formando uma ponte para que no último 22 de maio pudesse recorrer ao Supremo Tribunal por escrito, declarando seu interesse em “apresentar-se no processo judicial como Amicus Curiae, a fim de opinar ao Tribunal quanto à necessidade de decretar a suspensão da Soja Intacta RR2 da empresa Monsanto Argentina SAIC, que representa um risco de dano grave e irreparável à agricultura tradicional, à saúde humana, ao ambiente e à biodiversidade”.

No mesmo documento, Shiva explica ao Supremo Tribunal a necessidade de uma audiência pública antes do tratamento do caso que acaba de chegar a suas mãos, consultando a opinião de especialistas independentes sobre os Organismos Geneticamente Modificados (OGM). Sem esse passo, para a filósofa hindu, é impossível determinar os efeitos sociais e ambientais dos agrotóxicos da Monsanto, cuja inocuidade alimentar e ambiental -alegada pela multinacional desde seu começo – nunca foi provada em estudos de longo prazo. Além disso, Shiva aponta que o cultivo transgênico do RR2 está preparado para um solo, dos mais de dez sub-biomas da Argentina, e que os efeitos que podem causar sobre o resto do território são desconhecidos.

Logo após receber uma menção especial em Nova Deli por sua “vida de serviço à Terra” durante o Dia Mundial do Meio Ambiente, Shiva participou do funeral de Madhav Dave, o ministro do Meio Ambiente hindu que havia sido ameaçado por desaprovar a mostarda transgênica da Monsanto na Índia e que foi encontrado morto em sua casa em 18 de maio. Ao chegar em sua cidade natal, Dehradun, Vandana Shiva concedeu a entrevista para discutir o cenário ambiental complexo no qual estamos imersos.

Eis a entrevista.

Quais são os problemas ambientais mais graves que a humanidade enfrenta atualmente?

O problema mais profundo é a continuidade da visão de mundo mecanicista, que vê a natureza como algo inerte, como matéria-prima a ser explorada, como um depósito para os nossos resíduos. Esta visão de mundo ganhou força com os combustíveis fósseis, e ganhou o mundo através do colonialismo, destruindo as culturas Bhoomi, Pachamama, Gaia, que veem a Terra como um ser vivo, e os seres humanos como parte da terra. Todas as várias expressões da crise ecológica – o caos climático, a erosão da biodiversidade, a extinção de espécies, o desaparecimento e poluição da água, a desertificação, a poluição tóxica – estão relacionadas a este paradigma mecanicista cristalizado.

Quais são as expressões materiais mais perigosas deste paradigma mecanicista?

Como ecologista e ativista, vejo a agricultura industrial como a fonte mais importante de destruição da saúde do planeta e da nossa saúde. Setenta e cinco por cento da destruição do solo, da falta de água, da erosão da biodiversidade relacionam-se com o impacto dos produtos químicos na agricultura. Estes produtos químicos são derivados de combustíveis fósseis e a agricultura industrial é responsável por metade dos gases de efeito estufa que poluem a atmosfera e causam instabilidade climática. Os alimentos desta agricultura também são responsáveis por 75% das doenças crônicas que afetam a humanidade. A pulverização de Roundup na Argentina, na soja Roundup Ready, levou a uma epidemia de câncer. A Monsanto sabia disso desde 1984. No entanto, eles mentiram que o glifosato do Roundup era seguro. Mas temos uma alternativa comprovada na agroecologia de cultivo de alimentos sem venenos. A agricultura livre tornou-se uma alternativa para o ambiente e a saúde. E acredito que está acontecendo uma grande mudança de consciência.

Que possibilidades abrem-se para proibir o cultivo transgênico depois que Haia condenou a Monsanto por crimes contra o meio ambiente?

Acredito que está se tornando inaceitável para as pessoas que empresas que cometem crimes e governos desonestos destruam a terra sem se responsabilizar de forma alguma, violando o princípio de que o poluidor deve pagar. Acho que o mundo está se abrindo para entender o ecocídio como um verdadeiro crime contra a natureza.

Há poucas semanas, depois de visitar a Argentina em 2016, a senhora enviou um documento ao Supremo Tribunal para testemunhar contra a corporação Monsanto. Quais são suas impressões sobre a situação no país?

Na Argentina e na Índia, a Monsanto está atacando as leis de patentes que reconhecem que somos parte da família da Terra, que as plantas e os animais não são invenções humanas e, portanto, não são patenteáveis. A ganância da Monsanto ao cobrar direitos autorais através de patentes sobre sementes está levando-a a atacar nossas leis nacionais e a soberania das sementes.

Que países já proibiram o uso de culturas geneticamente modificadas?

A maior parte da Europa é livre de OGM, a maior parte da Ásia é livre de OGM. Com exceção do algodão transgênico, a Índia não tem nenhum cultivo de alimentos geneticamente modificados. A Monsanto tentou empurrar a berinjela transgênica. Audiências públicas foram organizadas em todo o país e eles pararam. Por dois anos, a Monsanto-Bayer vem tentando empurrar uma mostarda transgênica que conseguimos deter até agora. O Satyagraha (um termo cunhado por Mahatma Gandhi para se referir à “força da verdade”) e a não-cooperação com o Cartel del Veneno são nossas últimas estratégias de organização para ter zonas livres de OGM e venenos.

As mudanças ambientais, sobretudo o aquecimento global, agora ameaçam erradicar a vida no planeta a curto ou médio prazo. Você acha que é possível reverter esta situação?

O mundo não vai acabar com o aquecimento global. O que vão terminar são as condições de vida humana na terra. Cientistas como Stephen Hawking dizem que vamos ser extintos em 100 anos ou devemos fugir para outros planetas. Mas há uma terceira opção, reconhecer que somos terráqueos, membros da família da terra. Podemos rejuvenescer este planeta, nosso lar, através da agroecologia, e criar condições para a continuação da vida humana e de outros seres vivos na Terra. A Agroecologia não é apenas a solução para a epidemia de veneno e de doença. É a solução para a mudança climática, porque através das plantas e da biodiversidade se extrai o excesso de carbono e nitrogênio do ar, que são devolvidos ao solo, como escrevi no livro Soil not Oil. Ficar aqui e cuidar da Terra também nos permite cuidar do nosso futuro. Esta é a nossa melhor opção. É um imperativo ecológico.

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